Is This Love?
1 Prólogo
Notas iniciais
"Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia a mais."
— José Saramago
–...No século XIX, as ataduras das múmias eram usadas para fazer papel pardo e...
– Fernanda já disse que não estou querendo saber dessas suas curiosidades malucas — respondeu Claire, minha colega de trabalho, revirando os olhos.
–Desculpe, mas não são curiosidades malucas e você, como funcionária da maior instituição cultural com artefatos egípcios deveria se interessar mais, não acha? – disse Fernando com veemência
– Meu Deus, é sério, você nunca relaxa?- perguntou Claire olhando-a diretamente
–Como assim? – questionava evitando olhá-la nos olhos
– Você não tem vida social! Só sabe trabalhar — completou
–Não é verdade, também estou fazendo minhas pesquisas para minha tese de mestrado
–Que seja! Você precisa se divertir, que tal sairmos hoje a noite, ir para uma boate....conhecer uns caras, dar uns beijos – Disse Claire mostrando seu sorriso radiante
–Dar uns beijos? – respondia- você tem ideia de quantas bactérias são passadas em um beijo? Não dá pra correr o risco de pegar uma herpes, gengivite, DST´s beijando um desconhecido, ou no caso de ir a esses lugares, vários desconhecidos
– Tá vendo como você é, não dá pra acreditar! olha, tô indo, se mudar de ideia me liga, tá? –disse Claire de saída
Enquanto estava indo para o seu apartamento no centro de Londres, ficou refletindo em como um lugar tão importante como o museu britânico estava recebendo tantas poucas visitações, é chato ser monitora de um lugar tão interessante sem ter um grande público pra compartilhar de sua felicidade profissional.
Ao chegar ao seu pequeno apartamento, recebeu a grande recepção de Micau, sua gata e companheira, abaixou-se para fazer-lhe um carinho e lhe alimentar.
Como de costume, tomou um banho, comeu uma besteira qualquer e deitou em sua cama encarando o teto, fazia isso todas as noites. Olhava-o, enquanto pensava na vida – afinal, era uma jovem mulher de 23 anos que já colecionava alguns êxitos em sua breve carreira como historiadora, fato este que, por sinal, a deixava muito orgulhosa, às vezes se perdia em seus pensamentos tentando imaginar como sua família se sentia vendo-a, mesmo que a distância, a sua escalada para uma vida melhor que ninguém da família jamais tivera, porém o que a incomodava era sua vida social,quer dizer, a falta dela...nunca teve muitos amigos, mas não se enganem, Fernanda não é mais um clichê de “garota estranha que ninguém gosta” muito menos o tipo de “garota revoltada que odeia tudo e todos” a palavra que a define é normal, ou até mesmo acomodada, ou seja, trabalha, estuda, é gentil com as pessoas, talvez um dia (com muito sorte) vai se casar, terá seu filhos e esperará por sua morte sentada em uma cadeira de balanço ao lado de uma lareira, simples assim, não achava que isso era algo ruim mas dentro de si tinha a sensação de que não podia esperar por sua passagem nesse ciclo natural, sabia que não era só isso, não podia ser apenas isso.
Após sua pequena epifania adormeceu tendo a certeza de que o próximo dia seria diferente, pois ela o faria ser diferente, pena que nunca acontecia, era bem mais fácil deixar as coisas como estavam. E continuava assim, dia após dia sempre sonhando com uma vida diferente para fugir da realidade de uma jovem privada de sua própria vida.
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