Irmãos de Sangue
12 Capítulo 12 - Ponto de Partida
Notas iniciais
– Querido diário — sussurou Mônica — isso não é frustrante? Deixei você na mala do carro do lado de fora e são duas da manhã — Ela enfiava os dedos na terra úmida fazendo buracos no chão gelado — E estou com medo de sair... no escuro... E pegar você de volta, mesmo com as prováveis chances de Do Contra estar lendo você neste momento.
–Então aqui estou eu — disse com brandura — numa barraca de acampar. Este é o meu registro de diário por hoje. Aliás, temos uma regra nessa viajem de carro... Eu durmo na barraca e Do Contra e Cebola dormem ''ao relento'' . Isto é, assim que Cebola chegar assim que ter certeza que tudo está na mais santa paz lá no limoeiro, porque se ele estivesse aqui eu não estaria sozinha nessa barraca — Ela deu uma pausa e depois continuou — Essa é a parte que você se pergunta o por que de Do Contra não estar aqui comigo... Além do fato dele ter que ver se estou em segurança — o que ele faz em tipo, a cada cinco segundos — Eu sei que ele tem suas escapadinhas para fazer os seus '' lanchinhos'' o que eu me recuso a pensar nesse momento. — Outra pausa -Mas fazer o quê?! Quando se está sendo perseguida por um vampiro maluco por seu sangue ser alguma coisa mística capaz de te tornar invencível, além do fato de o meu sangue ser irresistível para os vampiros... Não, acho que eu não tenho nada para reclamar.
Ela riu.
Assim um pensamento passa pela sua cabeça : Precisamos nos livrar do Jaguar — É grande demais, vermelho demais, chamativo demais quando se está tentando não ser lembrado ao viajar até um lugar onde eu poderia ficar á salvo do vampiro que faz questão de querer enfiar as presas no meu pescoço.
– Do Contra tem uma solução : Ele quer me tornar uma vampira. Mas eu não quero ser uma vampira, eu nunca quis ser uma. Mas eu tenho que dar créditos á ele, ele está sendo um bom menino na viajem, tirando o fato de eu pertencer á ele — Não por vontade própria mas eu realmente pertenço á ele, e é isso que acontece quando se troca sangue com alguém. Mas eu juro, diário, foi por pura necessidade.
O gravador do celular. Ela pensou. Não era o diário ideal, mas tem que servir.
Por um momento ela ficou sentada com o punho cerrado junto ao joelho. Uma vozinha em sua cabeça lhe dizia : '' Então, pare de reclamar, Mônica, e pense.Pense.Comece o início.''
Do início?!Que início? Cebola?
Não, ela já vivia no Limoeiro muito antes de Cebola chegar.
Aos poucos quase de um jeito sonhador, ela falou ao celular :
– Em primeiro lugar: quem sou eu? Sou Mônica Souza e tenho 18 anos. — Ainda mais lentamente e continuou: — Eu... Não acho que seja presunção minha dizer que sou bonita. Se não achasse isso, nunca me olharia no espelho e nem receberia elogios. Não é algo que deva me orgulhar...É só uma coisa que me foi passada geneticamente...
– Eu sempre usei muitos meninos. Eu simplesmente os usava... pela popularidade, por diversão, ou para qualquer coisa. Estou sendo sincera não é? Eu os considerava brinquedos ou troféus — Ela parou — Até que me apareceu um menino especial. — Ela parou. Engoliu em seco e disse novamente — Um menino muito especial.
'' Seu nome era Cebola Salvatore.
'' E ele por acaso não era o que parecia, um aluno normal — mas lindo — do último ano.
'' Cebola Salvatore por acaso era um vampiro.
'' Um vampiro de verdade ''
Mônica, sufocada, teve que parar para tomar ar, antes de pronunciar as palavras seguintes.
– E Do Contra, o irmão dele, era igualmente lindo.
Ela mordeu os lábios e pareceu se passar muito tempo antes de acrescentar :
– O que Do Contra diz é que ele quer me transformar em vampira para eu me tornar a sua Princesa das Trevas. O que me traduz por: ele me quer só pra ele. Mas eu não confiaria nele, a não ser que ele me dê a sua palavra, pois ele jamais deixa de cumprir com a sua palavra; é uma idéia fixa que ele tem.
