Iron Maidens

1 Prólogo: O front Oriental


Prólogo: Eu Estive Aqui Antes

Eu estive aqui antes, já vi esse quadro diversas vezes nesse front oriental, um quadro de cores que sempre se repetiam.

Era o pico de uma tarde no leste polonês, o campo uma vez verde hoje se tornava uma curiosa mistura, o branco era a incessante neve que descia dos céus como um castigo agonizante e silencioso, que agrediam a nossa pele e instigavam nossa fome, meus olhos estavam sempre serrados e minha pele era rígida, o inverno sugava todas as nossas esperanças e humanidade nas trincheiras, não cessando por um instante, sendo dia ou noite.

A próxima cor era o negro, o negro era um verdadeiro contraste, alienígena naquele tipo de ambiente, trago pela pólvora dos milhares de bombas e projéteis que agrediram e permaneceriam agredindo aquele solo, também trago pelos destroços das máquinas russas e alemãs espalhadas por todos os lados, algumas ainda queimando, o negro ainda se misturavam com estranhos tons de marrom da terra que ali foi atingida, que ali normalmente permaneceria oculta pela grama ou pela neve, na guerra formava estranhos ninhos e colinas pelos disparos que a bifurcaram, tais locais traziam por fim o nosso último e os mais impactante dos toques, o carmesim do sangue e as cores bizarras das carnes, vinda dos homens que pereceram ali de diversas maneiras, seu sangue se espalhavam quando as balas os perfuravam e seus corpos escapuliam com violência, rasgando a pele e destroçando seus ossos, eles deixavam de viver imediatamente e se tornavam mais alguns míseros cadáveres, números, pedaços inanimadas resultadas dessa loucura que já se arrasta por anos, e já se repetiu muitas vezes antes, através dos séculos e milênios.

Guerra.

Esses homens foram ordenados e não viam escolhas, como peças de xadrez sendo manipuladas pelos seus mestres, são peões, milhares sendo sacrifícios pelas decisões de alguns seletos, a que pontos chegamos? Desde quando desistir e ir embora deixou de ser uma escolha? Eles agarram os rifles e encaram o campo silencioso com os olhos atentos, porém ainda indiferentes a toda aquela carnificina e brutalidade que ocorreu minutos atrás, só alguns poucos pensamentos lhe corriam na mente agora.

Eles só querem sobreviver.

A patente de um comandante o assegurava mais esperanças, o homem ainda era mais visionário, imitando a loucura daqueles de patentes maiores, acima dele, mas enfim também o sufocaria com a responsabilidade, talvez sua morte seria mais aterrorizante nas mãos do russos se ele não se suicidasse primeiro, mas tais pensamentos e possibilidades ainda não lhe corriam na cabeça, ainda haviam muitas "peças" para se sacrificar naquela trincheira.

Nada mais do que peças de um xadrez.

E assim como um comandante é a torre, nós somos os peões, os generais e tenentes são as demais peças e nosso maestro führer é o grande jogador, a peça rei seria Berlin, assim como a peça mais alta dos russos é Moscow, e assim como o grande jogador falhou em usar suas peças para destruir o rei inimigo na operação Barbarossa, era o nosso fardo agora todos nós cairmos antes do rei, era o nosso dever.

É o nosso dever?...

O homem ao meu lado, Willhelm, era um rapaz de pele clara e os olhos vivos castanhos, seria um rapaz vívido e talvez de boa índole se não houvesse sido tragado pela guerra, eu o havia conhecido faziam poucos meses mas algo sempre me magnetizava para Willhelm, eu descobri que era a sua inocência e virtude no meio de tanta negativa, via a foto de sua família buscando resolutividade, hipnotizado pelas lembranças de seu passado, quantos fizeram isso antes dele? Antes de suas mortes derradeiras?

— É inútil, Willhelm.

