– Você é uma menina de sorte, em – fala Raissa para a pequena Sophia – E o seu pai...- ela sorri a pensar no homem, mesmo não sabendo exatamente como ele fez aquilo – ele é um grande homem.

– Ai, acho q sei o que o Billy fez – diz Iasmin abrindo a porta do quarto.

– Billy? Hã... sim, claro!

Elas descem as escadas e vão a te a sala de estar onde o corpo do homem descansa sobre um tapete velho. Ele esta seminu exibindo suas tatuagens e os riscos de caneta com suas informações.

– Poderiam dar o óscar de mente brilhante a esse cara – brinca Harry

– Ele foi mordido antes de se equipar todo, deve ter entrado em pânico, óbvio com uma bebê, então ele arrumou um jeito de mesmo morto salvar sua filha.

– Sim, ele usou a cadeirinha do carro nas costas para carregar e não matar a própria filha. – Acrescenta Iasmin.

– Ele distraiu, pelo menos pro um tempo, a Sophia com um balão – continua Lya – mas o balão não durou muito.

– C-como... como alguém pode pensar nisso – se surpreende Raissa olhando as marcas no corpo do homem .

– è ele pensou em quase tudo, quase. Se Sophia ficasse mais quatro dias, ou ate menos, sem comer ou beber morreria – Finaliza Lya.

...

– Você esta bem ?

– Ah, é que... Os olhos dela me lembram os da Amy. Ela... – Raissa é interrompida pelo seu próprio choro – Iasmin, você acha mesmo que vou achar meus pais ? E se eles...

– Não, não, não pense isso. Sairemos em busca deles, ta? Não devem ter ido muito longe – conforta Iasmin

–... é isso que me preocupa: ´´eles não devem ter ido muito longe ´´

– Hã... desculpa interromper, mas o jantar esta pronto – Comunica Mariann

Elas descem e se deparam com todos os sobreviventes juntos na grande mesa da sala de estar. Todos com um sorriso no rosto como se aquilo fosse alguma confraternização de uma antiga Tuma de colégio no fim do ano. Raissa e Iasmin se entre olham. Sabem o que é aquilo. Sabem o que aquilo significa. Mesmo assim se sentam e desfrutam daquela noite ao som de Lya no piano – Algo em que ela começava a desenvolver antes daquilo tudo – mesmo não sendo uma profissional, Lya, é o que eles precisam naquele momento. Raissa Assiste aquela cena como se não participasse daquilo: Crianças brincando perto da lareira, Mulheres contando sobre a sua infância e como conheceu seus maridos, homens se divertindo e falando de time de futebol — como com tudo aquilo eles anda discutem isso?

Tudo era como antes, um jantar sem o som da TV, sem o barulho do celular tocando com um nova mensagem e o mais importante, sem lugar na mesa faltando. Foi ai que Raissa se deu conta, aquilo, aquelas pessoas eram a sua família, não que ela esquecera seus pais e sua irmã, mas ali era onde ela deveria esta, era com aquelas pessoas. Ela fecha os olhos, sorri, pega o garfo timidamente e começa a fazer parte de tudo aquilo.