Notas iniciais
Autora Ferdy

Um ano e meio depois

Mary fechou a porta da geladeira e colocou os ingredientes para a torta de morango sobre o balcão. Enquanto começava a lavar as frutas, ouviu as pegadas do chinelo que Rhage usava quando estava em casa seguida pelos pezinhos rápidos de sua filha.

Mahmen!

A pequena Nadya veio correndo em direção à Mary, seus chinelinhos cor de rosa ecoando no piso da cozinha, e jogou-se nos braços da mãe. Mary amava sentir o pequeno corpinho de sua filha abraçado ao seu, era como testemunhar um milagre diariamente. Durante a gestação, houvera momentos em que ela tivera medo de acordar e descobrir que tudo não passava de um sonho.

— Olá, leelan! — Rhage inclinou-se e beijou Mary lentamente, com amor e paixão. De repente, Nadya puxou os cabelos do pai, rindo, e ele interrompeu o beijo.

— Ai, pequena! — Rhage tentava, inutilmente, fazer com que a criança soltasse seus cabelos. — Solte, querida. Por favor, amor, solte o cabelo do papai.

— Nadya — Mary disse seriamente. — Solte o cabelo de seu pai agora!

A menina imediatamente obedeceu, dando um sorriso para a mãe e rebolando para descer de seu colo.

— Como você faz isso? — Rhage a olhava, admirado, enquanto ela colocava a menina no chão. — Eu não consigo fazer com que ela me obedeça.

— Oh, por favor, Rhage! Você é um guerreiro, perito em artes marciais, pelo amor de Deus! — Mary disse enquanto abraçava seu hellren. — Ela é uma criança, tem apenas um ano e meio, qual a dificuldade?

Mary sabia exatamente qual era a dificuldade. Olhar para Nadya era como ver um retrato imortalizado de Rhage: os mesmos cabelos loiros, os mesmos olhos azuis, o pequeno nariz arrebitado perfeitamente esculpido. Ele simplesmente não conseguia brigar com ela, que o tinha na palma da mão, e ela já sabia disso. Rhage corou e abriu a boca para responder, porém, antes que ele pudesse falar qualquer coisa, seus olhos abriram-se exageradamente numa expressão de terror e ele gritou:

— Nadya, não! — a menina havia aberto a gaveta de talheres e pegou uma faca de dentro, trazendo-a para perto de seu rosto. — Largue isso agora! Você não pode...

A menina irrompeu em um pranto sentido e a expressão de Rhage passou de terror a desespero em dois segundos.

— Ah, não chore, meu amor! Não fique assim...

— Dimy! — As bochechas de Nadya estavam vermelhas e molhadas com as suas lágrimas enquanto ela gritava pelo irmão. — Dimy!

Dimitry entrou correndo pela porta da cozinha com a mesma expressão de pânico de Rhage em seu rosto.

— O que aconteceu? Ela se machucou?

Os dois começaram a murmurar em volta da menina, tentando acalmá-la e fazer com que ela sorrisse novamente. Mary apenas olhava a cena de braços cruzados com um sorriso nos lábios. Quando Nadya já estava mais calma, Rhage olhou para Mary e perguntou:

— O que foi?

— Oh, amor, a culpa é sua! — Mary começou a rir enquanto Rhage entregava a criança para Dimitry. Desde que Nadya havia nascido, ela havia se apegado demais ao irmão, e Dimy amava e mimava a pequena tanto quanto Rhage. Inclusive, foi ele quem sugerira o nome Nadya, que significava esperança. Mary havia concordado imediatamente, achando que não poderia haver escolher melhor. Nadya havia chegado em sua vida quando ela não tinha mais esperança. — Do jeito que você e Dimitry tratam essa criança, ela vai achar que todos os machos estão aqui para servi-la! Imagine quando ela encontrar seu hellren.

A postura de Rhage mudou imediatamente, ele esticou suas costas, sua mandíbula enrijeceu e seus olhos se estreitaram.

Hellren?

Mary sorriu mais ainda, mostrando que ela não estava nada impressionada com sua expressão severa.

— Você não vai ser um daqueles pais que supervisionam roupas e estipulam o toque de recolher, não é?

— Pode ter certeza que vou, meu amor. E ele vai ter que provar ser um macho muito valoroso antes de encostar um dedo no meu tesouro!

Rhage era absolutamente incrível, tão dócil e, ao mesmo tempo, cruel quando se tratava de proteger sua família. Uma onda de amor por ele a invadiu, seu coração inchando até que seu peito doeu.

— Você é meu milagre — ela disse, abraçando-o. — Não tenho palavras para expressar o quanto eu te amo.

Rhage a abraçou e inclinou a cabeça.

— Tente — ela podia sentir o sorriso dele perto de seu ouvido e começou a rir, erguendo sua cabeça para que ele a beijasse.

Fim

Notas finais
(sem nota final)