Irmãos De Sangue

3 Capítulo 3 - Flashback


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– Ora, ora, até que a escola tem boas instalações. – Dissera Scott, observando o grande ginásio enquanto se despia.

Ele tivera tirado sua calça e camiseta, dobrando-as e colocando-as por cima da arquibancada junto com sua capa de vampiro. Por fim, apenas restando de roupas intimas e com uma dentadura de plástico na boca.

– A cueca, não? – Provocara Tory, rindo maliciosa.

Ela também já estava se despindo, começando pelo seu cardigan.

Scott olhou para a sua própria cintura e rebatera com um sorriso.

– Por hora, acho melhor continuar como está... Argh! É horrível falar com essa coisa – Dissera ele, tirando a dentadura da boca.

Após isso fora ajudar Tory a despir o restante de suas roupas, e descobrira ao puxar sua pólo que ela estivera usando um maiô por debaixo da mesma.

– Sabe, esse não era exatamente o combinado – Dissera o namorado, aproximando-se de Tory para sussurrar em seu ouvido ponderadamente – Acho que eles não vão gostar disso – Ele lançara um olhar significativo ao restante de seus amigos.

– Shhh! Tudo bem. Basta só você não contar... – Cochichara ela de volta com um risinho, enquanto apoiava delicadamente as mãos nos ombros de Scott e os massageava.

E foi isso. Brandon, Joshua e Christopher, não muito longe dali, não pareceram se importar ao terem visto Tory pular de maiô na piscina junto com Scott. Na verdade, eles estavam tão distraídos, que nem haviam percebido quando mais alguém tivera entrado ao local, juntando-se a eles.

– Desculpe interromper os pombinhos, mas não está na hora de começar essa festa? – Perguntara Sarah, dando um gole da garrafa de vodca que trazia consigo enquanto atravessava as portas da saída de emergência, passando por Tory e Scott.

Ela usava um conjunto de lingerie perolado, por debaixo de um robe de seda.

Tory animada por ver Sarah tivera dado um gritinho, chamando pela amiga.

– Pula! A água ta ótima! – Dissera Scott em seguida, convidando-a com um movimento de braço.

Ela apenas balançara a cabeça e caminhara em direção ao restante do grupo.

– Olá, queridos! – Dissera ao chegar, sentando-se na arquibancada, e apoiando a garrafa de Absolut ao seu lado, mesmo que essa rapidamente tivera sido pega por Joshua.

Ele cumprimentara a amiga com um sorriso de mal grado, dando um longo gole na garrafa de vodca que tinha pego, fazendo com que todo o liquido ardente percorresse por sua garganta e esquentasse o restante de seu corpo.

Por mais incrível que pareça Joshua não estava surpreso ao ver Scott e Tory assim. Juntos. Ele já imaginava que os dois ficariam se pegando a festa inteira. Mal sabia, que o jeito de como se sentia estava eminente aos outros.

Após cada um cumprimentar Sarah, Christopher tivera subido até o último degrau da arquibancada, deixando sua filmadora em uma posição que pudesse gravar toda a festinha particular deles. Enquanto isso, Brandon conectava seu ipod as caixas de som do ginásio, deixando a música rolar.

– Vamos lá, Joshua! Se solta! – Brincara ele com o amigo, fazendo um pequeno passo de dança.

Joshua dera de ombros, apenas dando mais um gole de vodca.

Em breve, ele estaria bêbado e nada mais importaria.

Quem começara a tirar sua roupa também fora Brandon, e quando estivera só de boxer aproveitara para dar uma piscadela de olho a recém-chegada.

– E ai? Gostou? – Perguntara ele com um sorriso.

– Ah, Brandon, querido! – Dissera Sarah, aproximando-se.

Ela soltara seu rabo de cavalo, deixando os longos cabelos castanhos caírem para trás, e caminhara até ele, ficando a sua frente. Sedosamente passara um dedo pelo rosto do menino, examinando sua barba mal feita. As bochechas dele pareceram se corar e Sarah sorriu satisfeita. Sua mão começara a descer pelo pescoço de Brandon, junto com os olhos, até o peitoral dele onde podia ouvir cada batimento cardíaco acelerado. Tamborilando. Da mesma forma que os dedos dela faziam sobre o seu peito. A garota mordera o lábio inferior, e seus olhos desceram ainda mais, atrevendo-se a examinar cada centímetro do corpo dele. O pomo de adão de Brandon subira e descera umas três vezes até que ela voltara a olhar-lhe fixo nos olhos. O contato de sua pele com a dele o excitava.

