Ironias do Amor
25 Cap 25 - Parte II: Confissões Irônicas.
O ambiente estava emocionalmente tenso Ben Solo caminhava de um lado para o outro encarando num momento Leia e no outro Rey. Então, percebeu que o que estava a sua frente era de fato a sua família a quem devia proteger e preservar. Embora fosse difícil para seu orgulho admitir que estava obtuso por muitos anos, não poderia continuar assim. Ele desviou o olhar.
Rey insistiu em perguntar.
— Por que você foi trabalhar com o Snoke? — Manteve a postura.
— Uma tragédia envolvendo o meu pai. — Os olhos dele estavam vermelhos. Jakkes engoliu em seco ao ouvir aquela declaração tão direta. Ele prosseguiu com sua narrativa.
— Estava próximo da minha formatura. — Fitou a mãe que concordou em silêncio. Pausou para recuperar o equilíbrio, voltando a se sentar para que suas palavras não o derrubasse de uma vez, naquele momento o mundo inteiro parecia desabar em sua cabeça, contudo precisava se livrar de todo o amargor. Precisava se libertar do passado, de modo a seguir com a vida.
— Não sabia nada sobre meu pai, ou seu trabalho, então o que Presenciei foi algo que me levou a uma conclusão precipitada e errada que destruiu a ele e a todos nós. — Tentou controlar as emoções. — Conclui que ele estava envolvido com o contrabando. — Olhou para Leia. — Acredito que a senhora também não sabia de tudo que ele fazia.
Inclinou a cabeça e a meneou em profunda tristeza. Ben puxou o ar para os pulmões com toda a força e o expeliu pelas narinas, com o propósito de aliviar a tensão daquela conversa.
— Fui o buscar no seu depósito. O vi discutindo de modo acalorado sobre valores e mercadorias com um homem corpulento, não o vi bem, porque estava na penumbra. O sujeito o ameaçava e o pressionava a entregar, do que o pouco que escutei da conversa foi, meu pai havia se livrado de alguma coisa antes que os Federais o abordassem no seu avião, então ele e seu amigo jogaram tudo fora. — Apoiou os cotovelos nos joelhos segurando seu rosto com as mãos, esfregou a face algumas vezes deixando-a avermelhada.
— Tudo o que me lembro era como meu pai de forma malandra e descontraída tentava apaziguar o homem, e convencer o sujeito a renegociar as mercadorias. Então eles notaram a minha presença, mas disfarcei alegando ter chegado naquele instante. Quando caminhei na direção do homem que conversava acaloradamente com o Han, este havia desaparecido como fumaça.
— Seu pai como reagiu a sua presença? — Leia perguntou curiosa, lamentando todos esses anos de enganos e mal-entendidos.
— Disfarçou como sempre, deu um sorriso malandro, — girou os olhos ao lembrar — me dizendo: “não é nada garoto, são apenas negócios, breve tudo se acerta”, assim bagunçou os meus cabelos, por minha parte fingi não ter ouvido a conversa e que havia acreditado em suas palavras. — Uma sombra de raiva passou pelo seu semblante. — Deveria ter confrontado ele, perguntado quem era aquele homem e o que significava tudo aquilo, mas não fiz isso, apenas voltamos para casa, e não tocamos mais no assunto.
Se levantou, deu alguns passos até a lareira, olhou para as mulheres que estavam atentas a sua história engoliu em seco e focou sua atenção em Leia que entendeu que chegara no ponto que culminou a cisão do relacionamento de mãe e filho. Ela baixou a vista com profundo pesar. Benjamin continuou.
— Quando foi o momento que julguei ser conveniente e mais correto resolvi falar com você, lembra? — Ela concordou. — Precisava falar o que havia presenciado no lugar de trabalho do meu pai. — Respirava com muita força. — Necessitava que alguém o ajudasse a sair daquela encrenca, então contei tudo que lembrava, não deixei escapar nada. — Abaixou a cabeça e colocou os dedos em forma de pinça na ponte do nariz para conter o pranto, no entanto, não havia como, pois tudo naquele momento era superlativo, todos os sentimentos que tinham por anos acorrentados estavam sendo libertos e fluíam por todo o corpo de Benjamim.
Rey se levantou de pronto e caminhou até ele e o abraçou carinhosamente, este tombou sua cabeça no ombro da jovem escondendo seu rosto no seu pescoço. Leia chorava muito e se levantou e caminhou na direção oposta do casal, sabendo que ela deveria ter agido de outra maneira, tomado outra postura, não ter ajudado ao Ben, por não ter ido pesquisar a história foi seu maior erro por isso perdeu seu marido e sobretudo, Ben, voltou seu rosto na direção deles.
