Is This Real Or Pretend?
2 Problemas a vista
Aiolos despertou de súbito, sentindo seu corpo dolorido. O Sol já estava alto no céu. O cavaleiro levantou cambaleando e espantou-se ao constatar que já eram nove horas; normalmente ele levantava-se antes do nascer do sol.
Ele tomou um rápido café da manhã e desceu para o treino na Arena, para o qual já estava atrasado. Enquanto descia as escadas dos templos, tentava se lembrar do sonho que tivera. Não achava nada que fizesse sentido nele.
Ela parecia desesperada por ajuda, pensou. Isso só o deixou mais intrigado, pois o sonho lhe parecera muito real. Pare de pensar besteiras, Aiolos. A garota tinha asas. ASAS! Não tem como ser de verdade.
— Foi só um sonho. — disse em voz alta, dando o assunto por encerrado – ou tentando se convencer disso.
Chegando à Arena, percebeu que todos pararam seus treinos ao vê-lo. Shion aproximou-se preocupado e perguntou-lha se estava tudo bem. Depois de explicar-se ao Grande Mestre, foi para o lado de Kamus, com o qual faria dupla hoje.
— Algo aconteceu, Aiolos? — perguntou o aquariano.
— Não, nada. Eu só me atrasei mesmo. — respondeu, dando um sorriso acanhado; ele ainda sentia os olhares dos outros Santos de Atena sobre si.
O treino voltou a transcorrer normalmente. Entretanto, o Cavaleiro de Sagitário não conseguiu esquecer o sonho, e, por estar distraído, por diversas vezes quase foi acertado pelos ataques de Kamus. Este, mesmo achando estranho o comportamento do colega, resolveu deixar esse fato de lado. Se ele quisesse falar, já teria o feito, pensou.
Pouco antes do meio-dia, Shion encerrou o treino e todos se dirigiram ao refeitório, onde seria servido o almoço a todo o exército.
§ • § • § • § • § • § • §
Os doze Cavaleiros de Ouro, mais Kanon, estavam sentados em uma mesa mais afastada dos outros soldados e conversavam sobre assuntos banais.
— Já estou cansado de tanta monotonia — comentou Milo, apoiando a cabeça na palma da mão e bocejando — Só treino, treino e mais treino; até parece que voltamos ao tempo em que éramos aprendizes.
— Credo, falando assim até parece que você preferiria ter continuado morto — retrucou Afrodite.
— Não é isso. Só estou falado que uma guerrinha até que iria bem — respondeu.
— Que momento interessante para dizer isso — Shion, que havia chegado agora no refeitório, disse logo atrás de Milo – este, que até então estava equilibrando-se nas pernas traseiras de sua cadeira, teve que agarrar a borda da mesa para não cair com o susto que levara. Como Grande Mestre, o ariano costumava ter suas refeições junto a Atena e, por isso, os cavaleiros nunca o viam no almoço.
Por estarem na presença do homem, os dourados ajeitaram-se rapidamente nas cadeiras e o cumprimentaram com uma saudação formal, a qual Shion dispensou displicentemente, segurando-se para não rir. Mesmo após tanto tempo, eles ainda lembravam os garotinhos que chegaram anos atrás ao Santuário.
— Venho trazer um comunicado de Atena. — disse o Mestre, por fim.
— Por favor, não me diga que estamos sendo atacados de novo — falou Dohko, fazendo uma careta de desgosto.
— Não exatamente, — respondeu — mas Atena convocou os Santos de Ouro a uma reunião daqui a duas horas, e ela parecia bastante preocupada.
— Será que tem algo relacionado à presença de ontem à noite? — perguntou Shaka.
— Presença? Que presença? — quis saber Aldebaran.
— Ah, você também sentiu? — indagou Mu, mexendo em sua comida distraidamente.
Aiolos, que até então estava distraído pensando em seu sonho, voltou sua atenção a conversa. Será que tem alguma relação?, pensou. Não só ele, mas todos os outros cavaleiros prestavam atenção em Mu e Shaka, curiosos.
— Do que vocês estão falando? — Shion sentou-se à mesa, desconcertado por não ter notado a tal presença.
— Bem, ontem, por volta de meia-noite, eu acordei sentindo alguma espécie de energia. Não era bem um cosmo, mas era algo do tipo — explicou Shaka calmamente — Foi só por um minuto; depois a energia simplesmente sumiu, sem deixar qualquer vestígio, como se nunca tivesse existido.
— Eu fiquei com dor de cabeça — acrescentou Mu. Shion arregalou os olhos, surpreso. Os outros olharam para o ariano mais jovem, sem entender relevância de seu comentário, mas foi o Grande Mestre que explicou:
— Lemurianos não tem dor de cabeça, a menos que...
— Haja uma forte interferência psíquica — completou Mu, esclarecendo a todos.
— Agora que vocês falaram, eu acho que também percebi algo ontem à noite — comentou Milo — Foi como se, de repente, meus sonhos ficassem mais... Felizes.
