Irmandade da Adaga Negra: Amor e Drama
15 Continuação de Destination Anywhere
Capítulo 03
Uma relativa paz e felicidade voltaram a dominar o ambiente da Irmandade da Adaga Negra, agora que Beth voltara sã e salva com sua pequena Vihcttory e, com isso, Wrath fora salvo de seu sofrimento, e que Tohrment e Nalla anunciaram a gravidez. Entretanto, na vida de Vishous, Butch e Mahg, tudo era ainda uma tempestade. Em todos aqueles meses, ela ainda não conversara com Vishous, e constantemente se recusava a se alimentar de sangue. Apenas quando estava nas últimas aceitava beber de Sehvero, o vampiro homossexual da Glymera que já a alimentara num passado recente. Até os demais Irmãos tentaram conversar com ela, mas ela chorara e os abraçara, e havia ganhado a batalha. O rei, que sabia bem o que ela sentira, pois ele mesmo não conseguira se alimentar quando que Beth fugira, decretara que não era para ninguém incomodá-la, quando ela se sentisse bem, se alimentaria, pois ainda se sentia de luto pela sua Mahmen. Atualmente, mesmo, já fazia dois meses que ela não ingeria sangue.
Butch entrou no quarto dela naquela noite. Ela estava enrolada num roupão que pertencia a Vishous. E estava muito mais pálida do estivera nos últimos dias.
— Por que está com o roupão do Vishous? Admite que está morrendo de saudade dele?
— Me sinto melhor com essa roupa. Meu corpo está dolorido, e minha pele, sensível. Ele é agradável.
— Sim, e tem o cheiro de V. Mahg, já chega de brincadeira, isso está ficando sério demais, estou vendo o momento em que você vai pirar por não se alimentar. Venha até aqui.
— Butch, não pode me forçar, e o rei disse que...
— Uma porra o que o rei disse, ele mesmo não está em seu juízo perfeito. Eu estou ficando cansado — ele disse sério. — Não aguento mais ver você e o Vishous sofrendo.
Mahg o olhou, perplexa, e se sentou ao seu lado. Ela podia ser uma menina mimada, mas sabia quando estava perdendo uma batalha, e usara seu melhor artifício. Chorar! Ninguém resistia às lagrimas de uma ninfeta.
Aninhou-se no sofá escondendo o rosto no peito de Butch. Ele sorriu vitorioso, ela era uma criança grande... Ajeitou-a no sofá, encostada em seu peito, seu plano teria que dar certo.
Devagar, ele retirou da manga da camisa um pequeno canivete e o levou ao próprio pescoço, sem que Mahg percebesse, e fez um corte pequeno, não muito profundo, mas o suficiente para o líquido vital escorrer intenso e escarlate.
Mahg estava de olhos fechados e sentiu seu estômago revirar e rugir como se tivesse vida própria. Ele gemeu e ficou trêmula. Tentou se levantar, mas Butch a segurou firme.
— O que está fazendo, idiota? — perguntou sentindo as suas presas se alongarem.
Butch sorriu por dentro, mas continuou sério.
— O mesmo que fez por mim em meu pior momento. Vai se alimentar agora. Não vou correr o risco de perder você ou o V.
Mahg tentou se debater, mas não tinha força, e Butch era extremamente forte... Ela se virou, tentando se afastar, e seus olhos sobrecaíram sobre o sangue perfumado descendo escuro sobre a pele morena. Ela rugiu num um grunhido tão animal que Butch engoliu em seco...
Mahg se debateu mais algumas vezes, numa luta muda. Viu-se com as pernas passadas sobre as deles, de modo que estava sentada sobre sua masculinidade. Ela deu um pulo, e ele a segurou pelos pulsos. Mahg tentou vencer, mas seus instintos eram mais fortes, e ela avançou sobre ele e atacou seu pescoço com uma fúria assustadora. E Butch gemeu.
