Iron Hill

3 The Fate of us all


Notas iniciais
Oi pessoas. Esse capítulo estava programado no Nyah! se eu ainda não respondi seu review, relaxa, ainda o farei! :) Boa Leitura!

Entrei no refeitório com a alma penada me seguindo, não literalmente, mas Jace Herondale conseguia ser silencioso do tipo sinistro. ‘Me seguiu com as mãos nos bolsos como se nada tivesse acontecido no clube do Bolinha do time de basquete.

Procurei nossa mesa habitual no meio da bagunça de adolescentes que mal conseguiam se conter de ansiedade e vi Izzy sentada sozinha com Simon. Fiquei meio indecisa se arrastava Herondale para outra mesa e deixava o casal se resolver, mas nem a vida amorosa – ou a falta dela – do meu melhor amigo seria extremo o suficiente para dividir uma mesa com ele.

Lentamente me dirigi ao casal só para ter certeza de que não atrapalharia nada. Estavam conversando tranquilamente e não parecia que estavam se tocando por baixo da mesa. Então era seguro me aproximar completamente.

— Olá pombinhos. – Não tive chance de me anunciar, quem falou isso foi a Izzy.

Girou no assento e nos encarou.

— Como foi a fugida de vocês durante a aula? – Continuou enchendo o saco.

— Nada comparado ao que vocês dois planejavam, Iz. – Jace respondeu antes que eu saísse do meu choque.

Eu sentia meu rosto arder. Com certeza estava da cor do meu cabelo; esse tipo de coisa tendia acontecer quando o assunto era destinado a mim. Ser amiga de Isabelle me fez pensar bastantes besteiras e entender bem a cabeça masculina quando se trata de pornografia, mas falar sobre isso era bem diferente. Principalmente quando a questão era destinada a mim!

Sentei-me ao lado de Simon e deixei Jace se esparramar na cabeceira da mesa. Em pouco tempo Sebastian chegou para sentar ao meu lado, empurrando Magnus e Alec para sentar juntos. Ele queria ser o cupido, mas não estava se saindo muito bem.

— Olá, pessoas! – Ele exclamou. – Animadas para as férias no cafofo do Jace?

— Nem um pouco. – Murmurei, mas ele ouviu.

— Ah, que isso, Clarissa. Não seja chata. – Jogou um braço ao redor dos meus ombros. – Estaremos todos juntos, bebendo, dançando e trepando.

Pronto. Eu sabia que iria ficar roxa a qualquer momento.

Virei o rosto e dei de cara com olhos dourados me analisando atentamente. Preferi fitar o tampo da mesa.

— Tenho certeza de que a Clary vai amar, não vai, Jace? Já mostrou as fotos pra ela? – Então se virou para mim. – É lindo, Clary, vai querer pintar tudo! – Magnus Bane bateu palminhas.

— Não mostre, Jace. Faça surpresa. – Izzy não deixou tempo para o loiro abrir a boca para responder.

Eu até mesmo estava esperando uma resposta dele, mas ele só encolheu os ombros e eu voltei a fitar a mesa.

— Ok, sem assuntos sexuais ou Clary vai pegar fogo. – Sebastian decretou.

— Que chato. Logo agora que nós chegamos? – Uma voz feminina falou às minhas costas e eu sabia que era Aline.

Aline e Helen. Nos últimos meses elas tinham sido A Novidade. Assumiram um namoro meio complicado, mas estavam enfrentando as consequências. Quando digo isso, quero dizer sobre a galinhagem hétera de Aline antes de sossegar o rabo com a Helen e a família da segunda que não aceitou muito bem.

— Olá, meninas. Quanto é a entrada para o show hoje? – Claro que isso foi coisa do Herondale.

Aprendi com Izzy que homens amam assistir mulheres se pegando, Jace era a prova disso. Sempre fazendo piadinhas que eu já duvidava serem meras piadinhas.

— Sem conteúdo sexual, Herondale. – Helen provocou – Era esse o decreto quando chegamos.

Elas sentaram quase em cima da outra, a mesa tinha sete lugares. Era sempre assim; sempre alguém dividiria espaço.

— Então... por que não fugimos agora? – Aline perguntou. – É a mesma coisa de sempre, mas dessa vez professores choram. Quero ir logo para esse lugar que vocês tanto falam.

— Não podemos, Aline. – Jace respondeu calmamente. – A acompanhante do Sebastian não veio para a aula, temos que esperar.

Meu ódio voltou.

— Acompanhante do Sebas... Wow! Chamem os bombeiros, pequena Fray está em chamas. – Bane mais uma vez.

Eu não queria lembrar daquela piranha, eu não queria passar as férias na casa de alguém que não gostava e com uma vadia gemendo em todos os cantos da casa!

Se existe alguém mais insuportável e galinha que ela eu não conheço.

— Já até sei quem é só pela reação da Clary. – Alec torceu o nariz.

Ele também não era muito fã da piranha, mas por ciúmes. Ciúmes de Jace.

— Gente, eu não sei vocês, mas meu estômago está colado nas costas de tanta fome. – Sebastian interrompeu já se levantando para furar a fila.

— Como vocês estão? – Perguntou Aline. – É tão estranho ver vocês assim, agindo como se nada tivesse acontecido.

— Tudo muito bem, mas não é lugar para discutir isso. – Fiz questão de mostrar Jace na ponta da mesa apenas com um movimento dos olhos.

