Eu estava nervosa então andava junto a Sebastian que as vezes me lançava olhares de canto de olho, porem eu fingia não ver, quando entramos na sala de jantar vi que tinha um homem sentando na ponta da mesa com expressão impaciente que se suavizou quando me viu.

— Vejo que está bem. – sua voz me causou uma sensação de raiva e nojo.

— Já me sinto melhor. – foi tudo que respondi.

Sentei ao lado do Sebastian que tinha sentada ao esquerda do nosso pai de frente com Celeste que agora usava uma blusa decotada, e tomava uma taça de vinho.

— E a memória? – seu tom era baixo e podia sentir os olhos dele em mim, tentando ver através de mim.

— Nada. – senti um frio com essa verdade que já fazia uma semana que tinha acordado naquela enfermaria e não tinha lembrado de nada.

— E uma pena. – sua voz não tinha pesar ou qualquer coisa parecida, parecia até aliviada, o que me fez pensar o que ele queria que eu não lembrasse.

— Vamos comer. – Celeste tinha um olhar fixo em Sebastian e um sorriso sedutor.

Tentei comer calma, mas a situação em si era estressante e não sei porque aquela mulher olhando para meu irmão me irritava profundamente, ao final do jantar fiquei feliz de estar livre.

— Selena, poderíamos conversar no escritório? – sua voz era baixa e me fez ter um mal-estar.

Eu estava em pé e ele nem esperou minha resposta e subiu, comecei a seguir de forma automática e quando entrei olhei para trás vendo Sebastian que estava vindo com um olhar sério, mas logo a porta foi fechada e ele ficou pra fora.

— Tenho certeza que ele vai viver se vocês se separarem um momento, afinal você não eram tão próximos antes. – Brian antou até uma poltrona e indicou a outra para mim.

Tentei me manter calma e me sentei em silencio, olhando um pouco a decoração que era escura e com tons de terra, a lareira estava acessa o que deixava o ambiente quente e opressor.

— Como está se sentindo? – ele agora me olhava atento e senti que podia ser acusada de algo a qualquer momento.

— Eu estou melhor. – minha voz saiu vacilante e ele levantou uma sobrancelha.

— Sua memória? – sua voz agora mostrava interesse maior do que antes.

— Nada. – tentei soar calma, mas minha memória perdida me deixava nervosa.

— Entendo, então Sebastian está aproveitando. – ele riu e se levantou indo pegar um copo do que parecia uísque.

— O que quer dizer com isso? – me levantei olhando pra ele me sentindo pela primeira vez com raiva.

Sebastian era o único que estava realmente me ajudando como ele podia dizer que ele está aproveitando com aquele tom de voz.

— Simples, tem um motivo para você e ele não serem tão próximos antes, ou ele não te contou nada. – fiquei olhando pensando no que ele disse, realmente Sebastian tinha falado que não éramos próximos, mas ele parecia esconder alguma coisa.

— Não sei o que quer dizer. – olhei para a porta tentando fugir.

— É claro que não, mas deixe-me te refrescar a memória. – ele se aproximou colocando uma mão em meu queixo e me obrigando a olhar para ele. – Sebastian e obcecado por você, ele já machucou pessoas dizendo que estava te protegendo, ele e um psicopata e você e a obsessão dele, porque será que você quis parar de dividir o quarto com ele depois do primeiro ano de Hogwarts, ele machucou três garotos que tiveram que ser levado para St. Mungus de tão sério, só porque eles puxaram seu cabelo, ele ficou duas semanas de castigo e quando terminou tudo o que ele fez foi ir atrás de você e te fazer ficar com ele e só ele, afinal ele ama você, não só como irmão e irmã, e sim como mulher, mas quem pode culpar ele já que você e linda, tão parecida com sua mãe. – ele estava se aproximando e por impulso me afastei.

Quando olhei em seus olhos vi desejo, e aquilo fez meu corpo sair correndo, ao sair pelo corredor vi Sebastian encostado na parede olhei assustada indo para meu quarto e fechando a porta. Meu coração estava a mil e corri para fechar a porta que juntava meu quarto com do Sebastian, senti meu rosto quente quando percebi que agora eu estava o evitando, eu não queria isso, mas minha mente estava tão confusa e minha cabeça doía e me senti fraca, sentei no chão atrás da porta tentando raciocinar o que faria dali pra frente, eu precisava pensar o que fazer depois daquilo, uma parte minha estava chocada por saber o que tinha acontecido e outra se sentia aquecida por saber que ele sempre me protegeu, não sei quando tempo fiquei ali, mas acordei no outro dia na minha cama com uma dor de cabeça enorme, levantei tentando lembrar o que tinha acontecido e vi Sebastian dormindo torto na poltrona do meu quarto, me senti culpada por alguma vez tê-lo machucado ou evitado ele, mesmo que ele tenha feito coisas horríveis, foi tudo pra me proteger e agora ele estava fazendo de tudo para me ajudar, senti meus olhos embasarem.

— Porque chorando logo de manhã? – sua voz se aproximou e logo ele estava secando minhas lagrimas.

Não pensei duas vezes antes de me lançar em seus braços e soluçar.

— Hei está tudo bem, está tudo bem, eu estou aqui agora, o que o papai fez com você? – ele agora parecia furioso, mas tentava segurar para não me assustar.

Neguei com a cabeça e ele suspirou se afastando.