Murmurou Dietrich logo ao lado em uma cobertura um pouco mais alta, homem velho de aparência mais robusta, barba mal feita e claramente carente de afeto, sua sanidade estava se esgotando naqueles meses embaixo da neve, com uma feição que lembrava alguém no hospício, seus olhos cruzaram com as foto de Willhelm e ele deixa sair o pior de si.

— Nossa artilharia se foi, nossos homens estão todos mortos logo ali, e a munição?Eu só tenho um cartucho! Um cartucho Willhelm!

— E você?!...

— Um... — O rapaz não estava realmente no espírito de convnersar.

— Nós estamos acabados, daqui a alguns minutos aquele lugar vai se infestar de comunistas e antes de qualquer reação a artilharia deles fará migalhas da gente!

— Eles sabem nossa posição! Eles sabem! — Falou mais alto quando via que conquistava a atenção de outros.

— Me ouviram bem?! Acham que eles não sabem exatamente da nossa posição?!Nós vamos morrer aqui, exatamente nesse lugar como porcos no matadouro!

E o rabugento Dietrich continou seu discurso para aqueles que estavam um pouco mais afastados, aqueles que o mandariam calar a boca já estavam mortos, todo seu trabalho só fazia apagar a nossa última fagulha de esperança, aquela falsa probabilidade de tudo que não se tem certeza, alguns agora eram atingidos pelos destroços e cadáveres no campo, outros estavam claramente incomodados mas não possuiam forças, Willhelm enfim falou passivamente, quase irônicamente sobre a minha presença no local.

— Nós temos uma Iron Maiden aqui.

E Dietrich escuta aquilo perfeitamente, virando-se para mim e me olhando com um desdenho que jamais havia ousado antes, o stress já havia lhe consumido a cabeça.

— Uma mulher? Hahahahahahaha!

E os outros deixaram ser levados pela fala irônica do rabugento, gargalhando com mais timidez, ele permaneceu rindo mais tempo que os outros, como se suas gargalhadas estivessem traduzindo o que ele queria dizer mais.

— Você só pode estar de sacanagem, Willhelm. — Disse, enfim.

Não quis respondê-lo, de fato eu não os culpava, eu podia ser uma "Iron Maiden" tratada com uma heroína do reich, mas a presença de uma mulher aqui só servia para trazer ainda mais tensão e desapontamento para os homens, independente de meu passado e de minhas conquistas, eu ainda não me passava de outro ser humano assim como eles, um enorme saco de carne e órgãos sustentado por alguns ossos assim como eles, a diferença era que eu pesava menos e era mais macia.

Mas havia um fato crucial, algo que divide veteranos como Dietrich de verdadeiros veteranos como eu.

A frieza de um sobrevivente.

Quando você passa por esse tipo de situação várias vezes, quando você traz chuvas de bombas e cortinas de balas encima de seus inimigos e recebe o mesmo em troca, quando você se vê viva mesmo quando todos ao seu redor pereceram a sua mente é imediatamente mudada, você enxerga mais claramente, seu sangue corre de uma maneira mais natural, você se acostuma.

Você aceita a simplicidade das coisas e aceita a realidade, você vê que os inimigos romantizados pela propaganda não se passavam de fazendeiros ou pior, crianças, você percebe que sua força se baseia em saber furar-lhes a cabeça antes que eles furem a sua, atingi-los antes que eles atinjam você, simples assim, foi uma das coisas que eu aprendi dirigindo aquele tanque, sendo uma Iron Maiden.

— Não é sacanagem, Dietrich. — Tudo bem, eu acabei respondendo.

Dietrich passou por isso algumas vezes, ele era um sobrevivente como eu, mas Dietrich sobrevivera ou por sorte ou por ser um covarde, e toda a guerra não se passa de um pesadelo para o pobre homem e eu não o culpo, nem todos os humanos nasceram para isso (ainda bem).

— E para de falar tão alto, desse jeito você vai revelar mesmo nossa posição para eles, retardado.

Aquilo atingiu os sentimentos dele.

—Como é que é?!

Ele falou mais alto do que devia, agora Willhelm apontava para seu busto a baioneta de sua arma.

