Irmandade: Guerra Terrígena Marvel 717 5
5 Epílogo
— Eeee… tcharan! — Simon exclamou, fazendo um grande floreio com os braços ao abrir a porta da sala de seu apartamento.
Bobby tinha de admitir, a reforma tinha mesmo ficado excelente. O apartamento estava exatamente como antes de Simon acidentalmente colocar fogo nele, porém mais bonito e, claramente, pensado para duas pessoas em vez de uma só.
Ele sentiu as bochechas corarem um pouco, mas manteve o queixo erguido e decidiu fingir que não tinha percebido, enquanto puxava a mala de rodinha para dentro com o que tinha sobrado de seus pertences. Não era quase nada, a maior parte tinha sido destruída na invasão, mas tinha conseguido buscar algumas roupas de emergência na casa dos pais então já servia de alguma coisa.
— Mas você tem certeza mesmo disso? — Bobby perguntou, os bonecos de neve já carregando suas coisas para o quarto de Simon, que agora era o quarto deles.
— Se perguntar mais uma vez eu digo que não só pra ver sua cara — Simon brincou, arrancando um beijo estalado da boca de Bobby. — Vai ser ótimo. E vai te fazer bem, você precisa dessas férias.
— Ah, é. As férias…
— Não vem com “ah é”, Bobby, você prometeu. Nada de X-Men, nada de Homem de Gelo por pelo menos uns dois meses. No mínimo. Não estraga nossa lua-de-mel.
— É isso que isso aqui é? Uma lua-de-mel? A gente não devia estar casado pra isso?
Simon, que estava pegando algo na geladeira, esticou a cabeça por cima da bancada.
— Isso é um pedido? Espero que não seja, porque foi bem broxante. Eu espero mais. Fogos de artifício, esculturas de gelo… Algo bem estravagante.
Bobby riu. Os bonecos de neve já tinham terminado de carregar as coisas, então ele os dissolveu no ar. Simon tinha obrigado Bobby a não se preocupar com a janta no dia da mudança e já estava na cozinha fazendo alguma coisa, então sob a ameaça de passar a primeira noite na casa nova no sofá, ele decidiu obedecer e apenas se sentar e ligar a televisão.
Ouvia Simon picando alguma coisa na cozinha, e estava lutando contra a vontade de oferecer ajuda, quando parou em um canal da televisão no mínimo… curioso.
— Simon! — Chamou.
O mutante veio quase correndo, provavelmente pensando ser algo relacionado a Bobby, mas assim que viu a televisão, parou a seu lado curioso.
Era uma reportagem, e a repórter falava à frente da imagem congelada do que parecia ser um frame de um vídeo específico.
— …o vídeo foi postado na conta da rede social que pertencia aos Novos Mutantes, e agora foi alterada para indicar ser parte da Irmandade de Mutantes. A declaração já tem um milhão de visualizações e tem despertado opiniões em todo o país. Ainda não se sabe qual o posicionamento dos X-Men sobre a mudança de seus antigos alunos, mas…
— Do que ela tá falando? — Simon cortou.
Confuso, Bobby pegou o celular, procurando pelo vídeo específico. Não demorou nada para achar. Ele continha seus antigos Novos Mutantes enfileirados ao lado da Irmandade, com os líderes de ambas as equipes ao centro, mas a conta muito claramente se nomeava “Nova Irmandade”. Ainda sem saber muito o que pensar, ele deu play no vídeo, e Luke começou a falar.
— Olá, caros amigos mutantes e apoiadores que estão assistindo esse vídeo. Em nada nos alegra estar aqui hoje para fazer um pronunciamento desse tipo, mas os acontecimentos recentes nos obrigaram a tomar uma posição. Desde que eu e meus colegas chegamos ao Instituto Xavier, fomos apresentados a uma visão, na qual ainda acreditamos, de um mundo no qual mutantes e humanos possam viver em harmonia. Infelizmente, depois do ataque terrorista sofrido recentemente, ficou claro para nós que esse sonho é muito distante, e que não pode ser alcançado apenas com a nossa boa vontade quando nossos inimigos estão dispostos a usar das armas mais sórdidas e cruéis imagináveis para nos destruir. O terrígeno, além de poder matar ou ferir muito gravemente mutantes, ainda pode esterilizá-los, e isso torna impossível para nós ver o ataque ocorrido como qualquer coisa menos que uma tentativa de genocídio.
