Iron Hill

10 Nightfall Parte II


Notas iniciais
Oi gente, não me matem. Essa confusão de governo já está me matando. Já estão acampados na minha faculdade ¬¬' Mas é só por isso que eu vim postar pra vocês. E sem contar que o povo é tão ladrão que a gente chama manutenção da telefonia pra arrumar o cabo no poste, no dia seguinte eles já roubaram o cabo de novo. Minha internet está uma bosta. Minha vida está uma bosta. Minhas notas estão uma bosta. Mas eu não esqueci de vocês. Não esqueçam de mim. — Boa Leitura!

Jace saltou primeiro do cavalo e ofereceu os braços para me ajudar.

— Não sou criança, Herondale. — Resmunguei.

— Mas tem o tamanho de uma. — Não fez muito para segurar o sorriso.

Revoltada, tentei acertar seu pulso, mas quando ele desviou, sim, eu quase cai. Mas seus reflexos eram perfeitos e acabei – mais uma vez – nos seus braços.

'Me desvencilhei rapidamente e estiquei minhas roupas com as palmas das mãos. Olhei ao redor e percebi que os outros estavam chegando, mas Jace não queria esperar.

Logo desafivelou a sela de Hórus e o deixou livre para pastar. Em um suporte de madeira perto de uma árvore ele pendurou a sela e se dirigiu ao meu cavalo para fazer o mesmo. De longe, observei seu trabalho, eu não chegaria perto daquele monstro tão cedo!

Com ambos os cavalos soltos, ele me chamou para acompanhá-lo e me entregou meu embrulho de roupa.

Ele se dirigiu ao chalé mais próximo e subiu os degraus com lentidão. Eu, o seguindo, não pude deixar de notar que sua bunda estava suja da fricção com o pelo do cavalo. Sorri. Se ele me estressasse, aquilo seria uma boa carta na manga.

Abrindo a porta, vislumbrei uma sala ampla. Ela tinha lareira, um tapete que eu poderia nadar, uma mesa de centro baixa e a bancada da cozinha fazia a divisória dos cômodos. E mais ao canto, tinha um lavabo dividindo espaço com uma escada.

— Você pode subir para escolher uma cama, antes que os desesperados cheguem. — Ele me falou enquanto se dirigia à cozinha.

Não respondi, simplesmente comecei a subir.

Lá em cima, me deparei com duas portas e uma sala pequena.

Uma das portas era um banheiro com direito a hidromassagem e o outra era um cova coletiva. Não tinha descrição melhor. Imagine nichos de uma galeria de arte, agora, aumente o tamanho, coloque escadas nas laterais, e forre com um colchão. Ah, e uma cortina do tipo beliche de ônibus.

Peguei logo a primeira perto da porta e na parte de baixo, eu não iria me arriscar a ter que subir e descer daquilo no meio da noite. Coloquei meu embrulho de roupas e fechei a cortina para que os outros infelizes vissem que já estava ocupado.

Voltei para o andar inferior quando a falação do lado de fora era quase insuportável. Sebastian poderia ser ouvido a distância, se não fosse Magnus entrando no chalé eu teria pensado que eles ainda não tinham realmente chegado.

— Silêncio, Verlac, as árvores não estão interessadas na sua conversa.

— Dê álcool pra ela, Jace, mal chegou e já está resmungando. — Respondeu.

Da cozinha, ele apenas riu.

— Os cavalos já estão soltos, chefe. Podemos começar?

— Com certeza. Leve Sebastian com vocês, talvez ele descarregue um pouco essa animação.

— Esse fogo só vai apagar com uma coisa... — Murmurei.

— Acho que aí a coisa piora. — Izzy comentou do meu lado. — Você está bem?

Acenei brevemente com a cabeça, não queria voltar naquele momento assustador e ela aceitou isso apenas ficando em silêncio.

Correu escadas acima e de lá gritou que tinha pegado a melhor cama, aí a correria começou. E a discussão também.

Andei até onde Jace arrumava algumas coisas na parte de dentro da bancada e fiquei observando curiosa como ele cortava alguns pedaços de carne. Ele tinha uma habilidade impressionante com a faca.

— O que foi? — 'Me tirou dos devaneios.

— Nada. Só esperando o momento em que você vai cortar um dedo.

Ele sorriu.

— Isso não vai acontecer, lamento decepcioná-la.

Com os pedaços perfeitamente cortados, ele começou a temperar. Mergulhou cada um em um recipiente com um molho escuro, e reservou. Fiquei observando seus movimentos calmos enquanto pegava as coisas na cozinha; parecia fazer aquilo sempre.

