Quando aos poucos os sons dos passos de Stryker e dos outros parou de ecoar pelas paredes dos esgotos, o silêncio começou a se espalhar até sobrarem apenas os sons da respiração e os soluços agoniados de Cat.

Não deveria se surpreender. Não tinha, afinal, encontrado uma lista de alvos na casa de Stryker? Seus inimigos não só não tinham ressalvas quanto a matá-los, como ainda planejavam isso. E Miguel…

Ela sentiu algo se embrulhar em seu estômago, o corpo tremendo e as lágrimas caindo em meio a soluços e fungadas. Sua visão estava embaçada, mas ainda conseguia ver em meio as manchas de lágrimas em seus olhos a pele esverdeada de Miguel, e os dedos dele enroscados em raízes secas se espalhando pelo chão.

Não tinham conseguido nada. Miguel tinha morrido assim como Tuan, rápido e frio, um descarte feito por pessoas que os viam na maior parte do tempo como lixo e, quando os achavam uma ameaça, jogavam fora. Ela levantou o rosto, os olhos ainda embaçados, o choro balançando seu corpo, e tentou focar o olhar em seus colegas. Cassian, derrotado, encarando o chão com a expressão vazia. Marlene, mais ao canto, abraçada aos joelhos, os olhos arregalados e a pele pálida. Moonstar, andando de um lado a outro, trêmulo, as mãos passando nervosas pelos cabelos.

Ela se perguntou o que eles estariam pensando, pois Cat sabia muito bem o que ela estava sentindo e pensando agora: não só não tinham conseguido nada, como ainda tinham levado Stryker até ali e causado a morte de Miguel. Ela tinha estado tão certa… Tinha tido certeza de que, dessa vez, iriam vencer. Mas sua ingenuidade tinha sido usada, e agora as consequências a encaravam do chão na forma dos olhos brancos e sem brilho de Miguel.

Era demais. Era o suficiente. Ela queria proteger os seus mais que qualquer coisa, mas não estaria atrapalhando em sua tentativa de ajudar? Talvez Miguel ainda estivesse vivo se tivessem deixado a situação se desenrolar por conta própria. Se tivessem deixado os X-Men cuidarem de tudo. Talvez fosse melhor partir.

Ela se levantou, as pernas trêmulas, enxugando os olhos e controlando a respiração no processo. Miguel não tinha família ou amigos além deles mesmos, não havia ninguém para avisar do ocorrido. Talvez ainda tivesse dinheiro restante o suficiente do roubo dele para pagar seu próprio enterro. O pensamento fez o estômago de Cat se revirar mais uma vez, e ela se abraçou, engolindo em seco. Cassian estava se levantando também. Marlene e Moonstar não pareciam ter saído do lugar.

— O que vamos fazer? — Cassian perguntou, a voz saindo um pouco rouca e sendo seguida de um pigarro. Cassandra estava anormalmente quieta atrás dele. Exatamente como uma sombra normal.

— Como assim “o que vamos fazer”? — Moonstar perguntou, a expressão agitada e o rosto vermelho. — Vamos dar no pé, é isso que vamos fazer! Eles sabem a nossa cara, mataram Miguel sem pensar duas vezes, sabem onde a gente tá… Com sorte eu convenço meu pai a voltar pra Coréia!

— “Dar no pé”? — Cassian rebateu, a voz subindo uma oitava e a testa se franzindo em indignação. — Eles mataram o Miguel! Você vai deixar por isso mesmo?!

— Vou! Eu não quero ser o próximo!

— Gente… — Cat chamou, tentando interferir antes que os dois começassem a brigar. A última coisa que precisava agora seria isso.

Podia não ter sido muito próxima de Miguel, mal se lembrava de ter trocado algumas palavras com ele, mas ele tinha sido parte de seu time. Ele era seu irmão como todos os mutantes eram. Estavam todos no mesmo barco, e vê-lo no chão daquela forma era como uma reprise de um pesadelo sem fim. Talvez tivessem sim trazido aquilo até eles, mas Cat sabia, vendo o muito real de Moonstar, que se não fosse Miguel, seria outro. E ela não podia deixar isso acontecer com os seus. Não mais.

