Irmandade da Adaga Negra: Amor e Drama
4 Série Necessidades 03 Rhage e Mary Autora Ferdy
Notas iniciais
Capítulo 01
Algumas noites duram para sempre. O vento frio entrava pelas portas abertas da varanda, tão frio quanto Mary sentia em seu interior. Ela já havia passado por vários momentos difíceis em sua vida: a doença de sua mãe, a própria luta contra o câncer por duas vezes... mas nunca havia imaginado sentir tamanho desespero novamente.
Havia vinte e cinco anos atrás, ela recebera uma bênção, um presente de valor imensurável. A Virgem Escriba havia lhe dado o dom de poder gerar um filho de seu hellren, quando Mary já havia perdido as esperanças, se conformado com o seu destino. Além disso, ela tinha o pequeno Dimitry, a quem ela amava com todo o seu coração. Bom, não tão pequeno... seu “pequeno” Dimy havia recém passado pela transição, estava treinando com os recrutas havia algum tempo, era um macho valoroso, assim como o pai.
Mary se lembrou da época da sua primeira Necessidade. Como ela havia esperado por aquele momento! Rhage a servira durante dois dias inteiros, dedicando-se de corpo e alma à sua shellan. Quando Mary descobrira que não estava grávida, o golpe fora duro, porém ela foi consolada pelo fato de que eles teriam a eternidade para tentar. Claro que era muito fácil falar. Após vinte e cinco anos e dois períodos de Necessidade, Mary já havia perdido as esperanças e havia tomado uma decisão.
Sua atenção foi desviada para Rhage, que terminava de colocar sua jaqueta de couro. A beleza de seu hellren a deixava petrificada a cada vez que ela o olhava, e com todas as suas armas, vestido para lutar, Rhage era um espetáculo à parte.
— Está tudo bem, leelan? — A voz de Rhage interrompeu seus pensamentos. — Você parece tensa.
Bem, Mary sabia que existia muito mais em Rhage do que um rosto e um corpo perfeitos. Seu hellren era extremamente perspicaz e a conhecia como a palma de sua mão.
— Você tem um tempinho para mim antes de sair, meu amor?
— Eu sempre tenho tempo para você, leelan... — respondeu Rhage suavemente. — O que aconteceu?
Ela tentou lhe dizer que estava tudo bem, mas não estava. Quando abriu a boca, um soluço escapou de seus lábios. Logo outro e mais outro. Rhage a segurou em seus braços enquanto a embalava, a mão morna acariciando suas costas.
— Está tudo bem, meu amor. Está tudo bem.
Deus, apenas o tom de sua voz a fazia sentir-se segura. Enquanto ela chorava contra o peito de Rhage, ela ouvia a voz dele ao telefone.
— Sou eu, Tohr. Não vou poder sair hoje. Não, é a Mary — depois de uma pausa, ele continuou. — Não, não é necessário, eu cuido disso. Obrigado, cara.
— Você não precisa ficar, Rhage, eu já estou melhor — Mary falou, enquanto tentava enxugar seu rosto.
Rhage apenas a olhou enquanto tirava a jaqueta e colocava as armas sobre a mesa de cabeceira.
— Deite-se, Mary — quando ela obedeceu, sentiu a cama se afundar atrás dela quando Rhage se deitou. Os dois ficaram abraçados por um tempo, Mary extraindo consolo da força de seu amado.
— Está pronta para falar agora?
Mary se virou na cama até ficar de frente para Rhage.
— Minha... minha Necessidade está chegando, Rhage. E eu não posso passar por isso de novo.
Rhage ficou tenso. Ele sabia o quanto esse período era difícil para Mary. Por mais que Rhage a assegurasse de que ele não precisava de mais nada além dela e de Dimitry, ele sabia que não era o suficiente para Mary. E saber que ele não podia ajudá-la o fazia sentir-se impotente, e isso o deixava furioso.
— O que você quer dizer?
— Eu decidi que quero que Jane aplique morfina em mim.
— Mary...
— Por favor. Por favor, Rhage. Você sabe o quanto eu sofro esperando que cada vez seja diferente.
— Talvez não tenha sido o momento certo. Talvez agora seja diferente.
— E talvez dessa vez seja igual.
— Mas a Virgem Escriba disse...
— Eu sei! Eu sei o que ela disse, Rhage, eu estava lá! — Mary respirou profundamente, tentando se acalmar. — Desculpe, é que eu estou... Eu estou tão cansada, Rhage.