— Pelos deuses, Milo! E eu achei que você falaria algo importante! — exclamou Afrodite, dando um cascudo no escorpiano.
— Mas eu estou falando sério!
— Bom, de qualquer modo, não se atrasem para a reunião — pediu Shion, levantando-se e saindo do refeitório.
— Tomara que não seja nada alarmante — explanou Dohko, também se levantando para ir embora — E que a “presença” tenha sido somente nossa fada madrinha vindo dar um checada se estamos nos comportando — acrescentou, dando uma piscadela divertida.
— Que curioso você falar disso — murmurou Aiolos, também indo embora.
— Disse algo, irmão? — perguntou Aiolia, rindo da piadinha de Dohko.
— Nada importante, Olia. Eu acho.
§ • § • § • § • § • § • §
Alguns minutos antes do horário combinado, os cavaleiros já estavam esperando na ante-sala do Salão de Atena, vestidos com suas armaduras sagradas. Todos estavam curiosos para saber o que teria acontecido para a deusa convocar uma reunião com todos da elite do exército.
Tempo depois, eles foram convocados a entrar por um servo. No recinto, estavam Atena e Shion, ambos sentados em seus respectivos tronos — a deusa ao centro, no altar, em seu trono de ouro e veludo branco, e o Grande Mestre, abaixo e a esquerda, em sua cadeira de mogno.
— Ah, não. Ela está com aquela cara de novo — cochichou Máscara da Morte com Kanon, enquanto enfileiravam-se em frente à Atena. O canceriano referia-se a expressão distraída que a deusa fazia, batendo o dedo indicador na bochecha. Os cavaleiros sabiam o que aquilo significava: problemas.
— Minha senhora, eles chegaram — falou Shion, acordando Atena de seus devaneios. Os cavaleiros saudaram a deusa e ajoelharam-se.
Ela se endireitou em seu trono, e suspirou, procurando as palavras certas para começar seu discurso:
— Eu não quero que vocês fiquem alarmados pelo que irei contar, pois nem mesmo sei se estou certa quanto a isso. — começou ela, falando cautelosamente — Entretanto, Shion já me relatou o que Shaka e Mu disseram, então pode ser que eu esteja correta. Ontem à noite, recebemos algum tipo de visita.
— Então aquela presença foi uma invasão? Tem idéia de que inimigo poderia ser? — questionou Saga, preocupado.
— Ah, não, de jeito nenhum — respondeu a deusa prontamente — Quero dizer, não foi um inimigo, muito menos uma invasão. Bom, pelo menos eu acho que não.
— O que quer dizer, Atena? — perguntou Shura, confuso.
— Bem, essa é a parte da qual não estou muito certa. Aquela energia é chamada de shizen; é algo como nossa cosmo-energia. — explicou ela — Ela pertence a alguns tipos de povos, muitos dos quais não habitam nossa dimensão e que são pacíficos, mas também é usada por alguns demônios.
— Mas a senhorita não acredita que seja esse o caso — comentou Aldebaran.
— Exatamente — respondeu Atena — Por hora, quero que vocês considerem a visita como alguma entidade perdida que por acaso veio parar em nosso Santuário, mas que conseguiu voltar para casa.
— Sim, senhorita — concordaram os cavaleiros.
— Isso é tudo. Caso eu descubra algo mais, eu lhes chamarei novamente. Só quero que vocês fiquem mais atentos. Podem ir agora.
Um a um, os dourados saíram silenciosamente do recinto. Ao fecharem a porta do Salão, explodiram em comentários sobre as novidades.
— Shizen? Que diabos de nome é esse? — comentou Máscara da Morte, bagunçando seu cabelo, exasperado. — Quer dizer que agora, além dos deuses malucos de nossa dimensão, temos que nos preocupar com monstros ETs?
— Não foi isso que Atena disse, Máscara. — contrapôs Shura — Pode ter sido somente uma visita amigável e involuntária. Ademais, povos de uma dimensão não costumam interferir na outra.
— Sabe, eu já li sobre isso. Sobre energia shizen, quero dizer — acrescentou Kamus pensativo.
— Grande novidade você ler sobre esse tipo de esquisitice — ironizou Milo. Kamus só o ignorou e prosseguiu seu discurso:
— Não há muitos indícios desse tipo de energia aqui na Terra, mas ela está associada as força vital das árvores. Pelo menos é o que dizem alguns autores mais excêntricos. — disse o aquariano — Não que alguém acredite neles, é claro.
— Ah, que ótimo, vamos ser atacados por galhos e folhas — disse Aiolia, revirando os olhos. — Finalmente o Santuário vai deixar de ser monótono, hein, Milo?
— Agora sim estou com medo das rosas do Afrodite — riu o escorpiano.
— Muito engraçado, senhor Apollonelis — retrucou o pisciniano, irritado — Aiolos, olha o pilar!
Tarde demais. O sagitariano, distraído, não percebeu que se aproximava de uma das colunas que sustentava o Templo de Atena e acabou por trombar de cara com ela.
— Ai.
