Is Prohibited
2 A Orquestra
Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo enooorme...
Boa leitura!
FLASHBACK ON
Thalia chegou em casa irradiando felicidade.
─ Ual, Thalia! O que foi que aconteceu com você?
Seu sorriso radiante era capaz até de cegar o Sol, se não tomássemos cuidado.
─ Ah, Annabeth! Aconteceu uma coisa incrível... ─ Ela me encarou com seus olhos azuis elétricos e naquele momento toda a sua alegria parecia palpável. Esperei ela terminar de falar. ─ Acho que eu, finalmente, descobri o que é amar!
Corri até ela, me jogando em seus braços e ficamos ali, pulando e gritando como loucas. Thalia sempre fora uma das pessoas mais frias e indiferentes que eu havia conhecido. Era maravilhoso que o dado do amor lhe tivesse cedido uma de suas faces.
─ Qual é o nome dele? Eu conheço? Quantos anos? É bonito? Como ele é? Onde estuda? Ele trabalha? Conta, conta, conta! Eu preciso saber... ─ Choraminguei, a bombardeando de perguntas assim que nos acalmamos.
Nos jogamos no aconchegante sofá vermelho do apartamento que dividíamos, em Londres. Estávamos no último ano da Faculdade de direito. Depois que nos formássemos, voltaríamos para New York e faríamos a prova pra ingressar no CHB.
─ Annabeth! Por onde eu começo? ─ Ela suspirou, me repreendendo. ─ Ah, ele é alto, loiro, tem olhos azuis, é engraçado, carinhoso, atencioso, ai ele é perfeito! Não sei como descrevê-lo. E não, você não o conhece. Também faz faculdade aqui, mas não em Oxford. Ele cursa astrofísica em Birmingham.
─ Só isso? ─ Retruquei quando percebi que ela não falaria mais nada. ─ Pelo menos o nome dele?
─ Nem pensar! ─ Ela me encarou fingindo indignação. ─ Então me diz o nome do seu namorado primeiro... ─ Ela cantarolou, na expectativa.
─ Chantagista! ─ Rebati, me afastado dela e cruzando os braços com uma expressão de raiva. ─ Você sabe que eu só vou falar quando estiver pronta. Ainda não me sinto segura com esse namoro. Está tudo muito no começo. Prefiro ter certeza do que estou fazendo do que me machucar depois.
─ É exatamente assim que eu me sinto Annabeth! Ainda não estamos nem namorando, eu entendo sua insegurança porque eu também partilho dela. Como você mesma disse, tudo está muito no começo, seria idiotice criar falsas expectativas quando se tem uma relação tão... Crua!
Eu entendi o que Thalia queria dizer. Eu estava namorando há mais ou menos umas três semanas e não tinha total confiança no meu compromisso para oficializá-lo. Minha mãe nem tinha ideia de que eu estava com alguém!
Mas eu estava começando a mudar de ideia nesses últimos dias. Luke era muito carinhoso, todos os dias eu acordava e recebia uma rosa vermelha. Nos nossos encontros, ele sempre acertava no restaurante e me levava chocolates. Ele entendia meus limites e compreendia meus medos. Estava disposto a esperar pelo tempo que eu precisasse para assumirmos o namoro publicamente, sem véus. Então percebi que eu já confiava nele. É. Amanhã a noite eu conversaria com ele. Diria que já estava pronta. Ele realmente tinha se mostrado um perfeito cavalheiro. Trabalhava em uma Starbucks, tentando juntar dinheiro pra começar a faculdade de artes cênicas. Acho que eu daria uma chance pra ele!
─ Thalia, sábado a noite vou te apresentar ao meu namorado. Analisei bem e acho que toda aquela insegurança e medo, são desnecessários agora. Já faz quase dois meses que eu conheço. Já posso confiar nele.
Minha melhor amiga vibrou com minhas palavras! Me abraçou dizendo o quão feliz estava por eu ter finalmente tomado uma decisão.
