Irmãos Salem – Dois lado de um todo
2 Capitulo 02 – Primeiro dia de vida
— Meu bem, acorde. – Madame Prince me acordava com uma bandeja com meu café.
Agradeci enquanto sentava e logo comi, minha cabeça doía menos, mas mesmo assim nenhuma memoria me vinha, sai da cama pela primeira vez sentindo meu corpo se arrepiar com o chão frio, coloquei o que parecia um uniforme com camisa social branca e saia preta, um terninho com um símbolo verde que tinha uma cobra no meio.
— E o brasão da nossa casa, Sonserina. – Sebastian estava parado na porta da enfermaria me olhando com um sorriso.
— Sonserina? – tentei lembrar alguma referência porem nada me vinha em mente.
— Tudo bem, e só um clube que dividimos o dormitórios e competimos com outros três, você logo se acostuma. – ele veio em minha direção e acariciou minha cabeça.
— Certo. – sorri para ele colocando minhas coisas na bolsa, e ele pegou da minha mãe colocando no seu ombro.
Saímos da enfermaria e fomos em direção a um corredor que estava movimentado e por instinto fiquei mais perto de Sebastian.
— Já tomou café? – ele parou de repente perguntando.
— Sim, Madame Prince levou para mim. – ele sorriu e pegou minha mão atravessando um corredor cheio.
— Nós vamos para aula? – tentei ficar calma, mas eu não sabia nada, eu ainda estava processando que era uma bruxa e estava em Hogwarts, ou algo assim.
— Sim, temos feitiços com a Prefº. Minerva. – ele continuou andando segurando minha mão.
— Mas eu não lembro de nada. – parei no meio do caminho me sentindo confusa.
— Não tem problema, você é brilhante e eu vou estar lá para te ajudar em tudo. – ele sorriu e voltou a me guiar. – Agora temos que ir se não vamos nos atrasar.
A sala estava cheia e por sorte chegamos junto com uma professora de olhar severo, seu cabelo em um coque rígido e vestes longas em um tom verde escuro, a aula foi confusa e um pouco assustadora, mas Sebastian sempre me explicava tudo devagar e com paciência e a professora já sabia de minhas condições então não exigiu muito de mim, mas no fim eu consegui executar um feitiço de transformação de forma perfeita, mesmo que a varinha na minha mão não me fosse familiar, ela parecia tão certa.
Ao longo do dia fui relaxando e logo eu me senti mais à vontade com tudo ao meu redor.
— Vamos almoçar, estou morrendo de fome. – Sebastian levava nossas bolsas.
— Certo. – respondi animada, tínhamos acabado de sair da aula de herbologia e eu tinha simplesmente amado.
— Você parece bem. – uma garota que andava ao meu lado falou.
Tentei pensar em alguma coisa para falar porem nada me vinha, nem mesmo quem ela era, tinha os cabelos loiros e compridos e olhos incrivelmente verdes.
— Eu sou Cindy, sua amiga. – ela falou como se fosse obvio.
— Ah. – respondi me sentindo incomodada.
Percebi que Sebastian tinha um olho em mim, e quando viu que eu olhei para ele sorriu me acalmando, logo chegamos um salão com quatro mesas enormes e cheia de comida, nos sentamos na da ponta e logo começamos a comer, a garota logo começou a falar com uma menina de cabelos castanho que descobrir ser Rebeca conforme falavam, Sebastian estava quieto ao meu lado e eu tentei me concentrar em comer, o restante das aulas foi tranquilo, Sebastian estava sempre comigo me ajudando e os professores foram compreensivos, e por sorte Damian estava em duas delas, mas não se aproximou e logo estávamos indo para o salão comunal que era nossa sala de estar.
— Seu dormitório e o segundo a direita, sua cama e a da janela, se precisar de alguma coisa vou estar aqui em baixo. – Sebastian me mostrou a escada e logo subiu outra.
Fiquei um pouco nervosa, mas relaxei quando vi que dividia com Cindy e Rebeca que falaram comigo de forma normal e quando tocavam um assunto que não sabia logo me explicavam ou simplesmente mudavam para que eu pudesse me integrar, e assim tomei banho e fui dormir me sentindo mais leve.
No dia seguinte me arrumei e por um momento senti um choque quando me olhei no espelho, meu cabelos negros até o quadril e olhos castanhos claros beirando o mel, fiquei parada olhando até que Cindy me chamou a atenção perguntando se estava tudo bem, dando uma desculpa qualquer que estava com dor de cabeça terminei de me arrumar, peguei minhas coisas e desci encontrando Sebastian sentando em uma poltrona lendo.
— Bom dia. – falei sentando no braço da poltrona.
— Bom dia, você está bonita hoje. – ele sorriu para mim fechando o livro. – Vamos?
