Ironia do Destino
1 Capítulo 1- Por que o idiota do Henry?
Notas iniciais
Mais uma manhã se iniciava. Fui acordada pelo meu despertador, que tocava Sweater Weather. O sol iluminava parte de meu quarto, composto por uma cama de casal, uma escrivaninha com meu notebook e livros em cima, quadros das minhas bandas favoritas espalhados pelas paredes e um guarda-roupa. Era segunda. Sabe, todos os dias que tem aulas são o maior tédio, mas eu odeio mais a segunda, pois sei que tem mais quatro dias irritantes pela frente.
Levantei, tomei banho no banheiro de meu quarto e logo em seguida vesti minha blusa do “The Neighbourhood”, minha calça rasgada, um All Star e minha jaqueta Jeans (que eu particularmente adoro, pois tem uns espinhos bem maneiros nos ombros).
Como de costume, desci as escadas e fui para a cozinha no primeiro andar tomar café da manhã com minha mãe, Lucya. Ela tem os olhos cor mel, cabelo liso castanhos como o meu e estatura média. Ao meu ver, ela tem uma aparência bem comum.
_Bom dia filha- disse ela, tomando uma xícara de café com pão de queijo.
_Só se for para você. Você sabe que detesto segundas.
_Emma, segunda é só mais um dia da semana, como qualquer outro.
Ela tem razão, mas por algum motivo sinto que hoje não será um dia bom.
Assim que terminei comer, peguei minha mochila, meu skate (que tinha uma caveira estampada) e fui para à escola, que fica à um quarteirão de distância de casa. Durante o caminho, gosto de observar as pessoas ao meu redor, por exemplo: O mimado do Henry, que sempre chega de carro à escola, seus pais o levam todos os dias; Beatrice, minha melhor amiga, que geralmente fica sentada nos bancos da entrada da escola com seu namorado Fred, conversando antes das aulas começarem; Duncan, o garoto que a maioria das meninas dessa escola sonham em ficar, rodeado por Regina e seu grupo de “seguidoras”; entre outras várias pessoas que estudam nessa escola.
Assim que cheguei em Santa Helena de Cupuaçu (Acho que ainda não conseguiram inventar um nome mais brega para colocar em uma escola), coloquei o skate dentro de minha mochila (que normalmente fica com uma parte para fora) e fui em direção à onde Beatrice estava sentada.
_Olá pombos -Essa era minha maneira “carinhosa” de dizer olá para o casal de pombinhos.
Fred e Bia riram.
_Oi Emma -Disse ela- Preparada para ver as notas de química hoje?
_Para falar a verdade não, eu nunca estou.
Eu não tenho muitas amigas, a maioria das garotas me acham estranha basicamente por causa do meu estilo, mas eu não ligo. Eu tenho Bia e isso é tudo o que preciso. Somos da mesma sala desde a quinta série e então, nos tornamos inseparáveis. Conheci Fred depois, faz pouco tempo que começou o namoro com Bia, mas o considero um bom amigo.
_Olha -ela me mostrou um desenho que tinha acabado de fazer.
_Sou eu? Caramba, ficou incrível, você é a melhor desenhista que conheço!
_Isso porque eu sou a única desenhista que você conhece...
Nós nos olhamos e demos risadas. Era verdade, mas ainda sim Bia desenha muito bem. Ela conseguiu desenhar perfeitamente meus cabelos longos e castanhos, e conseguiu pegar até o tom de verde dos meus olhos. Essa garota tem talento.
Quando o sinal tocou, fomos para sala do terceiro ano assistir as aulas de química. Eu detestava química mais do que qualquer outra matéria. Eu me embaralho toda com os números e parece que nada faz sentido. E para ficar ainda melhor, hoje era correção da prova. Eu nem precisava ver minha nota para saber que fui mal. E assim foi. No final da aula, quando todos saíram para o intervalo, somente eu fiquei porque a senhora bisKátia (seu nome é apenas Kátia, mas à chamo assim pois não gosto da mulher) me chamou para falar sobre minhas notas.
_ Emma, poderia sentar-se aqui?
_E eu tenho escolha? -Perguntei com desdenho.