— Não vai me dizer? – ele olhou atento para mim e eu sabia que ele estava tentando me ler.

— Não importa mais. – tentei ser firme.

— Ele falou sobre mim não foi? – sua pergunta foi calma e não tinha raiva, ao contrário ele sorria como se tivesse me pegado em uma mentira.

— Eu... – tentei formular alguma coisa para falar.

— O que você quer me perguntar? – ele riu voltando para a poltrona me dando espaço.

— Ele me disse que você machucou pessoas. – deixei a frase no ar esperando que ele me falasse alguma coisa, mas ele ficou um tempo me olhando.

— No primeiro ano, três alunos resolveram que puxar seu cabelo era engraçado, já tínhamos falado com os professores e nada, então eu tive magia espontânea. – sua calma era reconfortante.

— Magia espontânea? – eu fique confusa com o termo.

— E magia sem intenção, não que eu não estivesse bravo com eles, mas eu não queria que aquilo realmente acontecesse só aconteceu. – sua voz era baixa.

— Só isso? – eu senti a esperança crescer no meu coração, eu sabia que ele tinha apenas me protegido.

— Teve algum meninos que mexeram com você depois, não vou dizer que foi magia espontânea, mas eu não machuquei eles sério. – ele tinha agora um olhar mais sombrio.

— O que eles fizeram? – minha pergunta parece que o deixou desconfortável.

— Eles tentaram te agarrar, alguns tentaram te bater e outros foram rudes com você. – ele agora olhava pela porta de vidro que estava com a cortina branca fechada.

— E o que você fez com eles? – minha voz estava baixa.

— Eu azarei eles, nada de mais, se quiser você pode perguntar para os professores, se bem que eles vão dizer o quanto eu sou assustador. – sua voz era distante.

— Obrigada. – me lancei mais uma vez em seus braços e isso pareceu o assustar. – Por sempre cuidar de mim.

Ele me apertou em seus braços antes de rir e me colocar em seus joelhos sentada.

— Certo, já que agora estamos resolvidos que tal waffer de chocolate para o café da manhã. – ele riu quando eu balancei a cabeça animada. – Ótimo, vai se arrumar eu já volto para te buscar.

Saiu do quarto indo para o dele e eu corri para o banheiro tomando um banho rápido e colocando uma calça de malha preta e uma regata azul justa ao corpo, fiquei descalça afinal estava em casa, era estranho não lembrar de nada, mas de alguma forma era familiar, estava no closet quando vi um colar artesanal com um cristal azul, fiquei olhando quando uma memória veio.

“Estava sentada no chão do quarto, era pequena, tinha meu malão de Hogwarts ao lado quando um Sebastian pequeno entrou.

— Está pronta? – ele fechou meu malão e foi de encontro comigo.

— Terminei. – sorri para ele mostrando dois colares, uma com cristal azul e outro com cristal alaranjado.

— O que é isso? – ele sorriu quando coloquei o laranja no pescoço dele.

— Eu aprendi em um livro do papai, e um feitiço simples, assim sempre vamos saber se o outro estiver com problemas, ele vai esquentar e você vai sentir aonde me encontrar e eu você. – sorri para ele colocando o meu.

— Certo, eu gosto disso. – ele beijou a minha testa.

— Já temos que ir? – fiz bico pra ele que sorriu para mim mais uma vez.

— Sim, não precisa ter medo, nada vai te acontecer estaremos juntos.

— Menino Sebastian, Nina vai leva-los. – a elfa da família esticou a mão.

— Certo, se segure em mim. – Sebastian me apertou em seus braços e entregou os malões para a elfa e pegou sua outra mão e sumimos em um segundo. ”

— Selena? – me assustei olhando para a porta do closet e vi Sebastian com um olhar preocupado.

— Eu já estou indo. – peguei o colar e coloquei no pescoço por dentro da camisa.

Ele me olhou por um momento então descemos juntos para a sala de jantar.

O café foi bom, comemos besteira e estava só nos dois na mesa, Sebastian me falava sobre como éramos pequenos e quando queríamos alguma coisa nos ajudávamos, quando ele fazia as coisa para mim, quando eu aprontava e ele assumia a culpa, subimos para o quarto e o almoço foi algumas guloseimas que os elfos nos levaram, estávamos rindo quando Nina apareceu nos avisando do jantar mais uma vez, e contando com entusiasmo que hoje teríamos Petit gateau de chocolate com sorvete de nata, minha sobremesa favorita, mesmo sem lembrar agradeci o que deixou a elfa extremamente feliz, troquei de roupa e coloquei um vestido azul escuro e prendi meu cabelo em um coque froxo e fui de encontro com Sebastian que pra minha surpresa estava com uma camisa agora no mesmo tom que meu vestido, descemos rindo e quando chegamos vimos que não estávamos sozinhos, na mesa Celeste usava um vestido vermelho decotado e tomava uma taça de vinho, seu olhar era felino quando entramos no cômodo.

— Seu pai foi para uma reunião de emergência, então será apenas nos. – sua voz me irritava e agora sentada no lugar do papai ela ficava ao lado do Sebastian e falava apenas com ele.

Nos sentamos em silencio, e comemos o mais rápido possível.

— Por que não me faz um pouco de companhia? – Celeste segurou Sebastian pelo braço.

Senti meu sangue subir.

— Bas quero subir estou com sono. – fiz minha carinha mais adorável e ele sorriu para mim concordando e se soltando de Celeste.

Notas finais
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