Ironias do Amor
20 CAP 20 Um Plano Irônico
A manhã se iniciava com uma bruma densa que encobria a rua numa aura silenciosa, só se ouvia o pedalar de um garoto a entregar os jornais matutinos fazia-o em movimentos displicentes sem se importar se amassaria ou sujaria os periódicos.
No fim daquela rua arborizada havia uma construção muito antiga, no entanto estava muito conservada parecia ser histórica com um toque de sombrio.
A movimentação naquela propriedade aumentou consideravelmente naqueles últimos dias. E as pessoas que moravam no entorno daquele edifício nem se davam conta que por detrás daqueles muros havia uma mulher grávida mantida ali contra a sua vontade.
A mansão continha inúmeros cômodos teria sido um sanatório desativado. Rey estava num quarto mais afastado e uma quantidade imensa de parafernálias médicas ligadas a ela e um bip frequente monitorava o seu bebê.
Olhava tudo aquilo com muita cautela e, meditava em seu plano precisava obter informações em relação as coisas lá fora e principalmente quantas pessoas poderiam estar eventualmente ali. Não poderia deixar nenhum detalhe escapar.
Ouvindo os ruídos vindos de fora voltou a se deitar esconder o bracelete cortado e cerrou os olhos. O estalar da porta e os passos no piso agora era audível no recinto.
— Vou tirar esses remédios de você, seu anfitrião quer vê-la desperta. – Ao iniciar a retirada da medicação percebeu que tinha algo errado no registro das cânulas. Ele fitou a garota inerte e de novo ao equipamento. Alisou o queixo que atritou em sua barba por fazer.
— Essas válvulas deveriam estar abertas, mas algum trapalhão quando transportou você até aqui deve ter fechado, mas agora isso não importa.
A garota ouvia tudo atentamente, pois toda e qualquer informação era muito bem-vinda. Ela pensou consigo e sentiu um certo alívio ao saber que não precisaria mais ter que pensar em como abrir e fechar os registros da medicação. E acordada teria muito mais chances de observar o local.
O homem de jaleco retirou todas as coisas que estavam acopladas na paciente e passou a verificar os calcanhares para se certificar que estavam firmes e, a mulher deitada congelou quando sentia que o indivíduo iria para os pulsos e, antes que chegasse em direção do bracelete rompido com o bisturi, ouviu uma voz que o fez recuar, com isso saiu e o som da porta se fechando ecoou nos ouvidos da jovem.
(...)
O carro se pôs em movimento. Olhou pelo retrovisor e sorriu maldosamente. Tinha ciência de que colocaram alguém para lhe seguir. O que ele não sabia que tudo aquilo era um placebo, um modo de mantê-lo distraído, em sua zona de conforto.
Poe o seguia, enquanto que Ben seguia um sujeito muito estranho de feições cadavéricas e um corpo extremamente magro.
Desde que Dameron ligou para Finn e relatou um encontro muito suspeito entre Hux e um homem de jaleco, Solo se voluntariou em seguir o sujeito, pois ficar parado esperando notícias o deixaria fora de controle. E assim tudo ficou acertado.
(...)
Ben Solo estava em frente a uma pocilga que Poe Dameron lhe passou o endereço, uma vez que foi nesse local que os indivíduos se encontraram. Então, na melhor das hipóteses ele iria aparecer ali novamente.
Tamborilava os dedos no volante com impaciência sentia cada músculo do seu corpo se retesarem, era angustiante ficar ali parado, dado que cada minuto que transcorria Rey e o bebê corriam muito perigo. Olhava tudo a sua volta com apreensão.
Na rua a movimentação de carros e transeuntes era normal no endereço que Solo vigiava havia um volume grande de pessoas entrando e saindo naquele local de diversas formas e características, mas todas com um só propósito não serem incomodadas pelas autoridades.
Nesse momento uma garoa fina caiu suavemente pelo para-brisa e o homem atento acionou os limpadores para continuar tendo visibilidade, com isso um aroma de asfalto molhado adentrou em suas narinas e lá fora alguns se apressaram em se abrigar, enquanto que outros abriam seus guarda-chuvas e continuavam os seus caminhos.