— Fale mais baixo, Dietrich.

— E tenha respeito, ela está conosco mas ela ainda é sua superiora.

Minha patente era maior, porém meus homens já haviam morrido também.

— Mulher nenhuma é minha superiora.

Murmurou no ouvido do jovem, Willhelm olhou para mim desconcertado procurando minha resposta, eu permaneci ignorando, naquele dia todos usávamos as capas brancas de inverno, porém meu uniforme era diferente do uniforme padrão da Whermatch, eu sou de uma divisão especial de tanques "Iron Maiden", com um uniforme mais escuro que de um SS, eu comandei infantarias e outras divisões de tanques antes e portanto, eu estava acima na hierarquia.

Para falar a verdade eu era a comandante por hora do pelotão, mas não me sentia na menor vontade de comandá-los, a neve havia atingido meu espírito também, e assim as coisas ficaram, Dietrich voltou para a sua posição e continuou uma conversa perversa, tênue com os recrutas ao seu lado.

Willhelm voltou a encarar a foto de sua família, eu continuei olhando por bons locais para nos posicionarmos e evitarmos a artilharia.

— Nem panzers temos! — Esbravejou mais alto do que devia de novo, despertando Willhelm novamente de seus pensamentos, irritado imediatamente arrancou seu revólver Lugar P08 e encostou o fino canto negro na testa do mais velho com força, como se fosse uma faca.

Um silêncio, uma trégua daquele discurso derrotista e idiota, ninguém se ofendeu ou mostrou vontade de ser o juiz entre os dois, Dietrich havia chamado sua morte mais cedo! Atire Willhelm! É sua chance!

— É claro que nós temos tanques Dietrich, não pode vê-los? — Falou uma terceira voz, feminina como a minha surgindo de repente atrás das trincheiras, o maluco estava salvo por hora.

—Willhelm, abaixa o revólver. — Willhelm obedeceu com um certo alívio.

—Tanques, comandante? Aonde? — Dietrich perguntou para a pessoa que de repente estava atrás dele.

Comandante Hannah Schmidt sorriu com certa ironia, como se soubesse que Dietrich faria exatamente essa mesma pergunta.

—Estão por todas as partes os tanque Dietrich, veja o campo! Só estão esperando os russos chegarem primeiro e usarem eles como cobertura contra nós.

Hannah é caucasiana e mantinha os cabelos loiros soltos por baixo do capacete da Whermatch, um elmo com os dois símbolos rúnicos da SS que mesmo como comandante ou como piloto ela nunca retirava em uma batalha, Hannah era também uma "Eiserne Jungfrau", uma Iron Maiden, e no momento comandante dessa decadente infantaria.

Ela estava de pé encima da trincheira acompanhada por dois soldados que também não temiam estar de pé ali, ela estende seu braço como se desenhasse todo o campo de batalha na nossa frente, confirmando informações que pré-estabelecidas com seus próprios olhos.

— Mas eles estão destruídos senhora! — Ela virou os olhos em desdenho como a resposta óbvia, virando-se para mim, Dietrich era um homem simples demais para ela querer continuar um diálogo.

— Zoey, porque não posicionou os homens nos destroços?

Era meu nome, meu nome é Zoey De'lacour, sou prole resultado de uma estranha aliança franco-germânica entre nobres que acabou muito errado, os motivos que trouxeram uma pessoa como eu acabar por aqui também foram incomuns, porém eu posso dizer que todos eles se centralizam em Hannah, a loira que estava em minha frente e que silenciava centenas de homens com sua presença, não pude deixar de sorrir abaixando a cabeça, tentando esconder-me no meu capacete.

—Eu não queria cometer um deslize, Hannah.

— Gut, fez certo...

— Não vai me chamar de der Kapitän?

Deixamos sair gargalhadas baixas em nossa conversa, apesar de capitã no momento, Hannah e eu éramos de mesma patente.

