Irmãos de Escudo

1 Irmãos de Escudo


Notas iniciais
Aproveitem :)

A costa já havia despontado no horizonte à algum tempo. Os homens estavam ansiosos, quem não remava, se remexia na agonia causada pela espera. Uma pequena força de homens munidos havia sido comovida para a praia onde iriam desembarcar. O navio começava a ganhar velocidade, conforme deslizava pelas ondas indo contra a costa. Aquele momento exigia certa precisão do comando.

—SOLTAR ÂNCORA!

O homem no comando atravessou o navio, se colocando à olhar para a costa. Um sorriso brincava em seus lábios. Todos os homens sorriam, alguns mais radiantes. Estavam ansiosos para se provar aos deuses, para brilhar, sob a vista dos asgardianos. Um som de algo pesado caindo contra a água se fez ouvir, o navio desacelera, até que se sente um tranco inofensivo chacoalhar o navio.

—RECOLHER OS REMOS, IRMÃOS!

Todos aqueles que estavam sentados, lutando contra a maré, se botaram a manusear os remos. Alguns homens os ajudavam nessa tarefa, ansiosos pela carnificina. A vela já se encontrava recolhida. Olhara em volta, procurando por alguém despreparado. Não se era possível encontrar, então, saltou sobre a amurada, ficando em pé na água. A água batia em seus quadris, atrás dele, seus homens rugiram e seguiram o exemplo. Por volta de trinta splashs, ele avançou contra a costa. Os homens seguiram-o, gritando em ânimo. Na areia, os saxões tremiam diante da barbárie, temendo a morte. Temendo pelo seus pecados, ante homens dispostos e ansiosos pela morte gloriosa. Se postaram em falange, o homem da direita protegendo o homem à sua esquerda. Uma formação impenetrável, não ser por um erro fatal. Uma pedra crítica faltando naquele alicerce. O medo. Por volta de trinta bárbaros tiveram de morrer, pelas lanças dos saxões, até que a formação fosse rompida. Um homem titubeara diante de um golpe desferido contra a brecha dos escudos. O atacante morrera, mas o homem atrás dele não perdera a oportunidade. Rompera a falange, tomado pela ira que regia seus músculos. Naquele quesito, cumprira sua função com excelência. Sua boca espumava, seus olhos injetados, e seu rosto coberto pelo sangue do homem que vacilara diante do temor. Um golpe mal desferido cortara-lhe a coxa esquerda, não sentira a dor, a fúria o cegava. O choque nos homens ao seu redor começava a se esvair. Os homens não tinham opção, mantinham a falange, ou combatiam o intruso berserkr. Escolhas distintas foram tomadas, alguns optaram por manter a falange, outros, por eliminar o invasor. Por esse motivo, a falange fora quebrada, os nórdicos invadiram as linhas inimigas, desferindo ataques brutos e raivosos com seus machados. O berserkr virara um turbilhão de golpes, sangue respingava contra seu peitoral nu. Cada golpe que o atingia, parecia apenas aumentar sua ira, sua potência. Cravara o machado contra o rosto de um saxão, cortando-lhe metade do crânio pela metade. O nariz jorrava sangue, os olhos em suas órbitas vazias. Retirara o machado de seu crânio e desvisra de um ataque desferido na horizontal contra seu pescoço, com um passo para trás. Se jogando contra o atacante, rasgando-lhe o abdômen e vendo suas entranhas jorrarem sobre seu machado. Ria, regojizante, sobre o combate, dizimando saxão atrás de saxão. Louco e enfurecido, pensando em sua breve festança com Odin. Estava este preste a cortar fora o braço de um saxão ocupado com um de seus companheiros de escudo, quando uma lança despontara para fora de seu peito. A dor finalmente lhe alcançara. Gritou, agora, um grito agonizante. Então, caira no chão sem vida. Um sorriso ainda estampado em seu rosto. Mais tarde, seus companheiros podiam jurar que haviam visto as valquirias levarem sua alma na forma de um urso, não na de um homem. O crânio do homem que desferira tal ingrato golpe, fora esmagado como uma polpa pelo irmão do berserkr aqui morto. À toda volta, homens morriam, em sua maioria, saxões oferecendo um mínimo ridículo de resistência. Crânios esmagados, partidos e fatiados. Narizes decepados e decepados. Todos os homens, dos saxões aos nórdicos, estavam sujos das cabeças aos pés de sangue. Incontáveis ferimentos das mais variadas gravidades. Uma pilha de mortos se postava aos pés dos quatorze nórdicos sobreviventes, que neste momento, adentravam o continente, em busca de riquezas. Horas depois, à luz do lual, quando ninguém estava à olhar, Odin desceu à Midgard. Ele e sua armada de valquirias. As honoraveis valquirias levavam os gloriosos ao banquete divino. Enquanto, Geri e Freki, guloso e avarento, devoraram os corpos dos indignos. Odin caminhava, fitando a morte, com seu único olho, sua recompensa pelo sacrifício, Huginn e Muninn, um em cada ombro.

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