Iron Hill
5 Into Insanity's Claws
Notas iniciais
Todos já tinham subido com suas malas e apenas eu tinha ficado na sala. Sentei no sofá que apesar de confortável, não estava me trazendo conforto nenhum. Simon estava com Izzy, eu não iria implorar para ele trocar de lugar comigo, não depois da nossa aposta. Ela tinha até se oferecido pouco antes de subir.
Entre Alec e Magnus eu nem me atreveria. Aline e Helen... Depois de tudo o que elas passaram naquela escola e família por causa desse namoro, acho que elas mereciam aquelas férias numa cama só para elas. E Sebastian estava me recusando! Até Kadelie eu aceitaria numa boa. Mas Herondale...
A sala ficou em silêncio, mas eu sabia que ele ainda estava ali. Coloquei a cabeça nas mãos e suspirei ponderando os prós e contras. Uma sombra se aproximou e ele agachou na minha frente, mas a uma distância segura.
— Os outros quartos estão interditados, não planejei isso, isso eu te juro. – Falou. – Eu posso te dar uma máscara e levo você para conferir. Mas não é sempre que tem uma empresa satisfeita em vir aqui para dedetizar o lugar.
— Tudo bem, eu vou dividir o quarto com você. – ‘Me rendi. Nâo era como se eu tivesse outra opção. Fugir à pé de birra não seria possível.
Vi um sorriso surgir no seu rosto.
— Eu não sou tão ruim assim. – Falou. – Vamos. – Ofereceu uma mão para eu levantar.
Recusei.
Passei à sua frente e esperei ele pegar minha mala. Subimos a escada e saímos em um corredor largo. Para a esquerda, três portas e para a direita, três portas. Ele me guiou para a direita até a porta no final do corredor. Até lá, passamos pelo quarto de Izzy e Simon com a porta aberta, conversando com Maia. A outra estava fechada.
Jace abriu a porta e eu consegui ficar ainda mais impressionada. Seu quarto não era de um adolescente. Uma parede de pedras e as outras brancas. Impecavelmente organizado. Uma estante de livros num canto, uma vitrola no outro, uma pilha de vinis por perto, uma poltrona reclinável perto de um abajur, uma cama enorme e...
— Você pode colocar suas roupas no closet, tem bastante espaço ainda. Se quiser pode tomar um banho, é logo ali – ‘Me indicou uma porta de correr. – O closet tem porta no banheiro. ‘Nos encontre lá em baixo em meia hora.
Dizendo tudo rapidamente, ele saiu e fechou a porta com um pouco de força. Finalmente soltei a respiração que nem notei estar prendendo.
De frente para a cama tinha um negócio estranho na parede branca, parecia uma janela, mas não dava para enxergar através, toquei só por curiosidade e tinha uma textura gelada, diferente de uma parede. Dei de ombros, não era como se fosse sair um monstro dos jogos de Simon para me comer.
Arrastei minha mala até a porta do banheiro e com um esforço, abri. Aquilo era de outro mundo. Era escuro, ao acender a luz, notei que as laterais eram vermelhas e as no teto eram comuns. Se as laterais estivessem acesas, aquilo daria um banheiro de filme pornô, daqueles que eu já tinha surpreendido Sebastian assistindo.
Senti meu rosto arder só com a lembrança. Foi um dia terrível. Quase expulsando cérebro pelos ouvidos, puxei a mala para dentro e fechei a porta e apertei o botão que tinha um cadeado esperando que trancasse. Tentei abrir e ela não se mexeu, fiquei feliz.
Olhei ao redor e além da banheira gigante e o chuveiro que caberia o time de basquete todo lá dentro, tinha uma privada metida a besta, uma pia com um espelho sem moldura e uma porta. Andei até ela e procurei um lugar para abrir, mas simplesmente não tinha maçaneta.
Tentei empurrar em todas as direções, mas ela nem se movia. Só ara não falar que não tentei, deu algumas batidinhas na porta, mas ela continuou imóvel. Já estava me deixando irritada toda aquela riqueza exagerada. Fiquei imaginando se Valentine Morgenstern também vivia assim.