O movimento no espaço observado se tornou interessante, o cair da tarde estava refrescante e, então um homem extremamente obeso de charutos entre os dedos adentrou o estabelecimento, e uma lembrança daquele sujeito o atingiu em cheio, tentava se lembrar de onde vinham aquelas memórias, ficou tão atônito que, por alguns instantes quase ia deixando passar algo que esperou a tarde inteira. O sujeito magricela.
O telefone vibrou no bolso interno de sua jaqueta, levou um leve susto, todavia atendeu com um tom seco.
— Alô, Solo falando.
— O magrelo já chegou aí? – A voz saiu metálica.
— Sim, acabou de entrar na espelunca que você me deu o endereço. – Girou os olhos.
— Estou na cola do Hux, ele pensa que me despistou, acredito que esteja indo para esse local, é melhor você se misturar antes que ele te veja.
— Obrigado por me avisar. Agora pegaremos eles. Fique de pronto no celular logo entro em contato. – E desligou o aparelho.
Estava muito bem camuflado saiu do carro alugado o travou e adentrou num bar que tinha vista para a entrada do estabelecimento. Estava de boné e usava uma jaqueta marrom camiseta e calça jeans, a roupa casual contribuía para ele se espalhar na multidão.
Nesse instante o carro de Hux encosta de fronte a ele e salta do veículo, Ben observa o sujeito olhar em todas as direções para verificar que não estava sendo seguido.
Ele morde as bochechas internas em puro ódio do miserável. Cerrou os punhos com tamanha força que deixaram os nós dos dedos esbranquiçados.
Enquanto que o homem sumia porta a dentro uma mulher baixinha e gordinha se aproximou dele.
— Vai querer o que para beber? – Aprumou os óculos na ponte do nariz.
— Uma cerveja por favor. – A mulher anuiu anotou o pedido e saiu para atender outra mesa, que estava um casal saliente que não se desgrudavam.
A espera agora era inevitável, porém se sentia mais energizado, pois a cada minuto que passava ficava mais evidente que aqueles homens estavam envolvidos no desaparecimento de Rey. E que estava próximo o seu resgate.
Minutos depois a garçonete chega com a bebida numa garrafa esverdeada saca do bolso do avental um abridor de garrafas, e tira o lacre do vasilhame, enquanto ela ia girando o conteúdo em um copo o homem gesticula que não, assim ela interrompeu a ação.
— Mais alguma coisa, senhor? – Ele meneou a cabeça em negação e a mulher saiu em direção ao balcão.
(...)
Uma nuvem de fumaça cobria o local o cheiro de tabaco e bebida estava impregnado nas paredes. Em todas as mesas tinham homens absortos em suas jogatinas e algumas mulheres em volta assistindo cada jogada.
Contudo, existia uma mesa mais recuada onde um trio estava em volta de uma mesa redonda coberta com uma toalha verde e alguma bebidas dispostas em cima.
— Já comecei o processo para que a garota comece a despertar. – Colocou o homem de feições magras.
— Muito bem Nicolas Demopoulos, a mãe e o feto estão bem? – Hux bebericou em seu copo.
— Ambos estão estáveis, e o processo dela ser acordada vai ser mais rápido do que imaginava.
— Tomou as precauções necessárias para quando ela acordar? – Questionou Hutt.
— Sim foi tudo arranjado.
— Ótimo! O local é bastante apropriado. – Tragou seu charuto e expeliu a fumaça e prosseguiu. – Alguém seguiu vocês?
A dupla a sua frente se entreolharam.
— Não me seguiram. – Respondeu o médico.
— Tem alguém me seguindo, mas agora a pouco consegui despista-lo e, por precaução não fui nenhuma vez ao local. – Completou o advogado.
— Vocês devem redobrar as atenções e, a partir de agora não venham mais aqui. Não podem associar nós a esse sumiço.
O ruivo apanhou uma maleta e empurrou em direção do homem que falava e este esboçou um sorriso maldoso.
— Essa é a primeira parte do pagamento, pode verificar está tudo aí, como combinamos. A outra metade será repassado quando completar o serviço.
— Se não precisam mais de mim vou me retirar Jabba.
— Pode se retirar Nicolas. Agora tenho algo mais para falar com Hux. Mais antes de ir quero falar com você. – O homem concordou com a cabeça e saiu da mesa.