Rhage sentiu os olhos se encherem de lágrimas, a frustração brotando dentro de si por não poder poupar sua shellan do sofrimento.
— Por favor, Rhage, eu preciso que você respeite minha decisão quando o momento chegar.
Rhage olhou nos olhos de Mary, a mulher que ele amava acima de qualquer coisa.
— Se eu pudesse fazer alguma coisa...
— Prometa-me, Rhage — Mary o interrompeu. — Prometa-me que você vai respeitar minha decisão.
Rhage fechou os olhos e respondeu:
— Eu prometo, leelan.
***
Depois que Mary dormiu, Rhage trocou de roupa. Colocou uma calça de moletom e uma camiseta e foi para o Centro de Treinamento. Ele precisava extravasar toda a frustração e a raiva que sentia. Enquanto ele dançava sobre seus pés, ligeiro, socando o saco de areia pendurado no teto do ginásio, as palavras ditas pela Virgem Escriba não saíam de sua cabeça: Esteja em seu macho assim como ele estará em ti. Bebe de teu homem e proclama a sua semente. Por quê? Por que conceder o dom de gerar um filho, se Mary não estava destinada a ser mãe? Rhage nunca havia se importado com o fato de Mary não poder gerar seus filhos. Eles teriam um ao outro, nada mais importava, e ainda tinham recebido a graça de ganhar Dimitry.
— Pai?
Após dar um último golpe no saco de areia, Rhage virou-se em direção à voz de seu filho.
Para Dimitry, seu rosto parecia ter envelhecido anos desde a última vez que tinha visto o pai, seus lábios estavam apertados, seu cenho, franzido, e linhas de preocupação enrugavam os cantos de seus olhos.
— Pai? O que aconteceu? — o rapaz perguntou, empalidecendo. — Minha mahmen está bem?
Rhage olhou para Dimitry e lembrou-se do dia em que encontrara o menino, o dia em que quase o matara. A chegada de Dimy havia mudado a vida dele e de Mary, e ele não podia amar mais o menino se ele fosse seu próprio filho.
— Não, filho, ela não está bem.
Capítulo 02
— Está bem, Mary, acabamos. Pode descer — Jane tirava as luvas de látex enquanto Mary descia da mesa de exames na enfermaria da Irmandade.
— Quanto tempo eu tenho, Jane? — a fantasmagórica Dra. Jane deu um leve sorriso. — Quer dizer...
— Eu entendi, Mary. Em um dia, dois no máximo, seu período de necessidade começará. Você tem certeza quanto a utilizar a medicação?
— Tenho, absoluta.
— Bom, eu vou preparar o material necessário e nós iremos para o Commodore amanhã ao anoitecer.
— Vocês não se importam mesmo se eu usar a casa de vocês?
— É claro que não. Você não poderia ficar na mansão, de qualquer maneira. E eu entendo que você queira ficar isolada durante esse período.
— Bom, eu vou me vestir e vou até a cozinha preparar algo especial para meu grandalhão. Fritz vai ter um ataque, mas vou pedir a ele que prepare algo para nós levarmos amanhã. — Mary falou enquanto retirava o avental.
— Ah, não se preocupe, Vishous já cuidou disso.
Mary parou e olhou para Jane, comovida.
— Ele fez? — Mary nunca deixava de se emocionar quando via os pequenos gestos de afeição que um Irmão fazia pelo outro e suas shellans. Grandes, fortes e durões por fora, mas tão doces por dentro. — Isso foi tão amável...
Jane riu e disse:
— Foi, mas não deixe V ouvi-la!
***
Enquanto procurava por sua mãe, Dimitry pensava na conversa que tivera com seu pai na noite anterior. Ele havia aprendido desde cedo com Rhage o quanto era valioso encontrar sua companheira, como a fêmea certa poderia salvar sua vida. Desde pequeno, Dimy ouvia histórias sobre como Rhage e Mary se conheceram, tudo o que ela havia passado enquanto era humana, o trato que Rhage havia feito com a Virgem Escriba para que sua mãe pudesse continuar vivendo. Ele sempre desejou poder encontrar alguém como seu pai havia encontrado sua mãe, e desde cedo Rhage havia ensinado ao seu filho como um macho valoroso deveria tratar sua shellan. Como ele deveria honrá-la com seu corpo e alma.
— Ei, Fritz, você viu minha mãe?
O mordomo arrumava um arranjo de flores, concentrado.
— Na cozinha, jovem mestre, preparando algo especial para o Irmão Rhage. Ela não me deixou ajudá-la, então...
