Notas iniciais
Hey, hey amores! Sentiram minha falta? Não? Ok... Ushauhsuahusha Então, antes de tudo eu queria agradecer a todos que comentaram, leram, favoritaram e recomendaram a fic, porque eu tenho uma notícia pra vocês: hoje eu começo uma maratona até sábado para terminar Is Prohibited! É isso, aí, reta final amores... Boa leitura!

POV ANNABETH

"A sensação de perigo crescia cada vez mais a minha volta. Os pelos dos meus braços e nuca havia se eriçado.

Era tudo o que meu corpo e minha mente gritavam.

Mas meu coração dizia para seguir em frente. Por impulso, eu olhei para a esquerda. Um mar de gelo translúcido cobria tudo. Tudo.

As árvores estavam cobertas por uma camada de gelo, paralisados em cristais pontudos envolvidos pela névoa enrregelante. Havia milhares delas. Altas e pontiagudas. O chão era recoberto de gelo puro e a névoa dançava por ele, me envolvendo.

Eu era o único ponto de cor naquele gelo transparente. Uma túnica vermelha era a única coisa que eu vestia. Estava descalça.

À minha volta, tudo era assim. Atrás de mim, apenas o breu. E a minha frente, um imenso castelo de gelo no fundo de um lago. Aquele castelo parecia uma visão de conto de fadas. Mas só o castelo.

Era pra lá que eu tinha que ir. Quando eu dei o primeiro passo em direção à água congelada, começou a chover.

A água que caia era gelada.

Relâmpago.

E a chuva caiu mais forte.

E pela primeira vez, eu senti frio.

Quando eu olhei pra baixo, a minha túnica se dissolvia em água vermelha.

Não.

Meu coração bateu descompassado e alguma coisa fria agarrou o meu pescoço.

Relâmpago.

E a chuva virou sangue.

O sangue cobria toda a floresta de gelo. Eram mãos no meu pescoço.

E a névoa, branca como pérola, apesar da chuva de sangue, me envolvia.

A adaga gelada caminhava da minha nuca à base das minhas costas nuas.

Relâmpago.

E eu vi o rosto pela primeira vez.

O rosto...

O rosto de Percy.

Sorrindo sereno.

— Adeus — sussurrou.

E a adaga de prata perfurou o meu peito."

Acordei arfante e suando frio. Olhei para o lado e Percy dormia como um anjo. A luz alaranjada da rua invadia a janela, o envolvendo numa aura quase dourada, que ressaltava cada músculo de sua face. Eu podia sentir a respiração lenta nas suas costas definidas.

Levantei minha cabeça em busca do relógio digital na cabeceira da cama. 04h26.

Era madrugada de sexta-feira, do meu fim de semana de folga.

Bela folga, acordar de um pesadelo horrível desses!

Um arrepio percorreu minha espinha ao ouvir o sussurro desalmado de Percy enquanto me matava. Novamente o observei dormindo. Não havia como descrevê-lo de outro jeito exceto como um anjo. Sorri, mas eu ainda estava um pouquinho perturbada. Portanto, decidi me levantar e trabalhar nos arquivos que eu havia conseguido no Instituto, dois dias atrás. Rapidamente, agarrei a camiseta preta de Percy jogada no chão, e a vesti, pegando meu notebook, indo até a cozinha onde coloquei uma xícara de achocolatado no micro ondas.

A bebida ficou pronta em dois minutos e eu me sentei no sofá da sala, plugando o pen drive, esperando-o carregar. Comecei a revirar alguns dos arquivos de Quíron, cujas pastas eu havia decodificado em seu escritório.

Não havia nada muito interessante, somente alguns arquivos sobre a família Olympus.

─ Por que Quíron mantém essas coisas em pastas codificadas? ─ Murmurei, franzindo a testa.

Comecei a revirar os arquivos que eu havia baixado da Intranet de Afrodite. Novamente, a maioria era sobre os Olympus. Fiquei ainda mais confusa. Fiquei um bom tempo revirando todas aquelas pastas e arquivos que falavam sobre outras coisas. Muitos eram sobre reuniões secretas com a Seita, pastas sobre casos já resolvidos, arquivos com evidências de casos em andamento. Mas o que me chamou atenção foi o compilado de informações que havia no computador da minha mãe.