— O que você deseja comigo?
— Seu patrão sabe da criança?
— Sim sabe e, agora tem planos mudados para mulher e o bebê.
— E qual será o plano agora?
— Ficar com a criança e descartar a mulher no tempo certo. – Sorriu maldosamente.
(...)
Abriu os olhos lentamente e sentiu que seu corpo não estava mais entorpecido e que não tinha mais as parafernálias em cima de si. E sentiu um certo alívio por notar que o que o homem havia falado estava confirmado.
Verificou se ainda possuía o bisturi e o sentiu firme em suas costas e voltou a se desvencilhar das amarras e, pulou da cama olhou a sua volta e percebeu que o quarto estava todo lacrado tentou ouvir pelas paredes se haveria a possibilidade de alguém estar chegando, caminhou até a porta e mexeu na maçaneta e percebeu que estava aberta, comemorou baixinho o descuido do sujeito.
Mirou os dois lados do corredor para se certificar que não havia ninguém, com isso cerrou a porta bem devagarzinho atrás de si para não ser ouvido o baque da porta.
Atravessou alguns metros do corredor. Nesse interim ouviu passos se aproximando, pensando rápido abriu uma das portas e adentrou num recinto totalmente escuro, piscava para que seus olhos se acostumassem com a penumbra. Não poderia ligar a luz, pois a denunciaria ali.
Aos poucos começou a distinguir os contornos do local e desviou de algumas cadeiras e para a sua surpresa ela estava em uma copa. Alcançou uma porta que parecia ser de uma geladeira e com alegria constatou que o refrigerador estava bem abastecido.
Ela começou a comer e uma onda de energia revitalizou seu corpo e a deixou mais desperta, sentia um certo alívio por conseguir se alimentar e, também porque ninguém a procurava, devido a calmaria no local, precisava aproveitar essa vantagem para sair desse pesadelo o mais rápido possível.
(...)
A chuva estiou e o ar refrescante trazia uma leveza, as pessoas caminhavam tranquilamente pelas calçadas molhadas desviando de algumas poças que se formara. O cheiro das folhas das árvores úmidas se espalhava por todo ambiente.
Sentado em uma mesa de bar estava um homem totalmente impaciente que não deixava nada passar, observava tudo a sua volta. Brincava como líquido da garrafa, não bebericou a bebida uma vez sequer. O telefone vibrou mais uma vez e sem tirar os olhos a sua frente atendeu.
— Alô.
— Diga, Estranho como estão as coisas por aí? – A voz soou grave.
— Oi Samurai, todos os suspeitos estão no mesmo local, estou aguardando eles saírem para seguir se for necessário.
— Tome cuidado amigo, então aguardo você nos ligar para levar Lis ao local combinado para poder dar assistência a Rey. Ok?
— Ok, eu ligarei. – Assim desligou o telefone e devolveu ao bolso da jaqueta.
Nesse momento ele notou Hux sair primeiro, sentiu o sangue ferver em suas veias, no entanto, precisava se controlar, ia chegar o momento para a sua raiva ser extravasada na cara daquele cretino.
Então ligou para Poe que aguardava o aviso da saída de Armitage do local a algumas quadras dali.
Alguns momentos depois um sujeito extremamente magro saiu ao lado de outro que era o seu oposto, tal imagem era muito peculiar. Notou que o homem de charuto estava o instruindo para alguma coisa. Sentiu uma impaciência crescente por não saber o que falavam.
A dupla se afastou e cada um foi para um lado. Na calçada havia alguns pedestres, assim Solo ajustou o boné se levantou da mesa e deixou um valor para pagar a cerveja e, se misturou aos transeuntes.
Ben de uma certa distância viu o homem parado de fronte ao veículo olhando para todos os lados antes de abri-lo. Adentrou nele e ligou os faróis e saiu rua abaixo. E sem se aperceber um outro carro começou a segui-lo.
(...)
A rua era muito escura as árvores tornavam o ambiente muito hostil, o médico parou em frente a uma casa muito antiga, mais parecia ser um hospital.