Dimitry riu, batendo afetuosamente no ombro do pequeno homem.
— Após tantos anos, você ainda não se acostumou, Fritz?
— Nunca, jovem mestre — o mordomo suspirou, desconsolado. — Nunca...
Ainda rindo, Dimitry entrou na cozinha, encontrando sua mãe concentrada arrancando folhas de manjericão do talo.
— Você é uma mulher má, mahmen. O pobre Fritz está com o coração partido.
O rosto de Mary se iluminou quando olhou para seu filho. Os dois se abraçaram fortemente.
— O que você está fazendo? — ele perguntou.
— Apenas uma coisinha para seu pai. Filet Chateubriand com molho de vinho tinto e mostarda Dijon, fetuccine na manteiga de ervas e mousse de chocolate.
Dimitry soltou uma gargalhada.
— Uma coisinha simples, claro. Posso ajudá-la?
— Ah, se você puder terminar de arrancar essas folhas para mim, eu vou terminar o molho.
Os dois trabalhavam lado a lado em um silêncio confortável quando, de repente, Dimitry disse:
— Sabe, eu admiro muito você.
Mary olhou para ele, confusa.
— O quê?
— Você não é egoísta, está sempre disposta a ajudar quem precisa. É corajosa, meu pai não seria metade do macho que é se você não estivesse por perto. A maneira como você assumiu o cuidado de uma criança que não era sua responsabilidade, enchendo a vida dela de amor... Eu não poderia pedir uma mãe melhor do que você.
Os olhos de Mary ficaram cheios de lágrimas ao ouvir seu filho falando dela com tanta admiração.
— Por que... — antes que Mary pudesse continuar, Dimitry olhou para ela e Mary soube. — Ele falou com você, não foi? Sobre o que eu pedi para ele.
— Eu sei que não é da minha conta, acredite. Mas eu não podia ficar olhando vocês dois sofrendo e não fazer nada.
— Não se preocupe, meu querido. Nós vamos ficar bem. Além do mais, eu tenho você, Dimy. Você é mais do que o suficiente para mim.
— Não, eu não sou. Eu sei disso, e você, também — Dimitry tocou o rosto de sua mãe. — Do que você tem tanto medo, mahmen?
Mary o abraçou e disse, sua voz soando abafada no peito de seu filho:
— Eu me sinto tão... incompleta.
— Você está limitando o amor de meu pai, mahmen. Você sabe que meu pai daria a vida por você. Independente de vocês terem um filho ou não, ele te ama e isso nunca vai mudar. Ele está sofrendo, não só por você, mas por ele também — Dimitry deslizou os dedos por baixo do queixo de Mary, levantando seu rosto para que pudesse olhar diretamente nos olhos da fêmea. — Vocês sempre me ensinaram que um macho valoroso sempre está presente para amparar e servir sua shellan no que ela precisar. Deixe-o fazer isso.
Capítulo 03
Enquanto Jane colocava as provisões preparadas por Fritz na cozinha da cobertura, Mary se apoiou na porta da varanda e contemplou o céu. A noite estava linda, veludo negro salpicado com diamantes. A essa hora, Rhage já estaria nas ruas, lutando com algum lesser, tentando tornar o mundo mais seguro para a sua espécie. Quando os dois se despediram na mansão, Rhage estava pálido e abatido, sabendo que sua shellan sofria sem que ele pudesse ajudá-la. Você está limitando o amor de meu pai, Dimitry havia dito. Mary estava tão perdida na tristeza e frustração de não conseguir conceber que não enxergara o efeito de sua rejeição sobre Rhage, como ele havia ficado arrasado por não poder servir sua shellan.
Nesse momento, uma onda de calor a atravessou e ela pôde sentir uma forte pressão entre suas pernas. Estava começando.
— Jane! — ela chamou, entrando na sala e sentando-se no sofá. Uma sensação dolorosa transpassou seu centro, como se algo quente a tivesse penetrado. Jane veio da cozinha já preparada com a seringa de morfina na mão.
— Eu estou aqui, Mary. Deite-se, vai ficar tudo bem.
— Não. Eu preciso... — ela gemeu quando mais calor sacudiu seu corpo. Tremendo, ela disse:
— Rhage. Por favor, chame-o. Eu preciso dele.
Jane sorriu como se já estivesse esperando por isso e pegou o celular de Mary. Rhage atendeu após o primeiro toque.
— Nalla, o que foi? O que aconteceu? — a voz de Rhage soou ansiosa do outro lado da linha.