— Olos, você está bem? Se machucou? Dói algum lugar? — Aiolia, preocupado, correu até o irmão.
— Pelos deuses, Aiolia! Foi só uma pilastra, não um Espectro — retrucou Kanon.
— Ai! Acho que machuquei uma coisa sim — reclamou Aiolos.
— O que? — prontamente perguntou o Cavaleiro de Leão, olhando preocupado para o outro.
— Meu orgulho — respondeu Aiolos, rindo. Aiolia, que até então ajudava o sagitariano se levantar, largou-o no chão e deu-lhe um tapa na cabeça — Ai, cara! Não bata no seu irmão mais velho.
Aiolia limitou-se somente a se afastar resmungando um “Sem graça!”. Aiolos, ainda rindo, levantou-se, sob os olhares atentos dos colegas.
— Está tudo bem com você, Aiolos? — perguntou Kamus, externando a pergunta presente na cabeça de todos — Você está desatento desde hoje de manhã.
O cavaleiro ponderou por um momento. Deveria falar sobre o que o estava incomodando com os outros? Se nem mesmo ele via sentido naquilo, eles iriam o achar maluco. Mas até Atena disse que algo estranho ocorreu. Talvez eu não tenha só sonhado, pensou.
Aiolos virou-se para o cavaleiro de Libra e perguntou antes que perdesse a coragem:
— Dohko, você já viveu o suficiente para ver muitas coisas esquisitas, certo?
— Bem mais que eu gostaria — respondeu, divertido.
— Então, você... Bem... Você acredita em... — suspirou — Fadas?
Como Aiolos previu, todos caíram na gargalhada. Até mesmo Shaka e Kamus, que raramente riam de alguma coisa, deram sorrisinhos.
— Pronto, pirou de vez — Milo disse entre gargalhadas.
— Bem, eu pessoalmente nunca vi nenhuma — respondeu Dohko, após recuperar-se da crise de risos. — Mas conheço pessoas que afirmam categoricamente que já conversaram com várias.
— Ah, esqueçam — murmurou Aiolos, virando-se para ir embora, enquanto as risadas se propagavam pelo lugar.
— Não, Aiolos, espere — chamou Shaka, olhando feio para os que ainda riam — Porque perguntou sobre isso?
Aiolos pensou em como poderia falar sobre o assunto.
— Bem, eu sonhei com uma mulher ontem. Ela estava acorrentada numa parede e pedia por ajuda.
— Hum, eu costumo sonhar com mulheres acorrentadas. Mas elas geralmente estão em uma cama... E pedem por outra coisa — comentou Milo, com um sorriso malicioso.
— Quieto, Escorpião — replicou Kamus — Porque ela estava pedindo ajuda, Aiolos?
— Ela disse algo sobre uma rainha, e sobre um reino em perigo. Que viriam nove guardiões de signos ou algo do tipo. E que uma batalha se aproximava — disse. Depois acrescentou baixinho: — E que eu deveria contar isso a Atena.
— E por que você não contou? — indagou Mu, em tom acusativo.
— Bem, porque ela tinha asas de borboleta — replicou, zangado — Eu achei que tivesse sido só um sonho estranho.
— É melhor você voltar lá dentro e contar a Atena sobre isso — aconselhou Kamus — Pode ser que essa seja a peça que faltava para completar o quebra-cabeça.
— É, você pode ter razão.
Aiolos deu meia volta e caminhou em direção a entrada do Salão. Levantou o punho para bater na porta, mas mal tivera tempo de dar a primeira batida quando várias coisas aconteceram em rápida sucessão.
Um forte estrondo ecoou por todo o Santuário; o chão começou a tremer a ponto de aparecerem rachaduras no piso de mármore branco; uma forte rajada de ar derrubou os cavaleiros no chão; por fim, uma luz dourada brilhante tingiu todo o horizonte, cegando a todos por um momento.
Então, tão rápido quanto havia começado, tudo voltou ao normal. Os cavaleiros levantaram-se rapidamente, ainda tontos com o choque que levaram. Estavam todos com vários pequenos machucados pelo corpo.
— Que porra foi essa?! — exclamou Máscara da Morte, apertando um corte em seu supercílio.
Em instantes, a porta do Salão foi aberta, passando por ela Shion e Atena, andando a passos largos em direção a saída.
— Venham — chamou Shion.
Alguns minutos depois estavam os quinze reunidos ao lado da Arena, onde uma cratera havia se formado. Outros soldados, que estavam treinando ali perto, também estavam à borda da fenda, que não era muito funda, mas muito escura para poder se enxergar o fundo.
Sem esperar por ordens, Aiolos pulou para dentro do buraco, produzindo um som seco ao alcançar o fim. Minutos depois, sua face reapareceu na beira; sua expressão era de impressionado.
— Vocês não vão acreditar nisso.
Notas finais
As coisas ainda não começaram a acontecer, mas a ação se aproxima o/
Espero que vocês gostem e, por favor, deixem reviews. É ótimo pro ânimo de um escritor e eu juro que não mordo =3
(22/12/2011)
Fale com o autor