Ironia do Destino
10 Capítulo 8- (Parte 2): Feira de Ciências
Notas iniciais
Como foi mandado, saímos da escola. Formaram-se três filas (uma de cada classe), e os representantes de turma tiveram que ir na frente para guiarem suas respectivas salas. Seguimos a diretora e os coordenadores durante todo o caminho. Como Henry estava na frente, tive que aturar o papo furado de Caroline, a garota do terceiro ano B. Raramente converso com ela, geralmente nos falamos quando somos ambas abandonadas, porém, eu preferia ficar sozinha do que ter de falar mais um segundo sobre as células eucariontes e procariontes.
Quando (finalmente) chegamos, acompanhei Henry e olhamos o enorme prédio que estava à nossa frente. Era constituído por pilares azuis, portas e janelas de vidros e as paredes brancas. Continha um simples gramado na entrada, acrescentando tons verdes na arquitetura do local.
O evento estava ocorrendo no primeiro andar. Tinham vários universitários em frente de suas experiências, apresentando-as, explicando o que tinham elaborado aos espectadores. Henry rapidamente se juntou ao grupo do vulcão artificial. Chegamos no meio da apresentação, mas perto da melhor parte.
—...de vinagre. Agora é só por um pouco de corante vermelho, detergente. -Ele colocou os ingredientes citados- Só falta colocamos uma bela colherada de bicarbonato de sódio, que a “mágica” acontece!
Assim que ele colocou uma colher de bicarbonato, o vulcão entrou em erupção. Foi incrível! Formou-se muita espuma vermelha, dando a impressão de que era lava.
_ A mistura de vinagre com bicarbonato de sódio causa uma reação química que libera gás carbônico. Ele é o responsável por gerar essas "bolinhas", fazendo com que surja a erupção.
Os olhos de Henry estavam brilhando. Até que ele fez uma pergunta:
_Por que o um vulcão entra em erupção?
_Como é seu nome?
_Henry.
_Pessoal, não vão ainda não. O nosso amigo Henry fez uma pergunta interessante. O vulcão entra em erupção porque as atividades endógenas, ou seja, do interior da terra, faz com que uma placa tectônica empurre a outra. Isso provoca a ascensão do material magmático, que é a lava, gazes e cinzas, que são jogados para cima, numa liberação do calor interno acumulado através do tempo.
_Que interessante! Obrigado pela explicação.
_De nada! Mais alguma pergunta?
Ele perguntou para o grupo presente. Não continuamos ali pois queríamos ver as outras experiências. Porém me surgiu uma dúvida que não permitiu que eu entendesse muito bem a explicação do universitário.
_Henry, o que são placas tetônas?
Ele deu risada. Eu não entendi a graça.
_Não é Placa de tetas grandes, é Tectônicas. Essas placas representam as diferentes partes da crosta terrestre e estão sempre em movimento. Elas que causam alterações nas formas de relevo do planeta.
Eu ainda não tinha entendido direito. E o que diabos é a crosta terrestre?
Por sorte, encontramos um universitário que tinha justamente crosta terrestre como tema de sua apresentação.
_Henry, vamos ali!
_Ah, essa é uma das apresentações mais simples. Até eu poderia te explicar. Vamos ver o robô com inteligência artificial.
_É rapidinho!
Como tinha muita gente tentando ver o robô, ele cedeu. Admito que fiquei com pena do moço que apresentava sobre as crostas. Só tinha nós dois para ouvi-lo. Talvez os outros grupos já tivessem passado por ali.
_Moço, o que é crosta terrestre?
_ Bom, a crosta terrestre está bem abaixo de nós. Ela faz parte das três principais camadas da Terra. É nela que estão localizadas todas as formações sólidas do planeta, ou seja, as rochas. Logo abaixo dela estão o manto e o núcleo.
Ele me mostrou um pôster que tinha a imagem da terra, e dentro da terra tem essas três camadas. A crosta terrestre, o manto e o núcleo. O universitário falou que o manto é muito quente e ocupa o maior espaço entre as camadas, sua temperatura é de 3.400°C. O núcleo se encontra no centro da terra. Apesar de menor, também é muito quente! Ele se divide em duas partes, núcleo interno, com 3.000°C de temperatura e núcleo externo de 6.000°C.
Eu quase não acreditei. Se eu fico morrendo de calor nessa cidade no verão, que chega no máximo à 35°C, imagina seis mil! Eu nem sabia que o nosso planeta poderia ser tão quente assim.