— É Jane. Você precisa vir para cá agora. Mary... — Rhage já havia desligado.
Mary se retorcia no sofá com uma almofada entre as pernas, numa tentativa inútil de amenizar a dor que sentia. Rhage se materializou na varanda da cobertura.
— Ela está bem? O que... — quando ele entrou na sala, uma forte onda invisível de energia saiu de Mary e o atingiu, fazendo com que ele gemesse e seu membro enrijecesse imediatamente. O apartamento cheirava a flores, almíscar... e baunilha, o cheiro característico de sua shellan, porém mil vezes mais forte. A primeira reação de Rhage foi entrar no apartamento e penetrar naquele perfeito aperto quente que era o corpo de sua fêmea, mas depois de dar dois passos, Rhage se controlou, pois ela o tinha feito prometer que respeitaria sua decisão. E ele o faria, mesmo que isso o matasse.
— Está tudo bem, Rhage. Ela pediu que eu o chamasse — Jane explicou, enquanto guardava seu material e se dirigia para a varanda. — Eu estou indo, fiquem o tempo que precisarem — ela se desmaterializou, deixando-os sozinhos.
— Mary? — uma nova onda saiu da direção de Mary, deixando-o tonto. Deus, o cheiro...
Ao ouvir a voz dele dizendo seu nome, Mary se sentou rapidamente e o olhou. Havia tantas coisas que ela queria dizer para ele, mas naquele momento nenhuma palavra era necessária. Antes que Rhage pudesse antecipar o movimento, Mary se levantou do sofá e foi correndo até ele, jogando-se em seus braços, envolvendo-o com seus braços e pernas.
— Mary... — Rhage roçou o nariz na pela sensível sob a orelha dela, fazendo-a tremer e ondular seus quadris sobre a ereção dele.
— Rhage, eu... — qualquer coisa que ela fosse dizer, perdeu-se dentro da boca dele. Rhage mergulhou a mão em seus cabelos, imobilizando sua cabeça para que ele pudesse beijá-la. Ele lambia o interior de sua boca, desesperado por sentir o seu sabor.
Uma explosão de energia saiu do corpo de Mary, fazendo com que os joelhos de Rhage enfraquecessem, e eles tombaram ali mesmo, na porta da varanda.
— Rhage, por favor... dói demais... — ela balbuciava enquanto tentava desabotoar a calça de couro dele. — Eu preciso de você.
Rhage queria pelo menos tirar a jaqueta e as armas, mas Mary estava sofrendo tanto, e ele sabia que era o único que poderia dar o alívio que sua shellan precisava. Ajoelhando-se, ele apenas abriu a calça o suficiente para liberar sua ereção, enquanto ela levantava o vestido. A essa altura, Rhage estava operando apenas por instinto, incapaz de pensar de qualquer maneira. Em um segundo, ele arrancou a calcinha de Mary, afastou as coxas dela com as suas, as mãos segurando a cabeça dela enquanto a beijava profundamente.
Não era possível esperar. Seu membro deslizou ao longo das dobras do sexo dela, então ele a penetrou com um impulso duro, seu membro partindo o canal apertado, o calor e a pressão insuportavelmente excitantes. Uma explosão de luz e calor turvou sua mente, e, no momento seguinte, ele gozava dentro dela. Era totalmente inevitável, ele não podia parar. Cada músculo de seu corpo se contraiu e ele tremeu e gemeu quando explodiu dentro de Mary.
Ao sentir seu interior aquecer com a semente de seu hellren, Mary entrou em erupção e sentiu seus músculos internos contraírem-se, apertando firmemente em torno dele, tremendo com a força de seu clímax.
— Oh, Deus... — Rhage murmurou, ainda duro dentro dela. Levando as mãos até as pernas de Mary, ele as levantou e afastou ainda mais, de modo que ela estava totalmente aberta para ele, e começou a empurrar forte e rápido. Ela se agarrava a ele tão firmemente como uma pessoa apanhada no meio de uma tormenta se segura a um tronco de árvore. Rhage moveu os lábios perto do ouvido dela.
— Você é perfeita — ele sussurrou. – Eu te amo, nalla — Mary tremeu quando ele a puxou ao encontro de seu corpo, mudando o ângulo de suas investidas, fazendo com que, de algum jeito, a base de seu pênis massageasse diretamente seu clitóris. Mary sentiu as presas se alongarem e, quando as cravou em Rhage, sentiu a essência da vida de seu hellren preenchendo seu corpo e sua alma. Ondas de um prazer quase insuportável percorreram seu corpo, que irrompeu em um orgasmo poderoso ao mesmo tempo em que ele a enchia com o calor líquido de sua liberação.
