Irmandade da Adaga Negra: Amor e Drama
9 Serie Pais e Filhos 04 Butch e Marissa Autora Josy
Notas iniciais
Capítulo único
Butch estava feliz. As coisas estavam correndo bem na Irmandade, Marissa, sua querida e amada shellan, após uma de suas Necessidades, engravidara. Nalla e Tohr tinham se Vinculado numa linda cerimônia, Zsadist e Bela também teriam seu bebê, que nasceria algum tempo após o bebê dele e de Marissa. A única coisa triste era a melancolia de Beth, que queria um filho, mas Wrath jamais quisera.
Nesse momento, ele estava tranquilo ao lado de sua shellan, na cama. Ela estava no final de sua gestação... e não se sentira bem. Chorara o dia todo e ele a consolava, enquanto ela dizia que queria lhe dar a liberação que ele precisava.
Marissa insistia que ele estava necessitado de sexo, já que, desde o início da gestação vampírica, que durava perto de um ano e meio, foram aconselhados a interromperem as relações sexuais. Embora estivesse frustrado, ele entendia e concordava com isso. Queria o bem de sua shellan e de sua criança. Mas ela parecia cada vez mais desapontada e frustrada do que ele. Algumas vezes eles se permitiram outro tipo de sexo para que houvesse a liberação... Mas, mesmo assim, a frustração dela era quase palpável.
— Leelan, você está bem? — ele perguntou carinhosamente enquanto beijava seu pescoço.
— Estou, nallum — ela respondeu fungando.
— Não quero que fique chorando assim, leelan, não é bom para você.
— Eu sei. Butch, me ouça... Não quero que se sinta perdido se algo me acontecer — ela disse tristonha.
— Pare com isso! — ele se zangou. — Já te disse que não será assim...
— Tudo bem, Butch, tudo bem... — ela disse vencida, beijando-lhe carinhosamente a têmpora.
***
O jantar foi servido às seis, antes dos guerreiros saírem. Tudo estava bem. Conversavam amenidades, quando Butch e Marissa chegaram.
— Marissa, que bom tê-la conosco — Wrath disse sentindo a presença dela.
Todos perceberam a palidez da fêmea e o quanto Butch a apoiava ao ajudá-la a se sentar à mesa.
— Também me sinto feliz, Wrath. Boa noite a todos. Era meu desejo compartilhar com a minha família esse momento. Mas meu hellren insistia para que ficássemos no quarto. No entanto, eu precisava sair um pouco e ver vocês — ela sorriu e todos se emocionaram. A sua fragilidade era visível.
— É bom estar com você. É sempre bom, Marissa — Beth sorriu pegando nas mãos dela, que se sentou próxima à rainha.
Estavam se preparando para sair da mesa, quando todos os machos pararam de repente, alguns já em pé à saída da sala, outros ainda à mesa.
— Que foi? — Beth perguntou ao rei, que tremia o nariz como se sentisse algo.
Marissa grunhiu, apertando o ventre.
— Estou sangrando... — ela disse baixinho, olhando para seu hellren.
A apreensão foi tão grande que ninguém disse nada.
— Leve-a para seu quarto, Tira. Vou cuidar dela lá — Jane estava dizendo quando o corpo de Marissa se dobrou sobre a cadeira e ela gritou tão alto que todos estremeceram.
Butch nem esperou duas vezes, pegou-a no colo. Os outros Irmãos o acompanhavam de perto. Chegando ao quarto, Butch a depositou com o maior cuidado que conseguiu na cama deles.
— Jane — Butch gritou em desespero.
— Nallum... — Marissa falou calmamente. – Estou bem, calma.
— Butch, preciso que saia para eu fazer um primeiro exame, depois pode ficar com ela. Como começou, preciso saber só quanto tempo vai demorar — Jane falou o mais calmamente que pôde.
— Por que eu preciso sair? — Butch falou com o rosto desconfiado.
— Porque preciso que ela tire as roupas, e vou fazer um exame ginecológico, e não gostaria que ela passasse por esse constrangimento na sua presença ou na presença dos Irmãos — ela falou simplesmente.
E, sem dizer mais nada, ele se retirou, juntamente com os outros machos.
Jane fez os exames que precisava, constatando que Marissa ainda não tinha dilatação. Instalou soro com a medicação para que as contrações aumentassem e acelerassem a dilatação. Quando acabou, chamou Butch de volta e informou o que estava acontecendo, orientando-o a, quando as contrações estivessem no intervalo de cinco minutos, a chamasse, mas, antes disso, ela apareceria de hora em hora para verificar a dilatação.
Algumas horas, depois de dores, contrações e lágrimas, Marissa já estava exausta, não via a hora de segurar seu bebê nos braços, e Butch não estava ajudando. Ele estava tão nervoso que era capaz de atirar no primeiro que chegasse perto dele. Soltava xingamentos e rosnados esporádicos, principalmente quando vinha uma contração, e como elas estavam mais próximas, era quase impossível ficar perto dele, mas V se mostrava um amigo fiel e permanecia ao seu lado.