–-X--
─ Tem certeza, meu bem? Não quero que você se sinta pressionada ou que faça algo que não queira. Eu ainda posso esperar mais...
─ Não, Luke. ─ Interrompi-o. ─ Eu já me decidi. Você já provou que é uma boa pessoa, que é com você que eu quero começar a escrever o meu futuro. Eu estou pronta. Amanhã a noite eu vou apresentar você pra minha amiga e contar pra minha mãe que eu estou namorando. E não tente me fazer mudar de ideia.
Luke me encarou com os olhos marejados, e eu me senti realizada. Acariciei sua bochecha com a ponta dos dedos, e ele capturou minha mão, beijando-a:
─ Obrigado. Você não sabe o quanto me deixa feliz ouvir isso! ─ Sua voz transpirava prazer e alegria. Eu me sentia tão bem ao lado dele!
─ Ah, Luke! O que eu faria sem você? ─ Fixei meu olhar no profundo abismo azul de seus olhos. ─ Eu te amo.
─ Eu também.
–-X--
─ Thalia! ─ chamei-a do quarto. ─ O jantar? Deu certo? Não queimou nada? ─ Perguntei assim que ela apareceu na soleira da porta.
Ela estava linda! Usava um vestido preto, sem mangas, justo, até os joelhos e sapatos vermelhos, sem contar sua costumeira pulseira de elos de prata (um presente de formatura de seu pai).
─ Claro que sim, Annabeth! Você fez aquele jantar com tanto carinho, nada vai dar errado. ─ ela riu.
Consegui fazer com que um sorriso mínimo aflorasse no canto de meus lábios.
─ Luke adora camarão. Acho que as batatas, o arroz à grega e o molho rosé vão dar um toque especial, acompanhando o vinho tinto. Ela ama esse prato. Será que ele vai gostar? Está acostumado com comida de qualidade. E eu não sou nenhuma cheff italiana...
O nervosismo inundava minhas veias junto com a adrenalina. Eu sentia que iria desmaiar a qualquer momento. Hoje ele dormiria aqui. Nada poderia dar errado. Thalia iria sair com Calipso – nossa colega de turma – assim que o conhecesse. Depois nós iríamos jantar e... Bem, aí eu não responderia por mim.
─ Está usando aquela langerié preta? ─ Abaixei a alça preta do vestido pra que ela pudesse ver a peça. ─ Ótimo. Não tem como dar errado. Você está linda.
Ok, respira Annabeth! Não tem pelo que ficar nervosa.
─ Nossa, Annabeth! até parece que é o seu primeiro namorado e que você é virgem! ─ Thalia riu.
Nesse momento, a campainha tocou. Meu coração sumiu de meu peito e uma bateria de escola de samba assumiu seu lugar.
─ Eu estou bem? ─ Perguntei à Thalia, suando frio.
─ Perfeita! ─ Ela respondeu, tentando me acalmar.
Fomos juntas atender a porta. No momento em que eu vi Luke parado na soleira, com um buquê de rosas vermelhas, num blazer bege, sobrepondo uma camisa branca, com os primeiros botões abertos, e calça preta, meu mundo parou de girar. Me perdi em seu olhar azul e seus cabelos bagunçados. Seu sorriso acolhedor fez uma onda de calor percorrer meu ser. Sorri também e o puxei para um abraço. Ele me ofereceu o buquê e eu o mandei entrar.
─ Thalia, esse é Luke. ─ olhei pra ele, sorrindo. ─ Meu namorado...
Meu sorriso morreu assim que eu vi sua expressão: raiva. Thalia estava paralisada, o encarando com uma careta de dor, horror e decepção, as emoções se confundindo em seu semblante, como se brincassem de pique. Voltei minha atenção à Luke e a feição dura e decidida me assustou. Eu nunca o vi assim antes.
Antes que eu pudesse perguntar o que estava acontecendo, Luke me jogou no chão, em cima do espelho na sala, que quando caí, se fragmentou em milhares de gotas afiadas. Eu gritei de dor quando senti o couro de meu crânio se abrir com estilhaços e o sangue jorrar livre por minhas costas.
