Is Prohibited
13 Mistérios - Bônus Especial
Notas iniciais
POV MISTERIOSO
O calor assolava as ruas de NY, fazendo com que o asfalto quente levantasse labaredas de fogo. O suor pingava de minha nuca, escondido pelo colarinho da camisa branca perfeitamente passada e engomada, alinhada dentro do terno preto Armani, transpassada por uma belíssima gravata azul de seda.
Entrei no saguão do imponente The New York Palace Hotel, encontrando conforto no ar condicionado. Somente me aproximei do balcão da recepção e mostrei o meu cartão à moça bonita que ali estava. Sorri ao ver seus olhos se arregalarem enquanto ela me conduzia até a suíte principal que eu havia reservado alguns dias antes.
A moça era realmente bonita, alta, magra, cabelos ondulados num castanho chocolate intenso, olhos incrivelmente verdes. Uma rápida olhada por seu corpo me fez concluir que talvez ela fosse um bom investimento. O crachá em seu peito dizia que a recepcionista se chamava Juníper. Talvez ela tivesse percebido a cobiça em meu olhar, pois rapidamente se retirou dali, olhando para trás assustada.
Ri e entrei na luxuosa suíte, dando de cara com uma discussão. Percy e Grover discutiam fervorosamente. Silena apenas ria, divertida com algo que eu acontecera antes de eu chegar.
─ Chega. ─ Sibilei e os três me encaram, todos com expressões diferentes.
Silena, a garota que mais parecia uma fada, me olhava com medo. Foi assim que eu a conquistei, quando a achei em uma lanchonete de beira de estrada. Aquela garota tinha potencial demais para simplesmente limpar o chão e servir mesas o dia todo. Luke conseguiu a conquistar facilmente com a mentira hipócrita de que ela poderia ser uma modelo famosa e bem sucedida, afinal ela tinha potencial, só precisava de um empurrãozinho. Castellan conseguiu enrolá-la na ilusão de que era um olheiro de uma agência famosa e em doze horas, eu tinha Silena na minha cama, satisfazendo todas as minhas fantasias. A garota era boa, por isso decidi deixá-la viva. Acabou virando meu xodó, conquistou muitas coisas aqui dentro pelo simples fato de eu ter uma afeição especial por ela. Mas é claro que eu posso acabar com isso num piscar de olhos.
Grover era um pouco mais complicado. Tinha ódio em seu olhar. É curioso o modo como o conheci. Seu pai e seu tio eram agentes do governo, enviados para me matar. Mas eu os peguei antes. Grover não quis fazer parte do FBI ou CIA, decidiu fazer vingança com as próprias mãos. Nunca pensei que o garoto fosse chegar tão longe com apenas 18 anos. Mas ele conseguiu se aproximar de um jeito muito perigoso. Apenas deixei-o penar que pudesse ganhar esse jogo, e no final, dei o xeque mate. Quando ele achou que tivesse ganhado, que iria me matar, eu revelei minha jogada: capturei sua mãe e irmã, alegando que se ele não se rendesse, eu iria assassiná-las na sua frente. O garoto acabou caindo nessa, mas eu não disse o que faria com elas caso ele se rendesse. A bela Marie e sua filha Rebecca. Hoje estão na minha mais lucrativa rede de tráfico e prostituição. Ganhei o garoto, pois eu ainda posso acabar com a vida delas, e seu ódio eterno. Mas ele acabou se destacando de uma forma incrível aqui dentro. Realmente, se tornou um dos melhores, frio e indiferente.
Jackson, por outro lado, foi minha maior conquista. Eu vi esse menino crescer sabendo que um dia ele seria grande. Muito grande. E de fato ele não me desapontou. Com apenas 15 anos conseguiu descobrir todos os meus planos para acabar com aquele infeliz. Conseguiu desbloquear meu sistema, hackear meus drives, decodificar meus arquivos, embaralhar todas as minhas pastas, e ainda teve calibre para me ameaçar. Com somente 15 anos, o garoto quase destruiu toda a minha vida. A ameaça que ele representava era muito grande, o seu potencial era demais para ser desperdiçado. Matei sua mãe e a ameacei seu irmão de morte caso ele não se juntasse à minha facção. Ele não teve como recusar. Mas nesses últimos 10 anos, tudo o que eu tinha da parte dele era o nojo. Eu queria ser como um pai para o garoto, mas Percy só me tratava com nojo. Mas sem dúvidas, era meu melhor soldado.
─ O que aconteceu dessa vez? Chega de discussões, vocês dois estão me fazendo perder a paciência nesses últimos dias! ─ Mina voz saiu quatro oitavas mais alta do que eu planejava, fazendo com que todos na sala se retraíssem instantaneamente.
─ Pecy. Foi isso o que aconteceu! ─ Exclamou Grover, assim que se recuperou do efeito que minha voz causava.
Percy? Outra vez? Esse menino estava me causando mais problemas do que o esperado. Isso tinha que ser controlado.
─ Jackson? ─ Virei-me lentamente para o homem já formado, que para mim ainda era o garotinho impertinente de dez anos atrás. Eu nunca vira Percy perder o controle uma única vez durante um esquema parecido com o que ele estava executando. Isso poderia colocar toda a missão em risco. Ele tinha que ser parado.
Ele relutou em responder. Apenas ri e caminhei até a poltrona que ficava de frente para a janela, ao lado de uma mesa com todos os arquivos que eu havia pedido à Silena e um telefone.
