Irmandade de Mutantes: Supremacia Marvel 717 3
1 Ponto de Partida
Havia silêncio na sala enquanto o grupo encarava o supercomputador do Instituto, o cérebro, pensando se deviam ou não completar aquela chamada.
— Ficar encarando o telefone não vai mudar o resultado — Balu resmungou, com um tom insolente e irritadiço na voz.
Luke suspirou.
— Damon, sai da sala, você tá estressando o Balu.
— Eu? Quem disse que eu tô estressado? Não dou dois quilos de foda-se pra se as meninas aí vao voltar pro Instituto ou não. Sei nem quem é.
Luke olhou para seu namorado, Nathaniel, que começou a responder Damon em ASL. Apesar de ser surdo, e não mudo, Nath preferia se comunicar por sinais. Dizia se sentir desconfortável falando sem conseguir ouvir a própria voz.
"Que seja, só acaba com isso logo, Luke."
Minha nossa. Era Nath o estressado deixando Balu estressado. Isso era novidade. Não achava já ter visto o namorado assim antes, mas fazia sentido. Riya e Juna eram suas últimas amigas restantes da época dos Morlocks, depois que Santino tinha morrido. Riya já tinha telefonado informando que estava muito bem no Instituto de artes de Alison, na França, e que não iria voltar. E agora…
— Tudo bem — Luke disse, enfim, fazendo a chamada em viva-voz e ligando a transcrição de texto para a tela, para Nath acompanhar.
Levaram alguns toques para a chamada ser atendida. Apesar de terem discado para Juna, foi Heather, a namorada dela, quem atendeu.
— Ei, Luke.
— Olá. Como estão as coisas aí?
Heather suspirou. E naquele suspiro simples Luke entendeu exatamente a gravidade da situação.
— A mãe dela desistiu, Luke. A esclerose só piora. Ela decidiu voltar para Coréia e… Hm… Morrer em casa.
A sala ficou em silêncio. Luke viu Balu apertar as mãos no colo, e conseguia imaginar a culpa que ele sentia agora. Tinha tentado curar a mulher, mas por mais que Balu pudesse curar ferimentos, até o momento doenças autoimunes estavam fora de seu alcance. Balu conseguia curar um corpo que quisesse se curar, mas impedi-lo de atacar a si mesmo estava inteiramente além de suas habilidades.
— Entendi — Luke sussurrou, pigarreando baixinho. — E você?
— Eu não posso deixar a Juna sozinha agora… Entende? Andei conversando com minha avó, estou tentando conseguir um intercâmbio pra Coreia para ficar com ela. As coisas já estão em andamento, então…
— Sei. Entendi, sim. Eu sinto muito, Heather… Por favor, mande nossos sentimentos a Juna.
— Vou mandar. Me desculpe, Luke. Talvez eu volte um dia.
Mas aquele talvez era tão firme quanto nada, conseguia sentir. Heather desligou a chamada e Luke soltou o telefone sobre a mesa, encarando o aparelho quase como se fosse algo alienígena.
Vários segundos depois, foi Damon quem se manifestou. Não era surpresa. Ele não era apegado às duas, sequer tinha as conhecido.
— Então. Vai ser os quatro mosqueteiros aqui contra o mundo ou o que?
Luke tentou não parecer muito irritado ao encarar Damon, por mais que quisesse acertar a cabeça dele na maior parte das vezes que abria a boca. Ele tinha razão, afinal. Com a falta das meninas estavam desfalcados. Isso era um problema, e como líder, essa era a incubência de Luke. Resolver os problemas.
Ele se levantou, pegando o telefone e guardando no bolso.
— Eu vou colocar um anúncio. Vamos ver quem se interessa por se juntar a nós.
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