Desistindo, abri a mala no chão do espaçoso banheiro e peguei uma roupa mais fresca que a que eu vesti para a escola. Deixei a mala encostada perto da porta e fui para a ducha. Não posso deixar de comentar que me senti envergonhada de tomar banho naquele negócio. Não parecia normal, era espaço vazio demais.
Mas de uma coisa eu tinha certeza, aquilo era muito bom. A pressão da água era perfeita e a temperatura também. Meu banho não foi demorado, foi apenas para relaxar da viagem e a bomba do sorteio dos quartos. Aquilo foi injusto.
Vesti um short e uma camiseta meio larga e desci ainda com o cabelo molhado. Estava todo mundo espalhado na sala. Pelos sofás e o tapete.
Magnus vestia uma bermuda roxa quase fluorescente com uma camiseta verde no mesmo estilo. Estava me cegando. Izzy com um short e a parte superior de um biquíni; enquanto os outros garotos estavam sem camisa e as garotas estavam emboladas num sofá ao ponto de não dar para identificar qual era roupa de quem.
Kadelie ainda não estava lá e eu notei a ausência de Jace.
— Volte lá para cima se quiser desfrutar da piscina do Herondale. – Izzy comentou.
— Estou bem. – Não. De jeito nenhum.
Quase um tempo cronometrado, Jace apareceu em uma porta gritando:
— Pessoas, sigam-me!
Não tive tempo de me sentar, então, eu estava praticamente liderando o grupo, o que não foi muito legal porque eu quase me perdi. Não iria gritar para ele me esperar, mas, por sorte, Maia chegou para salvar o dia.
Fomos conduzidos por alguns corredores até atravessar toda aquela mansão, eu senti que estávamos do lado oposto ao que chegamos. Naquela parte tinha uma sala de jogos enorme, claro, quase um cassino de verdade; e para sair dela, uma porta de vidro que ocupava quase a parede inteira.. Ao nos aproximar, sensores abriram as portas e o cheiro de comida fez meu estômago roncar.
Tinha uma piscina nas proporções da casa, com direito a cascata e bar aquático; e o cheiro vinha de uma churrasqueira, pra onde Maia correu quando chegamos em segurança sem nos perder no caminho.
Jace já estava sem camisa, andando ao redor da piscina, mas não estava molhado. E, tenho que admitir, aquela era uma visão linda. Só deixaria pior para mim para resistir àquilo quando ele me provocasse numa próxima vez. Abrindo os braços, ele disse:
— Divirtam-se, mas não exagerem, é só para começar! – Virando para o bar aquático, gritou. – Jordan!
E uma música eletrônica começou a tocar.
Mal saímos da direção da porta e um ser descontrolado passou correndo por ela e pulou na piscina. Sebastian. Revirei os olhos.
Emergindo e soltando um urro de aprovação, ele começou a dançar dentro da água.
— Vamos lá, Iz!
— Ué, não era você quem estava morrendo de fome duas horas atrás? – Perguntei.
— Já comi, Clary, se é que me entende. – Respondeu com um sorriso sujo.
No mesmo instante, Kadelie passou por mim, batendo a aba daquele ‘sombrero’ falsificado na minha cara e indo se espalhar numa espreguiçadeira.
Argh!
Aline foi para a piscina enquanto Helen me puxou para uma espreguiçadeira no lado oposto ao que a piranha estava se grelhando. Nem reclamei. Magnus puxou Simon e me abandonaram ali, sozinha, com Helen. E Jace.
— Então... já discutiram para ver quem dorme em qual lado da cama? – ela brincou.
— Nem brinca. Tem uma poltrona, acho que vou dormir lá. Ou no banheiro. Tem espaço, sabia?
Ela gargalhou.
— Duvido! Quando vir aquele pedaço de homem seminu na cama, vai pedir até para dormir em cima dele.
Tive que lhe dar um tapa. Ele estava se aproximando.
— Meninas. – Colocou uma travessa de carne na mesa entre nós. – O que querem para beber? Algo bem forte, Helen?
— Com certeza!
— E você, Clary?
— Água. – Respondi seca.
Ele gargalhou. Era um som tão... bonito, que eu quase sorri junto.
— Nem pensar! – A traíra do meu lado falou. – Surpreenda essa ruiva.
