Irreversível

15 Capítulo 15: Primeiro suspiro após um coma


Notas iniciais
Último capítulo! Bom, queremos agradecer a todos que leram, e a todos os que comentaram também! E principalmente às lindas que recomendaram! ♥ Esperamos do fundo do nosso coração que todos tenham gostado da história do início ao fim, pois nós mesmas gostamos muito de escrevê-la. :)

Irreversível

Escrito por Amanur e Noel Blue

Capítulo 15: Primeiro suspiro após um coma



Ele caiu no sofá, com ela em seu colo, enchendo-o de beijos por todo o rosto como se precisasse se desculpar pelo tempo perdido. As mãos dele tremiam, perdidas na ânsias e desejos, enquanto deslizavam por baixo da blusa que ela vestia, explorando cada centímetro da pele macia e quente dela. E enquanto os lábios de Sakura percorriam pelo rosto dele, ela bagunçava seu cabelo negro porque er algo que há muito queria fazer: sentir aqueles fios macios como plumas entre seus dedos.

Ele tinha os olhos fechados, com medo de abri-los e descobrir que aquilo não passava de um sonho, de um devaneio. Então, ele apenas apreciava as sensações daquele delírio, ou seja lá o que fosse, deixando-se dominar por completo. Eram sensações novas, que nunca havia sentido com a Ino — talvez porque não se permitia, talvez porque ela não o permitia…

Ela, no entanto, já mantinha os olhos bem abertos, observando todos os movimentos dele, o modo como a beijava com a cabeça levemente viradinha para o lado, e como as mãos dele deslizavam suavemente sobre sua pele. E os beijos atrevidos mudavam, pouco a pouco, de posição. Timidamente, foram seguindo pelo pescoço abaixo enquanto as mãos exploravam mais, curiosas. Era a cintura, as costas, o peito...

Quando se deram conta, ambos já estavam sem suas camisas, suando. E ele levou um choque ao se dar conta disso, porque sua pele ainda guardava as marcas que sua namorada deixava.

Mas Sakura ignorou tudo. Ignorou todos aqueles hematomas e arranhões, e foi deslizando os lábios por cada um deles como se quisesse deixar claro que ele nunca mais haveria de precisar daquilo, que nunca mais haveria de sentir falta daquele tipo de coisa.

E, então, calmamente, ela foi se desfazendo do cinto dele, enquanto ele subia a saia dela, deslizando suas mãos pelas pernas dela. Ansiavam pelo ato, mas ao mesmo tempo não queriam que o tempo passasse. Mas logo ela se movia em cima dele, arfando ofegante, enquanto os braços de Sasuke a envolvia num abraço. Logo, ele foi investindo suas estocadas dentro dela enquanto Sakura relaxava o corpo, se entregando por completo a ele.

O sol que entrava pela janela, logo atrás deles, os banhava num caloroso e aconchegante manto iluminado. A luz dourada os envolvia como uma benção do dia e não demorou para que chegassem ao clímax. Ela soltou um suave gemido ao pé do ouvido dele enquanto enlaçava os braços em volta daquele pescoço. E depois daquele turbilhão de sensações, veio a calmaria.

Ficaram ali, por bons minutos, um abraçado ao outro, sentindo o seus corações baterem ritmados enquanto o calor percorria pelo corpo. Estavam presos naquele instante, desejando que não acabasse nunca. Desejando que o tempo permanecesse naquele estado inerte, solidificado pela eternidade.

— Às vezes, eu congelo... — de repente, ele diz.

Ela concordou em silêncio, sem olhar para ele, lhe dando tempo para que prosseguisse, pois sentia o quanto ele hesitava, com medo.

— Eu não sei bem o motivo. É como se, de repente, o passado voltasse à tona e eu passasse a ver todas aquelas cenas diante dos meus olhos, e eu permanecesse ali, apenas como um expectador inútil, incapaz de intervir. Incapaz de mexer no passado…

— O passado é irreversível, você mesmo disse.

— Sim. Não é triste, não poder refazer as coisas? Dá aquela sensação de impotência. De incapacidade…Não poder voltar para consertar algo errado.

— Mas você não é o único incapaz disso, Sasuke. É importante que saiba disso.

— É, eu sei… Mas sempre que me dou conta dessa incapacidade, eu congelo de novo. É como se meus órgãos se desligassem. E o engraçado disso é que acontece somente com pessoas “de fora”. Com a minha família sempre foi diferente...

— Nós sempre agimos diferente com nossa família…

— Mas é diferente. Eles têm um poder sobre mim diferente. Como se fossem deuses. E deuses traiçoeiros que podem me punir por qualquer coisa errada que eu fizer.

— Você não fez nada de errado.

— Eu sei. Hoje eu sei. Hoje eu entendo… Mas é difícil de desfazer dessas correntes que eles colocaram quando eu era apenas um menino.

— E por isso você simplesmente aceita tudo como um gato manso. Você tem medo de ser punido, tem medo de fazer mais alguma coisa errada. Tem medo da culpa pelo que não fez… Só que agora, adulto, com tantas coisas sobre os ombros, você explode, extrapola…

— Há tanta coisa para ser dita que faltam palavras para descrever… — resmungou, pensativo.