─ O que você está fazendo, Luke? ─ gritei assustada enquanto o via trancar a porta e jogar a chave pra longe. Thalia continuava ali, paralisada, como se tivesse criado raízes, se tornado um pinheiro no topo de uma colina. Eu estava ficando cada vez mais assustada e tonta por conta do sangue que eu perdia
Ele caminhou decidido até mim, ignorando minha pergunta, e lançou minha cabeça abruptamente pra frente, provavelmente para examinar o corte. Agarrei suas mãos, fazendo força para tirá-las da pressão exercida em minha nuca, sem sucesso.
─ Corte superficial. Já até parou de sangrar. ─ Luke falou isso de um jeito que eu nunca tinha visto antes: duro, com raiva. Então, puxou meu vestido, arrancando a parte de baixo na altura dos meus quadris e estancou o ferimento com força. Um minuto depois, ele retirou o pano e limpou o excesso de sangue em meu corpo. Durante esse processo, Thalia tinha se deixado cair no sofá e agora lágrimas escorriam por sua face alva, que sustentava um semblante de confusão, surpresa e dor.
Luke puxou violentamente minha cabeça pra cima, fazendo com que eu sustentasse seu olhar agitado e raivoso, com um gemido.
Por que ele estava fazendo isso? Esse não é o Luke. Por um momento, achei que ele estivesse possuído ou algo do tipo. Então me lembrei que ele queria cursar artes cênicas. Poderia muito bem estar fingindo o tempo todo para se aproveitar de mim. Esse pensamento fez uma onda de amargura e arrependimento invadir minha mente “Como eu fui burra!” pensei. Mas isso ainda não explicava a reação da Thalia.
Então ele, ainda puxando meus cabelos, me fez levantar do chão enquanto eu gritava de dor e as lágrimas marejavam meu olhar. Caminhou comigo pelo corredor, passando pelo banheiro, abrindo a porta do meu quarto e me jogando lá dentro. Literalmente jogando. Minha cabeça atingiu com força a quina da cama e pontos de luz colorida dançaram sob minhas pálpebras. Eu estava tão tonta que perdi a noção do tempo, não conseguia ouvir nada, somente um zumbido, e sentia minhas mãos ficarem geladas, minhas pernas dormentes. Meu cérebro só conseguia registrar a dor que eu sentia. A Terceira Guerra Mundial poderia estourar ao meu lado que eu nunca saberia enquanto estivesse naquele estado.
Quando a dor abrandou um pouco, alguns minutos depois, minha mente começou a desanuviar e eu pude escutar gritos femininos do meu lado, na cama. “Thalia!” , percebi horrorizada. A tontura ainda estava ali, mas consegui erguer minha cabeça e a cena que eu vi nunca mais me deixou dormir. Luke estava por sobre Thalia na cama, ambos nus – ela com as roupas rasgadas, a maquiagem borrada e as mãos presas pelas dele, enquanto gritava e gemia de olhos fechados, desesperada. Ele estava lambendo e chupando sua intimidade enquanto gemia eufórico, fora de si, seus quadris empinados e o membro ereto.
Imediatamente, senti meu estômago se revirar e embrulhar, agradecida por não ter comido nada desde o almoço. Mas eu ainda precisava ajudar Thalia. Levantei – meio cambaleante e agarrei seus pesados sapatos vermelhos jogados no chão, pronta para enfiar o salto na sua nuca, no meio da espinha. Mas minha visão ainda era turva. Acabei tropeçando, caindo ao lado da cama, chamando a atenção do monstro que violentava a minha melhor amiga. Eu fiquei lá. Caída e chorando enquanto ele lentamente amarrava Thalia na cabeceira e pés da cama usando os lençóis. E depois, quando ele voltou sua atenção a mim.
Ouvi o celular de Thalia tocar. Isso me despertou do meu torpor. Tentei me levantar, mas ele era mais forte. Prendeu minhas mãos com outro pedaço de lençol na cama e começou a rasgar minhas roupas. Senti a langerié ser arrancada de minha pele bruscamente. De repente, aquela peça que seria sinônimo da minha felicidade naquela noite, tornou-se portadora da raiva e do nojo.
