Ironias do Amor
2 Mania de perseguição.
Notas iniciais
Já haviam se passado muitos anos desde a última vez que a vi, nós éramos crianças e adorávamos correr pela reserva, no meio das árvores. Éramos muito felizes até seu pai resolver nos separar, o grande Billy Black era muito severo com a garota, ele a culpa pela morte de Sarah pois ela morreu ao lhe dar a luz.
Mas, fala sério, como que um bebê seria culpado pela morte de sua mãe no parto? ela apenas veio ao mundo sem prévio aviso como todas as crianças. Mas Billy estava tão cego de tristeza na época que não conseguia pensar em mais nada, a única coisa que conseguia era culpar sua filha caçula. Sua dor era tão profunda que ele só queria alguém ou alguma coisa para culpar, mas será mesmo que era necessário um atitude tão rígida com a menina? mandá-la para fora do país? na minha humilde opinião, nesse dia ele não estava em bom uso de suas plenas faculdades mentais.
Estava cego de dor, mágoa, tristeza, raiva e não conseguia entender que sua atitude imensamente exagerada não iria mudar nada, Sarah não voltaria a vida com a partida de Allyson.
Em todos esses anos longe da minha amiga de infância, eu procurava manter a mente ocupada pra esquecer o sofrimento dessa distância que houve entre nós, nesses longos 10 anos eu não havia tido nenhum tipo de contato com ela, parecia que havia sido sugada pela terra, as vezes me vinha na mente vagas lembranças dela, mas de quando ela tinha apenas 4 anos. Tinhas feições de um anjo, com um cabelo dourado e suavemente ondulado, um olhar doce e inocente, e isso é tudo que consigo me lembrar dela.
— Como será que ela deve estar agora?— eu pensara comigo mesmo todos os dias. — Será que algum dia irei revê-la? e se não for mais a mesma, afinal éramos tão pequenos que nem deve se lembrar mais de mim.
Eu lutava contra meus próprios pensamentos, pois eu queria que ela continuasse a mesma menininha doce e inocente que corria livremente pela floresta comigo. Tá certo, já se passaram tantos anos que com certeza ela deve ter mudado e muito, sonho com o dia de poder reencontrá-la.
Meus irmãos vivem me enchendo a paciência com essa coisa de ''imprinting'', que eu não me interesso por nenhuma garota da reserva, que eu deveria tentar ser menos rude e tentar buscar em alguém a oportunidade de não estar mais só, mas quem foi que disse que eu estou só? eu não preciso de nenhuma garota pra me sentir bem, embora eu não esteja nenhum pouco satisfeito em ser um lobo, nos meus pensamentos eu achava que tudo seria mais fácil e menos chato se eu fosse um humano normal, sem essas obrigações lupinas. Isso me incomoda bastante, não temos mais vida própria.
É sempre a mesma rotina de sempre, vasculhar o perímetro, proteger a tribo, estar sempre alerta para caso algum invasor apareça. Eu sei que é importante tudo isso mas as vezes umas folguinhas seria bom, ao menos era o que eu achava.
Numa tarde de Sábado, eu estava como sempre a sós comigo mesmo, resolvi ir até a praia dar um mergulho naquele mar frio de ondas brandas para tentar esquecer as cansativas patrulhas que tivemos durante a semana inteira, eu esperava que menos nesse dia eu pudesse relaxar e esfriar minha cabeça. Que nada! eu estava errado mais uma vez, Sam que estava pelas proximidades veio de encontro a mim para com certeza me dar mais uma tarefa chata de lobo.
— Embry.— ele me chamara com seu tom duro e frio de sempre. — Vem até aqui, preciso falar com você.
Eu fingi ignorá-lo porém foi em vão, ele estava me encarando seriamente, nem piscava. bufou de impaciência me chamando mais uma vez, agora com um tom mais alto.
— Embry, não está ouvindo eu lhe chamar?
Não teve jeito, tive de atender a seu chamado ou caso contrário eu teria de enfrentar um Alfa mal-humorado. Sai da água em passos lentos sem olhar para frente, eu realmente não estava a fim de encará-lo, não queria ter que olhar pra sua cara paralisada numa expressão séria, passei as mãos no rosto pra tirar o excesso de água.
— Estou ouvindo, Sam.— eu estava bufando de insatisfação, já me preparando para algo que eu não queria fazer. — O que é que você tem pra falar comigo?
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