E ficaram mais um tempo ali, abraçados um ao outro, pensativos, apenas ouvindo suas respirações enquanto ele acariciava o cabelo dela, e Sakura deslizava os lábios sobre o ombro dele.

— Há coisas que preciso fazer. — de repente, ele diz.

— Eu sei. — ela respondeu, compreendendo o que ele não disse.

Assim, o restante do dia foi seguido por aquela sensação de leveza nos pés, nos ombros, no corpo inteiro. Não se sentia exatamente especial, mas só o fato de ter se resolvido com a Sakura já fazia o mundo mais leve, mais tranquilo. Mais suportável. Enquanto caminhava de volta para casa, se perguntava por onde ela tinha passado sua vida inteira, que não o encontrara antes.

Em casa, veio a surpresa de reencontrar sua namorada o esperando, sentada no sofá.

— O seu irmão me ligou. — ela disse, assim que o viu atravessar a porta — Há tantas coisas que não entendo.

— Algumas coisas não precisam serem explicadas.

— Ah, não, mas isso precisa de uma explicação, sim, Sasuke. O que diabos aconteceu com você? Cade aquele homem que conheci?

— Foi embora.

— Está mesmo falando sério?

— Nunca estive tão sério em minha vida.

— E o que isso significa?

— Significa tantas coisas...

Ela o olhava preocupada. Até mesmo temerosa. Estava com medo de se precipitar em suas conclusões, por isso, esperou que ele mesmo dissesse aquelas palavras. As palavras que ele procurava com cuidado dentro de sua cabeça, porque, apesar de tudo, tinham passado um bom tempo juntos, compartilhando momentos de suas vidas um com o outro.

Independente da qualidade desses momentos, ele a considerava como parte importante de sua vida. Parte daquilo que o constituiu como individuo. Como a pessoa que um dia ele foi.

E agora, jurava a si mesmo, que não seria mais.

E, no entanto, diante do silêncio dele, ela se negava a aceitar aquilo.

— Deixa pra lá! — disse, se levantando — Vou tomar um banho. Uma amiga minha, que toca numa banda, vai se apresentar e nos convidou para assistir ao show dela. Eu estava pensando de…

— Não, Ino. — ele a interrompe — Não vou a lugar nenhum.

Ela parou no meio do corredor, olhando-o desconfiada. E, então, deu de ombros.

— Tá. Se preferir ficar mofando aqui, o problema é seu. Mas já disse ao meu pai que vamos almoçar com ele amanhã.

— Também não vou almoçar com o seu pai amanhã, Ino.

— Qual é a sua, Sasuke? — de repente, ela parecia furiosa, e avança em cima dele — Isso só pode ser piada, né? Que merda é essa que aquela piranha da sua amiga anda botando na sua cabeça? O que foi que ela disse?

— Deixe a Hinata de lado, porque isso não tem nada a ver com ela.

— A não? E com quem isso tem a ver, Sasuke?

— Eu e você.

— Não! Você começou a ficar todo estranho depois que começou a se encontrar com aquela vagabunda! Não me diga mesmo que foi ela que fez a sua cabeça virar do avesso.

— Seria mais fácil se você simplesmente aceitasse as coisas como são.

— E como são as coisas pra você, Sasuke? Por que, para mim, eu tinha um namorado até hoje cedo. E, de repente, parece que não tenho mais.

— Ah, bom, você quer mesmo saber como as coisas são para mim? Pois bem, vamos começar pelo fato de que essa relação nunca foi uma relação a dois. Foi sempre uma relação sobre você consigo mesma! Você nunca se importou com o que eu queria ou deixava de querer! Você é uma vaca egoísta, que só pensa no seu próprio umbigo sem se importar com os outros, Ino. No momento em que mais precisei de você, o que foi que você fez? Me deu as costas e fugiu. Estou cansado, exausto de você. Chegamos num ponto que simplesmente não te aturo mais! Você me deixa exausto. Você é mesquinha, egoísta, egocêntrica, irritante e sem noção e estúpida. Você é como um parasita que se aloja onde quer e vai sugando as energias das pessoas. Chega! Não quero mais isso, cansei de brincar de namorados com você!

Ela ficou o encarando espantada. Jamais esperava ouvir aquilo tudo dele. Sentia-se ofendida, humilhada e derrotada. E, acima de tudo, sentia-se furiosa.

Então, para se livrar daquela raiva, daquela frustração que não conseguia controlar, foi atirando tudo o que via pela frente no chão. Foi destruindo o apartamento dele como um pequeno furação, devastando tudo. Mas antes que a catástrofe fosse ainda maior, ele a agarrou.

Ela se debateu contra ele, tentando se livrar das amarras que ele impusera sobre ela com seus braços. Ainda arranhou o rosto dele com suas unhas, praguejando tudo quanto é tipo de maldição que conseguia pensar naquele momento de desespero. Despejou chutes sobre ele, e mais uma mordida em seu braço, tudo para conseguir se sentir vingada.