Eu gritava histérica, chorava e esperneava. Consegui acertar um chute em seu estômago, mas de nada adiantou. Ele retirou meus sapatos e separou minhas pernas, atando-as à cama e à cômoda. Senti sua língua atingir minha intimidade, me fazendo gritar ainda mais, me contorcer sob seu corpo enquanto o desespero se unia ao prazer involuntário numa dança canibal. Meu choro, gritos e lamentos, se misturaram aos soluços de Thalia e aos gemidos de prazer daquele monstro horrendo, formando uma orquestra macabra, num concerto diabólico.
Senti suas mãos afagarem meus seios, me fazendo arfar de nojo. Então ele se levantou e se dirigiu a Thalia. A orquestra atingiu seu clímax. Sons agudos intercalando com lamúrias. Eu podia ouvir o barulho das estocadas, quase sentindo a dor que a garota ao meu lado sentia. Ele riu quando seus gritos se confundiram em gemidos do prazer involuntários e pude perceber que ele havia gozado quando o choro dela estremeceu meus tímpanos. Mas a sinfonia tornou-se completa quando o celular começou a tocar, estridente Wake me up when a september ends.
Luke voltou sua atenção a mim novamente. Desta vez, ele “pulou as preliminares”. Me penetrou brusca e dolorosamente. E meus gritos fizeram juz a Thalia. As lágrimas de dor se misturavam com as lágrimas de revolta, medo e nojo. Eu não estava respondendo por mim. Meu corpo se contorcia em espasmos – ora do prazer maldito, ora da dor insana. Senti minha garganta sangrar, quão forte eu gritei. Mas não implorei pra que ele parasse nem uma única vez, ao contrário de Thalia. Eu não daria essa vitória àquele pedaço de nojo.
Um cheiro acre invadiu minhas narinas e Thalia distraiu-se momentaneamente com ele. Nesse momento Luke gozou em mim e caiu sob meu corpo, seu peso me esmagando. Eu gritei tanto que a partir de um tempo, nem meus gritos saiam mais. E eu fiquei lá. Caída, apática, enquanto o cheiro invadia a casa e minha visão se turvava e queimava em negro.
Luke recomeçou as estocadas com força total. Mas eu estava morrendo. Não respondia. Thalia soluçava e se contorcia ao meu lado. E tudo ficou claro, num rompante. A visão negra era fumaça. O cheiro acre era de camarão queimado. “A comida!” percebi aliviada. Estávamos quase salvas. O prédio possuía um sistema de incêndio, onde uma vez detectada a fumaça, a policia, os médicos e os bombeiros eram acionados.
“Só mais alguns minutos. E então estaremos livres”
Pude ouvir a porta da frente ser arrombada. Os policiais invadindo o quarto. Luke tentando pular a janela do 13° andar. E a polícia dar voz de prisão, em flagrante, ao monstro que eu havia recolhido em minha casa.
2 SEMANAS DEPOIS
No final, Luke era um maníaco procurado nos EUA, que se refugiou em território inglês. Ele foi preso pelo CHB. Minha mãe e Zeus conversaram com Oxford e nós cursamos os últimos dois meses de faculdade à distância, sob a asa do Instituto.
Fizemos as provas. Passamos. E conseguimos entrar para a academia CHB.
Descobrimos que Luke namorava comigo enquanto enganava Thalia. Por isso a sua surpresa quando os apresentei. A polícia disse que, devido ao desespero, ele resolveu nos estuprar ali mesmo e acabar conosco de uma vez por todas, antes que seu plano fosse desmascarado. Obviamente, não deu certo.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a minha amizade com Thalia, ficou ainda mais forte depois desse episódio.
FLASHBACK OFF
Nós nunca mais tínhamos ouvido falar desse nojo.
Nunca mais até agora.
Eu queria morrer...
Notas finais
Tenso não?
Até o próximo...
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