— Vocês são loucos — Moonstar resmungou. — Vocês tem desejo de morrer!

— Eu tenho desejo de ficar viva, Moonstar! E esse desejo está sendo ameaçado dia após dia! E eu não vou me esconder em algum buraco e esperar a tempestade passar. Ela pode nunca passar se ninguém fizer nada a respeito!

— Bem, “ninguém” não vou ser eu — ele afirmou, se abaixando e pegando uma pequena bolsa no chão. — Pra mim já chega. Eu queria fazer algo para rebater tudo o que eles têm jogado na gente, mas eu tenho amor à vida.

E assim, sem dizer mais nada, sem sequer se despedir apropriadamente dos demais, Moonstar desceu a plataforma e saiu andando pelo esgoto.

Cat o assistiu partir por alguns instantes, até perceber que Cassian a encarava com as mãos na cintura e olhar inquisitivo.

— Eu não vou a lugar algum — Cat afirmou. — Eu tô aqui até o final.

Cassian assentiu, um sorriso pequeno se abrindo em seus lábios. Então a dupla se virou para Marlene.

Ela ainda estava sentada no mesmo lugar, pálida como antes, mas agora olhava para Miguel com um ar diferente nos olhos. Compaixão, saudosismo… Pena?

— Eu já contei para vocês sobre como minha mãe morreu? — Marlene perguntou, a voz baixa e os olhos presos no corpo de Miguel no chão. Cat negou, balançando a cabeça. Cassian não reagiu, o que fez Cat imaginar se ele já saberia a resposta. De qualquer forma, Marlene decidiu prosseguir. — Eu tinha treze anos. O Halloween estava chegando, sempre fomos só minha mãe e eu, e eu pedi pra ela uma fantasia da Aurora pra usar. Então um dia, a gente recebeu uma entrega e ela foi buscar achando que era minha fantasia. Era uma bomba caseira.

Cat arregalou os olhos, a respiração parando por um instante e uma mão de ferro se fechando sobre seu coração.

— Marlene, eu…

— Sente muito? Não importa. Eu não sabia o que fazer, então fugi e acabei encontrando meu pai. Ele me adotou e todo o resto, mas… A polícia investigou o ataque e descobriram que foi um cara sozinho mandando bombas para casas onde sabiam que haviam mutantes. Meu pai me perguntou se eu era “como a mamãe” e eu não sabia o que dizer, então menti. Algum tempo depois acabou acontecendo o acidente no zoológico que colocou a polícia no meu pé e me fez fugir. Eu não faço ideia se meu pai tá me procurando pra me ajudar ou me entregar. E não sei se quero saber. Bastou um homem… Um dia ruim e minha vida virou de cabeça pra baixo.

Ela se levantou, devagar, passando as mãos pelos rostos para enxugar as lágrimas. Cat percebeu que ela favoreceu o peso em uma das pernas, mas não pareceu estar tendo dificuldades gerais para ficar de pé.

— Aquele cara… Stryker, Hodge, o cara do monóculo que veio com eles, não faz diferença. No fim das contas, é tudo a mesma coisa — Marlene comentou, pegando sua mochila no chão. — Eu prometi que não ia deixar isso acontecer mais, se pudesse. E não vou.

E aquele era um sentimento que Cat entendia por completo. O corpo de Miguel no chão era apenas um espelho do corpo de Tuan e o de todos os outros que já tinham caído nessa guerra sem sentido. Não tinham eles o dever de impedir isso? Se não fizessem nada, quem iria fazer? Certamente não os humanos. Eles já tinham os próprios problemas para lidar, não é?

— Certo, então — Cassian comentou, tirando o celular do bolso. — Temos que pensar em como fazer isso. Somos apenas três.

— Quatro — Cat corrigiu, de repente. — Reese. Pergunte a ela.

Cassian assentiu, levantando o celular para cima, procurando por sinal. Ele precisou andar por um tempo ali embaixo, de um lado para o outro, até encontrar um canto específico da plataforma que tinha sinal para fazer uma chamada. Cassian discou o número, colocou a chamada em viva-voz, e Cat e Marlene se juntaram a ele. Reese não demorou nada para atender.