No entanto, ele conseguiu colocá-la para fora do seu apartamento, jogando-a ao chão como um saco de lixo. Como um saco de coisas imprestáveis. Um saco de entulhos que só atrapalhava o seu caminho. Contudo, persistente e raivosa, ela ficou socando a porta, ordenando que ele a abrisse para que pudesse entrar, mas ele disse que só abriria de novo para levar as coisas dela de volta para a casa do seu pai. E ela bem que ficou ali por mais um bom tempo, até se cansar, até perceber que nada o faria mudar de ideia. Até perceber que era tarde demais para tentar se redimir.

Então, o dia seguinte foi dedicado a isso. A empacotar as coisas dela, e despachar por um caminhão de mudanças. Ele via as caixas saírem pela porta com um misto de sentimentos estranhos. Sentia-se, de repente, solitário. E tinha medo. Muito medo dessa mudança.

Mudança de relacionamento, mudança de perspectiva, mudança de vida. De repente, era como se estivesse entrando em um mundo novo, em um mundo diferente. Um mundo cheio do desconhecido sem aquelas emoções aos quais havia se habituado. Sentimentos que já conhecia como a palma da mão, como se fossem velhos amigos, velhos companheiros...

Mas ao ver o rosto dela, no final da tarde, fez todo aquele medo evaporar como a fumaça do seu cigarro desaparecia no ar.

E de mãos dadas, eles iam caminhando pelas ruas, em direção ao café. Aquela cafeteria, onde tudo começou.

Pediram o de sempre. Ele café preto, e ela chocolate quente.

— Eu estava me perguntando se o futuro pode ser irreversível. — ele diz.

— Você não pode afirmar algo sobre alguma coisa que desconhece. É a mesma coisa que querer comprovar algo que não existe. Se não existe, não há como comprovar que existe, porque não há nada que você possa pegar dessa coisa para comprovar sua existência!

— Eu sei… É só que não consigo descobrir o que diabos pode ser essa quinta coisa irreversível.

— Quer algumas dicas? — ela sugeriu.

E ele suspirou.

— Manda.

— Bom, a quinta coisa irreversível é algo que você não consegue tocar, nem ver. Propriamente dito, pelo menos.

— Como o quê?

— Pense.

— Como o ar?

— Não. O ar, você consegue sentir na pele quando ele sopra. Essa coisa, não.

— Mas é algo que existe?

— Definitivamente.

— Mais alguma dica?

— Bom, quando se fere, machuca. E dói bastante. Mas está sempre lá, nunca desaparece.

— Como diabos uma coisa que não pode ser tocada nem vista, se machucar?

— Pense, cara pálida.

Ele pensou, pensou e pensou. E não chegou a nenhuma conclusão.

Com pena dele, ela resolveu dar mais uma dica.

— Olha, essa é a última dica que posso te dar: Essa coisa possui um antônimo. Um lado negro que quanto mais forte, mais devastador fica. Não só para si mesmo, quanto para os que o rodeiam.

— Essa dica era pra ajudar ou atrapalhar? Por que estou mais confuso ainda. Essa coisa irreversível tem amigos?

— Hehe. Não exatamente.

— Eu desisto.

— Eu não vou dizer o que é. Um dia, quando você começar a realmente sentir isso, você vai descobrir.

— Ahá! Então é uma coisa que eu posso sentir. Não posso ver, nem tocar, mas posso sentir de alguma forma, diferente do vento.

— Lálálálálá.. — cantarolou, desviando o olhar.

— Eu sei o que é! — diz, triunfante.

— O que é?

— É essa coisa aqui dentro, que sinto por você.

Ela sorriu.

“Sentamos e esperamos pelo sol e tudo o que viria pela frente. Eu não gostava do mundo, mas em tempos precavidos e tranquilos, dava até quase para compreendê-lo.” (Charles Bukowski)

: : Fim : :

Notas finais
Algum comentário? Crítica? Pedras? Sobre o problema do Sasuke, nós fizemos uma pequena pesquisa sobre as consequências no indivíduo que o abuso pode causar. E segundo o que vimos, há basicamente duas formas de lidar com isso: uma delas é o abusado se tornar um abusador quando adulto...Mas preferimos descartar essa possibilidade, porque queríamos um Sasuke diferente do badboy problemático, porque já estamos bem saturadas com esse tipo de personagem, né... Então, resolvemos optar pela segunda consequência: que era de um indivíduo submisso (e por isso ele se contentava com as agressões emocionais da Ino), com problemas de segurança, com ansiedade e um pouco de depressão. Claro que, cada caso é cada caso, e não há uma regra absoluta sobre as consequências, mas, no geral, é mais ou menos isso. Algumas coisas nós acrescentamos por conta, afinal, o inconsciente humano é uma caixinha secreta, não desvendada ainda em sua totalidade pela ciência, então nos aproveitamos disso pra "brincar" mais com as personagens e desenvolver toda a trama que vocês acabaram de ler... E no mais é isso... E a Sakura, né, é a Sakura, né xD Enfim, repetindo o que dissemos, esperamos que tenham gostado mesmo da história! Um beijão a todos, e até a próxima (pois haverá uma, sim! xD)!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!