Homens não levam muito na boa essa história de terminar um namoro para ficar na amizade, principalmente aqueles tipo a equipe de basquete. E se eles não gostam, Institute é que não vai contrariar. Resumindo: Jace ainda não sabia da história e nem saberia se dependesse de mim.

— Uh, desculpe.

A mesa ficou em um silêncio desconfortável por alguns minutos até que Sebastian voltou sem comida e com o celular na mão.

— Podemos fugir? – Ele perguntou. – Ela chegou.

Todos os olhos caíram sobre Jace.

— O que foi? – Ele ergueu as mãos. – Eu sou só o motorista. – Sorriu.

— Vamos embora. – Alec se levantou imediatamente e a multidão o seguiu. Inclusive eu.

Por ser último dia antes das férias, os portões não estavam trancados. Qualquer um poderia sair a hora que quisesse. Muitos já nem estavam na escola mesmo. Ricos têm essa mania de viajar a hora que dá na telha sem se importar com aulas e provas, quem dirá com dia letivo sem matéria!

Saímos pela porta principal e Jace se destacou do grupo para buscar a Ranger. Eu nem queria saber como aquele exagero de gente caberia naquele carro. E foi então que eu vi ela. Kadelie. Um chapéu ao estilo mexicano na cabeça, óculos escuro e um shortinho que mostrava boa parte do útero.

Sebastian assumiu a frente e murmurou antes de se afastar:

— É só uma diversão para as férias, não surte.

Ele foi até ela e a Kadelie pulou no seu pescoço. Estava no cio. Rolei os olhos. Vi Jace manobrando e nem acreditei quando me adiantei e já fui avisando que iria na frente. Tudo para não dividir espaço com ela!

Não vi a discussão, não vi nada. Apenas o preto do vidro e o dourado do motorista. Quando finalmente a situação foi resolvida, uma porta traseira abriu e quebrou o silêncio desconfortável nos bancos da frente.

Aí, a aba do chapéu enfiou no vão entre os bancos. Fechei os olhos e contei até dez. Kaelie sentou no meio e Helen e Aline nas laterais – eu tinha certeza de que não estavam felizes com isso.

— Clary! Vai para trás ou senta no colo do Jace. Você é pequena, cabe mais gente nesse treco! – Magnus gritou do lado de fora.

— Está a sua disposição. – Ele fez um movimento para as próprias pernas.

Ignorei.

— Vá no teto, Bane! – Gritei de volta.

As portas fecharam.

— Prontas? – Jace perguntou instante antes de dar a partida no motor.

— Izzy vai dirigindo? – Perguntei.

— Vai. Mas não o carro dela... – Riu.

— Ah meu Deus. – Resmunguei.

Deixe-me explicar. Isabelle é tão ruim de roda quanto é na cozinha. O carro dela é automático, e qualquer outro que ela toque demora horas para parar de fazer besteira. Pode até matar alguém se atravessar na frente!

POV Extra Isabelle

Antes de qualquer coisa, eu tenho que deixar claro que não gosto de mentiras, mas Jace nos fez prometer não falar nada. Fingir que não nos conhecíamos. Ele queria criar uma nova identidade quando se mudou. Ninguém além dele mesmo o culpava pelo que acontecera e isso, fez com que se tornasse o arrogante pé no saco que Clary mais odiava.

Ele não tinha o direito de já chegar falando pornografia para minha melhor amiga. Ela, apesar de não ser tonta, não recebe bem esse tipo de assunto. Sempre acaba com seu rosto em chamas ou pior.

Quando Jace conseguiu sua inimizade logo no primeiro dia, fui obrigada a aturar aquela merda. Eu não podia simplesmente falar para ela que aquela personalidade era uma fachada, que Jace Herondale não era assim, que aquilo era ele com medo!

Desse jeito aguentei, mas na primeira oportunidade eu tive que agir. Férias. Casa do Jace. Plano. Clace. O que é clace, você me pergunta; conhecendo Jace como conheço, poderia dizer que ele estava louco por Clary, mas sua fachada não permitia aproximação e Clary, claro, poderia se apaixonar por aquele loiro se parasse de vê-lo com ódio.

Eu estava disposta a arriscar.

— Tudo bem! Tenho algumas regras para vocês. – Comecei assim que dirigi suavemente para fora do estacionamento da escola.

Aquele Jeep do Jace era ruim, mas eu poderia dirigir tranquilamente.

— Antes de mais nada: ponham o cinto! – Sebastian gritou dramaticamente.

Bufei.

— É sério, escutem!

— Ai! Não me belisque, Magnus é quem gosta dessas coisas. – Vi pelo retrovisor o meu irmão satisfeito com a reação do Sebastian.

Simon, do meu lado, parecia pensativo. Estava bem calado depois que discutimos esse assunto no refeitório antes dos outros chegarem. Fiquei imaginando se ele ainda sentia alguma coisa por Clary além da amizade. Se sim, seria uma pena...

— Diga, Isabelle querida. – Magnus se pronunciou.

— Eu não vou aceitar nada menos do que um resultado nessas férias: Clary e Jace juntos. – Anunciei.

Gritos de aprovação tomaram Jeep.

— Tem o meu apoio, querida! – Magnus bateu palminhas.

— O meu também! Mas terei que conversar seriamente com o Herondale.

— Menos, Verlac, bem menos. – Simon provocou.

— Não está com ciúmes, está, Lewis?

— Não! – Ele pareceu desesperado para negar. – Já superei.

O único a não dizer nada, foi Alec. E eu sabia bem o porquê e talvez isso se tornasse um problema.

Notas finais
Então...?