Ele sentiu seu membro saltar à medida que as presas dela se cravavam em sua pele, mordendo com força e sem cuidado, e ela sugou forte. Ele se sentiu tremer, era como se ela estivesse tocando diretamente em seu membro. Quanto mais seu sangue vertia pelos lábios dela, o membro dele latejava, e, por fim, ele estava inconscientemente movendo os quadris no mesmo ritmo dos “puxões” que os lábios dela davam... Queria verter sua semente dentro dela o mais fundo possível... Queria enfiar seu rosto entre as pernas dela, sentir seu cheiro, seu sabor, seu calor... Queria sentá-la em seu colo e vê-la cavalgar sobre ele, queria tirar as barreiras que o tecido entre eles impunham... Aspirou forte, sentindo o cheiro da excitação dela também, tinha certeza de que ela estava úmida e latejante...
— Não... — ele tentou afastá-la, mas ela o prendeu forte. Demorou alguns minutos para que Butch conseguisse tentar afastá-la novamente. Ele se esqueceu que uma fêmea vampira só engravidava em sua Necessidade, de tal modo temeroso estava de perder mais alguém que amava num parto. Em sua cabeça só vinha o pensamento de que, se estivesse dentro dela, mesmo que ela permitisse, ela poderia gerar outro filho seu, e isso ele não permitiria jamais... Jamais.
Com um grito, ele se afastou, e ela não pôde selar a ferida. Ele se afastou ofegante e colocou a mão nos furos de sua garganta, que sangrava incessantemente. Saiu do quarto respirando ofegante, enquanto Mahg se sentava confusa no sofá e chorava.
***
V entrou no quarto de Butch. Vira-o passar como um raio para seu quarto, e o seguiu. Quando entrou, encontrou-o no banheiro, olhando para o espelho, de cabeça baixa, o sangue pingando na pia branca.
— O que foi, Butch? — ele perguntou desgostoso e pegou algumas folhas de papel tolha e começou a pressionar nos furos. — A nossa vampirinha resolveu te atacar?
— Fica fora disso, V, isso é entre eu e ela — Butch disse de má vontade.
— O cacete que fico fora... Ela nem selou isso, te deixou sangrando como um porco abatido... e... — V se aproximou e sentiu a excitação do amigo. Parou um instante, como se medisse seus passos e suas palavras. — Me deixe cuidar disso, Tira...
Ele se aproximou e ficou atrás do amigo, era mais alto, e Butch o olhou pelo espelho. Seus olhos diamantinos brilharam, ao mesmo tempo em que ele encostou o corpo no dele e passou a língua pelos furos da garganta de Butch, demorando mais do que o necessário. Foi um momento mágico, e ambos tremiam.
A voz de V ecoou baixa e sensual.
— Não o culpo por desejá-la, quando eu mesmo faço isso. E também não posso culpá-la por desejar você, pois eu também desejo...
***
Mahg desceu as escadas sorrateiramente, era tarde, porém metade dos Irmãos não havia saído para lutar e ainda estava em casa, pois o grupo de recrutas havia aumentado consideravelmente e havia um revezamento para as lutas diárias. Ela ouviu o barulho no centro de treinamento. Certamente Blay e Qhuinn ainda treinavam.
Eles eram um casal estranhamente lindo. Lutam, exalavam virilidade, masculinidade, no entanto conseguiam ser carinhosos um com o outro sem serem afeminados. E Qhuinn, sem dúvida, estava aos pés do ruivo Blaylock. Blay era a doçura em pessoa, e Qhuinn era tão rude, às vezes, maltratado pela vida como fora. Talvez fosse por essa razão que eram perfeitos juntos.
Caminhou em silêncio e sem ser vista pelos corredores iluminados com luzes florescentes. Entrou no Troller vermelho escarlate que os dois iriam certamente usar para ir a algum bar. Estava certa, menos de dez minutos depois de se esconder encolhida sob um sobretudo de Qhuinn, eles entraram no carro.
Pelo som que pôde ouvir, eles estavam se beijando. Logo percebeu que algo estava apontado em sua direção, e o estalo do engatilhamento da arma a fez olhar devagar sobre o couro, e visualizou o cano da Glock, em sua face.
