Notas iniciais
Agora sim! Na ordem certa <('-')> Ao menos espero que agora fique na ordem correta kk.

Eu tinha intenção de ir para um museu ou sei lá alguma livraria, mas por alguma razão algo me levou a seguir o caminho das folhas de cerejeiras, coisa da minha mãe. Ela fazia questão de plantar sementes dessas árvores por onde passava. Dizia que todo mundo merecia a visão dessa árvore tão bela que ela viu quando viajou para Tóquio em uma excursão durante seu ensino médio.

Sim, o vovô era bem desencanado, confiava na filha mais do que na própria mulher. Vovô tinha ciúmes até da sombra dela.

É impressionante que elas tenham crescido tanto em tão pouco tempo, desde que mamãe morreu que elas crescem metros toda a semana. Quase como se quisessem dar orgulho para aquela que lhes plantou. Como se crescerem normalmente fosse decepcionar mamãe.

E no final do caminho das cerejeiras, esse era o nome mais conhecido daquele lugar, havia um atelier. Imagino que era o atelier que mamãe queria que eu visitasse com ela. Como fui idiota! Eu amaria andar por ali com ela. E nesse momento algumas lágrimas escaparam de meus olhos eu as sequei com as mãos, respirei fundo e entrei no lugar.

Enxerguei o artista. Alto, moreno, olhos de um mel perfeito, esbelto, cabelos verde esmeralda. Quando ele notou minha presença tinha um olhar doce, meigos e preocupados. Como se me conhecesse há anos e notasse minha cara de choro.

‘Olá, o senhor é o artista certo?’ Deduzi isso, pela vestimenta. Ele estava com uma camisa preta com gola V, um cachecol verde lindo, um jeans escuro e uma boina preta. Tá, foi a boina que o delatou, mas isso não é lá muito importante.

‘Sim, sou eu mesmo! Richard Black, posso ajudá-la senhorita?’

‘Bom... Minha mãe adorava seus trabalhos’ Na verdade ela só faltava venerar esse artista, mas olhando para ele não tenho certeza se era pelo talento ou por sua beleza. Sim, o cabelo verde dele não diminuía sua beleza, na verdade não imagino nenhuma outra cor de cabelo que combinaria com ele.

Esse cara deve passar horas em academia diariamente. Que músculos! E com a blusa tão colada daquele jeito posso garantir que ele tinha um abdômen definido com vários gominhos. Laís foco, foco Laís. ‘ela dizia que era sua fã numero um. Meu pai até hoje morre de ciúmes do senhor’ Não posso mais culpá-lo por isso, ao menos não se meu pai o conheceu. ‘E eu estava pensando, tem forma melhor de apreciar uma pintura que com o próprio artista lhe informando que mensagem quis passar com o mesmo?’

‘Tua mãe também pintava?’ Ele perguntou enquanto caminhávamos olhando suas pinturas.

‘Não. Mas ela escrevia.’

‘Hum, uma escritora que gosta de pinturas?’ Eu assenti com a cabeça.

‘Hum, não me leve a mal, mas... o que diabos você quis dizer com esse quadro?’ Apontei e ele riu da minha cara de confusa. Depois de rir bastante ele finalmente seguiu meu dedo e parou na hora de rir. O quadro era simplesmente um monte de pontos vermelhos em uma tela preta.

‘Quais as chances de você ser a filha de Selene?’ Ele desviou o assunto.

‘Sim eu sou a filha dela, mas não desvie do assunto.’ Respondi.

‘Esse quadro foi o que eu pintei no dia em que eu soube da morte dela. O preto nada mais é que a escuridão que tomou posse de um coração que perdeu toda a luz de sua alma. E os pontos vermelhos nada mais é que pequenos buracos no mesmo coração por onde seu sangue escapa para você. Esse quadro nada mais é do que a mais pura aflição, ódio, raiva e desespero por querer não querer todo o sofrimento e dor no qual esse órgão vital que todos temos se encontra.’ Ele respondeu o tempo todo sorrindo.