Quando sentiu Mary passar a língua pelas pequenas aberturas, Rhage levantou a cabeça. Os olhos dela estavam fechados, sua respiração calma, a boca levemente entreaberta. Ele apertou a boca contra a dela em um beijo maravilhosamente terno.
— Vamos para a cama, leelan — ele sussurrou contra a sua boca.
Quando Rhage se levantou e deixou seu corpo, Mary sentiu um último espasmo de prazer. Ele se ajoelhou enquanto tirava a jaqueta e jogava sobre a mesa de centro, logo depois se desfazendo das armas. Enquanto isso, olhava para o corpo de sua shellan, banhado pela luz do luar, e seu peito se contraiu com o amor que sentia por ela. Ele precisava de Mary como precisava de ar. Mais ainda.
Levantando-se, ajudou Mary a ficar de pé. Quando ela abraçou o corpo de seu hellren e sentiu seu cheiro, seu corpo liberou uma nova onda de energia, ainda mais forte que antes. Rhage grunhiu, enterrando o nariz sob seu cabelo, sentindo o doce cheiro que emanava da nuca de Mary. A barba crescente espetava a pele dela enquanto ele lambia seu pescoço e falava com a voz gutural:
— Tão doce... Eu quero... Agora.
Mary inclinou a cabeça para trás, sentindo a respiração quente de Rhage. Quando os dentes dele se fecharam sobre sua delicada pele, as pernas de Mary fraquejaram, um calafrio a percorreu e ela sentiu seu corpo liberar mais creme, preparando-se para receber Rhage novamente.
Rhage sentiu o cheiro de sua excitação e rugiu, reclamando a boca de Mary com um beijo. Ele mordia, chupava, puxava seus lábios, sua língua mergulhando em sua boca enquanto deslizava uma mão entre seus corpos até tocar a junção de suas coxas.
— Minha — ele disse contra a boca de Mary, mergulhando dois dedos em seu interior. Quando ela arfou, respirou o ar que ele expirou em um grunhido de satisfação, sentindo o cheiro rico de especiarias e paixão que emanava dele. A essência de Vinculação. Ela queria mais dele, queria ser preenchida com seu corpo e com seu sangue, e suas presas se alongaram, estimuladas pelo cheiro de seu hellren.
Sem retirar os dedos de seu interior, Rhage envolveu um braço ao redor da cintura de Mary e a levantou até que suas pernas envolvessem sua cintura. Ele começou a andar com ela e, poucos segundos depois, as costas dela bateram duramente contra a parede fria, mas ela mal sentiu. Rhage empurrava seus dedos profundamente, para dentro e para fora, no ritmo primitivo do sexo ao mesmo tempo em que massageava seu clitóris com o polegar.
— Rhage, por favor! — ele rosnou novamente e retirou os dedos do interior de Mary, que protestou. — Não! Eu preciso... — Rapidamente ele deslizou o membro para dentro de seu corpo, arrancando um grito de prazer de Mary. As mãos de Rhage subiram até o decote do vestido dela e o rasgaram de cima a baixo, momentos antes de sua boca quente se fechar sobre seu mamilo direito, sugando-o no mesmo ritmo de suas investidas, provocando-o com sua língua e dentes. Mary se contorcia para chegar mais perto do corpo que a pressionava contra a parede, o corpo que fora feito para preencher o dela.
Ela entrelaçou os dedos nos cabelos de Rhage, separando sua cabeça de seu seio, fazendo com que ele rugisse, o som mais animalesco do que antes. Os dedos de Mary agarraram a camiseta de Rhage e a puxaram furiosamente para cima até que ela fosse descartada. Imediatamente, suas mãos estavam sobre Rhage, explorando os músculos firmes de seu peito, descendo até o abdômen definido e subindo por suas costas. Quando Mary tocou a tatuagem de Rhage, ele chiou, seus olhos se tornando quase brancos.
Rhage grunhiu e deslizou seus braços por trás das pernas de Mary, encaixando os joelhos dela em seus cotovelos, levantando ainda mais suas pernas e pressionando-as para trás, fazendo com que ela ficasse ainda mais exposta e, assim, ele pudesse deslizar mais profundamente.