— Cass! Onde vocês então?

— Nos esgotos — ele respondeu, trocando um olhar breve com as meninas. Cat sentiu um comichão na boca do estômago, o tom de desespero na voz de Reese não tinha passado despercebido.

— Cat está aí?

— Estou — a garota respondeu, sentindo o comichão aumentar. — O que aconteceu?

— Recebi a mensagem, disse aos seus pais para se esconderem. Eles disseram que iam para a casa de uma parente suas, tia Thi, mas eu não sei se conseguiram chegar lá com toda a confusão…

— Que confusão? — Marlene perguntou, mas o frio no estômago de Cat aumentou.

Não poderia ter acontecido tão rápido, poderia? Poderia Stryker já estar atacando?

— Vocês não viram? Está pra todo lado na internet.

— Não chega muito sinal aqui, Reese. Nos esclareça — Cassian pediu.

— Houve um ataque no Instituto, os Novos Mutantes postaram um vídeo pedindo ajuda, mas não acho que eles vão conseguir. Tem alguma coisa acontecendo na cidade, gente correndo pra todo lado, um monte de heróis tentando controlar a situação. Tá praticamente impossível atravessar a cidade. Eu não sei dizer o que está causando isso, não tive coragem de sair de casa…

Então já estava acontecendo. Cat fechou as mãos, apertando os punhos e travando o maxilar. Seus olhos se desviaram para Miguel por um instante, e eles se encheram de lágrimas, mas ela não fez esforço para as impedirem, deixando que caíssem em silêncio. Ela sentiu o olhar de Cassian sobre si por um instante, e evitou o encarar de volta. Não agora. Não desse jeito.

— Nós decidimos tentar ajudar os Novos Mutantes — Cassian comentou. — Reese… A gente imaginou que isso fosse acontecer, só não tão rápido… Eles estiveram aqui pra liberar Stryker e… Bem… Miguel está morto.

A chamada entrou em silêncio. Cat engoliu em seco, a garganta apertando em agonia e o olhar se desviando para longe de Miguel.

— …O quê?

Cassian explicou para Reese, devagar, o que tinha acontecido, e Cat virou as costas. Não queria ouvir isso de novo, já tinha sido o bastante ver… Ela respirou fundo, as mãos subindo até a cabeça, e a respiração tentando se controlar. A garota ouviu seu nome e se virou de volta, devagar, o olhar cansado e a respiração um tanto desistente.

— …Cat, Marlene e eu vamos tentar. Estamos em muito menor número, porém. Qualquer ajuda seria boa.

Cat ouviu o suspiro de Reese do outro lado da linha. Então, ela respondeu.

— Instituto, certo? Ok. Eu vou encontrar vocês lá.

— Obrigado, Reese. Não vamos deixar eles vencerem.

— Eu espero que não.

A chamada caiu. Cassian guardou o telefone no bolso e Cat percebeu, era hora de partir. Eles se viraram para o corpo de Miguel por um instante, mas no fundo, sabiam, não havia nada que pudessem fazer agora. O trio conferiu se estavam com tudo que precisavam, então deixaram a plataforma para seguir pelos túneis.

[...]

— Ok, como vamos fazer isso? — Cat perguntou, o trio parado à frente da plataforma que estiveram ocupando antes.

— Acho que estamos mais ou menos debaixo do Garment District — Marlene respondeu, dando de ombros. — Mas é um palpite. Eu não sei pra que lado ir.

Cassian trocou um olhar breve com Cat, e ficou claro que ela também não sabia.

— Temos que dar um jeito de descobrir — ele decidiu, olhando para o chão. — Cassandra, você pode conferir como estão as coisas fora dos esgotos?

A sombra assentiu, delicada, e começou a se esticar em direção ao telhado, procurando alcançar uma abertura para cima. Mas antes de conseguir encontrar qualquer passagem para fora, Cassandra parou, já esticada tão fina que quase não era visível, e voltou para o chão, parecendo triste e cansada. A sombra balançou a cabeça, em negativa, e se prostrou um pouco cabisbaixa.