Marissa começou a perder sangue e a gemer de dor. Butch não teve dúvidas, pegou-a no colo, e todos correram para o centro cirúrgico da Irmandade. Butch xingava, enquanto carregava Marissa. Os outros Irmãos e suas shellans acompanhavam-nos de perto.
Assim que entraram, Jane pediu que Butch colocasse Marissa na maca e que saísse. Informou que, se precisassem dele, ela o chamaria, mas depois de deitá-la, ele não se moveu.
— Por favor, Butch, saia. Não vai ajudar ficando aqui — Jane falou, enquanto apontava alguns instrumentos para Beth. — Sabe que não deixará que ajudemos Marissa, seu instinto é muito forte.
— Não posso fazer isso, Jane — Butch falou, mas fez uma careta quando viu Jane perfurar o braço de Marissa.
— Nallum? — Marissa disse em meio a um gemido.
— Sim, leelan — Butch falou, desviando-se de Jane e segurando a mão de sua shellan.
— Saia, não quero que presencie isso — ela falou olhando nos olhos avelã dele.
— Se assim prefere...
Assim que Butch saiu, os irmãos se reuniram ao seu redor para lhe dar todo apoio.
Nesse meio tempo, dentro do centro cirúrgico, as mulheres preparavam Marissa. Jane se aproximou e a ajudou a tirar as roupas, ajeitou-a na mesa ginecológica e fez o exame de toque, observando que ela estava quase pronta para dar continuidade ao trabalho de parto. As outras mulheres a acalmavam, dizendo o quanto ela tinha sorte em chegar ao final da gestação, e em como ficaria feliz assim que segurasse seu bebê.
— Marissa, enquanto esperamos que a dilatação necessária surja, gostaria de fazer mais alguns exames, preciso saber se seu bebê está na posição correta — Jane tentou falar calma, mas calma era a última coisa que sentia.
— Está bem... — foi só o que ela conseguiu dizer.
— Vai ser ótimo termos mais um bebê na casa, para brincar com o bebê de Bela, e nosso bisão já se casou — Beth falou se referindo a Nalla.
— Mahmen, acho que deveria esperar lá fora — Nalla falou, preocupando-se com Bela, afinal, ela estava grávida também.
— Vou ficar — ela respondeu com simplicidade.
Jane voltou com o aparelho de ultrassom, ligou-o e passou pela barriga de Marissa, mas não pôde ver nada, e desligou a máquina. Decidiu-se pelo toque, apalpou a barriga de Marissa, procurando as formas do bebê, mas, como ele estava muito agitado, não pôde definir bem. Ficando frustrada por não poder definir a situação de sua paciente, tentou parecer calma, afinal, não poderia dizer a Marissa que não podia dizer o que acontecia. Decidiu-se por não dizer nada e continuar seus exames.
A paciente deu um pequeno grito com uma contração mais forte, e Jane se apressou a verificar a dilatação. A fêmea estava pronta.
— Marissa, vamos começar. Por favor, quando sentir a próxima contração, faça força — Jane falou tentando transparecer calma e sentando-se em frente às pernas abertas de Marissa.
— Espera... Mahg... — Marissa chamou, e Mahg se postou ao seu lado, segurando a sua mão.
Nunca fora fã número um de Marissa, mas devia admitir que ela era uma boa fêmea, e muito forte.
— Oi, Maris...
— Mahg, escuta... Meu hellren confia em você... Se algo me acontecer, cuida dele para mim... Não o deixe definhar...
Mahg sentiu a garganta se fechar, não era comum ela ser responsável por alguém. E, se um macho perdia a sua fêmea, praticamente nada o segurava a essa vida. E Butch amava Marissa com todas as forças. E ela jamais poderia querer o sofrimento dele.
— Não fala assim, vai dar tudo certo...
— Talvez não certo para mim, Mahg... — Marissa disse gemendo em sua dor.
— Chega de papo, e vamos começar... — Jane interferiu afastando Mahg, porém ela ainda se deteve com as mãos sobre as de Marissa, segurando firme.
Cada uma das fêmeas se posicionou ao lado da extensão da maca para dar força a Marissa. Algumas delas rezavam para a Virgem Escriba, pedindo que ajudasse com o parto, outras apenas observavam a cena, imaginando como seria quando fosse a sua vez.
***
A cada grito de Marissa ouvido na sala ao lado, Butch tinha de ser contido para não invadir a sala se parto. Vishous ficava ao lado dele, segurando-lhe o braço e dizendo-lhe palavras de consolo.
Como se isso fosse ajudar, pensou Butch. Prometeu a si mesmo não chegar perto de Marissa em nenhuma de suas novas Necessidades, só para que ela não passasse por isso de novo.
***
Algumas horas de muito esforço, a situação não tinha evoluído muito até que, com uma contração mais forte, Jane deu um pequeno grito.
— O que foi? — Beth perguntou indo para junto da médica. — Pela Virgem! O que faremos agora?
— Teremos que fazer uma cesárea — Jane falou secando a testa na manga do jaleco. Preciso de Vishous!
— Vou avisar a ele... ao Butch — Bela falou saindo um pouco verde ao ver o pezinho do bebê saindo ao invés da moleira.