Era evidente o tom natural e diferente que existia entre nós duas que se distinguia dos demais, somos parceiras a tempo suficiente para entendermos nossos motivos, ela sabia que eu não tinha vontade ou empatia nenhuma para comandar aquele pelotão, quando vi estava de pé ao lado dela, encima da trincheira.

— Friedrich, o mapa. — Ordenei ao jovem Friedrich atrás da capitã, inseparável garoto que sempre estava acompanhando Hannah, era quase como um filho, porém sua extrema competência não permitia que os outros pensassem dessa forma, ele entregou imediatamente e de repente Dietrich ali abaixo de nossos pés parecia ainda mais idiota.

— Aonde eles estão?

Perguntei, analisando as colinas aonde os russos obviamente fariam seu movimento, nós estávamos em uma posição interessante, instalados ao sul de costas para uma floresta densa, entre nós e os russos era uma enorme planície com relevos entre a direita e a esquerda menos populados de pinheiros, e ao extremo norte havia um pico excelente para uma posição defensivas, último objetivo do comandante Holston que tentou liderar seus homens para lá horas atrás, e agora seu cadáver já está gelado embaixo da neve e dos escombros.

— Os russos provavelmente estão esperando reforços, o comandante que acabou de perecer nesse último confronto, der Kapitän Holston...

Hannah voltou-se para Willhelm na trincheira para ter certeza que estava dizendo certo, Willhelm fez um sinal positivo.

— Holston! — Falou mais uma vez, satisfeita.

— Ele avançou como eu previ, não obedeceria as ordens de um "cão do führer", ainda mais "sendo mulher" como eu e veja o que aconteceu!

Então ela apontou o dedo no mapa aonde seria exatamente o campo de batalha a nossa frente.

— Rapidamente cruzou-se com uma força soviética a alguns quilômetros ao nosso norte, e mesmo com Panzers IV e soldados com MP40 em ótimas condições e o idiota provavelmente conseguiu ser aniquilado, que enorme desperdício de equipamentos e vidas! Uma vergonha para o exército Alemão!

Um dos soldados levantou-se, provavelmente íntimo com o falecido capitão.

— Comandante, Holston acreditava que a posição podia ser ganha antes dos russos chegarem, porém perdemos tempos esperando sua decisão! Que ainda acabou sendo muito desapontante!

O soldado era um dos sobreviventes do encontro, com algumas ataduras pelo corpo demonstrando seus ferimentos rasos, Holston desejou conquistar o pico no extremo norte antes que os russos chegassem, os pinheiros e a alta altitude seriam uma defesa natural contra o avanço da infantaria mecanizada soviética, que não tem outra escolha a não ser atravessar as planícies abertas.

— Se o imbecil do Holston estava apto a desacatar minhas ordens, então que fizessem logo! Qual foi a razão de esperar por ordens que não estava dispostos a acatar? Que ridículo!

Todos os pontos eram cruciais nesse inferno gelado, vendo toda a disposição do campo de batalha no mapa e analisando o pensamento de Hannah, era claro de como havia sido inútil a morte de centenas de homens e perca de equipamentos escassos e valiosos, pontos cruciais para o andamento da missão.

— Mas ainda há um ponto crucial.

— Um ponto crucial? — Perguntou o soldado.

— Holston achava que essa era uma missão suicida, o exército soviético agora avança a todo vapor da Rússia e da Ucrânia com toda a força, acreditou que fomos mandados aqui como peças dispensáveis, que fomos enviados para morrer.

Ninguém entendia assim como eu, era exatamente isso que parecia, nós estamos incapacitados de lutar e ainda estamos forçados a ficarmos aqui.

— Ele queria causar o maior dano possível aos soviéticos com o mínimo de percas, ele estava pensando como um russo, não como um alemão. — Concluiu Hannah, agora observando o mesmo mapa que eu, mais falando consigo mesma do que com o soldado ferido.