Então um largo sorriso se abrira ao rosto de Sarah, ao perceber uma leve protuberância na cueca de Brandon. E ela logo começara a rir, mostrando que tudo não passara de uma pequena provocação.

– Acho que não – Respondera por fim, enquanto o garoto ficava vermelho como um pimentão.

* * * * * *

Horas foram se passando, até que todos já estivessem bêbados o suficiente, nadando na piscina, e quase sem roupa alguma. Scott e Tory afastaram-se, indo para um canto onde poderiam ter espaço para brincarem intimamente. Sarah ficara conversando com os garotos perto da borda, e de vez em quando fazendo brincadeiras de um tentar afogar o outro.

O único que ficara sozinho fora Joshua. Ele estava deitado na arquibancada, quase dormindo, e eventualmente trocando de musica quando alguém pedia.

– Por favor. Alguém vai falar com ele – Pedira Christopher. Sentindo dó e ao mesmo tempo cansado da imagem de autopiedade que Joshua fazia de si mesmo. Chegava quase a ser ridículo.

Ele olhou para Sarah e ela disfarçara arrumando uma mecha de seus cabelos castanhos enquanto dava de ombros.

Brandon apenas tivera revirado os olhos.

– Tá legal, eu vou – Falara Chris, jogando um pouco de água nos dois e se afastando para a escada da piscina.

Quando tivera sentado na arquibancada ao lado de Joshua, o amigo nem parecera notar sua presença. Ele estava deitado de barriga para cima, cobrindo os olhos com seu antebraço enquanto ainda segurava a garrafa de vodca que tivera pegado de Sarah, anteriormente. Parecia um rottweiler — completamente bêbado — cuidando de sua ração, indisposto a dividi-la com ninguém. Só que agora, aquela garrafa de vodca, ou ração, já estava quase ao fim.

– O que pretende fazer quando isso acabar? – Perguntara Christopher, examinando seu amigo. Ele chegara a se perguntar se Joshua seria capaz de entrar em coma alcoólico.

– Arranjar outra – Respondera Joshua, com a voz completamente grogue e amargurada. Para complementar, dera mais um gole do gargalo da garrafa.

Christopher olhara de Joshua para seus outros dois amigos na piscina, esperando alguma ajuda deles. Mas tudo que Sarah e Brandon fizeram foi lançar um olhar curioso para ele.

Ótimo. Christopher suspirou e balançou a cabeça. Já vira que as coisas teriam que ser por conta própria.

– Qual é Josh, deixa disso – Falara ele, tentando tirar a garrafa da mão do amigo. Christopher percebeu que aquele não seria mais um dos outros momentos, em que Joshua e ele brincariam de se provocar, como o outro fazia tanto com Brandon. Agora era sério. O amigo realmente estava mal, e precisava de ajuda.

Porém, Christopher mal sabia que não deve se provocar um bêbado que sofre por amor.

Joshua gritara, puxando a garrafa de volta para si. E no final, ela escorregara de sua mão e acabara se estilhaçando ao chão. Todos olharam. Até mesmo Scott e Tory que pareciam estar em algum outro mundo a milhares de quilômetros dali.

Joshua se levantara, ficando de pé a frente de Christopher.

O garoto de cabelos e olhos castanhos, que era um pouco menor do que o loiro, demorou tentando encontrar nos olhos azuis turquesa de Joshua algum traço de seu velho amigo, mas ele não encontrara nada. Agora seus olhos estavam ameaçadoramente avermelhados junto com o restante do seu rosto, formando um sorriso nem um pouco cordial.

Christopher permitiu-se ficar com medo.

Joshua jogou os dois braços para frente, como se fosse empurrar o amigo, mas na verdade, nem tivera chegado a tocá-lo. E uma forte pressão partiu para cima de Christopher, e ele fora jogado alguns metros dali, até bater em uma coluna de concreto e cair ao chão.

Todos permaneceram em silêncio.

Tory olhou para Scott com um olhar significativo, e ele segurara sua mão, entendendo que precisava fazer alguma coisa a respeito.

Christopher começara a levantar-se lentamente.

De todos eles era ele que poderia ser considerado o mais cordial possível, mas agora pela expressão de seu rosto percebia-se que não parecia estar mais tão tranqüilo como antes.