— Rhage! — ela queria empurrar contra ele, mas a posição tornava isso impossível. Prendendo-a contra a parede, ele a montou duramente, acelerando seus movimentos até que Mary abandonou seus esforços para acompanhar, ela apenas se segurava em seus ombros, sentindo a pele úmida de suor e sangue no local onde suas unhas estavam cravadas. A força do clímax a surpreendeu e seu sexo apertou-se ao redor do membro com seus músculos lisos e molhados. Quando as contrações de Mary começavam a se acalmar, os movimentos de Rhage ficaram mais rápidos, descontrolados e ele inchou ainda mais dentro dela. Com um grunhido, ele retirou os braços debaixo das pernas dela e a sustentou pelo quadril, esmagando-a contra a parede.
— Tome meu sangue, nalla... — ele murmurou contra o ouvido de Mary. — Tome tudo de mim.
Quando Mary afundou as presas em seu corpo, Rhage fechou os olhos e gemeu. Seus quadris se moviam no mesmo ritmo, empurrando em seu corpo enquanto ela sugava seu sangue avidamente.
— Mary... — Rhage sussurrou seu nome enquanto seu corpo inteiro se retesava e logo estremecia. Um som baixo e primitivo escapou da garganta dele quando ela sentiu o calor de sua semente recobrindo seu interior. Quando seu corpo se acalmou, Rhage sentiu Mary retirar as presas de seu pescoço e lamber as feridas para fechá-las. Um último espasmo de prazer percorreu seu corpo quando sentiu os lábios de sua shellan depositando um beijo terno em seu pescoço.
— Então... — Mary sussurrou olhando para Rhage, um sorriso preguiçoso e satisfeito em seus lábios. — Acha que consegue chegar até a cama dessa vez, meu amor?
Capítulo 04
Rhage se inclinou mais para perto, apertando seus dentes na base da garganta de Mary, e grunhiu baixo.
— Você acha que você consegue chegar até a cama dessa vez?
Uma renovada onda de energia saiu de Mary e os envolveu, fazendo com que o membro de Rhage, ainda aconchegado no interior da fêmea, enrijecesse novamente. Ele a arrancou da parede e foi caminhando em direção ao quarto. Porém, quando conseguiram chegar ao cômodo, após Rhage ter que parar e possuí-la mais duas vezes, o dia já estava nascendo.
***
Deitado na cama, exausto, Rhage lutava para respirar. Durante o dia inteiro, ele estivera servindo sua shellan com seu corpo e seu sangue. Arrastando a cabeça para um lado, olhou para Mary deitada de bruços, seu corpo relaxado sobre os lençóis de seda preta molhados de sangue, suor e sêmen, e seu coração se encheu de amor por sua fêmea. Seu pescoço e seus pulsos ardiam nos lugares que Mary havia mordido, e ele exibiria as marcas com orgulho.
Nesse momento, Mary começou a gemer novamente, seus hormônios se agitavam, e Rhage sentiu seu corpo responder imediatamente. Seu membro endureceu imediatamente, enchendo-se de sangue e calor.
— Rhage... — Mary ofegou seu nome, e o suave murmúrio apenas serviu para enrijecer seu membro ainda mais. Apesar de todo cansaço, Rhage rolou sobre o corpo de sua shellan, pronto para servi-la, e penetrou-a através das apertadas dobras até que se acomodou profundamente em seu interior, onde pertencia. Não houve resistência, apenas a umidade quente dos tecidos escorregadios de seu sexo abrindo caminho para ele. O aroma da Vinculação estava por toda parte, por todo corpo de Mary. Enterrando a cabeça no pescoço dela, ele inalou profundamente e tremeu.
Rolando de costas, seus corpos ainda unidos e seus braços envolvendo o corpo de Mary, Rhage a colocou deitada sobre ele, suas pernas separando as dela, deixando-a completamente exposta ao seu toque. Mary agarrou os cabelos de Rhage em um aperto firme. Com uma mão ao redor do seio de Mary, massageando e provocando o mamilo distendido, e a outra segurando seu quadril, Rhage impulsionava para cima, consumindo-a, possuindo seu corpo e sua alma.
Não havia um centímetro de seu corpo que Rhage não houvesse reivindicado. Tudo o que ela podia fazer era apertar os dedos em seus cabelos e gemer, apertando seus músculos internos ao redor dele em cada estocada, encontrando cada impulso implacável de seu hellren. As sensações a rasgaram num orgasmo poderoso, todo seu corpo se contraiu em um espasmo de êxtase. Agarrando a mão que ainda segurava seu seio, Mary cravou suas presas alongadas no pulso de Rhage, absorvendo a força de seu amado.