— Ela não vai ter forças pra isso — ele comentou. — Alguma nova ideia?

— Hm… Os pombos da Marlene? — Cat sugeriu.

Marlene piscou os olhos, surpresa, e Cassian abriu um sorriso com uma nota de orgulho. Cat correspondeu, pequeno, e Marlene começou a andar pelo corredor com o telefone para cima.

— Os pombos até dá — Marlene comentou. — Mas eu não estou conseguindo sinal pra pegar a visão das câmeras aqui embaixo.

A garota suspirou, cansada, colocando o celular de volta no bolso.

— Bem, então não tem jeito — Cat cortou, dando de ombros. — Vamos escolher uma direção qualquer e ir conferindo a direção espiando nos bueiros.

Para isso, um lado aleatório seria tão bom quanto qualquer outro, então Cat girou um pouco no lugar, apontando para a direita, e começou a seguir. Sem nenhuma ideia melhor, Marlene e Cassian começaram a caminhar atrás, enquanto a garota fazia bom uso de sua visão noturna para guiá-los pelos corredores.

— E os ratos? — Cassian perguntou a Marlene, depois de um tempo de caminhada. — Pode fazer eles olharem lá em cima?

— Posso — ela respondeu, com uma risada curta e um pouco sarcástica. — E depois?

— E depois o quê?

Ela suspirou, revirando os olhos e soltando uma bufada baixa. Cassian levantou uma sobrancelha, se perguntando o que tinha feito de errado dessa vez. Perguntar ofendia?

— Quantas vezes eu tenho que falar… Eu não converso com bichos, Cassian, eu só posso influenciar o comportamento deles. Eu mando cinco ratos lá pra cima, trago eles de volta e não tem maneira alguma de saber o que eles viram. Não adianta nada.

— Tá, tá, ok, entendi — o garoto respondeu, também bufando e jogando os braços para trás da cabeça, apoiando o pescoço.

Ele acelerou um pouco o passo. Cat estava seguindo em frente bem rápido, pegando curvas e seguindo atalhos que Cassian não entendia bem como ela estava encontrando. Ela parecia muito confiante, porém.

— Cat, onde estamos indo? — Ele perguntou, em um sussurro, evitando que sua dúvida chegasse aos ouvidos de Marlene. Ou assim esperava.

— Não sei, estou pegando corredores com mais luz. Acho que se tiver luz, ou se tiver entrada de luz em algum lugar, pode ser um sinal de… Ah!

Ela parou de andar no meio do corredor. No teto, ao lado de uma escada de metal, havia uma tampa de bueiro.

— Boa, Cat! — Cassian elogiou, correndo até a escada e começando a subir.

Tampas de bueiros eram um tanto pesadas, Cassian percebeu, assim que se colocou embaixo de uma. Ele tocou a tampa por baixo com a mão — soltando um barulho de nojo na sequência ao sentir uma umidade fedorenta na ponta dos dedos — e convocou sombras sólidas para apoiarem a tampa por baixo. Com uma inspirada profunda, Cassian forçou as sombras pra cima, levantando a tampa do bueiro.

A rua estava estranhamente vazia de carros, mas Cassian não quis se perguntar por quê. Ele puxou o telefone, ligando o GPS às pressas e conferindo exatamente onde estavam. Tinham avançado em direção ao Empire State, o que era a direção oposta à qual queriam ir. Ele bufou, mas ao menos poderiam corrigir o rumo. Cassian conferiu a direção para a qual deveriam seguir, fechou o bueiro, e desceu as escadas.

— Temos que corrigir — anunciou, apontando para trás. — Estamos quase embaixo do Empire State. Mas se continuarmos andando e corrigindo assim, acho que conseguimos chegar lá.

— E de preferência rápido — Cat respondeu. — Não sabemos quanto tempo os Novos Mutantes tem.

O trio assentiu e começou a correr. A cada alguns metros de túneis, se encontravam debaixo de outro bueiro, e Cassian subia mais uma vez para corrigir a direção. Em alguns trechos dos esgotos conseguiam um instante de sinal, mas mal servia para checar a posição do GPS antes de perderem a conexão.