CASO 4587/12459.CCT2

Era o código do caso em que eu estava trabalhando. Rapidamente abri os arquivos e comecei a ler cada informação que eu encontrava. Até as letras miúdas. Mas não havia nada de novo, nada que eu já não soubesse. Acho que eu estava errada. Eles não estavam escondendo absolutamente nada de nós. Tínhamos acesso às mesmas informações que eles.

Suspirei frustrada e larguei meu notebook ao meu lado no sofá, encarando a janela. As luzes da madrugada agitada de New York davam espaço para os ínfimos raios de sol que tentavam se infiltrar pela janela. Estava quase amanhecendo, logo Percy acordaria.

Pensar nele fez um turbilhão de coisas, momentos e pensamentos se embaralharem em minha mente. Eu não sabia o que pensar. Ele já havia dito que me amava uma vez. Na primeira vez em que dormimos juntos... Mas eu não sabia como reagir.

Eu havia ficado feliz, é claro que sim! Mas eu achei muito precipitado dizer o mesmo. Quer dizer, nos conhecíamos somente há algumas semanas, eu estava confusa com relação à ele. Eu sentia atração por Percy, e seria lesbicamente escrota se dissesse o contrário, mas... Eu o amava?

Se me perguntassem isso naquela mesma noite eu diria: eu estar com ele na cama.

E se perguntassem isso hoje? Agora?

Percy com certeza é a parte mais linda de toda a minha história. São aqueles capítulos fofos e felizes dos livros de drama. Ele era como os raios do sol querendo se infiltrar naquele fim de madrugada agitado que era minha alma, quando as estrelas desapareciam e eu tinha somente a Lua para iluminar o caminho incerto à minha frente.

Depois de dois meses convivendo com Percy Jackson, eu acho que experimentei tantas coisas! A ansiedade, felicidade, expectativa, proteção, atenção, carinho, dedicação. Sim, ele foi importante nesse meu momento de dificuldade.

E então, depois de remoer tudo isso em minha mente uma pergunta incômoda surgiu. Só pra bagunçar e me confundir ainda mais:

Eu amo Percy? Ou continua sendo apenas aquela atração e fascínio?

Eu ignorei essa pergunta. Ela me dava medo. Amar alguém me amedrontava!

A última vez em que eu me permiti sentir isso acabou mal. Muito mal.

Meu corpo se retorceu ao lembrar daquele toque, daquela voz, daquela noite.

Um ofego involuntário deixou meus lábios, minhas mãos apertaram as têmporas tentando conter aquelas lembranças. Eu me encolhia cada vez mais no sofá à medida que sentia tudo aquilo voltando. E eu não tinha Thalia ali do meu lado para me ajudar. Eu não morava mais com minha mãe. Meu pai estava morto. Malcon estava muito longe. Eu estava sozinha.

Percy ainda dormia no cômodo ao lado. Esse pensamente fez uma espécie de calor brotar em meu peito. Uma sensação agradável de proteção perpassar minha alma. Imediatamente me senti melhor. Eu me assustei com isso.

Só pelo fato de eu pensar em Percy eu havia melhorado.

Eu ri como uma louca ao perceber que Percy era muito mais importante e essencial do que eu imaginava.

Acho que eu já sabia a resposta para aquela pergunta. Mas ao invés de eu ficar angustiada com isso, eu sentia uma estranha felicidade tomando conta de mim. Essa felicidade era quase que um torpor para meu coração pisoteado. E eu gostava dessa sensação. Estranhamente ela me lembrava algo que há muito eu não tinha.

Liberdade.

Depois de um tempo, minha mente vazia, apenas apreciando o torpor, a campainha tocou.

Eu abri os olhos, curiosa. O relógio na sala dizia que eram 05h53 da manhã. Franzi a sobrancelha confusa, afinal era muito cedo para visitas.

─ Silena?! ─ A encarei surpresa.

Ela sorriu e entrou no meu apartamento, sem cerimônias. Fechei a porta e observei-a se sentar no sofá, ela sorriu pra mim e disse:

─ Precisamos conversar, querida. Sente-se!

