Mais um dia na Devil May Cry. Aproveitei o dia que Dante sumiu atrás de um demônio para colocar ordem na bagunça que ele faz. Desde pequeno o mestiço adora bagunçar as coisas e pelo visto, isso ainda continua. Certas coisas nunca mudariam.

Agora, entediada e sentada na mesa de Dante, com a Devil May Cry livre da bagunça, começo a vasculhar as gavetas. Em uma delas, a ultima, encontro uma pequena foto antiga. Nela, Dante estava junto com Vergil, quando pequenos, e pareciam animados. Volto a procurar mais uma vez na gaveta em busca de mais uma foto perdida, mas não encontro mais nada.

-Onde será que seu filho esconde as outras fotos? — Pergunto ao porta-retrato de Eva, como se ela pudesse me responder. Deixo a foto em cima da mesa e saio em busca de mais alguma foto.

Quando volto para o escritório, chateada por não ter encontrado mais nada, vejo Dante em frente a mesa e vendo a foto. Ele olha para ela como se estivesse perdido em algum lugar do passado e pareceu não me notar.

-Onde encontrou isso? — Perguntou sério, sem desviar os olhos da foto.

-Na gaveta. Eu tentei procurar outras, mas...

-Então, o que está na gaveta é pra ficar nela, certo? – Cortou irritado e sentando em sua cadeira.

Não, não está certo. O que há de errado? É apenas uma foto dele como Vergil, não tem nada assim tão chocante ou ruim para ele ficar irritado.

-Qual é o problema? — Pergunto.

-Vergil está morto. — Suspirou.

-Você acha mesmo que ele morreu? — Volto a perguntar – Dante, você matou Nelo, não Vergil...

-Você não estava lá, então não sabe.

-Não preciso estar no lugar pra saber das coisas, mestiço. — Retiro a foto das mãos de Dante antes que ele pudesse fazer algo com aquilo.

-Por acaso você virou defensora dele? — Voltou a perguntar, colocando os pés em cima da mesa. Péssima mania.

-Não, não sou. E nem preciso ser para entendê-lo, coisa que você, como irmão dele, não faz. — Respondo indignada.

-Creio que demônios entendem demônios não é?

Dou uma risada irritada. Qual é o problema dele? Tudo isso por causa de uma foto. Vergil não é um demônio, apesar de Dante acreditar nisso. A teimosia dele me irrita as vezes.

-Quer saber? — Digo já indo em direção a porta. Aquela conversa não levaria ninguém a lugar algum – Não vou ficar discutindo com a sua teimosia.

Saio da loja sem acreditar no que aconteceu lá dentro. Talvez uma volta pela cidade me faça ficar menos nervosa com o mestiço.

-x-

Era quase horário de almoço quando voltei para casa da humana Eva. A casa ficava afastada de uma pequena cidade praticamente no meio do nada, mas pelo menos por enquanto, Eva e os meninos estavam tendo um pouco de paz.

Parei assim que vi os meninos provavelmente treinando; pareciam não ter me notado. Dante estava no chão e Vergil parecia estar se divertindo a sua frente quando estendeu a mão para ajudar o mais novo a se levantar. Mas o que aconteceu a seguir me deixou surpresa: Dante levantou rapidamente atacando Vergil, que conseguiu se esquivar e voltou a derrubar o irmão.

-O que está acontecendo? — Ouvi a voz da humana e a mesma se aproximar correndo – Vergil! — O chamou.

Vergil se afastou do irmão, deixando que ele levantasse sozinho dessa vez. Dante encarou o irmão mais velho por um longo tempo. As vezes os dois pareciam pequenos demônios, prontos pra mostrar quem era o melhor. Esse foi um desses momentos.

-Você está bem, Dante? — Eva perguntou ao mais novo, preocupada, o que fez Vergil bufar.

Dante afirmou com a cabeça e então, juntamente com a mãe voltou para casa deixando Vergil para trás. Ele virou-se para mim e me encarou como se estivesse me analisando, ou esperando algo. Aproximei-me.

-O que você está fazendo aqui? — Perguntou enfurecido – Não gosto de você.

Como se eu precisasse que ele gostasse de mim. Dou um sorriso. Vergil era sincero demais e falava demais, o que seria perigoso pra ele, já que estava falando com um demônio.

-Você tem sorte de ser filho de Sparda – Resmunguei, me controlando para não pular em seu pescoço – Tenho que cumprir ordens de seu pai. Você gostando ou não, tenho que vir.