Enquanto cortava as cebolas, Maia apareceu com um embrulho de lona nos braços e colocou sobre o balcão.

— Uma ajudinha seria bem vinda... — Ela pediu.

Esperei que ela desenrolasse a lona para eu descobrir o que eu teria que fazer e então eu pensei que ela iria me assassinar. Mas eram apenas espetos de metal. Ela queria ajuda para lavá-los.

Peguei metade e deixei ela com o restante. Fui até a pia e comecei a lavar. Pouco depois, senti uma presença às minhas costas:

— O que foi?

— Nada. Só esperando o momento em que você vai perder um dedo. — Ele me provocou.

Ri com escárnio.

Para quem não sabe, espeto de metal para churrasco tem corte nas laterais para enfiar a carne com mais facilidade.

Terminada minha tarefa, deixei que Maia usasse a pia e entreguei os espetos para Jace, que não demorou para enfiar ali tudo que ele havia preparado.

Em pouco tempo senti o cheiro de fumaça e ouvi a voz de Sebastian gritando que estava fazendo a dança da chuva.

Izzy desceu correndo as escadas para se juntar gritaria e eu tive que ir ver que merda estava acontecendo. E quase fui atropelada pela manada que desceu também as escadas.

Lá fora eu vi uma fogueira estranha e o bando de maluco que pulava alegremente ao redor dela.

— Vamos lá, Jace, dance com a gente! — Izzy chamou.

— E traga a anã! — Claro que foi o Verlac.

Jace apenas ignorou, meneando a cabeça, e voltou para dentro do chalé.

Ele me entregou dois suportes de metal, enquanto ele e Maia carregavam os espetos. Bufei. Eu poderia muito bem carregar aquelas coisas.

— Claro que não, Clary, o espeto é do seu tamanho.

Fechei a cara. Ele sabia que tinha me atingido.

Quando voltamos para fora, todos pararam de pular ao redor da fogueira, mas gritaram em aprovação.

Jordan pegou os suportes primeiro e foi encaixar na fogueira estranha. Deveria ser coisa dos pais do Jace.

Quatro madeiras enfiadas no chão formando um enorme V para cima, com madeira empilhada nas laterais. Essa era a fogueira.

— De acordo com que a madeira de baixo vai queimando, as de cima vão caindo e tomando o seu lugar. Esse fogo pode ficar aceso por mais de doze horas. — Jace explicou.

Jordan encaixou os suportes em cima das últimas madeiras empilhadas e ali, encaixou os espetos.

Quando tudo estava ajeitado, Jordan e Maia foram buscar uma última coisa. Bebidas. Verlac só faltou dar um beijo nos dois de tanta felicidade.

Sem frescura, todos se sentaram ao redor da fogueira, exceto Kadelie. Essa sentou no colo do Verlac, mas não por ser uma puta – por um milagre – mas por ser nojenta mesmo. Não quis se sujar.

Logo todos estavam conversando e eu apenas observando o crepitar do fogo. Daria uma bela fotografia.

Izzy se sentou ao meu lado e, falando baixo para não chamar a atenção de Jace, começou a me provocar:

— Gostando da companhia? Ou da paisagem? — 'Me cutucou com o cotovelo. — Pode falar, eu não conto pra ele.

Izzy não inspira confiança nessas horas.

Sorri, mas ignorei.

— Mas, sério, apenas relaxe, você vai ver que suas férias serão lindas se apenas aproveitar. — Virou-se para o loiro.

— Jace, dê um gole de álcool para a ruiva.

— Não. — Resisti.

— Ah, qual é, Clary?! Dessa vez ele aprendeu a lição. — Helen intrometeu.

— Não se preocupe, Clary, não vou te deixar em coma alcoólico. Pode beber. — Jace falou de um jeito tão convincente que me vi segurando o copo estendido na minha frente.

E tomei um gole.

Todos ovacionaram como se fosse um espetáculo.

Sebastian vaiou e mandou engolir mais. Mostrei-lhe o dedo médio e me virei para minha amiga, mas ela já havia se levantado, deixando-me entre os lobos, para se sentar ao lado de Simon.


Eu já estava meio tonta quando Maia apareceu com um violão. Magnus Bane pegou o instrumento e começou a arranhar alguma música de Avril Lavigne. Por pouco tempo, porque começaram a lhe jogar pedaços de gordura da carne e latas vazias de bebida.

Jace pediu para tocar uma música Maia e Jordan nem pestanejaram, acompanharam a melodia cantando, desafinando e esquecendo a letra, mas cantaram até o fim.

