Irmãos de Sangue
28 Prólogo
Notas iniciais
Montreal — Canada — Janeiro de 2110 1:12
Eu olhei para a beira do precipício, cair dali seria morte na certa. Eu respirei fundo, então acaba aqui?
Calma Cebolácio, lembre-se do motivo, vamos pense.
Há! Esquecer seria quase que ridículo.
Meu querido irmão me contou o que ele fez na noite de 2009, março, que engraçado, eu ainda me lembro a data.
Ele sorri radiante. Pelo menos ela teve uma boa vida.
Mônica Souza, 1,67 de altura, dentes salientes cabelos cortados até os ombros, covinhas encantadoras que ela adorava mostrar, se não me engano tirou a nota máxima no trabalho de história do segundo ano do ensino médio, foi a primeira da faculdade de medicina. Ela conheceu um bom rapaz, James, um médico exemplar — e teve vezes que eu me esforcei para não arrancar a sua cabeça — eu a estava observando, sempre, todo dia e toda noite, na noite de sexta feira nasceu o querido Harry, sem duvidas a criança mais linda que eu já vi, mesmo tendo tido os mesmos caracteres de James, eu amava esta criança, e estaria mentindo se não dissesse que muita das vezes o ajudei, mesmo sem ninguém sabendo disso.
Monica passou por uma faze difícil da sua vida, ela não conseguia engravidar, e Harry odiava ficar sozinho e compraram o Tobby, labrador, este cachorro era completamente irritante, mas vez ou outra enquanto todos dormiam eu jogava a bolinha para ele pegar.
Harry estava com 6 anos se não me engano e Monica passou por analises e estava na cara que ela não poderia ter filhos, na noite de terça feira ela descobriu que por milagre estava grávida das gêmeas idênticas Emma e Nina, ambas tem os dentes salientes, mas a maior parte da aparência física continua sendo de James, o que me irrita profundamente, o meu reconforto é que a personalidade delas mantem-se fiel á de Mônica. Eu estava lá quando Emma arrancou seu primeiro dente e fez Nina morrer se inveja, estava lá quando Nina perdeu a virgindade, particularmente quis matar aquele garoto por tirar a santidade da minha princesinha, eu estava no natal, páscoa, ação de graças, particularmente sabia mais da vida delas que James.
A ciência estava já bastante evoluida e estenderam a vida dos seres humanos, muito, e isso não ajudou a dor passar, eu vi Mônica criar seus cabelos brancos, suas rugas, seu sorriso ficar mais fraco e sem toda aquela vida que aquela menininha tinha, tão feliz.
Ela morreu ali, na cama, enquanto dormia, seu coração bateu por 450 vezes, respirou por 204 e assim, no seu ducentésimo quinto suspirou ela partiu, ano de 2098, foi uma morte calma e pacifica.
Se eu pensei em me matar neste exato momento? Eu estava com a faca presa em minhas mãos, mas eu precisava saber como nossos filhos iriam ficar. Nossos.
Provavelmente a coisa mais estupida que eu já fiz, foi quase como morres, se eu já não estivesse sido morto. Um ano depois James morreu, não posso o culpar, sendo que ele também a amava, e era bom saber disso, quase tão bom quanto saber que ele morreu.
Eu compeli Harry, Nina e Emma, eles estão tão bons quanto alguém poderia ter ficado num momento como estes. Todos já haviam saído do velório. Eu encarava a pedra de mármore com o nome escrito, nome que eu não queria ler, parecia tão estranho, a qualquer momento eu tinha certeza que apareceria para Monica e quebraria o acordo, que ela continuaria o resto da sua vida comigo, que eu teria a vida que James teve, mas parece que eu esperei demais, e agora ela se encontra aí, mais carniça do que carne.