Vergil sentou-se na grama, ainda me encarando. Eu realmente não entendia o motivo dele não gostar de mim,eu não faria nada a ele e nem a família dele.

-Você faz tudo que meu pai manda? — Perguntou, parecendo estar um pouco mais sociável.

-Sim – Respondo, sentando-me ao seu lado – Ele é meu senhor e eu devo obedecê-lo.

Vergil ficou quieto como se estivesse pensando em algo. Fiquei imaginado o que seria e o que Eva estava dizendo para Dante dentro da casa. Provavelmente que ambos são irmãos e que não deveriam brigar e sim proteger um ao outro.

-Irritado com Dante? — Perguntei quebrando o silêncio e de certa forma, curiosa.

-Não – Ele foi sincero – Ele não me atacou de propósito.

-Entendo...

-Mas meu único divertimento é irritar Dante. As coisas ficam entediantes e as pessoas daqui parecem não gostar muito de nós.

-São humanos, não queira entendê-los, Vergil.

Vergil suspirou se levantando e eu fiz o mesmo. Ele caminhou até a casa calmamente e então virou para trás, voltando a me encarar.

-Eu sei que a mamãe pede pra você me acalmar, enquanto ela fica com o Dante. Mas mesmo assim, eu ainda não gosto de você.

Dei uma risada nervosa. Alguns segundos atrás Vergil parecia outra pessoa conversando comigo.

-Certo... — Minha voz saiu irritada assim que ele entrou na casa.

Entrei indo para sala e vendo os dois, mais uma vez discutindo por alguma coisa, provavelmente sem importância.

-Ilya! — Eva me chamou sorrindo – Muito obrigada pela ajuda.

-Sem problema, senhora – Respondi ainda olhando os meninos brigarem.

-Ora Ilya, já disse que você pode me chamar pelo nome. — O sorriso continuou no rosto da humana.

-Sinto muito, mas não posso. Você é a esposa do meu senhor. — Disse um pouco confusa. Ela deu uma risada.

-Aposto que Sparda também não faz questão que você o chame assim. — Eva colocou a mão nos cabelos dos meninos e fez um carinho – Ah! Eu quase me esqueci. Vamos, peçam desculpas um pro outro.- Completou carinhosamente.

-Desculpe – Dante disse virando o rosto. Parecia algo difícil de se fazer.

-Sem problema – O mais velho respondeu, fazendo Eva sorrir mais.

-Isso meninos, sem brigas, certo? — ambos concordaram – Podem ir brincar.

Ambos passaram por mim, que estava encostada perto da porta, como dois raios e voltaram para o lado de fora. Realmente, o humor deles mudavam numa velocidade incrível. Uma hora estão brigados e no minuto seguinte estão junto como se não pudessem viver um sem o outro.

-Sente-se Ilya – Eva pediu, agora um pouco mais séria.

Sentei-me e esperei ela começar a falar.

-Em breve vamos ter que sair daqui também. As pessoas estão começando a ficar com medo e a cidade está sendo atacada.

-Irei acompanhá-los aonde forem, senhora – Respondi.

-Obrigada Ilya, por ficar perto de nós. — Eva deu um meio sorriso. — Estava pensando em voltar para casa, mas não sei se vai ser seguro. Os demônios já conhecem Vergil e temo que eles possam conhecer Dante.

-Não vão conhecer. — Disse confiante e levantando – Ele ficará protegido, assim como a senhora e Vergil.

-x-

Volto para Devil May Cry encontrando Dante sentado nos degraus em frente a porta, provavelmente me esperando.

-Arrependido? — Pergunto assim que me aproximo.

-Nem um pouco – Deu um sorriso.

-Sei. Você e Vergil viviam brigando quando eram mais novos. — Sento ao seu lado.

-Mas dessa vez foi diferente. Não era o Vergil que você conheceu e que eu conhecia...

-Não Dante... Você desistir assim é algo impossível, sabia? Sua teimosia está acabando com você. — Dou um sorriso.

-Olha quem fala, sua teimosia é maior que a minha.

-Que seja – Dou os ombros – Aqui está.

Entrego a foto a Dante, que passa a olhá-la. Uma hora eu consigo fazer Dante ver Vergil de outro jeito. Não só por ele, mas pelo Vergil também. Ele merecia compreensão.

-Obrigado, Ilya. — Dante se levanta.

-Pelo o quê? — Pergunto confusa.

-Pela sua teimosia – Respondeu sorrindo e entrando na loja.

Continuo sentada nos degraus e sorrindo. Talvez Dante também acredita que Vergil possa estar vivo e sinceramente eu adoraria revê-lo.

FIM

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