Irreversível
8 Capítulo 8: E então, a explosão silenciosa
Notas iniciais
Irreversível
Escrito por Amanur e Noel Blue
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Capítulo 8: E então, a explosão silenciosa
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Até mesmo os mais afortunados têm pesadelos, e ela sabia disso. E com ela não era diferente.
— O que está fazendo aqui, Kakashi?
— Quer que eu vá embora? — Sasuke murmurou para ela.
— Não, fique…
— É…! Por que não fica para a festa? — insinuou o homem — Quanto mais gente, melhor!
— Achei que você tinha dito que estava tudo acabado… — ela o interrompeu.
Ele lançou aquele olhar para ela, que mil palavras não bastavam para descrever. Aquele olhar de tristeza e amargura profunda contida na alma que falava por si só. Mas ele falou, assim mesmo.
— Sabe o que é mais triste nisso tudo? Eu fiquei esse tempo todo só pensando você, nas coisas que você me disse, nos momentos em que passamos juntos. Então, resolvi vir aqui, pra tentar entender, pra te dar mais uma chance de me explicar as coisas… — ele soava tão melancólico, que sua dor chegava a ressoar no peito dela de uma maneira inexplicável, que apenas pessoas que se amam sentem — Mas fica difícil, sabe, quando te encontro vindo de braços cruzados, descendo a rua com ele. Porque bastou apenas alguns poucos dias, Sakura, para você ir correndo para os braços do primeiro que aparece. E que, olha só que coincidência, é justamente ele!
Sasuke franziu o cenho.
— Do que ele está falando? — questionou.
— O idiota pensa que estávamos tendo um caso pelas costas dele! Ele nos viu numa daquelas manhãs, na cafeteria. Mas ele é DOENTE! — disse, propositalmente para provocar o homem, pois já estava cansada das insinuações dele.
Ela já havia explicado um milhão de vezes tudo, mas ele era do tipo de pessoa que só ouvia o que queria. E, bem, contra isso, ninguém podia.
— Eu só não entendo porque você continua insistindo nessas mentiras, quando está na cara o que está acontecendo. — ele disse — Ou será que você ainda não se declarou para o Don Juan aí, e está só bancando a putinha donzela, querendo conquistá-lo aos poucos? Será que estou atrapalhando a noite de vocês? Era essa a grande noite? A noite em que você abriria as pernas para ele?
— Ei, não acha que está exagerando nos insultos, amigo?
— Não sou seu amigo.
— Claro que não. Por que você não vai embora, esfria a cabeça, e volta quando estiver mais calmo?
Irritado, o homem deu alguns passo em direção ao Sasuke, provocativo.
— Você não tem voz aqui! Não me diga o que fazer!
— É uma sugestão.
— Ou o quê?
— Ou nada… Porque é isso o que você é. Um nada. — de repente, Sasuke infla o peito de um jeito muito estranho, trincando a mandibula, e encarando o outro cheio de fúria.
Então, Sakura recua, um tanto desconfiada. Não sabia o que esperar daquilo.
— Vá embora, Kakashi. — ela diz — Podemos conversar outra hora.
— NÃO VAI TER OUTRA HORA! ESSA FOI SUA ÚLTIMA CHANCE! — ele vocifera, de repente se mostrando muito irritado.
Sem se conter, Sasuke solta uma risada.
— Qual é a graça, palhaço? — o homem indaga entre os dentes.
— Sabe o que é? Você fala como se fosse a melhor opção para ela. Como se fosse a única opção para ela… Isso é engraçado! Muito engraçado.
Sentindo o sangue esquentar cada vez mais, Kakashi se forçou a sorrir entre mais alguns passos adiante para encarar o outro.
— É mesmo? Por quê? Você acha que você é uma opção para ela? Quantos anos você tem, moleque? O que faz da vida? O que pretende do futuro? Acha que dá conta? — ele caminhou até ficar a poucos milímetros de distancia do Sasuke.
Ficaram assim, olho no olho. Dente ao dente.