A liberação dele foi brutal. Ele continuou penetrando-a enquanto o corpo de Mary se contraía até que, com um grito rouco, investiu descontroladamente, alagando-a com sua semente.
Mary deveria estar satisfeita, mas seu corpo se recusava a sentir-se completo. Ela se virou e sentou-se sobre Rhage, cavalgando-o, sentindo-o preencher seu corpo. O sangue que corria nas veias dele a chamava, e ela se inclinou sobre seu hellren, enterrando as presas na artéria que provinha do coração de Rhage, enquanto um novo orgasmo a surpreendia com contrações tão intensas que eram quase dolorosas. O grito rouco de Rhage soou alto no quarto enquanto seus braços a apertavam e seu corpo tremia na intensidade de seu próprio clímax.
De repente, tudo havia terminado e a energia que se desprendia de Mary se dissipou. O tentador aroma da Vinculação saturava o quarto e impregnava a pele dos dois. Mary deslizou a língua pela pele do pescoço de Rhage para iniciar a cicatrização e apoiou a cabeça em seu ombro enquanto seus corpos se acalmavam.
— Você está bem, leelan? — Rhage perguntou, acariciando as costas de Mary.
— Sim... — Mary murmurou.
Rhage rolou e deitou-se de lado, olhando de frente para Mary.
— Obrigado, meu amor. Por mudar de ideia... Por me honrar, me deixando servi-la nesse período.
Ao ouvir as doces palavras de seu hellren, o coração dela se contraiu e seus olhos se encheram de água. Engolindo para afastar o nó que se formou em sua garganta, Mary falou:
— Oh, Rhage... me perdoe. Por enxergar apenas o meu sofrimento, por não entender que você me amaria se eu estivesse carregando o seu filho ou não. Eu te amo tanto... Eu estou tão envergonhada.
— Não há nada a perdoar, leelan. Eu tenho você, isso é o que importa. Eu amo você com todo o meu coração — Rhage a beijou na boca e depois em ambos os lados do pescoço. — Você é minha verdadeira companheira, minha shellan.
Seus lábios desceram sobre os de Mary e ele a beijou calma e profundamente durante um longo tempo. Quando levantou novamente a cabeça, Rhage a presenteou com um de seus sorrisos luminosos que a faziam perder o fôlego desde a primeira vez que se encontraram.
— Deixe-me cuidar de você agora, nalla.
Capítulo 05
Um mês depois
— Você tem certeza que quer sair hoje? — Rhage perguntou encostado na porta do closet, observando Mary enquanto ela se vestia, um descarado desejo brilhando em seus olhos. — Nós podemos ficar em casa, com certeza eu arranjaria algo para passar seu tempo.
— Nem pense nisso, Rhage — ela disse, estreitando os olhos. — Você sabe como foi difícil conseguir as entradas para assistir a esse concerto? Sarah McLachlan no Radio City Music Hall? Além do mais, eu tive que pedir a Beth para que ela falasse com Wrath para mudar seu dia de folga. Sem chance, meu amor. Agora me ajude com esse zíper.
Rhage suspirou e andou até Mary para ajudá-la a fechar o vestido. Sua shellan estava resplandecente. Depois de sua última Necessidade, Rhage e Mary ficaram mais próximos do que nunca, se isso fosse possível. O desejo de gerar um filho ainda existia, forte e pulsante dentro dela, mas Mary havia mudado a maneira de olhar o problema. Em vez de se sentir incompleta, defeituosa, resolveu aproveitar o que tinha com seu hellren, e Dimitry havia desempenhado um papel muito importante nisso. Pela segunda vez, o menino havia mudado a vida do casal.
Quando Rhage fechou o vestido de sua shellan, ele afundou o nariz em seu pescoço, enchendo os pulmões com seu aroma de baunilha, doce e sedutor, e sentiu seu membro enrijecer imediatamente. Passou a língua levemente sobre a delicada pele do pescoço de Mary, exatamente onde seu sangue pulsava.
— Tem certeza, leelan? Eu posso compensar você.
Sua voz era como uma carícia, seu olhar a envolvia de forma íntima. Mary riu e disse:
— Eu sei o que você está tentando fazer, e você não vai conseguir, Rhage — Mary virou-se e começou a empurrar Rhage em direção à porta. — Agora se comporte e espere por mim lá embaixo.
— Me dê dois minutos, leelan, e eu faço você mudar de ideia – Mary sabia que ele faria, então continuou empurrando-o.
— Você é incorrigível, Rhage! — ela disse rindo. — Eu estarei lá embaixo em cinco minutos.