— Pela Virgem Escriba, garota! — Blay gritou segurando o braço de Qhuinn, que fora quem sentira a presença da intrusa.
— Que demônios está fazendo aqui, Mahg?! — Qhuinn gritou com impaciência. — Eu poderia ter atirado em você, antes de verificar, sabia?
— O que me delatou aqui?
— Seu perfume! Sua respiração! Droga, Mahg, não somos amadores, já somos Irmãos, embora tenhamos levado alguns minutinhos para identificar a sua presença — Blay disse, e ela pôde perceber o rubor em sua face. Certamente a demora se devera ao fato de estarem... ocupados. — Mas nos conte o que está fazendo aqui.
— Quero que me ajudem a sair da mansão! — ela disse se sentando.
— Não mesmo! — Qhuinn foi enfático.
— Droga! Eu preciso sair! — ela se irritou.
— E por que não pede ao Vishous? Uma fêmea não deve andar desacompanhada.
— Não estarei desacompanhada, estarei com vocês dois. E, além do mais, não quero saber daquele vampiro idiota! — ela disse, e os dois se olharam.
— Desça! — disseram em uníssono.
— Não. Não podem fazer isso comigo! Eu só quero ser livre! — ela protestou. — Por favor... Eu volto com vocês, só quero sair dessa mansão... Só quero mudar de ares um pouco...
Os dois se olharam por instantes, como se lessem a mente um do outro.
— O Vishous nos mataria por isso! — Qhuinn disse.
— Principalmente se deixarmos algo de ruim acontecer a ela, e não iremos. E sabe... Uma boa briga de vez em quando é bom par acalmar os ânimos! — Blay disse com um meio sorriso.
— É, mas não com o Vishous! E de quebra, o Tira — Qhuinn disse preocupado.
— Isso soou como medo — Mahg disse com um sorriso. — Normalmente é o Blay o mais cauteloso...
— Mesmo? — Qhuinn a olhou pelo retrovisor, enquanto ligava a chave e saía em disparada.
***
Não havia um destino certo, rodaram um pouco pela cidade, esfriando os ânimos. E Mahg disse enquanto estava com a cabeça para fora, tomando a ar gelado em sua face:
— Quero ir ao shopping! Quero comprar roupas, ir ao salão de beleza, aquele que tem um tatuador!
Qhuinn freou, fazendo-os tomarem um solavanco.
— Shopping? Cabeleireiro? Tatuador? Achei que íamos ao Screamer...
— Ei! Isso não vai arrancar um pedaço... — ela disse com falsa inocência, e soube que eles cederiam.
Capítulo 04
O shopping devia estar fechado, mas como havia uma clientela especial, ele funcionava até altas horas da noite. Qhuinn e Blay tomavam cerveja num bar em frente ao salão de beleza em que Mahg estava. Ambos a esperavam.
— O que será que essa menina está aprontando?
— Não sei. Acho que não devíamos ter dado as nossas tintas de tatoo para ela — Qhuinn disse tomando no gargalo da garrafa.
— Tarde demais, pelo tempo que estão lá dentro, o tatuador já teve tempo de trabalhar fodidamente sobre ela — Blay disse tomando sua cerveja.
— Não acha perigoso a deixarmos lá dentro sozinha?
Blaylock olhou seu amante, seu amigo, seu parceiro e sorriu.
— Bom, caso queira partilhar momentos como uma fêmea, sinta-se à vontade. Vou gostar de você da mesma maneira, de couro ou de saias e maquiagem.
Qhuinn abriu os lábios de forma surpresa e sentiu o rubor tomando conta de sua face. Geralmente era Blay quem ficava vermelho. Ele, não. Ah! Essas facetas da vida a dois!
— Espere até estarmos a sós em meu quarto, Blaylock, verá que não necessito de saias ou couro para fod... — ele dizia rindo, quando uma mulher pigarreou à sua frente.
Nenhum dos dois notara a aproximação.