A garota que mais parecia uma fada, suspirou e sentou-se na grande cama que ocupava uma boa parte da suíte, com um copo de whisky nas mãos, revirou os olhos e exclamou:
─ E lá vamos nós.
─ Olha, Silena, eu sei o que você pensa sobre isso, mas você não a conhece como eu a conheço... ─ Começou Percy, mas Grover o interrompeu quase que imediatamente.
─ Isso é só uma desculpa, Percy! Admita, você está apaixonado por ela, isso sim!
─ Não é nada disso! Nós não precisamos matá-la, ela não representa risco algum, não sabe de nada! Eu revirei aquela casa em busca de algo que pudesse nos ajudar, mas o Instituto não contou à ela nem ao menos o passado da família Olympus, o que foi a verdadeira causa da criação do CHB! É ridículo matá-la! Não há motivos. ─ Depois desse discurso de Percy, Grover desmanchou-se em risos, o deixando furioso. Pelo canto dos olhos, pude ver Silena sorrir e sussurrar um “bobinho”.
É, a situação está mais crítica do que eu pensava.
─ Ah, Grover, faça-me o favor! Você é uma máquina, não pensa, o seu único impulso é matar, como se fosse um moedor de carne!
Grover rui novamente antes de responder:
─ Pelo menos eu não sou um fraco que se entrega no primeiro suspiro! Dois meses, dois meses Percy! Isso foi o suficiente para que você se apaixonasse por ela, botasse todo o esquema em risco! ─ Grover estava muito exaltado, a conversa novamente se transformava em gritos.
─ Cala a boca Grover! Eu sei o que estou fazendo e o que estou falando. O único fraco aqui é você, que não consegue superar a perda da mãe e da irmãzinha querida! Eu também perdi minha mãe de uma maneira muito pior que você, e nem por isso me tornei esse monstro que é você. Grover, você não consegue pensar direito, não analisa e não vê o que é certo! ─ Percy e Grover já tinham perdido o controle.
Mas antes que eu pudesse intervir, o primeiro soco foi disparado. Grover acertou em cheio o maxilar de Percy, o atirando para trás.
─ Se você queria satisfazer seus impulsos sexuais, poderia ter feito isso com uma das putas que temos aqui dentro da facção mesmo, não precisava comprometer a missão com seus caprichos. ─ Grover gritou novamente com Percy.
─ Não fale assim dela! ─ E então, Percy desferiu um segundo soco na boca do estômago do amigo, o fazendo arfar, cambaleando para trás. A partir daí, o dois se engalfinharam em chutes e socos, Silena deu um grito assustado. Era hora de entrar e ação antes que as coisas piorassem.
Um único tiro, a bala ficando presa a poucos centímetros das cabeças de Percy e Grover, cravada no chão, foi o suficiente para acabar com aquela confusão infantil.
─ Vocês parecem duas crianças carentes. Calem a boca, nenhum de vocês tem o direito de decidir o que vai ser feito. Eu dou as cartas por aqui. Esse esquema não pode falhar, uma única ruptura e vai tudo pro inferno, e se isso acontecer, eu levo vocês juntos. ─ Minha voz rasgou o ambiente mais uma vez e tudo silenciou. ─ Ela tem que morrer. É a cartada final.
Voltei a me sentar na poltrona encarando a janela e o movimento matinal de NY. Os carros congestionavam o trânsito, causando uma confusão sem tamanho.
─ Essa é minha última palavra. Com a morte de hoje, iniciamos o Ciclo da Morte. O Instituto não vai ter outra opção a não ser nos enfrentar cara a cara. A partir de agora, cada detalhe deve ser pensado e repensado. O jogo começou. ─ Esse pensamento me fez rir. Somente a hipótese de que o Instituto fosse se vergar perante mim, era como mel em minha boca: quente e doce.
Virei-me para Silena quando ouvi seu telefone tocar. Ela atendeu a ligação e sua expressão assumiu um tom de alerta e preocupação. Assim que a chamada se encerrou – poucos minutos que mais pareciam a eternidade –, pela primeira vez em muito tempo, Silena me olhou diretamente nos olhos:
─ Alguma coisa deu errado. Ela nos traiu.
Maldição!
─ Percy, você já sabe o que fazer. ─ Ele assentiu e correu para fora da sala.
─ Ah, Tyson tem uma filha adorável. Como é mesmo o nome dela? ─ Perguntei com um sorriso, assim que Percy não estava mais à vista.
É melhor eu dar um fim nessa situação de vez, agora enquanto ainda é tempo. eu não vou deixar um paixãozinha idiota estragar um trabalho de anos. Percy iria aprender da pior forma possível a lição. a não me mexer comigo.
─ Liesel. ─ Silena sussurrou.
─ Ah, sim, um nome tão doce. De fato combina com ela. ─ Falei, puxando a foto de uma garotinha de cabelos ruivos de dentro de um dos meus arquivos. ─ Seria uma pena se algo acontecesse à ela, não é mesmo Grover? ─ O garoto apenas sorriu, assentindo, saindo da sala logo em seguida.
Silena levantou-se, mas antes que ela pudesse deixar a sala, chamei-a. ela virou-se esperando-me falar:
─ Juníper é uma garota muito bonita. Quero ela conosco. ─ Agora seu rosto mesclava-se em um esgar de pavor e nojo quando ela se retirou da sala.
Dessa vez, não havia ninguém na sala para contemplar meu riso.
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