Assim que a música terminou, todos aplaudiram. Até mesmo eu o teria feito se isso não fosse denunciar meu estado de embriaguez. E assim a noite continuou: todos cantando e rindo, comendo e bebendo, me provocando e enchendo meu copo.

Em algum momento as pontas dos meus dedos ficaram dormentes, minha cabeça pesou e demorei para assimilar o que os outros falavam. Eu estava viajando completamente no tremular das chamas. As madeiras estavam pela metade, o que me fez perceber tardiamente que já havia se passado mais de cinco horas de bagunça na fogueira.

— Sono? — Uma voz familiar me perguntou e eu só acenei.

A última coisa que me lembro depois disso, é de ter acordado com a boca tão seca, e na cama, que parecia que eu tinha lambido sal grosso.

Minha cabeça estava pesada demais para levantar e acabei apagando de novo. Mas na segunda vez que meus olhos se abriram, a situação estava insuportável.

Chutei o cobertor para longe do meu corpo e arrastei minhas pernas para fora do nicho que era a cama. Todas as cortinas a minha frente estavam fechadas, concluí que a festa na fogueira deveria ter acabado também. Nunca estive tão errada.

Caminhei silenciosamente até a porta com a intenção de beber um litro d'água. Passei pelo banheiro e entrei no cômodo lateral apenas para ter uma visão horrível. Kadelie sentando em alguém e gemendo baixinho. O nicho de Sebastian estava fechado, o que me fez logo concluir que Jace era o cara por baixo da vadia.

Por algum motivo meus olhos se encheram de lágrimas e eu me virei de volta para o quarto tão rápido que bati em uma parede de músculo.

— Ei, calma, sou eu. — Esse era Jace.

Por impulso, o abracei.

— Se você quer fazer isso também, nós podemos ir lá para fora. — Falou no meu ouvido.

Senti um arrepio.

— Verlac, respeite meus hóspedes. — Ele deixou de sussurrar e se deixou ser percebido pelo casal.

Ouvi um barulho de alguém caindo no chão e palavrões. Muitos. Jace me arrastou de lá e me levou à cozinha.

— Está com sede?

Afirmei com a cabeça.

— Imaginei.

— O que está fazendo acordado a essa hora?

— A fogueira ainda está acesa lá fora, tenho que me certificar de que não vai começar um incêndio.

Silêncio.

Bebi minha água como um camelo que foi privado do líquido sagrado por um bom tempo. Devolvi o copo e o silêncio tomou conta por mais um tempo.

— Por que voltou correndo daquele jeito, nunca viu um casal fazendo sexo? — Seu sorriso estava me provocando.

— Não é isso... — Falei sem nem mesmo concordar com minhas palavras. — É estranho ver aquela vadia em cima do meu ex namorado.

— Ex namorado? — Seu rosto se contorceu.

Não respondi. Tinha falado de mais.

— Não sabia dessa. — Falou meio irritado.

— Não é algo que eu me orgulhe, mas estamos bem. Somos como irmãos, não deu certo por isso.

'Me repreendi mentalmente. Informação demais.

'Me calei.

— Vem comigo. — Ele me chamou.

Ele pegou um saco atrás da porta, e saímos do chalé indo até a fogueira.

— Eles não vão parar.

Desenrolando o 'saco' no chão, notei que se tratava de alguma coisa maluca dos seus pais. Era quase um colchão e ainda tinha um cobertor térmico. Eu não iria me enfiar ali com ele. De jeito nenhum.

— Não estou te convidando para fazer o mesmo que seu ex, só para deixar claro. Sente-se comigo um pouco. Olhe as estrelas. Pense em seus desenhos.

Sorri. Ele era idiota até mesmo falando coisas que poderiam ser consideradas 'fofas'.

Só a cabeça de ressaca para tirar essas conclusões.

Sentei ao seu lado no colchão e cobri minhas pernas com o cobertor. Era confortável, o fogo da fogueira já estava quase se extinguindo e o dia amanhecendo. As poucas estrelas formava um céu perfeito para desenhar.

— Aqui é muito lindo.

Não tive resposta. Olhei para o lado e peguei os olhos dourados me encarando.

— Que foi?

— Só tentando entender como você foi namorar o Verlac.

Ri, desconfortável.

Ficamos em silêncio. Deitei no colchão e me cobri mais para me proteger do vento frio que disparava por entre as árvores. Assisti a manhã chegar ao lado de Jace Herondale. Se alguém me dissesse isso no passado, eu teria estourado meus pulmões de tanto rir.

Ele não disse nada mais, apenas me fez companhia. E eu gostei.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.