Eu não soube o que lhe responder, então fiquei muda. O silêncio foi quebrado por ele.

‘Se não me engano, ela me disse que teu nome era Laís, certo?’ Ele perguntou.

‘Sim. Sou eu mesma.’ Sorri-lhe. ‘Como você a conheceu?’ Perguntei olhando para o quadro com um novo olhar.

‘Eu a conheci no ensino médio. Nós dois fomos na mesma excursão a Tóquio, ela era do primeiro ano e eu do segundo. Era uma mulher incrível. E embora teu pai não conseguisse acreditar ela nunca o traiu. Foi fiel a ele até o fim. Sempre cortava minhas cantadas com delicadeza ou então se fazia de desentendida.’ Ele sorriu.

‘Papai é ciumento mesmo. Sempre foi, mamãe nunca conseguiu mudar isso nele. Mas vocês se conhecem?’

‘Sim. Ele veio em uma de minhas exposições. Ele também não é muito bom em interpretar quadros.’ Ele piscou pra mim e eu ri. ‘E o que a trouxe aqui?’

‘Não sei direito, acho que foi a saudade dela. Acredito que eu queria me sentir mais perto dela. Então vim para cá, ver os quadros que ela tanto gostava. Hoje me arrependo de nunca ter vindo com ela’ Senti lágrimas rolarem por minha face novamente. Droga! Eu não preciso parecer uma fraca perto de um desconhecido.

‘Eu também sinto falta dela, ela era... uma excelente amiga.’ Excelente amiga, sei. Acho que ele estava realmente apaixonado por ela.

‘É eu sei disso. Todos a amavam.’

‘Venha comigo! Quero lhe mostrar algo.’ Como assim ele quer me mostrar algo?

‘Devo me preocupar?’ Essa frase dele me pareceu como algo que um dos bandidos de Law & Order SVU diria. E com minha pergunta ele bateu na própria cabeça parecendo perceber o teor que a frase dele me pareceu ter.

‘Não, é claro que não. Venha!’ Ele disse me estendendo a mão com um sorriso doce e tímido ao mesmo tempo.

‘Eu sigo você.’ Respondi-lhe seguindo-o. Eu provavelmente ficaria um perfeito tomate se tivesse dado minha mão a ele, então é melhor não arriscar. Sim, eu sou dessas que fica vermelha por tudo.

‘Aqui está!’ Ele me levou a uma sala onde havia uma única tela coberta por um pano dourado. Quando ele levantou o pano...

‘É... a minha mãe?’ Perguntei atônita. No quadro enorme, havia uma mulher de olhos azuis claro e cabelos de um azul escuro bem comprido. Ela estava mais jovem do que eu me lembrava. Ela estava sentada sobre uma pedra olhando para um lago à frente e os cabelos longos caiam como uma cascata até o chão. Ela estava magnífica

‘É, É sim. Ela era assim na época em que estudamos juntos. Eu ia presenteá-la no aniversário dela, mas...’ Ele não conseguiu terminar.

‘Ela faleceu antes.’ Completei por ele, e pela primeira vez nesse dia eu vi ele com olhos tão tristes quanto os meus.

‘Sim. Aceite como presente, por favor.’

‘O que?’

‘Aceite-o. Ela ficaria feliz de saber que dei-o a você.’

Abracei-o. ‘Obrigada!’

‘Por nada.’ Disse ele abraçando-me de volta.

‘Só mais uma coisa. Como vocês estudaram juntos se você estava no segundo e ela no primeiro ano?’ Perguntei.

‘Eu rodei um ano, para passar mais tempo com ela.’ Ele respondeu enquanto o enbrulhava em um papel e me entregou.

Fui para casa e pendurei o quadro no meu quarto.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem se gostaram ou não e o porquê. Ficarei feliz em responder perguntas também.