Ironias do Amor
7 Revelações I
Ele deu uma salto para trás ficando desconsertado com a minha reação, por um momento me senti culpada por tratá-lo daquela forma, por outro eu estava decidida a confrontá-lo e fazê-lo me contar toda a verdade. Verdade esta que eu não deixaria passar assim tão facilmente. Um estranho tremor tomou conta do meu ser, era esquisito pois era o mesmo que eu havia sentido dias atrás quando ainda estava no internato, eu jamais havia sentido tal coisa parecida como aquela antes, era perturbador, era como se houvesse dentro de mim uma bomba atômica prestes a explodir.
Não dissemos nada por longos minutos, eu me senti envergonhada pois não sabia mais como reagir áquela situação, era horrível demais. Ele me encarou confuso ao ver minhas inúmeras caretas. Minha cabeça repentinamente começou a doer, eu só queria que aquilo parasse, agarrei a mesma com as duas mãos me jogando de joelhos no chão fazendo com o garoto parado ali diante de mim me agarrasse na tentativa de me acalmar.
— Calma! — dissera ele preocupado, abaixando minhas mãos colocando um de seus indicadores sob meu queixo fazendo-me erguer o olhar. Meus olhos agora ardiam, era horrível a sensação.
— Eu não sei o que é isso, faz parar por favor. Eu não estou aguentando — agora eu estava gritando de dor e agonia. Lágrimas correram por minha face, ele rapidamente enxugou-as com um de seus polegares.
Sem desviar o olhar. Me agarrou firme me fazendo levantar e no mesmo instante o abracei encostando minha cabeça — que ainda doía — em seu peito, pode parecer estranho mas eu gostava da sensação de estar envolvida em seus braços, faziam-me sentir protegida, aquilo me confortava de tal maneira inexplicável, eu não queria que ele me soltasse por mais que não fosse conveniente.
— Está tudo bem agora?
— Si...sim — minha voz saiu embargada — Eu não sei o por que disso acontecer mas a alguns dias que eu sinto isso.
Ele não disse nada, desfez o abraço e me encarou novamente — Quer me falar a respeito?
— Isso faz diferença?
— Só estou tentando mantê-la distraída pra poder esquecer esse incomodo que está sentindo. Talvez possa ajudar — deu de ombros, não hesitei.
Ficamos caminhando por uma hora mais menos, ele me falava dele, das coisas que gostava de fazer e do que não gostava, a dor de cabeça persistia mas enquanto o ouvia não dei muita importância, estava mais interessada em sua prosa longa cheia de reclamações da sua vida. Eu achava graça em quase todas as coisas que falava, aquilo me levou ao passado quando costumávamos passar as tardes juntos, éramos muito pequenos mas já entendíamos de muitas coisas. Ele parou perto de uma árvore qualquer no meio da floresta, sentou-se em um tronco perto da mesma me chamando pra sentar ao seu lado.
— Bom, Allyson. Acho que já falei coisas o suficiente ao meu respeito — virou-se para me olhar com aquele sorriso largo de orelha a orelha. — Sua vez, conte-me sobre você.
Bufei. Aquilo havia me pego de surpresa, nunca imaginei que precisaria tocar no assunto entretanto obviamente eu teria falar algo sobre a minha estadia fora do país — no ''maravilhoso'' lugar ao qual Billy havia me mandado — mesmo não querendo, não hesitei em comecei a falar.
— Embry, o que você quer saber sobre mim exatamente? eu não tenho nada de interessante a dizer. — minha voz era trêmula.
— Você disse que a alguns dias vem tendo essas crises de agora a pouco, fiquei curioso, pode começar por aí — colocando os cotovelos sobre os joelhos. Seu olhar agora era sério.
Dei um longo suspiro . — Um certo dia eu estava no jardim do internato sozinha — era assim que eu me sentia, sozinha, a única coisa que me fazia companhia eram minhas vagas lembranças do passado, um passado o qual jamais me deixei esquecer — Estava sentada em um dos bancos afastados de tudo e todos, as pessoas que haviam no lugar me encaravam como se eu fosse um ser de outro planeta. Estava eu com uma folha de papel e um lápis a mão fazendo um desenho da reserva que era a única coisa de bonito que me inspirava. Uma das coordenadoras veio ao meu encontro e...
Flash back on
— É um belo desenho — ela disse sorrindo para mim ao ver a folha em minhas mãos. — Mas por que você não se junta aos outros? Não faz bem ficar sempre sozinha.
— Eu gosto de ficar sozinha. — a respondi friamente lhe fuzilando com os olhos.
— Mas você gosta por que nunca tentou se enturmar, venha comigo — Manteve seu sorriso e agarrou — me pelo braço, aquilo me deixou extremamente irritada — Vai gostar de estar acompanhada de seus...
