Irmãos
1 Capítulo 1 - Aqueles que eu devo proteger
Notas iniciais
Todos os nossos dias eram difíceis. “Os baderneiros de Piltover atacam novamente” alguém gritava ao fundo, tudo bem, nós tínhamos culpa nisso, não posso negar.
Eu, Ekko, Jinx e Arth tínhamos acabado de roubar comida de um vendedor nojento da ponte de Valsa. Sinceramente? Ninguém se importava com aquele velho nojento e enquanto corríamos com todas aquelas frutas nos braços ele simplesmente olhava para Jinx com desejo, a olhava mesmo que ela fosse apenas uma adolescente, me lembrarei de como olha minha irmã daquele jeito.
Depois de tanto correr, longe de tudo que a Cidade do Progresso conhecia. O lado mais escuro e pobre de Zaun. Aquela última casa, no ultimo empoleirado, no ultimo telhado logo depois da última estação de água que um dia foi potável, bem na última ruazinha de bosta que viviam com outros nove órfãos. Quando os quatro chegaram, as crianças vibraram de felicidade, eles, os mais velhos, eram seus heróis, todos ali queriam ser como eles.
Ekko e Arth ajudavam as crianças mais nova, aquelas duas pessoinhas de narizes rosa a partir uma melancia. Jinx fazia gracinha com as bananas e maçãs para os meninos mais velhos do grupo. Eu peguei as maçãs e levei até o canto, onde as novas recrutas, ainda muito assustadas, estavam.
— Aqui, podem comer.
As três meninas, muito silenciosas e com cicatrizes horríveis saíram das sombras, revelando sorrisos sinceros enquanto comiam as frutas.
~~
— Os meninos já estão dormindo – disse Jinx enquanto se sentava na cadeira vazia ao nosso lado.
— Podíamos fazer algo diferente, você e Vi sempre conseguem bebidas de graça para a gente no Bar lá da frente.
— Tanta merda acontecendo lá fora e você quer beber Arth? – Aquilo me irritava, batendo a mão na mesa olhei para ele novamente – Em algum momento você pensou nas outras pessoas que não seja você mesmo seu merdinha mi..
— Estão brigando novamente?
Agora quem entrou na sala foi Ekko, com os braços cruzados. Ele era o que sempre nos mantia por perto. Antes de tudo, éramos em treze pessoas, treze pessoas em um pró, ajudar os abandonados de Zaun, aquelas crianças que sofreram como nós e que são chamadas de baderneiros quando só querem algo de comer.
— Olha Vi, – Ele colocou a mão no meu ombro – talvez Arth esteja certo. Estamos tão focados em ajudar eles que as vezes não ligamos para nós. Olhe ela – apontou para Jinx, conversando sozinha novamente, baixinho. Ele balançou a cabeça negativamente – Ela está enlouquecendo por coisas que nós fazemos todos os dias, isso não é bom para ela.
Ele tinha razão, Jinx era a mais nova, ninguém sabia de onde ela vinha, só tinha surgido em um bueiro de Zaun a uns anos atrás falando sozinha, mas isso nunca atrapalhou seu convívio com as pessoas, mas agora isso havia aumentado consideravelmente.
— Jinx, querida? – Eu a chamei, quase sussurrando, tínhamos aprendido a nunca interromper realmente uma conversa que só ela entendia.
— Então, então tudo explodiu Vi! E grandes, grandes bombas fizeram uma fumaça enorme e então tudo ficou escuro, sabia?
— Sim minha pequena, agora, você gostaria de sair?
Arth e Ekko se entreolharam, conversando através de olhares sobre as condições de Jinx novamente.
— Vamos no Bar?
— Sim, ao Bar.
~~
Uma regra sobre os bares de Zaun, vá com roupas sexys ou você não entrara. Não tínhamos nem roupa para o dia a dia, então nossas roupas normais já permitia a entrada sem nem ao menos pestanejar. Eu e Arth nos separamos de Ekko e Jinx, pegar algumas moedas e notas de caras bêbados era nossas especialidades. Os caras estavam tão bêbados que não enxergavam um palmo na sua frente, poderiam tomar uma porrada na cara que mal sentira, bêbados o suficiente para um coma alcoólico para qualquer pessoa normal, mas estamos em Zaum, ninguém aqui é normal o suficiente.
Passamos na bancada de bebidas com nossas novas notas, pegando batidas de algo verde e amarelo, literalmente essa merda trocava sempre de cor, o motivo eu não sei. No meio do Bar Jinx e Ekko conversavam tão perto que quase se beijavam, Arth estava do meu lado, segurando os dois copos com tanta força que os nós dos dedos ficavam brancos.
— Ei, Arth – ele me olhou – Não sei o que você e o Ekko tem entre si, mas deixem minha irmã fora disso.
— Ela não é sua irmã de verdade.
— E está doente. Ela é tanto minha irmã quanto o Ekko é seu irmão. Irmãos não possuem relacionamentos amorosos, então não foda com tudo.
Depois de falar isso, fui até a mesa e me sentei entre os dois, Arth, ao lado de Ekko.
Deveríamos está no quarto ou quinto copo daquela coisa amarela e verde quando Jinx se levantou da mesa e foi até o palco, falando com o cara da música.
— VI!! – Ela gritou já alterada – Venha! Vamos cantar.
Fingi que não ouvi e virei o rosto, de longe a música que eu já conhecia começava, Ekko e Arth me olhavam com aquela cara de sempre, o de “não deixe ela passar vergonha sozinha”.
— Wanna join me, come and play.... But I might shoot you, in your face...
Pegando o microfone, já rindo de toda a situação, tentei continuar de onde ela havia parado.
— Bombs and bullets will do the trick...What do we need here, is a little bit of panic!
Ela começou a se mexer freneticamente enquanto a batida da música foi ficando mais violenta.
— Do you ever wanna catch me?
— Right now I'm feeling ignored!
— So can you try a little harder?
— I'm really getting bored!
Agora todo o bar já estava de pé, as poucas mulheres presente dançavam ao som violento da música igual a Jinx fazia do palco.
— Come on, shoot faster...Just a little bit of energy!
— I wanna try something fun right now....I guess some people call it anarchy!
Talvez eles tivessem razão, eu me preocupava de mais com os outros e estava esquecendo de mim, estava na hora de me soltar um pouco, volta a ser quem eu realmente era anos atrás.
— Let's blow this city to ashes...And see what Pow-Pow thinks....It's such pathetic neatness....But not for long, 'cause it'll get jinxed!
As pessoas iam a loucura, cantando junto e achando estranho essa última adaptação de “Jinxed”, algumas pessoas achando até engraçado.
— So much better, so much fun....Let's start from scratch and, blow up the sun!
Nesse ponto eu já não ligava mais quem estava olhando e estava dançando junto com ela no palco, nossas costas se encostavam e cada uma rebolava para um lado, fazendo com o que os homens presentes começassem a jogar algumas moedas no palco.
— Come on, shoot faster...Just a little bit of energy!
— I wanna try something fun right now...I guess some people call it anarchy!
— Let's blow this city to ashes...And see what Pow-Pow thinks
Agora nós estávamos nos olhando e balançando com a música, sem importar muito a vez de cada uma, apenas cantando e ouvindo o pessoal vibrando.
— It's such pathetic neatness....But not for long 'cause it'll get...
— JINXED!
A música acabou junto com o nosso folego, ainda rindo, nos despedimos do palco pegando as moedas do chão e indo embora, nós quatro, como não fazíamos a muito tempo.
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