Notas iniciais
Oi, pessoal, como vão? Espero que bem, até porque tem capítulo novo na área. ^^

WPOV

Eu tenho que admitir que, assim como acho homens ansiosos demais por coisas assim imbecis, estou me achando o cara mais estúpido que eu conheço. Não quero nem saber o que Charles, Denny e Richard achariam de mim. Bem, Charles só iria rir um pouco, visto que nunca me viu em tal estado, mas ele fica tão idiota quanto, ou até pior, quando está com a sua Jane... Jane de quê mesmo? Eu e essa minha memória para nomes alheios.

O fato é que eu estou aqui no restaurante que ela escolheu – claro que eu não escolheria algo tão simplório quanto isso, só espero que nenhum paparazzi idiota apareça por aqui –, esperando a mulher que está quinze minutos atrasada. Quinze minutos! Eu não entendo por que elas acham tão importante assim se atrasar para encontros, até parece que fazem isso de propósito. Eu, no entanto, odeio. Uma mulher que se atrasa assim já perde qualquer chance que poderia ter comigo!

Menos Lizzie.

Ela poderia se atrasar o dia todo.

Você é um merda, Darcy. Um maldito merda, mantenha isso em mente: nada de se apegar!

E esse atraso dela me deixou muito irritado, estou me sentindo como se sofresse de múltiplas personalidades. Um minuto estou xingando todos os parentes dela, porque esse atraso só pode ter vindo da educação furada que as mães estúpidas dão às suas filhas. No outro estou vidrado na entrada, porque a minha Lizzie pode entrar a qualquer momento.

Por Deus! Alguém me explica o que a droga do fuso horário fez com o meu cérebro?

Você precisa me entender, sou um homem de negócios e costumo ganhar dinheiro até quando uso o banheiro, sempre saindo alguns milhões mais rico do que quando entrei. Então, ficar sentado na porra de uma cadeira no meio de um restaurante, que embora tenha uma fama respeitada, ainda assim não tem o luxo com o qual estou acostumado, é uma tarefa árdua. A verdade é que eu não queria estar aqui. O que eu queria mesmo era que ela aceitasse ir direto para o meu apartamento, mas eu duvido muito que Lizzie seja desse tipo, infelizmente. No entanto, eu farei o meu melhor para que isso aconteça. Não sou do tipo que leva tanto tempo assim para levar uma mulher para a cama. Ok, geralmente eu levo esses malditos quinze minutos que ela está levando para chegar aqui.

Eu ainda estava preso nas minhas lamúrias e irritações quando uma morena com um vestido branco entrou no restaurante. Eu não esperava que mulheres como aquela frequentassem lugares como esse, mas pelo visto estava enganado... Ando precisando visitar a plebe mais vezes. Eu fiquei preso acompanhando os seus movimentos, que exalava confiança, até que ela parou ao meu lado, fazendo-me despertar do transe e perceber que a desconhecida em questão era a minha morena. A minha Lizzie.

Foda-se os quinze minutos de atraso.

Mas eu não poderia parecer um idiota me entregando dessa forma, então procurei me controlar e olhei-a com uma expressão confusa. Afinal, eu não sabia quem ela era, certo?

― Srta. Bennet, creio que havia lhe dispensado por hoje. ― falei me erguendo e tentando segurar o riso quando sua face tornou-se vermelha. Então ela era tímida, hein?

― Er... Sr. Darcy... Hmm... Eu... ―

― Srta. Bennet, eu não tenho o dia todo, estou esperando alguém importante que chegará a qualquer momento. ― tornei. Ela fechou os olhos e tenho certeza que estava imaginando formas de tornar a situação menos penosa, mas eu não estou aqui para ajudar. ― Então? O que veio fazer aqui? Anda me seguindo? ―

― Sou eu quem o senhor está esperando. ― falou ainda com os olhos fechados.

― O quê? Como? Você deve estar de brincadeira. ― respondi rindo. Como disse, não irei fazer as coisas fáceis. Ela abriu os olhos e me encarou, mas eu ainda pude ver um pouco de medo naquilo tudo. Vamos ver, eu sou um empresário... e de sucesso. Ler as pessoas é o mínimo que posso fazer.