Foi a primeira vez em mais de um século que eu vi o meu irmão, ele estava lá, pouco atrás de mim, compartilhando a dor, eu queria, e como queria me virar para ele e acusa-lo de que tudo isso é culpa dele, mas eu não deixaria que ele soubesse que eu sabia que ele estava ali, acho que viver com a dor da perda para ele será bem pior do que se eu o matar aqui e agora. Foi a primeira vez desde que Katherine morreu que eu o vi chorar, e não foi como agora, ele parecia que iria morrer, porque agora não tinha mais nada o que fazer. Ele simplesmente não podia ser tornar um vampiro e esperar que a dor passasse, por que não passaria, ele passou mais de 500 anos sofrendo por Katherine e eu não imagino o quanto ele iria sofrer, e isso era muito bom.
Eu sabia que ele também havia observado ela de longe, assim como eu, só que ao contrario de mim, ele odiava James, odiava Harry, odiava Nina, odiava Emma, odiava todos que estavam ao redor dela simplesmente porque ele não podia estar. Tobby, ele gostava de Tobby, uma vez eu o peguei brincando com o cachorro só que no mesmo momento em que eu o vi ele desapareceu. Deve ter sido duro a morte dele 60 anos atrás.
Nos meus momentos mais devastados, eu posso admitir que dormi com uma prima de Mônica, algumas parentes, e não duvido um centavo de que meu irmão também. Mas nunca era a mesma coisa, não era ela, não era o gosto dela, não era o cheiro dela, e param piorar nenhuma delas tinha os dentes salientes como Mônica, os de Harry eram realmente um pouco mais saltados, mas ele era meu filho e ele usou aparelho, eu odiei, Monica porem adorava ser diferente e continuar com eles, e eu adorava isso.
Agora meus filhos estão praticamente morrendo e não se se sobreviverei a uma vida sem nada que me lembra dela, Harry não teve filhos, Nina e Emma nasceram com o problema no ovário que nem a mãe. As razoes pela quais viver agora são poucas.
Por isso a ponte me parece tão tentadora.
– Você não vai mesmo pular, vai? — Uma voz familiar me chama e o meu corpo estremece, e me deparo com a última coisa que esperava ver na vida.
Monica com provavelmente uns 12 anos, sim, ela deveria ter uns 12 anos.
– Mônica... — Eu arregalo os olhos e sibilo a última coisa que cogitar — Katheriene...
A menininha estreita os olhos castanhos e mantem as coninhas marcadas, esta tem os cabelos pouco abaixo dos ombros e morde os lábios com os seus dentes enormes e salientes.
– Não... Eu... me chamo Charlotte — A menininha sorri docemente.
– Sinto muito é que... Você realmente se parece com alguém que eu... Perdi, doze anos atrás...
Os olhos dela merejaram , ela realmente parecia tocada com a minha história, depois um sorriso sapeca e familiar invade seus lábios
– Creio que seja só coincidência... — ela sorri com o olhar vagando longe, como se lembrasse de algo.
Eu sorrio para Monica.
– Pode apostar que não...
Seus olhos mostraram um misto de surpresa e pena.
- Mas, hm, você não quer tomar um sorvete, eu te explico o resto da historia.
Seus olhos se iluminam.
- Eu iria adorar! — ela lambe os beiços — mas tem que ser de caramelo!
- Será de caramelo! — Eu sorri, e depois de muito tempo pude perceber, e isso quase me fez perder a sanidade, era o colar que eu havia dado para Mônica como prova do nosso amor,e ela o usava,sem o menor pudor, exibindo a pérola azul sobre o vestidinho florido com cores vivas, estaria eu perdendo a sanidade?
-Aonde você arranjou isso, Lottie? — Eu respiro tentando deixar minha respiração voltar ao normal.
Ela olha para baixo a procura do objeto ao qual eu apontava, e o agarra com força, o apertando contra as mãos
- Um cara me deu ele ontem, não sei, ele estava nesta mesma ponte... Agora olhando bem ele se parece muito com você... E me disse que perdeu alguém que amava...Também... E que eu parecia muito com ela, por falar nisso, ele me disse que iria me encontrar daqui a pouco e... Ah, Deus, aí está ele!
E senti a minha alma escorrer pela ponta dos dedos;
Mas isso, já é uma outra história...
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