A professora apenas ignorou minha pergunta e apontou para uma cadeira ao lado de sua mesa. Assim que me sentei, ela disse:
_Está vendo suas notas? -Ela mostrou meu boletim- Estão abaixo do desejado. O mínimo necessário para passar de ano é 5. Você não está aprendendo nem metade do que eu lhe ensino! Você sabe o que significa se você reprovar em química?
Fiz que não com a cabeça.
_Você não passará de ano. Eu já tentei deveres de casa extras e até prova de recuperação, mas ainda assim você não está conseguindo acompanhar a classe. Eu sei que no seu diagnóstico mostra que você tem Déficit de atenção, mas eu acredito no seu potencial e sei que consegue mais do que um simples quatro.
Lá vem ela com esse falatório sobre eu ser capaz, que ter D.A. não me impede de aprender, blá, blá, blá.
—Tomei minha última decisão para te ajudar à recuperar suas notas. Eu conversei com o representante da turma e ele está disposto a te dar aulas extras. Você pode decidir com ele onde e quando serão os estudos. Mas só o que lhe peço é que colabore com ele e se esforce de verdade para aprender.
Eu não acreditava no que estava ouvindo! Henry, o metido à besta que se acha o inteligente só porque é representante me daria aulas?
_Eu me recuso!! -eu disse revoltada.
_Sinto muito senhorita Clark, mas se não fizer o que lhe peço, terei de reprova-la.
Clark. Eu odiava meu sobrenome. Ele veio do meu pai. Minha mãe o conheceu quando era adolescente, e assim que eu nasci, ele não aguentou a pressão de ser pai tão novo e simplesmente sumiu do mapa.
—A Beatrice não pode me dar as aulas? -Perguntei, na esperança de me livrar de Henry.
_ Emma, Henry é a pessoa mais qualificada para isso. Minha proposta é essa. Agora com licença, tenho que terminar de organizar meu material para a próxima aula. Tenha um bom dia.
Então era isso. Só me restava falar com o imbecil Henry. Ele costuma ficar na biblioteca nos intervalos. O cara é tão nerd que estuda até no tempo livre. Assim que o encontrei, me sentei de frente para ele e fiquei observando-o ler até ele se dar conta disso.
_Hm, oi, Emma.
_Oi, Henry. A professora Bi- Quase que falo o apelido que lhe dei por impulso – digo, a Kátia quer que você me dê aulas.
_Ah, sim. Ela já havia falado comigo sobre. E então, quando vamos marcar?
Nunca.
_Tanto faz.
_Pode ser nos intervalos? Dá para estudarmos aqui mesmo, a biblioteca é um lugar silencioso, você pode se concentrar mais aqui.
_Tá. -Disse curta e grossa.
E isso foi tudo o que conversamos. Após o intervalo, tive apenas mais três aulas e para minha alegria, já era hora de ir embora. Quando saí da escola, encontrei Duncan. Ele estava rodeado de garotas (como de costume). Assim que me viu, disse:
_Hey Emma! Chega mais! – Ele estava sorrindo, por mais que eu deteste admitir, ele tinha um sorriso bonito.
Desci do meu Skate e me aproximei dele. As garotas começarem a me olhar de cima à baixo. Duncan esticou a mão e me entregou um convite.
_Sexta-feira vou dar uma festa em casa. Meus pais vão estar viajando, então à noite é toda nossa! – Ele disse isso e me deu uma piscadela.
Eu estiquei a mão e peguei o convite. Era um papelzinho bem pequeno. Acho que eu deveria entregá-lo na hora da festa para entrar. Dei um meio sorriso para ele e subi de volta no meu skate. Não pude deixar de ouvir os cochichos das meninas: “que esquisita ”, “parece que está de luto, sempre de preto! ”. Argh, garotas irritantes! Aposto que seus orifícios têm inveja de suas bocas, de tanta merda que falam.
Assim que cheguei em casa, encontrei minha mãe.
_Mãe, cheguei. -falei, encostando meu Skate na parede.
_O almoço está pronto! Já estou indo- Ela beijou minha cabeça- Não me espere acordada.
Minha mãe é empresária, ela trabalha o dia inteiro e volta muito tarde do escritório. São raras as vezes em que eu à vejo chegar do trabalho. No resto da tarde eu fico assistindo séries e tentando estudar. E essas são minhas segundas-feiras. Eu levo uma vida tranquila. Ou pelo menos levava.
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