— Realmente, naquela noite, em que Ben tentou me falar sobre Han, mas eu simplesmente não permiti que ele continuasse. — Caminhou incerta até o sofá suas pernas tremiam, então se sentou. — Pior ainda, quanto mais ele suplicava para que eu o ouvisse, mais me fechava em minha ignorância. Não queria ouvir as acusações que Benjamin levantava, então impus a coisa mais terrível que uma mãe poderia fazer. — As lágrimas turvavam sua vista, e embargava a sua voz. — Pedi para ele se afastar, para ir morar com o tio por algum tempo. Esse foi o meu maior erro. Oro todos os dias aos céus pelo seu perdão, e por todo o mal que fiz a você.
Levantou novamente caminhou até seu filho que agora a olhava fixamente com os olhos vermelhos.
— Perdão Benjamin! — O som das palavras saíram afogadas.
— Sim mamãe te perdoo! — E logo em seguida houve um abraço caloroso e intenso de pura gratidão e perdão e este pode ser sentido por todos ali naquela sala. Os dois continuaram no afago e ambos estavam com o rosto avermelhado e o pranto rolava por suas bochechas. Rey também não segurou a emoção ao sentir, tamanha emoção.
Após alguns momentos de sentirem a emoção do perdão, Jakkes voltou a falar curiosa.
— Mas o que aconteceu a seu pai? Por que você não continuou com o seu tio?
— Naquela noite que briguei com minha mãe não o vi mais, saí de casa como ela havia me pedido e fui morar com meu tio. — Abaixou a cabeça, contudo continuava abraçado a Leia. — Mas os dias se passaram e Luke me olhava do mesmo modo que minha mãe, como se não me importasse com meu pai, que queria arruinar a reputação dele. Quando era exatamente o contrário, queria ajudar. Todavia me tratava como se fosse um monstro que a qualquer momento poderia fazer algo contra ele ou contra a minha mãe.
Se afastou das duas.
— Então, soube pelos noticiários que meu pai havia sido assassinado, da maneira mais impessoal que se possa imaginar soube de sua morte. — Sua voz soou alterada. — Mas o mais triste nisso tudo foi perceber que minha mãe e meu tio pensaram na hipótese que eu tinha algo com tudo aquilo. — Se abaixou e chorou amargamente.
A juíza estava arrasada, pois, de fato, naqueles dias sombrios ela e seu irmão chegaram a cogitar nessa possibilidade, uma ve
z que até então nunca viram tal homem que seu filho havia descrito, trabalhando com Han Solo.
Contudo, as coisas mudaram muito e de uma maneira estranha, pois o caso de seu marido se ligava ao sequestro de Rey de um modo inesperado, mas Leia esperou que seu filho desabafasse seus pensamentos, não queria tolhe-lo.
— Não foi eu quem o matou! — Esbravejou.
— Sei disso, meu filho! — Falou mansamente. — Busco o assassino de seu pai há muitos anos!
Aquela declaração pegou Ben de surpresa não pode evitar a expressão estarrecida em sua face.
— Você ainda o, procura?
— Sim, meu filho. — Enxugou a face. — Ao longo dos anos recolhi muitas evidências quem me levaram aos responsáveis pelo assassinato de seu pai.
Essas informações pegaram o rapaz em cheio.
— Como?
Não conseguia formular palavras e muito menos raciocinar. Estava perplexo. Rey também ficou surpresa ao ouvir aquilo. Encarava a juíza com estupefação.
— Então quem seriam as pessoas responsáveis que as evidências apontam?
— Acredito que os mesmos homens que sequestraram você. — Afagou o rosto da futura nora. — Esses mesmos indivíduos mataram meu marido. — Se afastou novamente deles. — Ainda segundo nossa investigação, sim eu e Luke estamos nessa pesquisa por muito tempo, sabemos que o chefe do grupo criminoso tem um superior e, que este comanda tudo e a todos. E sabemos a identidade desse homem. Só precisamos reunir provas contra ele.
Benjamin se afastou um pouco, balançando a cabeça em negação, mesmo ouvindo aquelas palavras não podiam negar que a insinuação ao Dr. Snoke era algo difícil de digerir, mas não era improvável, pois, mesmo sendo seu mentor e o tivesse apoiado quando precisou e lhe deu um emprego e lhe devolveu a dignidade. Mas, havia muitas coisas que colocavam em cheque a honra desse homem, ao longo dos anos como advogado na firma do ancião, sabia de muitas coisas que não eram legais, e que havia sempre algo mais, e muitas reuniões privativas com o Hux.
