Ironside daughter - vikings

16 ❂ UM - PARTE 02" ❂


IRONSIDE'S DAUGHTER

UMA FANFIC ORIGINAL VIKINGS

AGRADECIMENTOS

Eu não tenho pessoas importantes para dedicar além dos meus leitores. Sabem que por ai as pessoas que escrevem histórias baseadas em outras já contadas não valem muito. Nos três primeiros capítulos não se tinha muitas leituras, ainda mais em 2016, sendo na época que uma fanfic da série era novidade. Os poucos leitores que foram surgindo me motivaram a continuar e hoje estamos com mais de 40,800 mil. Leitores também que não tinham conhecimento da série se apaixonaram pela fanfic e também deram seu apoio. Venho aqui agradecê-lo no lugar mais importante, caro leitor; O inicio de um capitulo. Obrigada por acreditar e pelo incentivo. Para outros é apenas uma fanfic de uma séries de tv, mas para a garota solitária que começou escrever as palavras nessa plataforma há 7 anos atrás, fora uma fagulha que começou a paixão pela escrita. Mais uma vez, OBRIGADA!

I. R. R. BORBA

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Em interior de bosque, a tripulação desventurada de Ragnar descansava após uma caminhada difícil. Homens velhos, guerreiros e escudeiras cansados se ajeitavam entre as arvores queimando a carne de pequenos animais que encontraram no caminho. Assim também amarrando o pouco que tinham retirado de seus pertences nos destroços das navegações. Seus semblantes abatidos e sem esperança eram notórios.

A fumaça das fogueiras exauridas vagavam ao redor de todos. Um pouco mais distante da concentração da tripulação, um som de araste se intensificava atrás de Ragnar até que ele vê Ivar. O rapaz se senta ao seu lado em banda, então traz as suas pernas sem movimento para frente de si com seu costumeiro ofegar. Os olhos de Ragnar deixam seu filho e se acentuam na vista do mar no alto da colina varrida pelas arvores. O sol se ausentou e agora só lhes mostra sombras reivindicando as praias.

—- Os soldados deles já devem ter visto os destroços e vão nos procurar. Se nos encontrarem, vão achar que somos saqueadores. Uma ameaça pequena, mas uma ameaça. Sei muito bem o que farão conosco.- diz Ragnar sombrio.

—- Será que acharão ela?- Ragnar olha arrastadamente para Ivar assim que o escuta. -- Espero que não a encontrem.- O semblante de Ivar parecia aflito e seu pai notara tal coisa. Ragnar suspirou desviando-se do rapaz mais uma vez.

—- Se ela estiver viva tenho certeza que se virará sozinha. Ela fala e até sabe ler a língua deles muito bem, pode se passar por saxã. -respondeu Ragnar em uma tentativa falha de tranquilizar o filho.

—- Não se a virem com aquela armadura de couro! Vão saber que ela não é daqui. Siggy praticamente anda com uma bandeira acima de sua cabeça expressando "mulher viking".- respondeu Ivar ansioso. Ele suspira rapidamente tentando focar em suas próximas palavras. -- Os outros querem seguir pela costa e encontrar uma vila de pescadores. Então montar acampamento e roubar um barco pela manhã. Podemos voltar a Kattegat e reunir mais homens e vir aqui procurar por Siggy.- ele olha seu pai buscando sua inteira atenção. -- Acha que é possível?

Os olhos de Ivar estão esperançosos encarando o homem velho, mas logo ele percebe que não iria receber uma boa resposta.

—- Não podemos mais viajar com nossos amigos. — sussurra Ragnar.
Ivar solta um pequeno riso, mas rapidamente a risada morre em sua garganta.

—- O que?! Do que você está falando?- pergunta ele após um breve silencio de Ragnar.

—- Seguiremos só você é eu.- responde o homem finalmente.

—- Você e eu?- pergunta Ivar com uma revolta beirando em suas palavras. — Ou seja, um velho e um aleijado.

—- Isso.

O dizer tão seco de Ragnar fez Ivar sentir sua raiva se aproximar.

—- Se Siggy estivesse aqui teríamos uma chance melhor. Mas espera, ela foi deixada lá para ser encontrada como uma saqueadora viking!- diz o rapaz apontando para as praias abaixo de si.

—- Já chega de falar nela. Não sabemos se está viva.- responde Ragnar farto.

—- Da mesma maneira que não sabíamos se você estava vivo depois de tantos anos. Assim como fez conosco, você fez com Siggy.- acusou Ivar. -- Ela é sua primeira neta. Se não bastasse ser abandonada pela mãe e por Bjorn, agora está sendo abandonada pelo vôzinho que ela tanto admira...