Luke parou de falar, e depois dele, Cassian, líder original da Irmandade de Mutantes, assumiu.
— É por conta disso que resolvemos nos juntar. Não mais toleraremos qualquer ataque, ameaça ou insinuação do tipo direcionada à nossa espécie. Não é mais com os X-Men que nossos inimigos devem se preocupar. É conosco. E nós não vamos nos segurar quanto a usar qualquer arma à nossa disposição para proteger os nossos. Guerra será respondida com guerra.
— Qualquer mutante que precisar de ajuda terá a nossa proteção — Luke prosseguiu. — Estamos montando uma central para receber mutantes necessitados onde ficava o Instituto Xavier, e vamos oferecer auxílio a qualquer um que precisar, seja com medicamentos, comida ou abrigo. Estamos aceitando doações. Nós não somos inimigos dos humanos. Nós queremos um mundo onde todos possamos estar juntos. Se você quer nos ajudar, se você não está contra nós, você é bem-vindo para nos ajudar nessa construção.
— Mas — Cassian continuou. — Se você planeja, pelas sombras, atacar um mutante que não fez nada de errado apenas por quem ele é… Se você arma para ferir ou até matar um de nós, como aconteceu com amigos nossos, como aconteceu com nossa família… Com os Morlocks, a poucos anos atrás… Nós vamos atrás de você. Nós vamos te encontrar e vamos garantir que seus planos sejam frustrados e você pague pela sua intolerância. A qualquer custo. Obrigado pela atenção.
O vídeo acabou. Bobby piscou os olhos, um pouco surpreso, abrindo os comentários e se arrependendo imediatamente. Haviam muitos comentários de apoio, mas também muito chorume, e ele decidiu que não queria olhar, deixando o telefone de lado e olhando para a televisão. Já haviam protestos acontecendo de pessoas dizendo que a Nova Irmandade estava “ameaçando os humanos” ou coisa parecida. Mas também haviam protestos de apoio, grupos e mais grupos de mutantes chegando onde a Mansão tinha caído e começado a se reunir.
Parecia o começo de algo novo. Perigoso, mas novo. E algo que estava na mão de crianças — bem, alguns deles já tinham dezoito anos, então não sabia sequer se podia chamá-los assim — mas algo que, no fundo, sequer sentia que podia discordar. Tinham tentado exterminá-los. Quando enfim seria o bastante?
Talvez agora fosse. Talvez fosse hora de tentar errar de uma forma diferente.
— Eu sei o que você está pensando — Simon comentou, abraçando Bobby por trás. — Você está de férias, lembra?
— Eles podem precisar de ajuda.
— Se precisarem, outros mutantes que não estão de férias vão ajudar. Se permita descansar, Bobby. Só um pouco, ok? Depois eu juro que vou até lá com você.
Bobby olhou um pouco zonzo para a sala, e então para o começo de janta na bancada da cozinha. Tinha ido até ali para tentar viver uma vida tranquila ao menos por um tempo, e agora percebia que, enquanto fizesse isso, o mundo ainda ia girar. Precisava aprender a deixar que girasse um pouco fora de suas mãos.
— Tem razão — ele comentou, fechando os olhos por um instante e se recostando no sofá. — Vou escolher um filme pra gente ver na janta, ok?
— Excelente — Simon respondeu, roubando outro beijo estalado e voltando para a cozinha.
Bobby encarou a reportagem mais uma vez antes de mudar para o streaming. Agora, ao menos por um curto tempo, tudo o que queria era estar em paz.
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