Precisava averiguar tudo, reunir provas. Falou seco.
— Snoke.
— Sim. — Leia concordou.
— Eu quero, antes de mais nada ser a pessoa a ligar o nome do Snoke ao assassinato de meu pai e suas motivações, quanto ao sequestro de Rey. — Baixou a cabeça por vergonha do que iria dizer.
— Acredito que sei a motivação do atentado. — Levantou a vista e encarou Rey e Leia com constrangimento. — Algo relacionado a uns documentos que você leu sem autorização no escritório. — Baixou o tom de voz. — Nossa briga naquele dia de sua saída, você disse muitas coisas. — A garota engoliu em seco, lembrando daquele dia horrível.
— O caso I.C.A. — Soou incerta. — Mas eu e Finn sabemos do conteúdo desse processo, por que só eu sofri as consequências?
— Foi apenas você quem falou em alto e bom som que tinha conhecimento do conteúdo das pastas, e que iria acabar com tudo aquilo, ali tem muitos ouvidos. — Respirou fundo. — Fizeram e ainda vão fazer algo pra silenciar você.
Rey colocou as mãos na barriga em puro desespero. Olhou para Ben impressionada com aquela revelação.
— Como você sabe de tudo isso?
— O bilhete anônimo de seu sequestro era o começo da chantagem. — Ajeitou a postura. — Depois de tudo, sabiam que eu tinha um envolvimento com você, então iriam me obrigar a continuar como advogado do caso, por isso não houve pedido de resgate, porque não haveria, a chantagem seria sua vida por meu trabalho. Caso me negasse a cooperar tenho certeza que fariam a culpa do seu “sumiço” cair sobre mim. — Sentou pesado no sofá.
Rey estava confusa com tudo aquilo, sentou ao lado de Ben, sentindo que havia mais coisas presas na alma do pai do seu filho.
— Tem mais alguma coisa?
— Sim, — Pegou a mão dela — tem. Seu sobrenome é Jakkes.
A garota estava perdida olhou para ele e depois para Leia, que também não conseguia ligar os pontos dessa história.
— O que o nome dela tem a ver com tudo isso?
— Logo que Rey sumiu, imediatamente recebemos na casa do meu amigo o bilhete anônimo, percebi que tudo estava muito estranho, então fui reler o famigerado processo que ela acusou que iria arruinar e, aí encontrei o sobrenome dela, revisando os detalhes para certificar fatos que passou por mim sem me preocupar. — Olhou para ela. — Se eu não estiver enganado, o que é muito pouco provável, você é mais que uma pessoa que sabia do processo. Você é a herdeira direta das terras que a I.C.A. quer tomar posse.
Jakkes se levantou de supetão.
— Mas não pode ser essas terras não têm dono, eu li, são devolutas.
— Esse ponto do processo não estava aberto para vocês.
Leia Organa ficou chocada com tudo que ouvia, piscava um par de vezes para Ben então colocou.
— O que mais falta para você ver que este sujeito está envolvido até o pescoço em tudo isso. — Respirou fundo. — Não tenho como provar a responsabilidade dele, na morte de seu pai, mas no caso de Rey temos. Só falta conseguirmos esse documento que tem o nome dos parentes dela.
Ele, de fato, sabia de todas as evidências, só estava relutante em aceitar tal fato, pois, apesar de tudo aquele homem em que estavam acusando foi uma espécie de pai quando ele precisou. Mas tinha diante de si a dura realidade de que a vida de Rey, de seu filho, ou mesmo a sua não valiam absolutamente nada para aquele sujeito, apenas o poder e o controle das coisas o interessava, portanto, usaria a todos como marionetes para a sua vantagem, descartando qualquer um quando este não lhe fossem mais útil.
Caminhou até a porta de saída e voltou para a direção das mulheres que o observavam silenciosas os movimentos do homem, ele sabia que precisava agir rapidamente, a vida de sua amada estava em sério risco, olhou para cada uma delas.
— Vou lá no escritório colher tais, provas.
— Agora fazer isso é muito perigoso, filho! — Falou aflita. — A essa altura já devem saber de seu envolvimento no resgate da Rey. Podem te matar! — Fechou os olhos com força.
— Eles a matarão não importa o quanto fiquemos aqui em negação. Querem a herdeira das terras morta!
— Você sabia que queriam me matar? — Sua voz estava tremula. Sentou para se equilibrar, suas pernas fraquejavam.
