Notas iniciais
Espero que apreciem ^^

Minha mãe e eu chegamos na nossa nova casa. Tenho que admitir o lugar não era tão ruim.

Ruim mesmo foi a surpresa que tive ao entrar na casa após minha mãe. Uma garota. O que diabos fazia uma garota ali? Eu fiquei paralisado na porta olhando para ela e ela no mesmo estado só que na escada. Não sei quanto tempo ficamos parados nos mirando sem nem mesmo piscarmos.

‘Quem é essa garota?’ Minha mãe perguntou.

‘E-e-essa é minha filha Laís.’ Ele parecia nervoso.

‘Papai! O senhor não falou sobre mim para ela? E além disso, nunca me disse que ela traria mais alguém junto.’ A garota falou apontando para mim.

‘Minha mãe havia me dito que onde comem dois comem três, mas acho que onde comem três comem quatro, certo?’ Falei meio irritado pela situação.

‘Certo, garoto! Laís mostre um quarto ao... Desculpe qual teu nome?’

Suspirei quase junto com a garota que ainda estava na escada me analisando dos pés a cabeça apenas com os olhos, imagino que tentava ser discreta.

‘Luís, meu nome é Luís.’ Ele sorriu para mim. ‘E não me chame de garoto.’ Rosnei indo até as escadas com parte das minhas malas.

‘Quer ajuda com as malas?’ A garota me perguntou nitidamente por pura educação eu honestamente fiquei mais que tentado a aceitar a ajuda dela só para ver ela se matando pra subir as escadas com as malas. Mas não seria muito cavalheiresco da minha parte, não que eu seja lá um grande cavalheiro.

‘Não! Muito obrigado, eu tenho mãos e músculos pra aguentar minhas bagagens.’ Respondi um pouco grosseiro demais. Mas e daí? Minha mãe me arrastou para cá, eu não sou obrigado a agradar nenhum desses imbecis nem o papai gagueira nem a filhinha que é mais falsa que a bolsa Guti* da minha mãe.

‘Espero que tuas mãos e músculos sejam suficiente pra aguentar tua grosseria e ingratidão também.’ Ela revirou os olhos. ‘Siga-me.’

‘Por favor não existe?’ Perguntei seguindo-a.

‘Pra mal educados ingratos? Não!’ E eu não pude deixar de sorrir com essa resposta. Pra quem reclamava de eu ser mal educado ela não estava sendo muito bem educada comigo também.

‘Temos 4 quartos no segundo andar. Os da direita são os já ocupados. O perto da escada é o meu e o outro é do meu pai e agora da... tua mãe também’ Ela parecia estar tão chateada quanto eu sobre essa relação de nossos pais. Parece que não é só eu que estou surtando por dentro por conta disso. ‘Os do outro lado são os quartos de hóspedes. Tem o perto da escada e o perto da sala de... bem eu não sei bem o que tem naquela sala, era onde ele ficava com Selene...minha mãe. É meio que uma sala proibida, depois que ela faleceu nem meu pai, nem eu ousamos nem mesmo olhar para lá. Eu me recordo de ter entrado uma ou duas vezes lá mas era muito pequena pra notar as coisas a volta eu só entrava para procurar ela.’ Ela pareceu sair um pouco da órbita do planeta. ‘Bem... onde estávamos? Ah, sim! Os quartos do lado esquerdo. Eu sugiro que fique no quarto perto da escada é mais espaçoso, o banheiro é melhor e de quebra eu vou poder ficar de olho em você caso você pense em aprontar algo.’ Disse ela me encarando. Revirei os olhos.

‘Então... O que tem do lado do quarto dos nossos pais?’ Perguntei tentando desfazer o clima pesado. Ela fez uma careta ao me ouvir falar nossos pais segurou na minha mão e me puxou. De alguma forma me senti um pouco culpado por ter feito ela se lembrar da mãe. Não sei o que seria de mim se minha mãe morresse. Pode parecer um pouco cruel de minha parte dizer isso, mas eu realmente agradeço que tenha sido meu pai a morrer e não minha mãe, morreríamos de fome em menos de um mês. Meu pai era irresponsável e cozinha pra ele era uma arma mortal. Ele pôs fogo na nossa primeira casa tentando fazer uma surpresa pra minha mãe. E ele conseguiu. Ela ficou bem surpresa quando chegou em casa e a mesma estava em chamas.