Nada os podia preparar para a visão à sua frente... Ela tinha os cabelos tão longos quanto antes, mas eram de um vermelho intenso e cintilante, seus lábios estavam sedutoramente vermelhos e brilhantes. Seus olhos, realçados pela maquiagem. Trajava um corpete vermelho e sensual, no pescoço trazia uma peça artesanal com pérolas negras, tecido e miçangas, combinando com a renda do corpete. Os quadris estavam realmente à mostra pela calça negra de couro e cós baixo, guarnecida com correntes. E era tão justa que parecia ter sido costurada no corpo. Nos pés, trazia botas de saltos tão fino como ela nunca havia usado, mas certamente, devido aos passos firmes que ela deu ao andar, parecia usá-los desde que aprendera a andar.
— Que foi? Perderam a língua?
Blay tossia, enquanto Qhuinn tampava o próprios olhos.
— Está tão ruim assim?
— Como supõe que te entregaremos na mansão? Você não é a mesma!
Ela abriu um belo sorriso e disse:
— Não mesmo. Olhem só isso...
***
Vishous andava pela casa como uma fera recém-capturada.
— Onde diabos essa menina se meteu? — ele gritou pela décima vez.
— Calma, homem, ela não está em perigo, tenho certeza — Butch disse sentado calmamente.
— Por que, em nome de Deus, você não a encontra? Ela tomou de você! — V acusou, esperançoso, olhando para o amigo.
— Porque eu não quero!
— Caralho, Irmão! Quero a minha menina!
— Ela não é mais a sua menina, Vishous, ela cresceu — Butch disse, irritado, e sentiu Vishous o levantando facilmente pelo colarinho.
— Seu bastardo filho da puta! Eu quero bem a ela.
— Sim, muito bem, e ela vai arrumar um macho que a corteje, ela vai estar em Necessidade...
V sentiu os poros trabalhando ferozmente.
— Não! Não se eu puder impedir!
— Ah, e como vai impedir a vida de seguir seu curso? Se liga, V, você é um vampiro, não um deus!
— Eu podia te quebrar a cara por isso! E se lembre, eu sou o filho de uma deusa! — V sibilou.
— Mas não vai. Vishous, você tem fraquezas, você é o pyrocant de alguém. E nada pode mudar isso! Você é meu pyrocant, por exemplo, e eu nunca impedi você de seguir sua fodida vida.
— Que inferno você disse? — V perguntou com os olhos brilhando.
— Não posso mais negar, V, eu sei que você já se envolveu com outros machos, mas eu não! Como posso explicar o fodido desejo que eu sinto por você? Eu tinha uma shellan, você tinha uma! Mas agora é tão claro que te desejo, como desejo a Mahg. E como você também a deseja! Você explica isso, semideus?
Butch estava tremendo e suando quando terminou de expor seus pensamentos. V ainda o segurava pelo colarinho, mas tinha os olhos vidrados. O olho perto das tatuagens escureceu totalmente. Butch sentiu a mudança, e logo o sentiu soltar sua camisa. Era uma visão, ele tinha certeza, mas Vishous se afastou como se o contato o queimasse. Num instante, o Irmão parecia velho e cansado demais para lutar.
Transtornado, Vishous se afastou.
— O que você viu? Caralho, V, fala logo, seja qual for a merda, eu quero saber.
Vishous respirou longamente e olhou para o amigo. Disse calmamente:
— Dois machos não tem que brigar por uma fêmea; se ela aceita os dois, a descendência de ambos estará garantida. Dois podem chegar ao ápice, mas três podem viver o mais sublime dos prazeres.
— Isso é sobre nós?! Sobre eu, você e Mahg? — foi a vez de Butch caminhar até Vishous e o segurar pela camisa.
— Poderia ser sobre os fodidos cães da mansão, e eu não saberia! — ele disse aflito.
— Porra, Vishous! — a rajada de frio que Butch emitiu angustiou V, que o abraçou naquele instante sem pensar.
— Só quero a nossa menina de volta! Eu pensei que nada doeria mais do que perder minha Jane, mas perder minha Mahg é o meu fim.
Butch não disse nada, naquele instante apenas sentiu o corpo forte contra o seu.
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