― Sou a Lizzie. ― afirmou e eu aproveitei para voltar aos tempos da escola, quando atuei em algumas peças, e fingi uma expressão de choque.

― Você? Você é a minha Lizzie? ―

― Er... sim... ― ela me respondeu, e o fato de ter gaguejado me fez ficar mais otimista. Talvez eu estivesse no caminho certo.

― Como pode ser isso? Então... Então... você me enrolou esse tempo todo? ― perguntei fingindo choque. Não pense que sou do tipo cafajeste que usa disso para chegar nas mulheres. Como já citei, na verdade eu não precisava de nada, bastava existir que elas vinham a mim. Mas eu sabia que com Lizzie era diferente, dava para ver em seus olhos, então sabia que bancar a vítima era a melhor forma de proceder. Como eu ainda ficaria alguns dias em Chicago, teria tempo suficiente para chegar ao fim disso. ― Você planejou isso tudo? É coisa da empresa, para conseguir obter algum lucro nos negócios? Se for, peço que se retire. Eu não imaginei que você, Lizzie, fosse capaz de algo assim! ―

Ela me olhava em completo choque, chegando até a ficar vermelha. Ah, isso eu não conseguiria fingir, infelizmente. Eu tentei conter o riso, precisava continuar com aquilo. Não era de dar para trás. Olhei-a sério (ou eu achava que estava sendo), enquanto ela permaneceu em silêncio, se recompondo. Eu estava achando aquilo tudo muito, muito divertido. Por fim ela suspirou, olhou-me mais uma vez e falou, já se sentando na cadeira vaga à minha frente.

― Olha... eu entendo o que você pode estar pensando, mas nada disso é verdade. Eu preciso falar, explicar de uma vez por todas, depois irei embora. Detesto quando as pessoas pensam mal de mim. ―

― Hmm. E se eu não quiser lhe escutar? Estou acostumado a escolher onde desejo estar, e você não pode me obrigar a ficar aqui. ― falei lhe encarando, mas completei: ― Ou pode? ― Ela revirou os olhos. Eu odeio quando reviram os olhos para mim e ela estava fazendo isso. Eu sou um homem poderoso e tenho orgulho do que consegui, não gosto da ideia de uma afirmação minha merecer uma revirada de olhos. ― Revirar os olhos não lhe ajuda na sua causa, então não faça. ― afirmei sério. Bem, agora eu não estava fingindo.

Ela engoliu em seco, acomodou-se melhor na cadeira e suspirou. Mulher, você não está se ajudando.

― Então, vai falar ou não? ― inquiri usando o tom que só usava para os meus subordinados. Ela já havia me feito esperar por benditos quinze minutos (afinal, ela usou esses quinze minutos para ficar linda daquele jeito, não?). E eu estava curioso demais.

Novamente ela suspirou, o que estava me irritando àquela altura, mas começou a falar:

― Er... Antes de tudo, quero lembrá-lo que foi você quem entrou em contato comigo primeiro. ― começou com uma voz suave, mas séria: ― Você quem errou o e-mail e foi duro comigo no meio do caminho. Então, se quer culpar alguém por tudo isso, basta se culpar. De qualquer forma, você também poderia ter escolhido me ignorar, mas não o fez, então, de todo modo, não mereço ser tratada da forma como está me tratando agora. ―

― Então, segundo você, eu sou o culpado de você e seu digníssimo patrão, assim como minha adorável sogra, tentarem tirar vantagem de mim? É isso? Confesso que eu fiz o primeiro contato, mas talvez você tivesse notado o endereço do meu e-mail e aproveitado. Mas tudo bem, vocês não serão os primeiros, muito menos os últimos, que tentarão trilhar por esse caminho. Consigo conviver com isso muito bem. ―

― Você é casado? ― ela perguntou me olhando confusa, mas eu vi outra coisa naquele olhar, o que era não faço ideia.

― Viúvo. ― Ok, eu não dava muita importância a isso, mas um pobre homem viúvo na minha idade era uma lástima. Pelo menos uma pessoa normal acharia isso.

― Ah. Sinto muito. ― lamentou.

― Não sinta, não foi você quem matou. ― respondi sério. Ela continuou me olhando, mas logo continuou a falar.