— Nada disso é da sua conta. — o moreno respondeu, sentindo no rosto o hálito quente do outro.
— Está com medo?
— Não é da sua conta.
— Não consegue responder coisa melhor?
— Consigo sim. Vá se foder!
Kakashi sorriu, e deu um empurrão no Sasuke. Aquele foi o gatilho para expor um lado do moreno que Sakura nunca imaginou ver. Pois, de repente, aquele cara sério, mas tranquilo e meio sem jeito, constrangido até do próprio olhar, de repente, se transformou diante dos seus olhos.
Assim, aquela noite tranquila, de chuva doce, foi de repente transformada num pesadelo. Por que, Sasuke cerrou o punho e, assim, meio de surpresa, foi enchendo seu ex noivo de socos, um atrás do outro, como se descarregasse ali uma fúria antiga, contida há muito dentro de si.
Kakashi tentou se defender. Conseguiu atingi-lo com alguns socos também. Cortou a boca do Sasuke e o atingiu nas costelas. Os olhos dele estavam vermelhos, injetados de fúria, e ele parecia longe de terminar. Parecia longe de descarregar toda sua raiva, como se ela fosse infinita.
Nervosa, Sakura berrava para que os dois parassem com a briga. Queria que aquele tormento chegasse logo ao fim. Queria que a doce chuva voltasse a cair para poder novamente dançar conforme a sua música. Mas os ruídos não a deixavam.
Uma vizinha chegou a sair de sua casa para ver o que estava acontecendo, ameaçando ligar para a polícia. Estava tudo arruinado. Seu sonho perfeito estava, de novo, se desmoronando diante dos seus olhos, e não sabia mais o que fazer.
Até que, sem pensar direito, ela pulou nas costas do Sasuke, tentando fazê-lo parar. Alguma coisa precisava ser feita, afinal. Mas com o peso nas costas, o atrapalhando, ele a empurrou para trás, como se não passasse de um estorvo insignificante. Como se não passasse de um inseto que o incomodava, a fazendo cair sobre o asfalto da rua, ralando suas mãos. Nisso, aproveitando-se de um pequeno descuido, Kakashi conseguiu derrubar Sasuke no chão, para enchê-lo de pontapés. Mas o moreno logo conseguiu se posicionar contra o outro, agarrando a perna do Kakashi para derrubá-lo também. E os dois trocaram mais socos ali, no meio da rua.
A segunda opção que ela tinha em mente foi correr até a área da frente da loja da sua mãe e pegar a mangueira de água. Rapidamente, girou a torneira e deixou a água jorrar forte sobre os dois homens. Foi somente assim que eles finalmente se afastaram um do outro, meio desnorteados.
— Kakashi, vá embora, por favor! A polícia está vindo e não quero ter que explicar mais nada pra ninguém!
Eles trocaram olhares furiosos, de um para o outro. Como inimigos mortais. E se levantaram ao mesmo tempo, sempre em alerta. Mas sem dizer mais nada, apenas com um cuspe cheio de sangue e desprezo no chão, Kakashi deu as costas e desapareceu, pensando em nunca mais voltar.
Finalmente, ela conseguiu respirar aliviada. Suas mãos tremiam, nervosa. Tinha vontade de desabar em prantos. Mas também tinha raiva. Aquilo tudo era desnecessário, não precisava ter acontecido. Não precisavam ter arruinado sua noite.
Já, Sasuke, não sabia bem onde se enfiar. Ele também sentia o gosto do seu sangue na boca. Mas também sentia o gosto de prazer e satisfação. Sentia um peso sobre os ombros aliviar. Sentia suas mãos mais leves, mais livres, como se algemas antigas tivessem sido quebradas.
Então, ele olhou para ela. Aquela coisinha miúda, encolhida em si mesma, olhando para o chão, como se observasse seus próprios pés murchar. Ele não sabia o que dizer, não sabia mais o que pensar. Tudo o que lhe restou foi virar as costas e sair caminhando sob as nuvens carregadas do céu que voltavam a trovejar.
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