Ele se levantou colocando o livro na bolsa e olhando para mim com expectativa, senti me rosto queimar de vergonha tentando formular minha pergunta que tinha em mente a dois minutos atrás.
— Está tudo bem? – ele tocou minha bochecha chegando mais perto e pude ver um tom de mel em seus olhos.
— Ela disse que estava com dor de cabeça. – a voz da Cindy na escada me assustou.
— E melhor irmos na enfermaria então. – ele sorriu para mim pegando minha bolsa e minha mão me guiando pelos corredores.
— Sebastian... – tentei formular minha frase, mas minha garganta travou e mais uma vez meu rosto esquentou.
— Está doendo muito? – sua preocupação era palpável quando ele parou no corredor me olhando atento.
— Eu queria te perguntar uma coisa. – tentei tomar coragem mais uma vez.
— Claro, você pode me perguntar o que quiser. – ele sorriu com carinho mais uma vez esperando com paciência.
— Nós somos gêmeos? – minha voz era baixa mas eu podia ver que ele tinha ouvido.
— Sim nós somos. — ele riu olhando para mim com satisfação.
— Eu só me vi no espelho hoje. – tentei explicar me sentindo tímida.
— Entendo, bom era isso então, por isso estava estranha? – ele bagunçou meu cabelo mudando de corredor.
— Aonde estamos indo?
— Tomar café. – ele sorriu ainda me guiando pela mão.
Tomamos café com calma quando uma coruja parou na minha frente me bicando de leve.
— Correio do papai. – Sebastian tentou pegar a carta mais a coruja fugiu dele.
— Vem aqui. – estiquei a mão e ela obedientemente pousou e peguei a carta e logo ela saiu voando.
Entreguei para Sebastian que sorriu para mim e abriu a carta lendo com calma enquanto eu comia uma torada.
— Nosso pai nos quer em casa na sexta feira para passarmos o fim de semana em casa, segundo a carta ele está preocupado com o que aconteceu com você. – Sebastian não parecia muito feliz sobre isso.
— Ele é mal? – falei olhando para ele que segurou meu olhar antes de sorrir.
— Pode se dizer que sim, mas não se preocupe eu não vou deixar ele te fazer mal, nunca deixei. – ele beijou o topo da minha cabeça se levantando.
— Já temos que ir? – fiz cara de choro tentando convencê-lo a ficar mais um pouco.
— Hoje temos aula de poção com Snape, e acredite em mim quando digo que ele não tolera atrasos. – ele fez uma cara de assustado e logo concordei levantando e seguindo ele.
A aula de poções foi fascinante e logo me pegue no decorrer da semana aproveitando e aprendendo, já era sexta e tínhamos tempo livre de tarde o que era ótimo já que estava cheia de lições, estava sentada no salão comunal na mesa de centro tentando entender sobre a revolução dos Gnomos e o que isso queria realmente dizer, quando desisti e olhei para o lado, aonde Sebastian estava na poltrona lendo um livro de feitiços, fui engatinhando para perto dele que levantou a sobrancelha quando me viu sentando perto dos seus pés.
— Algum problema? – sua voz era rouca e baixa devido ao tempo que estávamos em silencio estudando.
— Preciso de ajuda. – sorri docemente do jeito que ele tinha reclamado de manhã quando me ajudou a ajudar a professora Minerva.
— Certo o que você precisa? – ele se sentou de frente com meu livro de pernas abertas.
Por um momento senti meu corpo esquentar enquanto sentava no meio das pernas dele e levantava o livro para que ele pudesse ver.
— O que você não está entendendo? – ele abraçou minha cintura e encontrou o queixo no meu ombro.
— Eu... – fiquei tentando me lembrar o que eu tinha tido dúvida mais o calor dele estava me desconcentrando.
— Algum problema? – ele me olhou e meu rosto esquentou.
— Quando eu acordei, você disse que tinha me encontrado... – ele pareceu empalidecer e então se levantou.
— Sim eu encontrei você desacordada na torre de Astronomia. – ele estava de costas pra mim olhando a lareira.
— O que aconteceu comigo? – tentei ficar calma, mas minha mente doeu um pouco se forçando a tentar lembrar.
Ele balançou a cabeça ainda de costas.
— Eu sinto muito. – seu olhar era triste quando se sentou ao meu lado e me abraçou.
— Não foi sua culpa. – falei o abraçando de volta, e senti ele me apertar mais.
— Acho melhor ir arrumar minha mala para o fim de semana. – falei me levantando também.
— Não precisa levar muitas coisas, estamos indo pra casa, você tem tudo lá e se faltar alguma coisa eu providencio. – ele sorriu para mim pegando o livro que ele lia antes e se sentando novamente.
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