Perto das portas da entrada do ginásio, existiam cestos de lixo reciclável, diferenciados por suas determinadas cores. Christopher fechou os olhos, e eles pareceram começar a tremer sozinhos. Em pouco tempo fumaça saíra de dentro de cada um, e logo todos estavam em chamas.

– Ok, já esta na hora de uma intervenção – Dissera Brandon, começando a subir pela borda da piscina com Sarah que vinha logo atrás. Scott e Tory também estavam se aproximando.

Mas quando Christopher abriu os olhos, já era tarde. Apenas com a vontade da sua mente, os cestos estavam levitando. Ele gesticulou os braços e os jogara na direção de Joshua, que desviava rapidamente a metros de distancia com sua telecinese.

Um dos cestos voou na direção de Sarah, e Brandon jogara-se em cima dela, para protegê-la. Ambos rolaram pelo chão desviando do cesto de lixo flamejante, com Brandon envolvendo a amiga em seus braços fortes.

Scott aproveitara do momento, para correr até Christopher, e fazê-lo se acalmar.

Por um segundo, o olhar de Joshua cruzou o de Tory, e isso tivera sido o suficiente para qualquer sua sensação de raiva esvanecer. A garota queria encará-lo com reprovação, mas tudo que exprimia era preocupação em seu olhar.

O que tinha acontecido com Joshua? Por que ele estava se comportando desse jeito?

Tory tremera ao pensar que de certa forma aquilo poderia ser sua culpa.

Joshua só de olhar para ela parecera ler seus pensamentos e sentira-se completamente descoberto, abaixando a cabeça, envergonhado por seu comportamento.

Os dois bruxos haviam sido domados.

Agora as coisas pareciam estar calmas novamente.

Sarah e Brandon ainda estavam enroscados no chão. Um agarrado ao outro, com ela em cima dele. Ao perceber que tudo tinha voltado ao normal, Sarah abriu os olhos.

Ela não queria admitir, mas tivera sido muito bom esses poucos segundos em que ela estivera deitada sobre Brandon, com sua cabeça apoiada no peitoral dele, que se mexia levemente a cada respiro que dava.

E então o peito de Brandon se enchera de ar quente, aspirando e espirando por mais uma ultima e profunda vez.

Sarah levantou a cabeça e olhara sorrindo para ele, pronta para agradecer por Brandon ter salvado a sua vida. Mas havia algo diferente. Os seus olhos estavam opacos, sem mais brilho algum, fixados em um ponto completamente vazio. Sarah demorara a entender, até que uma grande mancha vermelha de sangue começasse a surgir ao redor de Brandon.

– Ai meu Deus – Ela gritara de maneira estridente com o rosto coberto de lagrimas.

Isso tivera sido o suficiente para que todos olhassem.

Scott e Christopher que estavam um próximo do outro, sentiram suas pernas ficarem tremulas, como se a qualquer instante ambos pudessem cair ao chão.

Joshua finalmente conseguira sair do transe que os olhos de Tory provocavam nele, e quando olhara na direção de Sarah, seu estomago se embrulhara.

– O que aconteceu? – Perguntara Tory em um fio de voz, quase inaudível.

Scott correra para perto de Brandon, sentindo a pulsação do pescoço de seu amigo. Christopher tivera ido logo atrás, agora ajudando Sarah, que já estava ajoelhada a se levantar. Ele percebera que ela tivera cacos de vidro presos nas pernas, eles faziam certa quantidade de sangue fluir pelos pequenos cortes.

Tory continuara imóvel, não ousando se mover nem um centímetro de onde estava. Enquanto Joshua criava coragem para aproximar-se em pequenos passos.

Scott apoiara a cabeça no peito de Brandon, tentando ouvir os batimentos cardíacos dele.

Nada.

Então virara Brandon aos poucos, e vira que toda sua coluna vertebral estava perfurada por pedaços grossos de vidro, subindo da lombar, até o crânio, que se encontrava bastante danificado por um grande caco.

Joshua sentira seu estomago se embrulhar ainda mais.

Era vidro. Cacos de vidro pertencentes a uma garrafa de vodca.

Um gosto forte e amargo se espalhara por toda sua boca. Ele não agüentava mais. Antes que pudesse fazer mais alguma coisa virara-se e vomitara no chão.

Àquela hora a música já não fazia mais efeito algum.

Quem estava cantando no rádio era Marina And The Diamonds. O refrão de sua música ecoava das caixas de som por todo o ginásio, pesando na cabeça de cada um deles, mas ninguém parecia realmente ouvir.

Power and Control, gonna make your fool.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.