Hoje era o dia, o desfile. Eu estou muito ansiosa e estou implorando para que nada de ruim aconteça e agradeço que esse é um dos lugares que Robert não aparece. Não quero ter mais uma daquelas conversas de novo com ele. Mas agora não é hora de pensar nele. Vou tomar meu café como todos os dias, voltar e ir me arrumar.

Agora era a hora de ir me arrumar. Vou colocar uma camisa bege de renda, a saia Gucci preta, salto alto Gucci preto e em acessórios colocarei uma pulseira de ouro e um anel de obsidiana. Maquiagem simples. E então o cabelo, vou deixa-lo cacheado e pronto. Estou perfeita.

O telefone começa tocar, deve ser Miranda. Logo o atendo, porém não era Miranda nem ninguém do trabalho.

– Anne Blanchard, aqui é Josh Smith do banco. Espero que em breve possamos marcar uma reunião quando melhorar de sua perna quebrada. – Era Josh Smith, o cara do banco. É claro, eu estava muito feliz nesses últimos dias, eu nem me lembrava das contas do banco, e as cartas eu nem lia mais. – Porém, se não estiver pronta para uma reunião, estaríamos interessados em uma conversa por telefone. O banco está disposto a negociações e a qualquer tipo de ajuda envolvendo sua situação financeira.

– Olá, sim. Eu queria de saber quanto devo. – A hora era agora, cedo ou mais tarde eu teria que falar.

– Bem, somando temos um total de 9,459 libras. Caso você não tenha condições de pagar, como havia dito, você pode comparecer a uma reunião ou negociar. Desde que consigamos resolver sua situação, estarei muito feliz em ajuda-la. – Eu terei de ir a uma reunião e dizer toda a verdade. Essa era a situação.

– Bem, eu gostaria de ter uma reunião com você a respeito. Creio que possamos sim resolver essa situação. Na segunda eu poderia ir ao banco? – Tento parecer o mais firme possível, mesmo por dentro estando com muito medo.

– A qualquer dia da semana estaremos livres, desde que ligue com antecedência. Obrigado pela atenção e tenha um bom dia. – Ele responde.

– Igualmente. – E desligo o telefone.

Eu perdi um longo tempo ao telefone com ele, mas fico feliz de poder finalmente arrumar toda essa bagunça na minha vida de dividas. Só que agora não é hora de pensar nisso, daqui a pouco Miranda virá me buscar.

Ouço a campainha tocar, era ela. — Tudo estava começando realmente mudar na minha vida. E estou tão feliz com isso que estou pulando por dentro. Primeiro, o desfile e agora o banco, estou conseguindo me ajeitar na minha vida e ninguém vai me rebaixar de novo. – Ou o motorista dela (mais óbvio). Estou descendo, meu corpo é tomado de ansiedade, vamos lá.

Oh meu Deus, é uma limusine, eu não consigo acreditar nisso. Estou indo de limusine para um desfile com Miranda, a criadora da revista Model. Agora era a hora de olhar para frente e não deixar nenhuma Sasha ou Robert incomodar.

Sai da limusine dando sorrisos para as câmeras, comecei a andar ao lado de Miranda para a porta. Deram-nos passagem até a entrada e cá estou indo me sentar na primeira fileira de cadeiras mais perto da passarela para fazer uma matéria a Model. Isso é a o um dos sonhos que qualquer garota tem e eu estou realizando o meu.

Sentamos nos bancos, permanecemos quietas até Miranda interromper o silêncio entre nós.

– Eu soube de uma briga que aconteceu ontem no escritório. – Ela falou sem demonstrar nenhum sentimento. – É verdade?

– S-sim. – Eu falei, meio pausando.

– O que ouvi foi que meu filho, Robert, foi se desculpar com você e então vocês brigaram outra vez e Sasha foi até Robert para falar sobre a briga. – Ela fala. – Foi realmente isso que aconteceu?

– Sim, sim... – Eu respondi. Esse assunto tinha que vir a tona logo agora? Único dia que estou realmente bem tem que falar sobre a briga? – Por quê?

– Eu só queria saber uma coisa, o porquê da briga? – Ela pergunta.

– Ah, só o Robert que me convidou para ir ao shopping para fazer compras. Mas quando chegamos lá ele diz que era pra namorada dele. Obviamente aquilo me fez sentir só como a ajudante para presentes. Eu pensei que a gente ia sair de verdade ou algo do tipo. Mas então, depois de ele comprar o presente, ele me viu sentada e sem graça e me perguntou o que houve. Eu disse tudo o que tinha pra falar e ele me r­espondeu algo que fez me sentir humilhada. Eu sai correndo, triste e quase chorando. – Contei tudo na mesma hora, afinal, ela iria descobrir sobre isso de qualquer forma. Porque não falar logo?

– Hm, grande história. – Ela respondeu, sem estar surpresa ou qualquer outra coisa. Em toda a conversa ela não demonstrou nem sequer um sentimento. – Você gosta dele? – Sem mais nem menos ela me perguntou aquilo.

– Na verdade. – Respondi e parei para pensar, eu nunca pensei que pudesse gostar dele. Teve uma vez que senti um frio na barriga quando o vi, fiquei feliz quando ele me convidou para ir ao shopping, chorei nas nossas brigas. Será que eu gosto dele? – Eu nunca parei para pensar nisso.

– O desfile vai começar. – Ela ignorou a conversa e disse isso.

As modelos começaram a entrar na passarela e a desfilar, roupas estranhas, diferentes, bonitas. Eu comecei a anotar tudo: o que achei das roupas, as marcas que estava desfilando, e depois tentarei anotar o nome das modelos.

O desfile foi ótimo, consegui anotar bastante coisa, e acho que vai sair uma matéria muito boa. Porém, outra coisa ficou me importunando, a minha conversa com Miranda. Ela simplesmente não respondeu nada depois daquilo. Olhei para ela, ainda sentada do meu lado, e então ela retribui o olhar e diz:

– Mas talvez devesse. – Ela fala com um pequeno sorriso.

Eu olhei para ela sem entender muito, mas depois que ela já havia saído de vista eu percebi, “mas talvez devesse” pensar no caso de eu gostar dele.