Rhage riu enquanto ela fechava a porta atrás dele.
No hall de entrada, ele encontrou Dimitry e Vishous se preparando para sair.
— Ei, Dimy — Pai e filho se abraçaram — V.
— Ei, velho — Dimitry falou, observando o terno de Rhage. — Todo arrumado... Vai sair?
— Mary quer ir à cidade essa noite, fazer algo diferente, então... se isso vai fazê-la feliz...
Dimitry riu quando o corpo de Rhage liberou uma rajada de calor.
— Sei... Coisa de macho vinculado, certo? Passando por torturas impensáveis por sua fêmea...
— Muito engraçado, Dimy. Espere até você encontrar a sua companheira, então você vai entender como é.
— Ei, tudo o que quero é encontrar a fêmea certa, mas acredito que me conformarei com várias erradas até que a encontre — Dimitry suspirou. — A vida é difícil, não?
Vishous começou a rir e falou:
— Eu já ouvi isso antes, Hollywood! Ele é seu filho, não há como negar!
Rhage riu e bateu a pesada mão no ombro de Dimitry.
— Mal posso esperar para ver você encontrar seu tesouro, meu filho. Você não vai precisar de nenhuma outra, seu coração e sua mente irão reconhecê-la, e você saberá como é sentir-se completo.
— Lá vem você de novo dizendo a coisa certa, meu amor. — Mary disse descendo as escadas da mansão, observando seu hellren e seu filho, os dois tão semelhantes como se fossem pai e filho de verdade.
Tudo aconteceu muito rápido. Distraída e emocionada com a cena tocante entre pai e filho, o pé de Mary deslizou no degrau e ela escorregou. Sua mão não conseguiu alcançar o corrimão a tempo de segurar-se e ela começou a cair. Os três machos correram para socorrê-la, mas como Vishous estava mais perto, chegou primeiro e envolveu Mary em seus braços fortes. Ela ofegava e tremia, assustada pela queda que quase sofrera.
— Oh, pela Virgem! Obrigada... Obrigada, Vishous.
Enquanto ela se firmava sobre seus pés, Rhage e Dimitry chegaram até eles.
— Mahmen, você está bem?!
— Você está bem? — Rhage estava lívido e passava as mãos sobre o corpo de Mary. — Você se machucou? — quando Rhage tentou puxá-la das mãos de Vishous, esse apertou os braços. — V, pode soltá-la agora.
Ao invés de soltar Mary, Vishous deslizou uma das mãos sobre o ventre de Mary. Seu olho esquerdo, envolvido pelas tatuagens, ficou totalmente negro. Os de Rhage, ao contrário, estavam quase brancos e brilhantes.
— Vishous – Rhage rosnou, mais a fera que ele mesmo falando. — Solte-a agora!
Vishous soltou-a de repente e ela caiu diretamente nos braços de Rhage.
— Cuide de sua shellan, Irmão. — Vishous murmurou. — A criança que ela carrega é especial.
— O quê?! — Mary arregalou os olhos enquanto encarava Vishous, procurando dentro dele a confirmação. Levou a mão ao ventre ainda liso, como se tentasse sentir o bebê. Seu bebê. — Um filho?
— Nosso filho, nalla — ele disse olhando para ela. — Leva nosso filho.
Mary sentiu suas pernas fraquejarem. Se não fosse pelos braços de Rhage a segurando tão firmemente, com certeza ela teria desabado. Um bebê. Mary sempre havia sonhado em ser mãe, sentir uma vida crescendo dentro de si, mas agora que seu sonho estava se realizando, um inexplicável medo ameaçou invadir seu ser, como se ela não soubesse como lidar com tanta felicidade.
— Não se preocupe — falou Vishous, com um leve sorriso, sabendo o que Mary estava sentindo. — Vai dar tudo certo.
Rhage se inclinou e envolveu uma Mary trêmula em seus braços, entoando uma prece de agradecimento à Virgem Escriba na Antiga Língua. Quando levantou a cabeça, seus lábios estavam abertos em um sorriso tão amplo que seu rosto poderia rasgar a qualquer momento. Sua mão cobria o ventre de sua shellan, onde seu filho crescia, maravilhando-se com a sua sorte por ter encontrado a companheira de sua alma.
Os olhos castanhos de Mary brilharam apaixonadamente. Ela ficou sem palavras, seu amor por Rhage enchia seu coração. Mary entrelaçou os dedos com os dele sobre seu ventre, sobre a vida que havia criado com Rhage.
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