— Estamos quase no Central Park — Cassian anunciou, depois de descer de mais uma escada e o trio correr pelo corredor afora. — Mas tem alguma coisa… Seja lá o que tá pegando na cidade, começou a aparecer. Tem gente correndo pra todo lado.

— Você acha que pode ser terrígeno? — Marlene perguntou, os passos espirrando água do esgoto enquanto aceleravam pelos túneis.

— Não duvidaria. Temos de tomar cuidado.

O grupo seguiu, e depois de mais algumas curvas, encontraram outro bueiro. Cassian escalou as escadas dois degraus por vez, já jogando as sombras para a tampa e a expulsando para cima. Cat e Marlene esperaram embaixo, tentando espiar pelo bueiro aberto para saber o que estava acontecendo. Havia muito barulho de impactos, explosões. Gritos. Marlene esticou os olhos para o fim do corredor, pensando em quantos metros mais teriam de andar para circular ao redor da confusão, quando os passos de Cassian ecoaram, descendo alguns degraus.

— Garotas, esqueçam os Novos Mutantes. Vocês precisam ver isso — ele chamou, o rosto alarmado, um pouco pálido.

Ele chegou a ver as duas trocando um olhar breve antes de subir as escadas de volta, correndo para a rua.

Dizer que havia uma confusão acontecendo era menosprezar muito o tamanho do problema. Pessoas com poderes corriam para todos os lados, lutando uns contra os outros. Muitos rostos eram novos e não reconhecidos, mas Cassian conseguiu perceber uniformes da S.H.I.E.L.D. no meio da confusão, e alguns outros super-herois. Em algum momento, jurou ter visto o Coisa. Em outro, o Homem-Aranha. Mas por mais impressionante que o cenário de guerra se desenrolando em sua frente fosse, não era o que estava prendendo sua atenção em primeira instância.

No centro da confusão, vários e vários quilômetros à frente, Cassian conseguia ver uma torre extremamente alta que certamente não estava lá no dia anterior. No alto da torre, havia muita movimentação de helicópteros e pessoas voando, entregando coisas uma para as outras e fazendo uma pilha de algo que ele não conseguia identificar, mas tinha um péssimo pressentimento sobre.

— Dánkoma — Cassian chamou, trocando para os alias ao ver a quantidade de heróis ao redor deles. — Consegue espiar a torre para nós?

— Consigo, me dê um instante.

O trio correu para a lateral da rua, se abaixando atrás de um carro e desviando de uma grande bola de algo atirado em sua direção. Marlene digitava furiosamente no celular, e em pouco tempo conseguiu colocar a imagem de um vídeo na tela. O pombo mais próximo estava a alguns bairros de distância, mas logo começou a voar na direção da torre. O trio assistiu, em silêncio, Cassian usando a sombra do carro para puxar um toldo sólido sobre eles para proteção temporária.

O pombo desviou de alguns ataques e continuou seguindo, avançando pelo céu, até chegar perto o suficiente da torre.

— Zoom — Cassian pediu.

Marlene apertou o botão para ativar o zoom, e então, a expressão dela se torceu em uma de horror.

Era terrígeno. Pilhas e pilhas de cristais e bombas colocadas no topo da torre, um ajuntamento da altura de um caminhão que continuava aumentando mais e mais. Um balde de água ali dispararia uma reação em cadeia que acabaria jogando tanto gás sobre a cidade que poderia afetar quase todos os mutantes da cidade, e graças à presença do Instituto Xavier em Nova York, a maioria dos mutantes do país morava ali.

Eles prenderam a respiração. Marlene cobria a boca com a mão, Cat parecia enjoada. Cassian… Ele fixou os olhos na tela, seu coração disparando e o lábio superior tremendo de leve. A raiva que sentia antes começou a aumentar, misturada a um aperto no peito e a respiração acelerada.

— Isso é… — Cat começou.

— É — Cassian respondeu, apenas, olhando para a imagem da câmera.

Eles observaram o processo em mais um instante de silêncio. Então, foi Marlene quem reagiu.

Merda.