Franzi o cenho, mas fiz o que ela disse, me sentando ao seu lado. Seus olhos percorreram meu corpo e ela levantou uma sobrancelha maliciosamente divertida. Eu corei, percebi que estava só com a camiseta de Percy. Corei ainda mais ao lembrar que a camiseta era dele!

─ Enfim, não posso demorar aqui. Mas preciso conversar com você. Isso é muito importante. ─ Silena disse de um modo prático. A encarei enquanto ela pegava meu notebook e começava a olhar os arquivos que eu havia baixado.

─ Bom, então diga, Silena. ─ Pedi, um pouco hesitante.

─ É o seguinte. ─ Ela suspirou e desviou o olhar em minha direção. ─ O desenho no corpo de Zoë, a constelação. Eu sei o que significa. ─ Minha boca se abriu em um “O” perfeito. Imediatamente milhões de perguntas surgiram em minha mente, mas decidi deixá-las para depois, Silena parecia ansiosa e com pressa. ─ Aquilo é um mapa. ─ Ela abriu a própria bolsa e retirou um pequeno pen drive, plugou no notebook e esperou carregar. Em seguida abriu uma imagem: a figura no corpo de Zoë. ─ Preste atenção. Aqui é onde o primeiro corpo foi encontrado. O segundo assassinato foi descoberto aqui. O terceiro e o quarto. ─ Ela moveu a seta do mouse por cima de pontos mais escuros no desenho. Eu franzi o cenho tentando acompanhar seu raciocínio. Em seguida abriu o arquivo de um mapa da cidade, colocando as duas imagens lado a lado. Senti meu queixo ir até o chão quando observei o mapa editado com os locais dos crimes, exatamente como estava desenhado o corpo de Zoë. ─ Você percebeu não é? Ótimo. Agora pensa comigo. Se no corpo dela tem mais pontos marcados do que o número de assassinatos, isso quer dizer...

─ Quer dizer que os outros pontos indicam os locais onde vai ocorrer a desova dos corpos. ─ Eu completei pasma, encarando Silena. ─ Nós podemos arar uma emboscada e pegar o maníaco.

Silena sorriu orgulhosa pra mim, que ainda estava em estado catatônico, tentando descobrir como Silena percebeu isso. Eu ri e a abracei.

─ Lena, você é incrível! ─ Uma pequena dúvida surgiu em minha cabeça. ─ Mas porque Bianca e Clarisse disseram que o desenho se tratava de uma constelação?

─ Deboche e para nos confundir. ─ A expressão confusa tomou conta de meu semblante mais uma vez. ─ Eu conversei com Thalia, ela explicou o porquê de ter aquela reação quando o corpo de Zoë foi encontrado. Elas andaram conversando e Zoë é uma amante das estrelas, mais precisamente da Constelação do Arqueiro, por causa da sua mãe. Talvez o assassino quisesse fazer piada com a nossa cara, desenhando a constelação no corpo dela, encobrindo o mapa dos assassinatos.

Eu ainda estava tentado entender como Silena conseguiu tanta informação....

─ Faz sentido. ─ Ela sorriu pra mim.

─ Annabeth, eu tenho um compromisso agora. Mas gostaria de te fazer um pedido.

─ Você vai voltar pro CHB? Pode pedir.

─ Não, na verdade, tem uma pessoa que eu preciso falar. O meu pedido é que você analise melhor os arquivos que você roubou lá do CHB. Principalmente aqueles relacionados à Família Olympus. Confie em mim, por favor. ─ Seu olhar era desesperado, eu não pude negar.

─ Lena, o que está acontecendo? Por que você veio até aqui contar sobre o mapa pra mim? Os outros já sabem disso? Como você sabe que eu roubei os arquivos? ─ A bombardeei de perguntas, vendo ela se encolher, a expressão confusa. Silena levantou-se e começou a caminhar até a porta.

─ Por favor Annabeth. Confie em mim. ─ Ela fechou os olhos e saiu do meu apartamento, me deixando entre pasma e confusa.

Me recostei no sofá, ainda pensando no que aconteceu. Silena parecia aflita e desesperada, não sei direito o que aconteceu.