—- O que há com você, se apaixonou por sua sobrinha?- questiona Ragnar repentinamente

Por um momento o rapaz se calou desviando-se de seu pai. Tudo que Ivar conseguia pensar era nos olhos de Siggy, fitando-o. Ele quase jurava que no azul de seus olhos dançavam cristais de gelo prontos para trazer uma geada rigorosa. O rapaz lembrou-se de quando a encarava enquanto se distraía observando o mar. Os cabelos longos loiros envoltos de tranças apertadas e correntes prateadas. A garota estava ansiosa para se tornar aquilo que Ivar também queria para ele. Foi a primeira vez que o rapaz se sentiu semelhante a alguém. A injustiça de uma morte assim estava amargando sua mente, aquilo não poderia ser vontade dos deuses. Ele desejava que o destino de Siggy estivesse fincado junto ao dele. Obviamente Ivar jamais diria isso a seu pai ou a qualquer um.

—- Somos pagãos, seguimos a liberdade que nossos deuses nos deram. Eu sou um homem livre e ela uma mulher livre. Não somos como os cristãos que seguem uma moralidade distorcida. Sem falar que Siggy é dois ou três anos mais nova do que eu.- Justifica Ivar rapidamente. -- E está falando bobagem, velho. Ela provavelmente se casará com Ubbe e terão muitos filhos iguaizinhos a ele. E então o sangue de Ragnar Lothbrok se intensificará por toda Midgard.

Ragnar o observa atentamente. Passou por sua mente que seu filho mais novo possuía o dom ou talvez a maldição de falar demais. Em parte ele concordava com Ivar. Eles eram vikings, incesto não era visto de maneira tão devassa para eles. Contanto que Ivar não fosse um velho asqueroso querendo trepar com uma criança, Ragnar não se importava.

—- Nesse caso, se você ficar só assistindo os dois é provável que realmente aconteça isso.- Ivar o olha um tanto acanhado. -- Quando eu era jovem como você me apaixonei pela mesma garota que meu irmão.

—- E você ficou só olhando enquanto ele estava com ela?- perguntou Ivar em tom de conformidade.

—- Foi o contrário. Ele agia como você, encarando-a enquanto estava distraída. Tentava provocá-la fingindo não se importar. Já eu, estava sempre ao lado dela, treinando junto, caçando, pescando, trabalhando no campo...-ele olha para Ivar zombeteiro. -- Bebendo e flertando.

—- E como a fez gostar de você?- Os olhos do rapaz transbordavam uma curiosidade inevitável.

—- Eu matei um urso por ela.- responde Ragnar simplesmente. A curiosidade no rosto de Ivar quedou-se para uma careta em genuína descrença. -- Ou algo parecido...

❂❂

As madeiras velhas do casebre rangiam, assim como as janelas pouco soltas balançavam mesmo que não tivesse nenhuma brisa vagando pela floresta. Siggy, mesmo alimentando o fogo mantinha-se atenta a qualquer barulho que denunciasse alguma aproximação.

O cadáver do homem fora deixado por ela no exterior da cabana. A garota torcia para que nenhum predador rondasse aquele lugar. O sol não alcançava onde estava, o clima tornou-se úmido e sombrio. Siggy sabia que os cavaleiros que vira mais cedo estavam procurando por qualquer vestígio dos tripulantes do naufrágio. Ela não tinha muito tempo e sentia-se sozinha como nunca. Com suas mão tremulas, ela retira sua camisa que usara abaixo da armadura leve de couro. O tecido parecia farrapos naquela altura e aquele cheiro de sangue seco era nauseante. As fibras da camisa repuxaram a sua pele em volta da ferida, dando a Siggy uma tortura inevitável. Sua respiração se elevou apenas por um momento, mas logo ela tratou de controlá-la. Um corte na costela do tamanho de seu dedo indicador se expôs. Tudo que a garota pensou fora em limpar aquele ferimento o mais rápido possível, pois nas condições em que estava poderia lentamente matá-la. Para tal forma efetiva, Siggy conhecia apenas um método; Fogo.

Ao lado da cabana havia madeira seca e cortada, pareciam estar ali há alguns meses, visto que um fino musgo se apoderava delas. Felizmente serviram para alimentar uma chama considerável. Siggy havia retirado alguns troncos para levar mais adentro da cabana. A garota se contorceu aqui e ali pelo esforço que seu corpo debilitado fora forçado a fazer.