Nós somos uma força menor que os inimigos desde o início, mas somos um Einsatzgruppen, uma força especial cujo objetivo era ser uma competente unidade e agirmos com cautela! O território é nosso e mesmo com uma mão na frente agora os russos avançam em terras desconhecidas, não estamos aqui para alimentarmos a moral soviética, estamos aqui para acabar com ela! Lembrem-se disso!

— Ouviram bem? Não deixem a perca de Holston acabar com sua moral, acabar com o seu dever! Quando que a gloriosa whermatch que conquista países em DIAS, agora sofre essa vergonha!

Eu tinha esquecido disso, somos um Einsatzgruppen , Hannah nossa Einsatzkommando ,Então esse era o grande plano? A moral foi levantada entre alguns soldados, que se mostravam interessados.

Porém penetrar na defesa de algum batalhão soviético que avança no escuro? A realidade gritava diferente dos mapas, Hannah só falou como uma superiora, ignorando as necessidades óbvias que não eram supridas, como a falta de munição e comida quente e principalmente neve que matavam homens antes do confronto, sua função era simplesmente nos forçar até aonde poderíamos ir e ninguém poderia realmente culpá-la por isso.

— Mas nós mal temos munição, senhora! — Um dos soldados falou, incrédulo.

Era desapontador, a neve também me atingia a face e drenava a minha paciência, temendo talvez problemas desnecessários, comandante Hannah cansou imediatamente de argumentar com os soldados, tratando-os como crianças birrentas que só entendiam as coisas na experiência, quando seus olhos azuis se encontraram com os meus, ela também entendeu imediatamente meus pensamentos mas dessa vez se calou, não discutiu imediatamente como lhe era costumeiro, ela me trataria como uma tola também? Agora éramos as duas comandantes em pé na trincheira, traçando o nosso movimento.

— Zoey, qual dos homens estava falando alto? — Falou mais baixo, apenas entre nós duas.

— Quem você acha? Obviamente o maluco do Dietrich.

Uma continuação de uma conversa que tivemos nessa mesma manhã, quando analisamos os nossos soldados e consideramos sua falta de respeito e a neve que estava comendo a paciência, a diferença de sexo era sempre algo a se considerar também.

— É claro, ele já falava em derrotismo desde a semana passada.

— DIETRICH! — Gritou tão alto que o gordo quase caiu, instintivamente ficando em posição de sentido.

— S-sim, comandante!

— PELOTÃO! PREPARADOS! — Sua voz ficava muito grossa nessas horas, ela repetiu para dar a certeza que todos ouviram, tinha que estar o mais próximo possível da força de um homem para inspirar dever, ouvindo o comando os homens colocaram munição e ficaram em posição instantaneamente.

— EINSATZBEREIT! - Gritaram em resposta quando ficaram preparados, nos deixando surpesa, um legado der Kapitäin Holston?

— Dietrich, vá e fique de cobertura naquele tanque logo ali, consegue ver? Se ver algum russo você sinaliza imediatamente.

— ...Ja, comandante!

Ele falou depois de um breve momento, com a neve caindo e a baixa visibilidade os tanques eram mais um ponto negro borrado entre vários outros, no campo aberto, decidido inicialmente pulou da trincheira e pisou no solo da morte, no mesmo solo dos mortos, então hesitou.

— ANDA LOGO, DIETRICH! — Gritou Hannah uma última vez, agora eram muitos homens em silêncio o encarando, para não parecer estúpido ele começou a avançar rapidamente, entre os estilhaços e os mortos, mas andava todo desengonçado, como uma mulher entre baratas.

— Friedrich, minha arma. — Falou Hannah e o rapaz atrás dela lhe deu uma MP 40 para a comandante, uma metralhadora comum e excelente, eu portava uma velha carabina Kar98K que mantinha com certo cuidado, como uma arma salvou minha vida várias vezes.

— Pela esquerda então, Einsatzkommando?– Através da cobertura da floresta e o clima nevado podíamos manter um bom ritmo de caminhada e ter a cobertura para observar qualquer movimento inimigo, os russos também sofreram em seu confronto com Holston e provavelmente estão em uma situação pior do que a nossa, mesmo com a vantagem da batalha.