O fato é que ela jogou uma bomba de informações para eu trabalhar e saiu, sem dar explicação nenhuma. Mas apesar de tudo, eu tenho que confiar em Silena... Eu já ia me levantar pra me arrumar e ir para o CHB, quando me lembrei do seu pedido.

Mas o que poderia ter de importante os arquivos da família Olympus?

De qualquer maneira, resolvi verificá-los. Peguei meu notebook outra vez abrindo os arquivos da Intranet de Afrodite e comecei a ler tudo o que encontrei sobre a família diretora do CHB.

Eu tenho que me lembrar de agradecer Lena quando a encontrasse.

Assim que li tudo aquilo,eu fiquei sem reação.

“Há alguns anos atrás, uma máfia instalada em NY estava acabando com o sossego dos moradores. Sequestros, assaltos, prostituição e assassinatos eram só alguns crimes cometidos por aquela máfia. Máfia essa que era comandada por Cronos Olympus, pai de Zeus, Poseidon e Hades Olympus.

O Império Olympus no crime beirava a grandiosidade divina, era tão bem executado, uma quadrilha tão grande que tinham agentes infiltrados até mesmo na casa branca. Porém Cronos, após comandar arduamente por anos todos esses esquemas, decidiu que passaria a Máfia para o controle dos filhos Poseidon e Hades, mesmo Zeus sendo mais velho, pois o pai não gostava dele por ser o favorito de sua esposa, sempre o desafiando e questionando.

Ao saber da decisão do pai, Zeus enraiveceu-se, resolvendo que faria de tudo para acabar com aquela palhaçada. Ele foi até as autoridades americanas, contando tudo o que sabia sobre o Império Olympus, e em troca, ganharia proteção do governo, sendo absolvido de todo e qualquer crime que ele tenha cometido. Com o governo norte-americano sabendo de todos os detalhes da Máfia, armou-se uma emboscada para prender Cronos e detonar a facção. Mas como já constatado, Cronos tinha seus agente infiltrados que o avisaram da situação.

Assim sendo, ele suicidou-se antes mesmo de passar o controle da Máfia para os filhos, evitando assim que eles fossem condenados ou acusados.

E esse foi o fim do Império Olympus.

O destino dos irmãos não poderia ser mais diferente. Hades resolveu deixar a vida de crimes e com a sua parte na herança, abriu uma empresa de sucos, sendo muito bem sucedido. Poseidon mudou-se para Malibu, vivendo com sua parte da herança até separar-se de sua esposa e sumir, nunca mais foi visto. Ele deixou dois filhos que também sumiram e cortaram contatos com a família depois da morte da mãe. Já Zeus, com a sua parte na herança, fundou o CHB, afiliando-se ao governo.

Porém a razão por Zeus ter fundado o Instituto, na verdade, é a sua crença em uma hipótese descartada pelo governo, mas que ele investiga secretamente todos esses anos: Cronos teria forjado a própria morte, estabelecendo a sua máfia de crimes com Poseidon no mercado negro. Essa seria uma explicação do porquê de Poseidon ter sumido junto com seus filhos e do assassinato de Sally.

E agora, Cronos quer vingança de Zeus por ter destruído seu Império. E ele deu início à essa vingança com a ideia de um serial killer em NY, espalhando o terror e acabando com a credibilidade o CHB. Enfraquecer para conquistar.”

Eu estava mais do que assustada com toda essa história.

Se Zeus tivesse razão, o Instituto só estaria investigando as mortes como uma desculpa, uma fachada para caçar Cronos antes que ele destrua o CHB e Zeus.

Sim, todos estavam sendo manipulados por Zeus, Atena e Quíron, que agiam em conjunto com a Seita (diretores dos principais órgãos de segurança dos EUA) para tentar impedir Cronos.

Rapidamente e sem pensar muito, me levantei do sofá, correndo até o quarto, fazendo o mínimo de barulho possível e me arrumei, saindo de casa e pegando um táxi até o CHB.

Tinha muita coisa em jogo ainda.

Notas finais
É isso aí! Capítulo agitado, não? usahushauhsuahsuhaus :v Amanhã tem mais um ;) tenho que falar que amei o final da fic gente :3 Beijim