Is This Love?

43 Amizade duplica as alegrias e divide as tristezas


Notas iniciais
Olá! Bem, devo dizer que estou um pouco ansiosa, pois acabei de concluir a história. Neste momento a mesma entrará em sua reta final restando pouco mais de dez capitulos para o fim.
Boa leitura :)

Ashbourne Nursing Home –

Fernanda chegara a casa de repouso. Estava exausta, havia acreditado na palavra de Claire e fora andando até o local. Caminhou por aproximadamente 40 minutos.

- Com licença, eu procuro pelo paciente Joseph Thompson – disse à recepcionista

- A senhora é parente dele?

- Não, sou uma...amiga. Me chamo Fernanda Fratelli

- Bem, nesses casos eu peço que a senhora aguarde aqui, vou perguntar se ele deseja recebê-la

- Tudo bem

Amiga? – pensou enquanto aguardava a mulher

- Senhora? – chamou a moça – Venha comigo, vou levá-la até o quarto do Sr. Thompson – anunciou polidamente

Enquanto caminhavam por entre os corredores Fernanda não pôde deixar de reparar nos idosos que estavam naquele local.

Qual será a história deles? – pensou — Como vieram parar aqui?

Parou em frente ao quarto 11. A recepcionista afastou-se permitindo a entrada da jovem ao local. Entrou, viu-o deitado sobre a cama, ficou espantada ao ver seu antigo chefe daquela forma tão...vulnerável. Era difícil de acreditar que aquele homem tão pálido, magro e frágil fora o diretor da instituição histórica de maior importância do país. Sentiu um aperto em seu coração, era muito triste vê-lo daquela maneira.

- Oi Sr. Thompson, como está? – perguntou receosa enquanto aproximava-se da cama

- O que está fazendo aqui? – questionou num murmuro. Também estava espantado em vê-la naquele local. Nunca sequer trocaram uma única palavra que não fosse algo sobre o trabalho

- Eu vim visitá-lo

- Por quê? — perguntou. Sua voz era fraca.

- Estou elaborando minha tese de mestrado e gostaria que o senhor me ajudasse respondendo algumas perguntas

O velho olhou-a mais uma vez enquanto considerava o pedido da jovem — Tudo bem – disse por fim

Com algum esforço a entrevista foi realizada, a jovem fora breve e objetiva em suas perguntas haja vista que não queria abusar da saúde e boa vontade do senhor. Enquanto ouvia o que acabara de gravar a enfermeira entrara no quarto.

- Com licença Sr. Thompson, está na hora da sua refeição – disse a mulher enquanto colocava a bandeja no apoio da cama

- Ahh não aguento mais essa comida – resmungou

- Bem, pode pedir pra sua filha te trazer algo que o senhor goste, por falar nisso é muito bom vê-la aqui, nunca tinha visto você antes

- Ela não é minha filha – respondeu prontamente

- Ahh então me desculpe, mas mesmo assim é muito bom ver o Sr. Thompson recebendo visitas, com licença – disse saindo do quarto

- Ahm...é melhor eu ir, obrigada Sr Thompson, eu volto outro dia – disse levantando-se da cadeira ao lado da cama

O velho deu um leve sorriso de canto encarando-a – Não, você não vai voltar

Uma semana depois...

Aeroporto de Heathrow –

Estava dando o último abraço no irmão, não sabia quando o veria novamente, porém estava aliviada em saber que Jonathan estava bem e que finalmente ficaria longe de confusões.

- Se cuida, viu? – disse enquanto acariciava o rosto do irmão

- Você também...e desculpe por tudo

- Não precisa se desculpar, já passou – falou num tom meigo

- É melhor eu ir, se eu me apressar ainda consigo ir pro estádio e assistir o jogo do Corinthians e Palmeiras no fim de semana

Fernanda arregalou os olhos ao comentário do irmão.

— É brincadeira! Vou ficar longe de confusão – disse levantando as mãos com se estivesse se rendendo

- Espero que sim, agora vai...já estão anunciando seu vôo

- Tchau Nanda – falou dando-lhe um beijo na testa

- Tchau minhoca, não esqueço de entregar os presentes pro pessoal — lembrou-o — Ahh e diga pra mãe que estou morrendo de saudades dela — exclamou enquanto vira Jonathan indo em direção a sala de embarque

- ´Tá bom! — gritou enquanto ainda caminhava

[...]

Tinha acabado de descer do ônibus que pegara no aeroporto, estava no centro de Londres onde precisava pegar mais uma condução até sua casa.

Enquanto andava pela calçada em direção ao ponto de ônibus passou em frente a uma doceria, o aroma vindo da loja instigou seu olfato e aguçou suas idéias.

Ashbourne Nursing Home –

Chegando a casa de repouso fora reconhecida pela recepcionista que a deixou entrar sem cerimônias. A moça, que já conhecia o caminho, foi direto ao quarto de seu ex-chefe.

- Bom dia Sr. Thompson – falou abrindo um agradável sorriso ao velho. O senhor continuava da mesma forma como o vira há uma semana, era como se ele tivesse congelado a partir do momento que ela partira.

-...Eu trouxe alguns doces caseiros para o senhor – falou abrindo sua sacola e entregando o embrulho para o velho

Silêncio

Sr. Thompson encarava a jovem como se ela estivesse com a peste bubônica, isso começou a incomodá-la.

- Está se sentindo bem?

- Sim, eu só não espera que você voltasse — admitiu

- E porque eu não voltaria? — perguntou encarando-o

- A última pessoa que disse que voltaria me deixou aqui e não voltou até hoje – disse desviando o olhar

- Bem, eu costumo manter a minha palavra – disse sentando numa cadeira próxima a ele

Comeram alguns doces. A curiosidade de Fernanda rompeu o silêncio que reinava do local.

- Porque está aqui?

- Tenho esclerose múltipla – disse fazendo uma pausa — A doença se agravou há algum tempo. De repente comecei a ter dificuldade para fazer as coisas mais banais como andar, comer. Hoje coisas que antes eram simples agora são um verdadeiro martírio, isso sem falar no problema com a minha memória, ando me esquecendo das coisas – disse em tom de reclamação

- E a sua família?

- Sou viúvo, tenho uma filha, Rebecca, ela mora na Irlanda do Norte. Meu problema de saúde exige cuidados diários então ela preferiu me deixar aqui. Ela já se casou, construiu a própria família... não iria ficar cuidando de um velho caduco

- Não me parece muito justo – falou pensativa

- A vida não é justa, minha jovem

Conversaram por um bom tempo, Sr. Thompson mostrava-se um ótimo contador de histórias, a jovem mal vira o tempo passar.

- Fernanda, qual é o nome do lugar onde trabalhei...estava conversando com um colega daqui e de repente eu me esqueci do nome do lugar em que trabalhei por anos...

- O senhor era diretor do museu britânico

- Ahh isso mesmo, como pude me esquecer disso – disse em reprovação passando a mão sobre a testa

- Foi ótimo conversar com o senhor. Amanhã estarei aqui – disse levantando-se

- Me chame de Joseph

- Até amanhã....Joseph