Notas iniciais
É sempre bom ter uma introdução para a história, então o prólogo é a introdução. Importante dizer que quando tem '***' é porque em seguida vai mudar o narrador

'O que eu vou fazer, o que eu vou fazer... Tenho que solucionar esse problema da empresa, não posso permitir que o infeliz do Sidney estrague tudo.' Foi assim! Falando comigo mesmo que acabei me batendo em uma mulher! Ela era linda! Cabelos pretos e olhos azuis, alguns poucos centímetros mais baixa que eu, e um sorrisinho tímido simplesmente maravilhoso.

'Oh! Desculpe-me senhor, eu estava tão distraída com meus pensamentos que nem o vi.' Sua voz era muito bonita, não sei quanto tempo fiquei hipnotizado por ela até conseguir falar algo.

'É... tudo bem, eu também estava distraído' Dei meu melhor sorriso para ela.

'Eu nunca havia vindo aqui antes, até que é bonito, não é?' Disse ela olhando para o lago que estava a nossa direita.

'Sim, é' Eu respondi, sem nem olhar direito para o lago, a verdade é que o lago não me parecia tão belo quanto a mulher a minha frente. 'Você mora aqui perto?'

'Não muito, mas trabalho aqui perto. Sou chefe de cozinha' Parecia ser uma mulher orgulhosa do trabalho que fazia.

'Que legal! Minha mulher cozinhava. Bem... Ela achava que cozinhava. Mas ela gostava tanto que nunca tive coragem de dizer a ela que era péssima na cozinha.' Me lembrar de Selene sempre me dava um pouco de alegria, mas sempre durava pouco também.

'Gostava? Ela não gosta mais?' A mulher estranhou.

'Ela faleceu a alguns anos.'

'Oh! Eu... sinto muito.'

'Tudo bem, já era pra eu ter superado isso. Mas é difícil.'

'Eu sei bem disso.' Ela sorriu fracamente 'Bom... Melhor seguirmos nosso caminho, não é mesmo? Já lhe importunei mais do que devia.'

Ela passou por mim, mas não a deixei ir muito longe. Algo me dizia que eu não podia deixá-la partir assim tão facilmente. Algo me impeliu a agir. E antes que ela estivesse fora do alcance de minha mão eu segurei o pulso dela gentilmente e a puxei pra mim. Eu a beijei como jamais beijei Selene.

***

Eu estava andando distraidamente por um parque, um parque que minha mãe e meu pai sempre disseram que me levariam, pois era onde haviam se conhecido "Foi amor a primeira vista" eles disseram. E quase 30 anos depois, estão se separando por algo tão estúpido como o ciúme do meu pai.

Minha mãe já tem quase 70 anos, mas está melhor de corpo do que eu. Às vezes isso me dá vontade de chorar. Ela faz musculação, luta e ainda tem tempo pra andar de bicicleta pela nossa rua, que não é pequena. E ela dá umas 3 voltas eu não aguento nem uma caminhando. É deprimente saber que mamãe tem mais fôlego que eu.

Mas também...Não tenho tempo pra isso eu trabalho como chefe de cozinha de um grande hotel, faço o café da manhã e o almoço e depois ainda vou pra um orfanato fazer trabalho voluntário lendo pras crianças dormirem, primeiro vou no dormitório das meninas e depois na dos meninos. Eles adoram! Até mesmo os que já se consideram adultos.

Acredita que um garoto de 16 anos me disse uma vez "Eu já sou muito adulto senhora, sei coisas que você nem imagina!" Claro que me fiz de desentendida, mas me chocou que ele achasse essa atitude adulta.

Foi pensando nessas coisas que eu acabei me batendo em um senhor de lindos cabelos castanhos e olhos verdes apenas um pouco mais alto que eu. Sorri envergonhada, como eu pude ficar tão distraída a ponto de me bater em um cara tão lindo assim.

'Oh! Desculpe-me senhor, eu estava tão distraída com meus pensamentos que nem o vi.' Ele ficou uns cinco minutos me olhando sem dizer nada.

'É... tudo bem, eu também estava distraído' O sorriso dele era simplesmente... magnific.

'Eu nunca havia vindo aqui antes, até que é bonito, não é?' Falei me virando para o lago que estava ao nosso lado.

'Sim, é' Ele respondeu. 'Você mora aqui perto?' Perguntou-me, estranhei um pouco a pergunta mas respondi.

'Não muito, mas trabalho aqui perto. Sou chefe de cozinha' Eu tinha orgulho de ser a chefe do maior e melhor hotel da cidade. Não achei de bom tom me gabar de fazer trabalho comunitário, ele poderia achar que eu estava querendo me aparecer apenas.

'Que legal! Minha mulher cozinhava. Bem... Ela achava que cozinhava. Mas ela gostava tanto que nunca tive coragem de dizer a ela que era péssima na cozinha.' Foi lindo como seu olhar se iluminou falando da esposa. Mas depois se entristeceu por alguma razão.

'Gostava? Ela não gosta mais?' Perguntei temendo o pior.

'Ela faleceu a alguns anos.' Eu sabia que deveria ter fechado minha boca grande.

'Oh! Eu... sinto muito.' E sentia mesmo, eu sabia como era aquela dor.

'Tudo bem, já era pra eu ter superado isso. Mas é difícil.' Seu olhar que antes estava em mim virou-se para o lago, mas ele parecia mais contemplar o vazio que o lago em si.

'Eu sei bem disso.' Sorri fracamente 'Bom... Melhor seguirmos nosso caminho, não é mesmo? Já lhe importunei mais do que devia.' Fazê-lo lembrar de sua dor pela esposa, fez com que eu me lembrasse da minha própria dor. Eu precisava sair dali.

Eu passei por ele, mas a menos de dois passos dele algo me impediu de continuar. Era uma mão no meu pulso, me segurava gentilmente, mas mesmo assim me assustou e eu nem me dei conta de quando ela me puxava. Quando menos esperava senti meu corpo virar e me deparei com aqueles lindos olhos verdes. Ele me beijou como jamais alguém havia feito antes.

O beijo dele começou doce e suave, mas logo passou a ser tão envolvente como de um homem que estivesse esperando anos para provar de um beijo meu. É claro que eu sabia que não era assim, e tudo que eu conseguia pensar era Porque ele está me beijando? Não faz sentido, ele me conheceu a menos de um dia e já está me beijando como se fossemos namorados de longa data. Isso não é normal.

Não me levem a mal, não é que estivesse ruim, muito pelo contrário o beijo dele era excelente, mas eu não sou nenhuma jovenzinha ludibriada com o bonitão. Ele também não me parecia nenhum jovenzinho. Ele devia ter entre os 40 e 45 anos e eu tinha 40.

Não sei o que foi aquilo mas me deixou muito assustada. A atitude dele, as sensações que eu tive, tudo era muito novo, diferente de tudo que já havia sentido antes.

Nem imagino quanto tempo ficamos nos beijando, mas o afastei delicadamente e corri feito uma adolescente assustada com o primeiro beijo. Infantil eu sei, mas eu não podia me arriscar a me apaixonar de novo pra acabar perdendo mais um marido. Eu não iria aguentar uma perca tão grande assim de novo, de novo não.

Sem nomes, sem troca de telefones, emails. Nada! Não nos apresentamos nem nada. Mas e agora? Como vai ser?

Notas finais
Bom... É isso! Esse foi o prólogo, essa semana não vou postar mais, só na semana que vem. Espero que apreciem a história! Semana que vem no domingo tem mais. Vai se passar 4 meses desde então.