‘Vem, eu te mostro.’ Nunca tinha presenciado algo como isso antes. Ela que antes estava fazendo uma careta esboçou um sorriso e seus olhos pareciam brilhar com a felicidade que tinha. E do jeito que ela me puxou não é como se eu tivesse alguma escolha quanto a segui-la ou não.

Chegamos na porta.

‘Preparado?’ Ela perguntou eu apenas assenti com a cabeça.

Ela abriu as portas empurrando com a mesma graciosidade que uma personagem do cinema hollywoodiano. Tenho que assumir, foi algo lindo de se presenciar.

‘A biblioteca!’ Ela respondeu com incrível animação.

‘Toda essa animação por causa de uma biblioteca? O que você é uma nerd?’

‘Hmmm, não. Mas essa biblioteca é especial pra mim. Minha mãe era uma mulher ocupada, mas sempre arranjava tempo pra ler pra mim. Sabe qual foi o primeiro livro que ela leu pra mim?’

‘O pequeno príncipe? Todo mundo ama esse livro.’ Respondi porque todos me recomendam como se eu fosse apto à leitura.

‘Não bobão. Mas não posso culpá-lo por não saber. O primeiro livro que ela leu pra mim foi um que ela escreveu quando tinha 12 anos. Era... deixa eu ver onde ele está...’ Ela procurava passando o dedo indicador e o dedo médio em cada livro. Acho que era um tipo de mania até encontrar o livro certo. ‘Achei!’ Eu dei um pulo, ela gritou tão de repente que eu me assustei. ‘Desculpe, aqui está ele.’ Ela o soprou tirando a poeira. ‘As doze princesas do halloween’

‘A tua mãe lia histórias de terror pra você quando pequena?’ Fiquei pasmo.

‘Não seu bocó. Não é de terror, mas também não é um livro todo melosinho. Ela dizia que o escreveu em um momento difícil da vida dela, mas no qual se recusava a deixar de ver o lado positivo das coisas. Ela dizia, que não importa o que aconteça nunca devemos deixar a tristeza nos abalar e tentar sempre sorrir, pois um dia o sorriso falso acabaria por virar verdadeiro.’

‘Devia ser uma mulher incrível!’ Respondi sendo honesto.

‘E era. Não sei como aguentou meu pai tanto tempo’ Ela riu. ‘Sempre me dei melhor com minha mãe que com meu pai, quando eu e ele brigávamos, minha mãe vinha falar comigo.’ Ela disse dando um meio sorriso.

‘E o que ela te dizia?’ Perguntei

‘Que eu devia tentar compreender que meu pai não era perfeito e sempre cometeria erros, mas que eu sempre deveria ter orgulho de quem ele era, pois foi ele quem a salvou quando ela estava no momento mais difícil da vida dela. E que ela sabia que quando eu não a tivesse mais por perto o meu pai sempre daria um jeito de me salvar.’ Ela entristeceu.

‘Qual o problema?’ Perguntei.

‘Não quero falar sobre isso.’ Ela respondeu irritada. ‘Vamos! Temos que pegar o resto da tua bagagem.’

‘Não precisa. Pode ficar aqui, eu mesmo pego e arrumo minhas coisas.’ Desci pra pegar o restante das minhas malas.

‘Laís não se ofereceu pra te ajudar? Não foi essa a educação que dei para aquela menina ingrata.’ Por alguma razão me irritou a forma como ele falou dela.

‘Sim, ela se ofereceu. Mas sabe como é... eu sou HOMEM não preciso da ajuda de nenhuma mulher para carregar minhas malas nem nada do estilo.’

‘Luís!’ Minha mãe estava exasperada. ‘Desculpe-me, ele não era sim antes do pai dele...’ Minha mãe não conseguiu completar.

‘Morrer mãe. Antes do meu pai morrer. Pode falar, não é algo de outro mundo, todo mundo morre! O que não é todo mundo que faz é superar tão rápido como a senhora fez.’ Respondi e subi as escadas com o restante das malas.

Coloquei as malas no quarto da esquerda perto da escada e comecei a arrumar as coisas. Era tarde da noite quando havia terminado então caí na cama e dormi com as roupas que vim mesmo.

Notas finais
N/A1 Eu sei que Guti está errado que é Gucci o correto, mas está escrito errado pra reforçar a ideia de que é falsificada. N/A2 Próximo capítulo vai ser a visão da Laís desses novos Inquilinos (Básicamente vai ser como uma segunda parte desse capítulo, mas vai ser a visão dela então vai preencher algumas lacunas que ficaram) e no capítulo posterior aí sim vai ser um outro dia já =)