— NÃO! — guinchei ferozmente para ela me soltando rispidamente de suas mãos a empurrando fazendo todos a volta parar para nos olhar, os olhares incessantes sobre mim me deixavam ainda mais nervosa. — Você não ouviu? eu gosto de ficar sozinha, eu quero ficar sozinha... Me deixe em paz.
Atirei as coisas que estavam em minhas mão para longe, estava pronta para avançar nela quando uma forte e terrível dor de cabeça tomou conta, parecia mais que meu crânio ia explodir, era horrível, insuportável. Me joguei no chão segurando forte a cabeça com as mãos e em poucos segundos meu corpo todo tremia. Os olhares confusos — principalmente o da coordenadora — agora eram de me medo, de certa forma eles estavam achando que eu havia enlouquecido de vez. Dois zeladores que estavam por perto vieram ao local, um deles me segurarou forte pelas pernas enquanto o outro tentava me segurar pelos braços fazendo-me ficar imóvel, mas era inútil, pois quanto mais eles tentavam me parar mais o tremor aumentava.
O diretor do internato veio ao nosso encontro ao ouvir toda a gritaria de sua sala.
— Mas o que é isso? Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui? — dissera num tom alto e firme prendendo a atenção de todos. — Vão todos a seus respectivos quartos, agora.
Sem hesitar, os alunos que haviam ali obedeceram, em questões se segundos não havia mais ninguém além, de uma garota descontrolada joga no chão, os funcionários e diretor.
— Eu não sei senhor, fui conversar com ela numa boa e de repente ela já estava assim, descontrolada — dissera a coordenadora com seu tom embargado.
— Assim que conseguir acalmá-la, levem-na a minha sala. — falou aquilo dirigindo-se ao seu ambiente anterior.
Uma semana se passou desde o ocorrido, parecia estar tudo bem mas nada mais estava fazendo sentido, as dores de cabeça nunca iam embora só davam um tempo de folga. Todos que antes debochavam de mim por estar sempre na minha, agora me olham como se tivessem medo — inclusive os funcionários do internato — graças ao episódio assustador que presenciaram no jardim. De um certo modo, eu gostava pois pra mim era como se ninguém mais fosse me incomodar mas no fundo eu odiava por ser o motivo da minha paz e tranquilidade. Eu queria que parasse, os dias iam e vinham e nada dos tremores me deixarem em paz, era como se houvesse algo ou alguém dentro de mim pronto pra saltar pra fora.
Eu estava em meu quarto, desenhando como de costume quando repentinamente ouvi a porta bater, fui abri-la e me deparei com o diretor, seu semblante era sério.
— Venha comigo — dissera ele me virando as costas, não hesitei e apenas obedeci.
Fomos até sua sala e ele fez menção de que eu me sentasse. Apenas o fiz.
— Allyson — começou, soltando um longo suspiro — Essas suas mudanças de comportamento tem sido inadmissíveis, eu entendo que você sempre gostou de ficar na sua, e nós sempre a respeitamos, mas essas suas crises nervosas tem sido impossíveis de conter.
— Senhor diretor, eu não sei o que dizer. Eu não peço pra sentir isso, quando vem, vem.
— Eu sei e como diretor desta instituição tive de tomar uma atitude extrema, resolvi convocar o seu pai ou qualquer outro responsável legal por você a vir até aqui. Acho que vai ser melhor pra todos nós que esteja perto de pessoas com as quais se sinta bem.
— A verdade é que você está tentando arrumar um pretexto pra não se responsabilizar mais com a minha educação e está me mandando embora pra arrancar de suas costas um fardo, não é isso que eu me tornei pra você? Um fardo? — eu estava gritando, despertando a sua ira.
— Basta! — falou alto batendo com a mão na mesa me repreendendo. — Ouça bem mocinha, eu não vou tolerar esse tipo de atitude.
— Não, é a verdade. Vocês acham que podem simplesmente me tratar como um ser estranho vindo de outro planeta, eu nunca me senti bem aqui e todos sabem disso mais ao invés de me apoiar e me ajudar, apenas fazem pouco caso como se eu não significasse absolutamente nada. — minha raiva era maior que a sua autoridade, era estranho pois eu costumava sentir repulsa e era intimidada pelos outros internos e funcionários mas agora isso já não importava mais — Tome a atitude que quiser, esse é meu modo de pensar e não pretendo mudá-lo.
— Black, você não está me deixando escolhas, não me obrigue a fazer o que eu não quero.
— Não me importo com você tampouco com as suas ordens — lhe encarei cruzando os braços. eu de fato havia enlouquecido, mas não de medo e sim, de raiva.
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