— Exatamente. – Confirmou satisfeita, logo em seguida fez um sinal silencioso para todos os homens da trincheira.

Nós vamos pelos pinheiros.

Uma breve pausa para todos digerirem a informação, então ela falou com muita dureza.

— De MANEIRA ALGUMA, ALGUÉM ATIRE SEM MINHA PERMISSÃO, ENTENDERAM?

— Ja!

— ENTENDERAM?!

— JA!

Eu estava logo atrás de Hannah, Friedrich atrás e o resto do pelotão, de onde o velho Dietrich estava ele não conseguiria ver nos movendo e nós também não os víamos direito, Hannah havia jogado ele para sua morte, ninguém se sentiu na necessidade de alertá-lo que estava ficando sozinho, ninguém se importava.

Enquanto eu seguia as costas rígidas da comandante, o ambiente ao leste da trincheira ainda era natural, um mar de neve de onde pinheiros se erguiam, um último pensamento me passou pela cabeça, a comandante estava liderando! Normalmente designavam essa função a subordinados que confiam, ninguém sabia exatamente como derrotaríamos os soviéticos, mas esse tipo de atitude de liderança era certamente inspirador, e Hannah sabia disso.

Quando entramos nos pinheiros avistar Dietrich estava fora de questão e passaríamos por um breve período de calmaria que me levantou pensamentos.

Existem veteranos que se acostumam como eu e veteranos que perdiam a cabeça em um pesadelo como Dietrich, Hannah era a mais incomum dos veteranos, para começar ela era mulher, para terminar ela era a queridinha do Führer.

Entre nós as "Iron Maidens" era lógico que Hannah era a grande heroína, ela era a alma do estado alemão atual e do nacionalismo em sua pura forma física, Hannah passou exatamente por todas as coisas que eu passei, nós estivemos nas mesmas batalhas e vimos os mesmos terrores, grandes homens sumirem em segundos e os gritos agonizantes entre os dois lados.

Mas Hannah tratou tudo aquilo com de uma forma diferente, com um olhar apaixonado e frenético de alguém que via as respostas de suas ideologias, em suma, a perda, a carnificina e todos as dificuldades alimentavam a mente fanática e a ideologia nazista da minha comandante, geralmente fragilizadas na cabeça de qualquer um que passa por tanta perda e terror (como eu), a guerra era o contrário para ela, a guerra se tornou o combustível que a tornava uma soldado resoluta e uma líder de maestria impecável, que trouxe resultados absurdos em batalhas completamente perdidas e encontros certeiros com a morte que nós de alguma forma sempre demos a volta por cima, seriam as próprias balas a evitando por desgosto?

Tais feitos nunca serão reconhecidos por dois motivos, nós somos mulheres e somos veículos de propaganda, nossas mudanças e batalhas e feitos se tornam relatórios que eram editados para enganar o povo alemão, porém de fato Hannah era fantástica! Eu nunca omiti informação nenhuma com medo de punição, meus relatórios foram perfeitos assim como ela era uma perfeita máquina de comando e guerra, depois de anos ao seu lado isso cresceu em mim sempre um estranho sentimento de admiração e curiosidade.

Será Hannah tão forte como parece? Ou essa é a forma de como seu terror se solidificava?

De uma maneira ou de outra eu lentamente deixei de lado os meus pensamentos negativos, de forma espontânea e novamente depositei minha confiança e força em seus ombros, assim como ela sempre desejava, eu realmente acreditava que derrotaríamos os soviéticos no final daquele dia, sem saber exatamente como, através de uma estranha façanha?

— Escutem homens, russos não são diferentes de bestas...

Começou seu costumeiro discurso anti-soviético depois de uma hora de andança, o contato com o inimigo agora era eminente, somos um grupo de vinte soldados e a comandante nos faz parar de repente no meio das árvores, podíamos estar completamente expostos, era tudo um misto de esperança e loucura.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.