Ela sorrio.
– Uma menina envolvida com dois vampiros... Bom, é claro que eu ia ter problemas, não é? Então talvez eu tenha merecido o que eu recebi.
Eu morri. Ou melhor, eu quase morri... Estou aqui hoje é só graça á Do Contra,e, surpresa, foi exatamente por isso que eu pertenço a ele.
Ela suspirou — E pensando que á pouco tempo eu ainda era eu, Mônica.
''Mas agora eu não tenho mais nada do que reclamar, eu já me ferrei mesmo '' — Ela parecia juntar os ponto — não teria mais nada há fazer.
Mas, vamos ser mais diretos, digamos que tudo começou nessa manhã fria de Segunda — outro ponto importante, aquela pessoa MARAVILHOSA que é o D.C teve a brilhante ideia de compelir os meus pais, e eu não me sentia a vontade com a ideia, uma coisa ainda mais legal.. eu vou perder as minhas últimas duas semanas de aula. Nisso eu me sinto plenamente a vontade de fazer, sempre fui uma ótima aluna, já passei de ano... não me importo e ficar esse tempo sem ver meus professores -
- EU ME RECUSO A IR NISSO — Aquele menino é insistente, se bem que a palavra menino, ainda assim poderia soar plenamente aterrorizante quando se tratava dele.
- É só um carro, cara!
- Vou perder toda a minha reputação... — Ele retrucou, eu pensei em rir, mas eu tinha amor a minha vida, mas foi meio que impossivel, do jeito que ele falou, parecia uma criança mimada.
FERROU! — cheguei a pensar em todas as coisas ruins que ele estaria disposta a fazer comigo fechei os meus olhos e me preparei mentalmente.
Risadas.
Eu havia mesmo escutado risadas, eu abri meus olhos cuidadosamente e receosa, e em deparei com uma cena ilária.
D.C ria que nem um porco na minha frente, isso era tão contagioso, então eu ri.
Eu e eles riamos de uma coisa que nenhum de nós sabia ao certo, talvez eu estivesse rindo da risada dele, e ele do meu medo. Nenhum de nós tinha muita certeza.
Por uma fração de segundo eu cheguei a pensar que talvez no fundo no fundo ele fosse uma pessoa incrível. Não, pessoas, ele não se encaixava nesse grupo
Eu pensei em todas as razões pela qual Sarah se apaixonara por ele também. Eu simplesmente não consegui entender muito bem o porque de Sarah ter ficado na dúvida tão grande a chegar ao ponto de morrer. Eu simplesmente não conseguia entender como alguem poderia ficar em dúvida em relação a Cebola. Ele era a pessoa mais maravilhosa que eu já vira em minha vida.
D.C realmente, deveria ser uma coisa especial para ela ficar em dúvida. Ele deveria ser uma pessoa incrivel antes de cair na tristeza mórbita por Sarah, eu estava nesse momento com raiva dela. Então talvez, apenas talvez, eu poderia ter me apaixonado por D.C também, mas apenas talvez.
Caham!
Cebola. Pensei, quando nossas risadas histéricas foram cortadas pela figura a minha frente.
Corri para o abraça-lo
— Eu queria tanto que você pudesse ir — Eu fiz biquinho para Cebola que pareceu levemente ficar ipnotizado, ele se recompos.
- Também gostaria de poder ir — Ele comentou cabisbaixo e a vontade de o abraçar retomou, e eu o fiz.
- Eu te amo. — Ele pareceu ter soltado sem querer, e logo após ficou com medo da minha reação, até D.C parecia interessado.
Eu não sabia o que responder, mesmo sabendo que cada célula do meu corpo sentia o mesmo, ele era um vampiro, e nao poderia deixar de ser. Eu queria poder demonstrar o que sinto mas a única coisa que saiu foi.
- Você tem bom gosto, então.
D.C riu.
Cebola também riu, mas no fundo eu senti que ele ficou um pouco ofendido pela resposta, talvez estivesse sofrendo.
- Que romantico hein? — D.C brincou, Cebola pareceu ter ficado ainda mais triste.
Tudo passou tão rapido, só me lembro de um...
- Eu também te amo.
Fale com o autor