― Então, quando você me mandou o e-mail, eu apenas respondi. Não fazia ideia de que era você, só achei engraçado receber um e-mail daquele. Você vê, não é algo que recebo todo dia, muito menos sem motivo. Mas voltando... Quando mostrei o e-mail para a minha amiga, ela me disse que já tinha ouvido falar do seu sobrenome... Não lembro direito, acho que do tempo que vivíamos em Londres, então foi ela quem pesquisou e me mostrou algumas fotos. Posso lhe assegurar que não procurei por nada, mas não é como se a Char pudesse ser parada, principalmente quando não fazia ideia do que ela estava fazendo. Ainda assim, eu não acreditei. Seria meio surreal que algo assim pudesse acontecer, de modo que ignorei isso completamente e só continuei com o contato, afinal não tenho muitos amigos aqui, deixei toda a minha vida em Londres e só segui a Char, e- ― O- o quê? Que diabo ela está falando?

― A sua namorada? ― perguntei interrompendo. Isso não poderia estar acontecendo comigo!

Ela parou, olhou-me sem acreditar no que eu tinha falado e continuou:

― Continuando... Ela é uma grande amiga que me ajudou em uma fase muito difícil, mas isso é outro assunto do qual não desejo falar, só queria que entendesse o motivo que me levou a continuar com o contato. Eu não fazia ideia que você, William Darcy, estava vindo para Chicago por causa de Rosings. Não faz parte da minha área de trabalho, costumo ficar em campo ou lidar com coisas relacionadas, a parte administrativa fica com outra equipe. Quando recebi a ligação da Mar... da Srta. Dashwood, eu não tive alternativa a não ser aceitar, mas não sabia que era você... eu realmente não sabia. E- ― Toda aquela história estava muito boa, mas eu não estava com vontade de escutar o que viria depois. Não agora, de qualquer forma.

― Hmmm. ― murmurei fingindo refletir sobre o que ela havia falado. ― Isso pode parecer estranho, mas de alguma forma eu acredito em você. Afinal, você ainda é aquela pessoa que falava comigo, não é? ―

Ela me olhou confusa, mas ficou em silêncio. Alguma coisa naqueles modos me fazia acreditar que eu estava no caminho certo, mas um lado meu estava inseguro... e eu não sou assim. Dessa forma, não esperei mais pela sua resposta e continuei com o que já havia planejado.

― Acho melhor pedirmos. ― falei fazendo sinal discretamente para que um dos garçons nos trouxesse o cardápio. Olhei-o sem pressa, esperando que Lizzie decidisse o que gostaria de pedir. Porém, como ela ficou em silêncio, tornei: ― Já sabe o que vai pedir? Confesso que nunca vim aqui, então estou totalmente dependente de você. ― E para finalizar com toque de mestre, lancei uma piscadela. Ela também piscou, mas por um motivo completamente diferente, voltando a si a tempo de responder.

― O Hambúrguer daqui é simplesmente maravilhoso, mas talvez você prefira algo mais leve... ―

― Vou querer o mesmo. ― falei.

― E para a sobremesa? ― torno a falar o garçom. Lizzie olhou para mim, mas eu continuei olhando para ela.

― Panna Cotta. ― ela respondeu, fechando o cardápio e entregando ao garçom.

― Parfait de Framboesa. ― respondi imitando o movimento. Infelizmente a adega não era nada se comparada ao que estava acostumado, então pedi o melhor vinho tinto que vi – já que não sabia qual seria o gosto do prato a ser servido ― e voltei para Lizzie que me olhava séria. ― Algum problema? ― indaguei erguendo as sobrancelhas.

― Todos. Não sei se notou, mas está de dia e eu acho preferível tomar um suco. Realmente seria a melhor escolha. ― Eu revirei os olhos para o seu comentário e tentei com todas as minhas forças conter meu lado que daria uma resposta direta. Inclinei-me um pouco para frente e sussurrei, mesmo que não fosse nem um pouco necessário:

― Não com esse frio, minha Lizzie. Eu desejo deixar o clima mais quente. ―

Notas finais
Então, o que acharam? E vocês preferem o POV de quem? Eu sinceramente amo o do Will. *-* xoxo