— Pode deixar.
Assim que ele se afastou o suficiente para não nos ouvir, ela se justificou.
— Beba. Fique meio louca. Assim terá uma desculpa por tê-lo agarrado à noite e nem vai precisar dormir no banheiro. Duvido que ele beba pouco o suficiente para se lembrar de tudo depois. – Piscou.
Talvez ela tivesse um ponto. Mas eu ainda estava meio desconfortável naquele lugar.
Começamos a comer, devagar, apensa apreciando o gosto bom que a fome te faz sentir. Assisti os malucos na piscina brincando como crianças felizes, empurrando e afogando uns aos outros, até que uma sombra passou por mim e se agachou ao meu lado, apoiando na espreguiçadeira.
— Não é forte. Experimente. – Olhei aquele ouro dos seus olhos e depois o copo. Tinha até um guarda chuvinha colorido .
Peguei. Cheirei. Ele sorriu. Bebi uma gota. E salivei. Aquilo era maravilhoso. Era doce e o álcool quase não se fazia presente no gosto. Seu sorriso alargou.
— Quando quiser mais é só pedir. – Falou ao se levantar.
— Hum... acho que você queria beber isso direto do corpo dele.
— Shiu. Nem mais uma palavra, Blackthorn
Virou mais um gole da sua bebida depois de rir mais um pouco da minha cara. Era certo que eu estava quase camuflando com meu cabelo. Típico. Eu tinha que aprender a controlar aquilo, mas era... involuntário demais.
E assim a tarde foi correndo.
Quando o álcool começou a subir à cabeça de todo mundo, Sebastian jogou Kadelie com roupa e chapéu dentro da piscina, gritando sem parar, Helen fez topless e pulou nas costas do Magnus, o que gerou uma pequena discussão com Aline ciumenta.
Alec estava tentando se manter a distância do Bane, mas o cara do short roxo estava determinado a parar às costas do moreno e encoxá-lo. Jordan estava do lado de dentro do bar, servindo e bebendo ao mesmo tempo e às vezes Maia saía da churrasqueira e a deixava para Jace para se agarrar um pouco com Jordan, e foi numa dessa que ganhei companhia.
— Por que ainda não está lá? – Ele sentou ao meu lado com duas bebidas na mão. – Essa é um pouco mais forte, mas é boa. – ‘Me entregou.
Sob leve efeito do álcool, aceitei e nem discuti. Eu não estava tonta, mas o calor gostoso no corpo já tinha me pegado. E eu me sentia mais leve, me sentindo capaz de sentar e conversar com o Herondale tranquilamente por horas. Mas não o respondi, apenas perguntei.
— Jordan e Maia trabalham aqui?
Ele ficou em silêncio e tomou um gole da sua bebida.
— Eles não parecem seus funcionários. – Complementei.
— Sim e não. – Ele demorou a responder. – Eu não deveria falar isso, mas você não é fofoqueira como Izzy. – Riu levemente. – Eu acho.
Bebi mais um pouco da bebida. O gosto era bom e o álcool já não era o problema. Eu só queria algo para me ocupar sem ter que admirar Jace ao meu lado.
— Eles tinham uma vida ruim numa gangue, trabalhando num disk entrega chinês bolorento. Éramos amigos. Aí quando me mudei, ofereci esse emprego.
Fiquei em silêncio. Aquilo não era algo que aquele cara do primeiro dia de aula faria por alguém.
— Casal! – Alguém gritou da piscina. – Vamos jogar, não querem participar?
— Não, Bane, alguém tem que ser o salva-vidas. – Jace respondeu.
— Estou me afogando, Goldie. Socorro! – Aquele gay escandaloso começou a fingir um afogamento. E do nada parou para perguntar: — Tenho direito a respiração boca-a-boca, não é?
Todos nós gargalhamos. Magnus Bane sóbrio já não era legal, bêbado então... Beirava o insuportável.
— Vou acender as luzes do jardim, já volto. – Ele se levantou.
Bebi mais. Talvez aquela bebida pudesse me fazer enxergá-lo de outra forma. Estava terminando o copo quando ele voltou e puxou-o da minha mão.
— Devagar, Fray. Temos uma noite longa pela frente...
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