Pelo que pode reparar, parecia que o homem vivia sozinho muito precariamente no lugar. Sendo assim, ninguém viria procurar por ele tão cedo. No entanto essa informação de longe deixara Siggy tranquila. Ela alimentou o fogo com mais lenha para que sua chama se intensificasse. Colocou uma faca velha que encontrara e deixou aquecendo.

Assim, Siggy reuniu casca do freixo e sálvia. Pareciam muito velhos e não encontrara alho como terceiro ingrediente, mas tinha de servir para a pomada que pretendia preparar. Com pedaço da camisa que retirou, tratou de molhá-lo para limpar as outras feridas que encontrou por seu corpo. Não aparentando muito sérias como o corte na costela. Quando terminou, passou a pomada improvisada sobre elas. Aquilo lhe trouxe um leve arder, mas Siggy sabia que o pior estava por vir.

Ela esperou a faca no fogo até que ficasse pronta. Seus olhos estavam presos nas chamas, sua mente vagava em conflito. Mesmo que se recuperasse, para onde iria? Não sabia em que reino o mar havia lhe jogado. E se Ragnar e os outros estivessem em outro reino? Ela caiu na água muito antes ou depois das embarcações naufragarem?

Siggy não queria admitir, mas sabia que estava em pânico. Precisava se acalmar... Lembrou-se de Ivar e das palavras que dissera ao rapaz. Sentia seu coração aflito por ele e por Ragnar. A garota pensou repentinamente em procurá-los, mas nem mesmo sabia onde estava e nem para onde ir. No entanto, de nada adiantaria ficar escondida em um acabana velha e mal cheirosa com um corte aberto na costela. Ela empurrou as preocupações de lado por enquanto para enfim cuidar do último ferimento.

Retirou a faca do fogo com muito cuidado, claramente a última coisa que precisava naquele momento seria uma queimadura. A ponta da lâmina estava com um brilhante alaranjado, ela estava pronta. Siggy ergueu a faca em seu mirar encarando-a e respirou fundo.

—- Eu dedico esta lâmina a Odin.- disse na língua antiga de seu povo, quase que em um sussurro. -- Senhor da cura, da vida e da morte.

A garota aproximou a faca de seu corte, nem mesmo havia encostado na pele, mas ela já sentia o calor da lâmina fumegar. Um arrepio passou por todo seu corpo, sua respiração se acelerou pesando no peito. Não conseguia controlar, precisava fazê-lo logo. Se não fechasse aquele corte... Faça!

Quando sentiu o calor se aproximar mais, uma gota de suor solitária deslizou por seu rosto. Assim que a lâmina encostou na pele, Siggy tentou sufocar um grito, no entanto era demais para suportar. Seu grito soou com uma mistura de pranto e raiva. Ela deitou-se de lado lentamente com seus olhos em lagrimas. Siggy jogou a faca para longe quando sentiu que já havia cumprido o propósito e tentou conter sua voz. Espremeu seus olhos em agonia, lágrimas que escorriam sem parar desciam por todo seu rosto. A dor intensa não pôde ser ignorada. Seu corpo inteiro tremia e mantinha espasmos. Tentou manter os olhos abertos para não adormecer, levando-os para uma das janelas da cabana que agora estava aberta de vez. Tentou ignorar a dor observando as arvores, buscava por pensamentos bons. Porém, a única imagem que conseguira mentalizar era a carranca de Ivar. Siggy o imaginou usando um vestido apertado e decotado, tendo joias grandes feiosas penduradas nele. Um pequeno riso saiu de sua garganta enquanto mantinha seus olhos na janela. Não demorou muito para que a dor tortuosa lhe afligisse ainda mais. Siggy desejava fechar seus olhos e adormecer até que tudo estivesse acabado. A escuridão do casebre estava lhe engolindo aos poucos. Sua respiração ecoava pelo lugar enquanto ainda encarava a janela.

Ela fechou seus olhos finalmente, mas não adormeceu. Siggy tentou levar sua mente para fora dali, deixando a dor e incerteza na canana. O estalar do fogo lhe ajudou a imaginar a lareira do salão da casa de sua avó em Hedeby. Lembrou-se de quando ficava sentada observando o fogo enquanto Lagertha trancava seus cabelos e lhe contava historias sobres os deuses. A neve caía lá fora e os ventos batiam na grande porta principal. Siggy gostava de lareiras, ela sempre se sentia confortável e feliz em frente a uma. Sentir o aquecer do fogo em sua pele enquanto compartilha um momento bom. Ela jamais esquece o que acontece quando está em frente a uma lareira. Siggy almejou encontrar Ivar e Ragnar, então levá-los para Hedeby para se aquecer na lareira e compartilhar boas historias. Ao lembrar de Ragnar e Ivar, Siggy sentiu-se ansiosa. Quis estar com eles, que ambos estivesse ao seu lado em segurança. Uma nevoa densa de preocupação lhe assolou instantaneamente...