_Emma, já podemos ir ver o robô?
Henry parecia uma criança no meio de uma loja de brinquedos.
_Claro...
Fomos em disparada ao robô antes que lotasse de novo. A universitária esperou um pouco mais para começar a apresentar. Deve ser maçante ter que falar a mesma coisa várias vezes.
_Bom dia! Eu sou a Emely. Esse aqui é o robô que eu e meu grupo montamos. Infelizmente os outros integrantes não puderam vir para apresentar, mas vou responder tudo ao meu alcance. Ele funciona da seguinte maneira: sempre que se depara diante de um obstáculo, o R2-D2...
Alguns alunos, inclusive Henry, deram risada. Por que eu sinto que sou a única que está boiando nessa feira?
_Pois é gente, o nome dele foi inspirado no do robô do Star Wars. Estou impressionada que vocês entenderam a referência, haha. Continuando, quando ele se depara com um obstáculo, ele desvia. Isso acontece porque ele tem um sensor ultrasônico que impede ele de colidir. Vocês gostariam de vê-lo em ação?
Todos responderam um uníssono “Sim”.
_Eu preciso de um voluntário.
A maioria levantou a mão euforicamente. Eu levantei também, mas não tinha nenhuma esperança de ser escolhida. Foi quando ela apontou o dedo para mim.
_A menina de preto, como é seu nome?
_Emma.
_Venha à frente por favor.
Ela me posicionou de frente ao R2-D2 e o colocou para andar.
_Quando ele chegar perto de você, coloque o pé na frente do sensor para ele desviar.
Assenti com a cabeça. Assim que o robô chegou em mim, coloquei o pé na frete e... ele trombou e caiu! Será que eu estraguei o robô? Eu olhei para Henry e depois para Emely com cara de culpada.
_Calma gente, acontece. É que teria que colocar o pé bem na frente do sensor. Emma, o sensor fica aqui- Ela apontou para uma plaquinha esverdeada – você tem que levantar um pouquinho mais o pé.
Eu estava tão nervosa. E se esse robô caísse de novo? Quando ele chegou perto, fiz o que ela falou, e deu certo! O robô foi para trás e deu meia volta. Que demais! Eu poderia ficar colocando o pé na frente dele o dia inteiro só para vê-lo desviar.
_Mais alguém gostaria de tentar?
De novo, várias pessoas levantaram a mão. Eu vi nos olhos de Henry que ele queria muito ir. Mas Emely nunca o escolhia. Então desistimos, não tínhamos muito tempo ali e deveríamos aproveitar o máximo possível. E foi o que fizemos. Vimos uma experiência onde se misturava os líquidos e eles mudavam de cor, outra onde o fogo era colorido, e juro que tinha uma onde tocava música pelos raios de eletricidade! O som não era perfeito, era meio estridente, mas foi possível identificar a música. Foi inacreditável!
Até que os coordenadores passaram de apresentação em apresentação chamando os alunos para tirar uma fotografia. Eu fiquei bem ao lado de Beatrice, que estava com Fred. Henry ficou à minha direita, junto ao Alison. Eu não gostava muito de fotos, mas ainda sim consegui sorrir, pois o dia foi louco, todos esses experimentos universitários me impressionaram tanto, além do mais, eu estava ao lado de meus amigos e meu... bem, acho que não tenho um nome para nossa relação; apenas ao lado do meu Henry. Aquele foi o sorriso mais sincero que já dei para uma câmera.
Depois da foto, voltamos para a escola e a professora nos fez escrever um relatório sobre tudo que aprendemos na feira de ciências. Normalmente eu acharia tedioso, mas até que eu gostei; conforme escrevia, relembrei cada experimento e apresentação. Enfim voltei para casa e o restante do dia foi sossegado. Henry veio aqui para estudarmos (afinal, os exames finais estão chegando), e eu esperei minha mãe chegar do trabalho para lhe contar como foi o dia, por mais que estava tarde, acho que ela gostaria de saber como a ciência é espetacular, e realmente, ela gostou.
Agora, deitada em minha cama, penso como será sábado. John será meu padrasto. A família de Henry, de certa maneira, passa a ser a minha também. Que impressão eles vão ter de mim? Como será que é ter uma família grande? E, apesar de não gostar de rótulos, gostaria de ter uma certeza: O que eu e Henry somos, afinal de contas?
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