Irônica Vida
3 Capítulo 3 - A noite no shopping 1
Notas iniciais
Me pergunto por que voltaram as aulas perto do Natal, é bem esquisito da parte da escola, já que teríamos um pequeno período de aulas e logo já vem o Natal, dando-nos um feriado prolongado, sem aulas, obviamente.
Eu não sabia disso até, que acordei por barulhos na minha janela, aparentemente de uma pedra sendo jogada contra o vidro, me levantei da cama, com sono e fui até janela para ver o que acontecia de tão importante a ponto de me fazerem levantar da cama e vi o Adam com um casaco estilo GAP, olhando para o lado.
—Qual o incêndio?
Ele olhou para mim e acenou com gentileza, apontando para o pulso, sinalizando que eu visse as horas de sono que me eram tiradas, peguei meu celular no criado-mudo e vi que ainda era de noite, ou seja, muitas horas de sono desperdiçadas.
—Por que acordaste a este horário? Estás querendo levar porrada?
—Não, mas eu vim te levar para passar o melhor Natal da sua vida, já que não tem escola amanhã
Foi assim que eu descobri que era Natal e que não tínhamos aula no dia seguinte, me fazendo suspirar e indo abrir a porta para o garoto entrar.
—Só não faça barulho
O mesmo assentiu com a cabeça e fez um sinal de silêncio com a mão, indo atrás de mim com destino ao meu quarto, quando chegamos eu abri a porta branca com uma plaquinha apontando meu nome escrito em branco na placa preta, mostrando para ele meu quarto todo decorado com azul-galáxia e um bege, sem esquecer o preto, quase demonstrando uma galáxia em forma de quarto, que o fez se surpreender e olhar ainda mais o quarto, a cama com lençóis e fronhas coloridas, se destacando do resto do quarto, com várias lâmpadas presas em uma corda que ia em cima da minha cama, que dos lados tinha criados-mudos combinando, com várias coisas aleatórias que eu tinha, além do armário com estrelas desenhadas nele e a porta branca que levava ao banheiro.
—Agora que já viu meu quarto pode, por favor, me ajude a escolher a roupa para sair
—Claro – Adam adentrou no quarto e se sentou na cama bagunçada por algumas horas de sono minhas e sorriu para mim, enquanto eu fechava a porta branca e ia até o guarda-roupa e analisava o clima – Está calor.
Eu assenti e sorri, pegando uma camisa que mostrava a nuca com flores, bem vintage, um shorts jeans e um elástico para prender o cabelo.
—Posso me trocar aqui?
Perguntei, brincando e provocando ele, recebendo uma assentida envergonhada, para minha surpresa.
—Estava brincando, se você me ver pelada, não posso mais casar – Ri um pouco para ele, que tampou o rosto, com vergonha – Vou me trocar no banheiro
Eu abri a porta branca e adentrei, fechando a porta e me trocando rapidamente e saindo para ver se ele aprovava, não que eu precisasse da aprovação dele, mas é sempre bom.
—Está muito b-bom – Ele ainda estava super corado e fofo, até gaguejando, me fazendo dar um sorriso discreto
—O que iremos fazer? E é bom que seja legal, porque para me obrigar a ir em um lugar no meio da noite custa caro – Eu falo cortando o pescoço em símbolos.
—Iremos passar a noite no shopping – Adam pega a mochila atrás dele, a qual ele estava segurando e mostra para mim um monte de comida dentro da mochila e duas lanternas dentro da mochila preta
—Me sinto uma bandida – Falo surpresa com a proposta – Você desperta o pior em mim Mr. A
— Isso é legal – Ele dá um sorriso de lado, se levantando e colocando a mochila atrás das costas novamente. – Vamos?
Assenti com a cabeça e fui saindo de casa, fechando e trancando as portas que atravessávamos e já indo em direção ao shopping.
—Como que não vamos ser notados? — Falo preocupada.
—Como que você é uma delinquente?
—Como você me responde com outra pergunta?
—Deixa – A fala meio desapontado por eu não o responder – Vamos subir no vaso sanitário e ficar lá até fecharem.
Gostei da ideia dele então eu assenti com a cabeça, sorrindo em minha mente enquanto tentava acompanhar o ritmo de caminhada dele, até que, depois de passar por um monte de casas com as luzes apagadas, nós chegamos ao shopping onde eu já fui para o banheiro, depois que fingimos que tínhamos acabado de sair de uma sessão no cinema, eu no feminino e ele no masculino.
Ficamos ali por algumas horas até que algum funcionário veio até o banheiro onde eu estava e começou a limpar as coisas, abriu a primeira porta e limpou dentro da cabine, abriu a segunda das quatro – estava na última – e limpou e fez a mesma com a terceira e quando foi abrir a porta, fez o mesmo barulho que as outras portas, me assustando e me fazendo dar um grito baixo que apenas o funcionário percebeu e abriu a porta, realmente, me fazendo ver que ele tinha esbarrado em algo e me fazendo me sentir idiota por ter me assustado, principalmente porque o funcionário era da minha idade e era muito bonito.
—O que faz aqui? – Pergunta ele, confuso, me observando descer do vaso sanitário.
—Fui no ba-banheiro – Merda, gaguejei um pouco, o suficiente para ele perceber minha mentira.
—O que realmente faz aqui?
—Eu vim passar a noite aqui – Eu dou um sorriso para descontrair um pouco, dando uma surpresa no menino.
—Por que eu deveria te deixar aqui?
—O que? Porque eu sou uma pessoa muito legal – Coloquei a mão embaixo do queixo, tentando convencer o mesmo.
—Você é a menina que nunca sorri
—S-sou?
—Sim, mas agora me parece legal – Ele sai da cabine, me deixando sair também.
—Claro, porque eu sou – O mesmo ri um pouco, me surpreendo com a risada leve do mesmo e me fazendo sorri feito boba, tanto que até coloquei a mão na frente da boca para disfarçar – Quer dizer, devo ser
—Claro, claro, vou fingir que não te vi e não vi o Adam – O menino dá uma piscadela para mim, me fazendo rir um pouco do idiota do Adam que foi descoberto antes de mim, o funcionário saiu acenando para mim, enquanto eu ficava parada, pensando em como a risada dele me dava efeitos colaterais estranhos.
Antes ninguém se aproximava de mim, agora o estranho que conheço na cabine é mais amigável que minha inteira escola.
Irônica vida.
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