Quando abriu a porta da sala de cirurgia, todos os Irmãos se levantaram como se fossem um, Zsadist se adiantou e amparou Bela.
— O que foi, leelan? — Z reparou que ela estava a ponto de desmaiar, e a sentou numa das cadeiras.
— Bela, por favor, fala o que está acontecendo lá dentro — Butch tentou falar calmo por causa do estado de Bela, mas era quase impossível.
— Vamos ter de fazer uma cesárea. O bebê está virado — ela levou a mão à boca. — Eu vi o pezinho do bebê. Oh! Pobre Marissa! — ela resmungava como se fosse para si. — Butch, precisam de você lá...
— Vou levar Bela para se deitar — Zsadist falou pegando-a no colo.
Butch correu para a sala de cirurgia e correu para aplicar a anestesia, pois ele era parceiro de Jane durante as cirurgias. Sem nem esperar mais, Butch entrou também, sendo acompanhado por Wrath e Tohr.
Assim que entrou, teve de ser contido, pois Marissa estava com a cabeça entre as pernas recebendo a anestesia para a cesárea e, pela posição, junto com as contrações, ela chorava de dor.
— Se não se acalmar, Irmão, vamos levá-lo para fora novamente — Wrath falou enquanto continha Butch.
Os gemidos de Marissa foram cessando conforme a anestesia fazia efeito. Jane limpou o local a ser cortado, posicionou Butch sentado próximo à cabeça de Marissa e colocou o braço dele próximo à boca de sua shellan.
— Assim que eu avisar, você faz com que ela beba — Jane falou ao cortar o abdômen de Marissa com o bisturi que Vishous lhe passou.
Mas, antes que ela pudesse realmente fazer algo, Marissa respirou apressadamente, como se seus órgãos não funcionassem direito.
— Marissa! Marissa! — Jane chamou, fazendo-a abrir os olhos. Eles estavam distantes, como se não conseguissem focar direito.
— Nall... — ela tentou dizer, sua voz num sussurro.
— Inferno, alimente-a, Butch, agora! — Jane gritou a plenos pulmões.
Como se levasse um choque, Butch cravou suas presas no seu pulso e o ofereceu a Marissa. Mas ela não tomou. Suas presas estavam longas, porém cerradas, ela não tomaria.
— Oh, leelan, por Deus, abra a boca e toma de mim... — ele disse, a mão segurando seu crucifixo, vendo-a tremer, rezando para Deus e todos os santos e anjos. Ela, entretanto, virou o rosto, afastando-se.
Os grandes olhos claros de Marissa piscaram, e ela sorriu terna, exalando seu perfume que lembrava o mar.
— Não preciso... nallum...
— Marissa... — Butch chamou desesperado, segurando o rosto dela entre as mãos. Pôde ver a lágrima deslizar pela face pálida. — Não me abandona. Marissa! Fica comigo! Marissa!
A voz de Butch paralisou a todos. Principalmente os guerreiros que temia pela vida de suas shellans. Jane também estava imóvel. Não estava mais em suas mãos.
— Butch...
— Beba, Marissa, beba... — ele forçou o pulso sangrando nos lábios dela.
Mas, embora sentisse a língua dela, ela não sugava, não tragava dele.
— Marissa, não me deixa, não me deixa. Não me deixa... — Butch choramingou.
Mas sentiu seu coração falhar uma batida quando os olhos dela se fecharam de repente, e não pôde mais sentir a respiração dela em seu pulso.
Seus olhos se arregalaram e ele gritou tão alto que todos tamparam seus ouvidos.
Ela estava morta...
Foi V o primeiro a se aproximar, e recebeu todo o impacto do corpo do policial sobre o seu. Ele estava caindo de costas, assim como uma árvore sem suas raízes. V posicionou seus polegares sobre as têmporas e começou a dizer baixo:
— Calma, Tira... Calma...
Todos ali temiam que ele padecesse como Tohrment havia padecido ao perder sua shellan.
Butch respirava pesadamente enquanto seu corpo estremecia como se tivesse convulsões. Mahg, assustada como os infernos, aproximou-se e tomou o pulso dele, que sangrava excessivamente, e o selou com um gemido. Era como se sentisse a dor dele através de seu sangue.
— Tire-o daqui. Vou tentar salvar a criança — Jane disse, movendo-se rapidamente.
Butch rosnou quando tentaram afastá-lo um pouco mais. Mas os braços firmes de V, de Rhage e de Wrath eram o suficiente para arrastá-lo para fora. Eles pensaram que teriam mais trabalho, mas o Tira estava fraco, e seu corpo era o reflexo de sua alma.
***
Arrastaram Butch para a biblioteca, e ele permaneceu jogado no sofá... sem dizer nada... sem abrir os olhos...
Mahg entrou na sala, V a olhou e viu que ela estava um tanto verde, aliás, a situação de todos não eram das melhores.
— Era uma menina, foi ao Fade com a Mahmen.
Todos puderam sentir a angústia de Butch, sua dor e seu sofrimento.
Fale com o autor