Is It Any Wonder?
4 Capítulo 3 - Belleville’s shopping
Notas iniciais
Is it any Wonder?
Winter
Capítulo 3 – Belleville’s shopping
Surpreendeu-se ao encontrar, em plena tarde, uma movimentação tanto quanto exagerada no maior antro de lojas diversificadas de Belleville: o Belleville’s shopping. Ele, Gerard, mantinha-se boquiaberto estando imóvel no portão de entrada. Eram pessoas indo e vindo, saindo e entrando, subindo e descendo as escadas rolantes. Um tumulto só!
- Merda. – praguejou de si pra si em desafeto, enterrando as mãos nos bolsos de sua jaqueta em jeans.
Aliás, enquanto as vestes, nada que o valeria a uma primeira entrevista de emprego, tenho de dizer. Vestia calças justas demais, escuras; camisa desbotada com a excêntrica face de Robert Smith estampando o tórax, com seu sorriso escarlate, seus olhos marcados pelo carvão, sua melancólica expressão; calçava um tênis qualquer de cadarços curtos, preto, surrado, de lona e a já dita jaqueta.
Perceber-se-ia a displicência enquanto a expressão corporal, os trajes, a face carregada. Era fato, Gerard não queria estar ali. Muito menos à procura de algum emprego. Se ao menos pudesse voltar atrás. Mas não podia, Donald deixara claro: O emprego e o saldo das dívidas ou a rua.
Pra rua ele não poderia ir, bem soubera que não sobreviveria um dia que fosse sem o conforto de seu quarto, sem a saia da mamãe, sem a grana do papai, sem o irmão caçula pra amolar.
Teria de rever os próprios conceitos existenciais, abrir uma exceção desta vez. Recorrer à dita obediência.
Ignorando seus instintos desordeiros, portando-se como um sujeito de vinte anos, seguiu pelo corredor principal rumando até a primeira bifurcação: era a divisão das alas Bookshop/Fastfood.
Sem qualquer tipo de dúvida, seguiu pela esquerda.
Embora não fosse nenhum fanático por literatura, lembrando-se apenas de ter lido o consagrado A Clockwork Orange de Anthony Burgess; mil vezes seriam escolhidas as livrarias com todo seu estoque de lixo encadernado ao invés de um antro fétido e gordurento.
Óh, não. Não seria ele, Gerard Way, a servir os obesos deprimidos.
“Não, não e não!”
Aliás, ele bem soubera como era ser uma pessoa com obesidade em potencial. Um dia, distante da época atual, no colegial, fora um fracassado, diga-se.
Todos o diziam, não?
Passado?
Bem, uma vez que ele estivesse ali, na flor da idade, buscando um empregozinho de quinta; poderia não ter mudado de status, por assim dizer.
E, bem, nenhum rostinho bonito, tampouco uma silhueta esculpida o ajudaria naquela busca. Não, mesmo que ele acreditasse nisso, ele dependeria única e exclusivamente de sua persuasão e boa vontade; coisas que estavam em falta no momento.
Ele aprenderia da pior maneira!
~~~*~~~
To be continued...
Fale com o autor