O que o seguia parou metros atrás com as lanternas do veículo todas apagadas. Ficou analisando os movimentos do indivíduo magro que andou em volta de seu automóvel abriu os porta malas e retirou dele um objeto cumprido e não havia qualquer brilho nele, com a penumbra e a distância Ben Solo não conseguiu identificar o que o outro carregava consigo.
Estudou o local onde o suspeito desapareceu guarita a dentro. Tinha forte pressentimento que aquele local era onde Rey estava sendo mantida em cárcere.
Ligou para Poe e, se certificou em saber onde Hux se encontrava e ficou confiante por saber que este se encontrava em sua casa, o que significava que ele estava com a guarda baixa e nem pensava que o grupo estava tão próximos de encontrar Jakkes. E ele continuou a instruir Dameron de ficar de olho caso o ruivo fizesse algum movimento anormal.
E fez uma breve ligação para Mark para ficar a postos quando fosse o momento de agirem e desligou.
Saltou do veículo e caminhou cuidadosamente e foi se esgueirando até chegar num ponto do muro que não havia nenhuma câmera. Pulou o muro e caiu de pé dentro da propriedade e se agachou e olhou tudo a sua volta. A escuridão foi uma aliada e se esgueirou por entre os arbustos alcançou um estacionamento e andou meio encurvado por entre os carros e chegou em uma porta lateral.
Tentou abrir a maçaneta e para a sua surpresa essa se abriu facilmente, o local estava vazio adentrou o corredor. A iluminação era pouca, pois nem todas as lâmpadas do local estavam ligadas, o ambiente era estéril e com muitas portas e pensou. “Como encontraria Rey numa propriedade tão grande que mais parecia um labirinto sem fim. ”
Seguiu mais alguns passos e, dobrou em outro corredor que se tornou mais largo e mais iluminado, a concentração das pessoas estavam ali olhou para os dois lados para se certificar que não vinha ninguém e adentrou em uma sala que estava escura.
Seus olhos se acostumaram com a escuridão e percebeu que havia muitos jalecos e roupas de médicos. Resolveu vestir um jaleco por cima da roupa e guardou o boné.
Olhou pelo vidro da porta para se certificar que não vinha ninguém, e assim ganhou o corredor mais uma vez, andou mais alguns passos e ouviu um barulho vindo em sua direção, e para não ser descoberto entrou em um recinto rapidamente.
(...)
Estremeceu ao ouvir a porta se abrir, com isso fechou a porta da geladeira suavemente para não ser achada ali naquele ambiente.
Segurou o bisturi com muita força até os nós de seus dedos ficarem brancos, fitou o sujeito alto de jaleco. Notou que o indivíduo estava muito agitado como querendo se esconder também. Todavia precisava sair dali sem que o homem a visse.
Ainda com a boca cheia limpou os lábios das migalhas de alimento e, avançou sorrateiramente até o indivíduo com o objeto cortante em punho subiu em uma cadeira e pousou o metal frio na jugular dele que levantou as mãos em rendição.
— Não faça nenhum barulho, senão eu lhe corto até as suas cordas vocais e, morrerá engasgado com o seu sangue. – Falou segura.
O homem tentou se virar para mulher, mas sentiu o objeto deslizar em sua pele e uma gota de sangue escorreu, com isso falou sussurrado.
— Sou eu, Rey!
Sentiu a lâmina se afastar repentinamente de sua garganta. O coração do sujeito disparou em alívio de encontra-la ali. Tão ativa e defensiva. Sentiu um imenso orgulho de sua amada.
— O que você está fazendo aqui? – Ela estava meio confusa.
— Vim te resgatar. – A voz dele saiu incerta.
— E quem irá nos resgatar?
— Não se preocupe todos os seus amigos e os meus estão nos apoiando. Vamos sair daqui!
E numa descarga de adrenalina e emoção os dois se abraçaram e ela se sentiu apoiada e por alguns instantes até se esqueceu da briga que tiveram há três dias atrás. Então Ben carinhosamente a beijou no topo de sua cabeça.
— Vocês dois agora estão seguros. Defenderei vocês com minha vida!
Rey em meio ao abraço paralisou ao ouvir ele afirmar algo tão certo. “Como soube do Bebê!?” Agora não importa, o urgente nesse momento era sair daquele lugar.
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