No entanto, um estrondo lhe fez abrir os olhos rapidamente, ao olhar para a janela um corvo expôs-se em sua visão. Aquilo a surpreendeu, ela o encarou assim como ele mantinha seus olhos nela. A ave começou a grasnar sem parar. Quando ela finalmente se calou, abriu suas asas e se foi para longe dali e tudo ficou silencioso novamente. Um sorriso estendeu-se nos lábios de Siggy , foi então que ela sentiu seu coração finalmente calmo.

❂❂

Na mescla de fumaça e nevoa, o arrastar de Ivar se esgueirava pelos corpos da tripulação adormecida. A luz da lua que conseguia penetrar as defesas das arvores mostravam ao rapaz para onde cada um se encontrava. E como uma serpente silenciosa ele seguiu o caminho. Atrás dele em curta distancia pouco agachado encontrava-se Ragnar. O som da lâmina de sua faca rasgando a garganta de um homem soou como um murmuro na noite.

Sonolento um homem desperta e vê Ivar ao seu lado.

—- O que foi aleijado?- pergunta o homem.

Ao ouvi-lo, Ivar se aproxima dele deitando-se em um rápido movimento giratório, seu machado acerta o coração do homem em cheio. Não demorou muito até que um gruído assonorentado em sua direita fora ouvido. Outro homem percebera a movimentação, quando se deu conta do que estava acontecendo pensou em puxar sua espada, mas Ivar fora mais rápido que ele. Agora deslocou-se em oposta direção até o homem. Desta vez o machado de Ivar encontrou a garganta levando-o a morte instantânea. O sangue quente esguichou para a lateral do rosto de Ivar.

Um terceiro homem e uma mulher que estavam completamente despertados se erguem. Sem hesitar, Ivar arremessa seu machado e o mesmo se crava no peito do homem. Ele cai imediatamente. A mulher nervosa alcança um machado e corre até Ivar para matá-lo, mas rapidamente ele entrelaça as pernas da mulher com a espada do segundo homem e a derruba. Ela tenta se afastar dele inutilmente, pois o que Ivar sabe fazer bem é se arrastar pelo chão. Ele a persegue sem problemas e com a espada atravessa a costela dela. A voz da mulher se contorce em dor e espanto.

Uma sombra começa a se erguer mais além dele e naturalmente Ivar a persegue. Sabendo que não poderia fugir da investida do rapaz a mulher se desespera.

—- Ivar!- ela clama com medo. -- Ivar, não precisa me matar.- Ivar retira uma faca de sua bota rapidamente. -- Sabe por que?- ele para. -- Posso lhe dar isso.- Ela acaricia entre as pernas de Ivar, ele para e a observa. Um olhar sedutor transparece na mulher, mas logo se desfaz quando a faca de Ivar penetra seu estomago até o coração sem piedade. Os olhos da mulher se arregalam e o ar foge de seus pulmões. Ela tomba enquanto o sangue corre de seu corpo sem vida. Ivar se deita ao lado dela, cansado e sujo de sangue e terra. Seus olhos encontram os fechos de luz nas folhas do alto das arvores. Ele tenta controlar sua respiração acelerada imaginando que a tarefa que seu pai lhe dera estava cumprida. Sentia uma sorrateira satisfação surgir em seu peito, Ivar jamais negaria seu prazer em matança. Mas aquilo durou pouco, pois passos apressados lhe cercaram tão rápido que tivera tempo apenas de erguer sua cabeça enquanto um homem corria para matá-lo. Ivar paralisa quando percebe que é tarde para reagir. Seu olhar assustado encontra a espada do homem erguida. Esse é o fim... Ivar espreme os olhos e espera o ferro lhe cortar a cabeça, mas nada acontece. Ele ouve um som oco e quando seus olhos se abrem, o homem está de joelhos em sua frente. Seu olhar parece chocado e perdido. Ele cai aos pés de Ivar e em sua nuca está cravado um machado.

Ivar confuso busca por Ragnar, mas uma silhueta feminina surge detrás das arvores. Ivar rapidamente pega sua faca, mas para ao ver iluminado pela lua o rosto de Siggy se aproximando.

—- Que bela surpresa, não?!- começou Siggy. -- Tio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.