Mais uma vez a vergonha lhe apossou, sabia que Snoke seria capaz de qualquer coisa para silenciar caso o suposto herdeiro aparecesse para reivindicar as terras. Mas por ironia da vida ele jamais iria imaginar que seria Rey Jakkes, a pessoa que a velha raposa iria querer eliminar do seu caminho, nunca havia se preocupado com esses detalhes que eventualmente ocorria onde trabalhava, agora todos esses anos de omissão o deixavam muito oprimido.
— Não sabia, até o dia de nossa briga. Porque nunca ia além de minhas atividades. Nunca queria me envolver além do campo jurídico, porém nossa discussão mudou tudo, estudei todo o caso, encontrei o seu sobrenome nos documentos. Percebi que não se tratava de coincidência. — Caminhou até a Rey e se ajoelhou junto a ela e segurou as mãos pequeninas dela. — Foi por isso que fui até aquele jantar na casa dos meus amigos, sabia que te encontraria lá queria confirmar o nome dos seus pais, e naquela mesma noite que brigamos outra vez, então você sumiu e confirmou todas as minhas suspeitas.
Baixou a cabeça nas pernas dela e chorou. Ela afagou seus cabelos em consolo.
— Mas havia sido tarde demais, eles te levaram. Senti raiva e medo. — Olhou para Rey. — Temi por você e… — pousou a mão na barriga levemente ondulada dela — pelo nosso bebê, porque Phasma nunca soube guardar segredos. — Sorriram em meio a lágrimas.
— Por isso, preciso voltar lá e pegar a documentação que prova que Rey é a herdeira! — Sabia mais do que ninguém que Snoke faria de tudo para ter controle das coisas e fariam elas se tornarem legais tinha a noção que ele trabalhava nos bastidores escusos da lei. Por isso, precisava agir rápido.
Colocou a mão na face da garota.
— Seus pais se chamavam Karl e Zhöe Jakkes. — Ela ficou pálida e novamente sua face foi banhada por lágrimas, lembrou do vazio que sentia, pois, os tinha perdido muito cedo era apenas uma criança e desde então ficou em lares adotivos, até entrar num internato conduzido por freiras. E na faculdade conheceu Rose e desde então se tornaram amigas, mais que isso irmãs dividindo todas as coisas, desde as derrotas até as conquistas, Ben enxugou as lágrimas dela.
— Sim são os nomes deles.
— Ótimo, então só precisamos dos seus documentos para que provemos sua ligação com os donos das terras. Pegar o documento que tem o nome deles e tiramos as terras das mãos da I.C.A.
— Mas meu nome ou dos meus pais não estão arrolados no processo.
— Não estão. — Leia colocou desanimada. — No processo consta como terras sem dono. — Olhou para o filho triste. — Vocês manipularam esse detalhe para conseguir retirar todas aquelas pessoas de seus lares. Enquanto que a única pessoa que poderia fazer isso seria o dono ou um herdeiro — estava perplexa — e para completar a ironia a herdeira que poderia frustrar os planos de Snoke foi trabalhar para ele. Isso é tudo muito incrível. — Sentou junto a Rey.
A garota mal podia acreditar naquela história fantástica que parecia ter saído de um roteiro de um dramaturgo muito inventivo. Voltou a interrogar Ben Solo.
— Como você pretende entrar lá novamente, vai ser muito perigoso. — Afagou seus cabelos negros. — Não quero que nada de ruim aconteça com você.
— Simples irei lá de madrugada, a segurança é reduzida nesse período.
— Mas pode ter mais pessoas do que o normal, talvez antecipe seus passos, ou pior pode ser uma armadilha. — Alertou Leia.
— Irei com você. Não tem negociação.
— Você não vai, Rey. Precisa ficar e cuidar de nossa família. — Sorriu.
— Não vá sozinho, filho. — Levantou e pegou o celular. — Vou chamar Poe e aquele rapaz o Finn para te ajudar.
— Aceito reforço, vou chamar o Mark tenho certeza que ele irá me ajudar. — Também fez uma ligação.
(...)
Leia pegou na mão de Rey.
— Como os seus pais morreram? — Estava curiosa e também desconfiada de que algo muito sujo estava por trás daquelas mortes.
— Foi num acidente. Era muito nova não me lembro dos detalhes.
Ben e Leia se olharam evidenciando que aquelas mortes estavam muito interligadas a Snoke. Agora só restava ligar aquelas mortes ao caso I.C.A. Saber porque Jabba de Hutt capanga leal de Snoke matou Han Solo e precisavam fazer isso urgentemente, porque o tempo estava contra eles, pois dentro em breve essa corja estaria livre.
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