Iris

1 Please, do not leave me


Notas iniciais
Leiam com carinho, ok?

Ouvi passos apressados atrás de mim.

– Kris, — chamou Maddie, correndo para me alcançar. – o que você vai fazer hoje à noite?

– Não sei. – eu respondi, sarcasticamente. – Ainda não tenho planos.

Maddie sorriu, ainda ofegante, prendendo seus cabelos loiros com as mãos.

– Me encontre no Globe Inn Spice ás 21h.

Eu ia responder “ok”, mas Maddie já tinha ido. Ou seja, aquilo não foi um convite, foi uma intimação. Continuei andando até meu carro, e vi que Henry me esperava lá, apoiado no capô do meu Tucson.

– Oi – Henry disse, me cumprimentando com um beijo. A propósito, Henry era meu namorado.

– Pensei que tivesse treino de futebol depois da aula. – eu disse, o beijando de novo.

– Eu tenho, — ele respondeu, me encarando com seus olhos castanhos. – mas hoje, eu posso faltar.

– Imagino o porquê. – sorri, timidamente. – Vamos almoçar?

– Vamos, na minha casa. – Henry intimou. – Minha mãe fez um almoço especial para você. – ele pegou meu material escolar que estava em minhas mãos e colocou no banco de trás. Depois abriu a porta do passageiro para mim, pegando as chaves que estavam no meu bolso traseiro. – Eu dirijo.

A casa de Henry era praticamente minha segunda casa. Podemos dizer que cresci com Henry. Eu o conheço desde sempre. Seu pai era melhor amigo do meu. Quando meu pai morreu, ele e sua família me apoiaram mais do que eu poderia imaginar.

Liguei o som, e começou a tocar Oasis. Henry olhou para mim com uma cara de “sério?”. Oasis não era a banda favorita dele. Eu dei os ombros, rindo.

– Tudo bem. — ele disse. – Hoje pode. Mas se você quiser colocar AC/DC, eu ficaria grato.

Henry dirigia que nem louco. A velocidade era altíssima, o som também alto e reclamava dos outros motoristas ou dos pedestres folgados. Mas mesmo assim, eu me sentia segura com ele. Na verdade, eu me sentia segura em qualquer lugar ou qualquer momento desde que esteja com ele. Como se ele fizesse qualquer coisa para me salvar. Não salvar só a mim. Henry poderia salvar todo mundo. O coração dele era de ouro, e ninguém poderia negar isso.

Depois do almoço, Henry e eu deitamos no sofá para assistir um filme. Assistimos Midnight in Paris, meu filme favorito. Quando acabou o filme, ficamos deitados por mais umas horas trocando carinhos até que o celular de Henry tocou. Ele disse que seu pai estava precisando dele, e tinha que sair agora. Parecia urgente. Mas tinha quase certeza que não era o pai dele. Henry mentia muito mal.

– Tudo bem. – eu disse.

– Vejo você no Globe Inn Spice. – ele me deu um beijo na testa. – Se cuida, ok? – e saiu.

Peguei meu casaco, me despedi da sra. Benson e fui para casa. Minha casa não era tão longe da casa dos Benson. Cheguei lá em menos de 5 minutos. Minha casa não era muito cuidada. Nós não recebíamos muitas visitas, nem quando meu pai era vivo. Nunca pude levar uma amiga para minha casa se minha mãe não a conhecesse ou conhecesse a família dela.

– Kristen? — minha mãe me chamou. Ela estava na cozinha, pelo cheiro, assando brownies.

Larguei minha mochila, casaco e afins no sofá e fui falar com ela.

– Oi, mãe. – minha mãe me recebeu com um abraço apertado.

– Estou fazendo brownies para você.

“Eu sabia” pensei, orgulhosa do meu olfato.

– Meus favoritos! – sorri. – Obrigada, mamis. – dei um beijo na bochecha dela.

– O que você vai fazer hoje à noite, filha?

– A Maddie combinou com alguns amigos para ir ao Globe Inn Spice. – respondi.

– Que amigos? – ela perguntou. – Eu os conheço?

– Creio que sim. Eles estudam comigo.

A expressão da minha mãe mudou. Ela parecia preocupada, como sempre. Ela tem medo de novas amizades? Não só porque ela não tem amigos que eu também não possa ter, poxa. Fui para meu quarto, tirei os sapatos e deitei na cama. Fiquei lá, pensando por alguns minutos que se passaram depressa. Quando vi no relógio já era 20h. Levantei-me depressa, fiz um coque alto nos meus cabelos castanhos e fui tomar banho quente. Ouvi minha mãe gritando que os brownies estavam prontos. Desliguei o chuveiro e fui escolher uma roupa. Por mim, eu iria de calça jeans e All-Star, mas vi a tempo a mensagem da Maddie dizendo:

*Nada de calça jeans e All-Star, hein*.

Ela me conhecia bem. Coloquei um vestido preto de renda e um salto razoavelmente alto. Eu não me sentia muito confortável de salto, mas tenho que confessar que fiquei bonita. Como Maddie sempre diz: “o salto realça suas lindas pernas”. Tenho que concordar. Nem sequei o cabelo, só dei uma penteada e fui com ele molhado mesmo, eu já estava atrasada.

Passei na cozinha para comer um pedaço de brownie. Agradeci minha mãe, e dei um beijo em sua testa, me despedindo.

– Não me espere acordada.

No carro, meu telefone começou a tocar. Era Maddie.

– Fala Maddie.

– Kristen, — não era a Maddie, mas a voz era familiar. – é a Camilla, mãe dela.

– Sra. Montgomery? – estranhei, era raro receber ligações das mães das minhas amigas. – Aconteceu alguma coisa?

– Na verdade, sim. – ela disse, com dificuldade. – Mas não com a Madeline... Com o Henry.

Um nó se formou em minha garganta.

– O que aconteceu? Onde vocês estão? Estou indo para ai agora mesmo.

Sra. Montgomery avisou que eles estavam no hospital. Fui correndo, pouco me importando com o limite de velocidade. Pensei em milhões de possíveis causas que possam ter feito Henry parar no hospital, pensei também o porquê não foi Maddie que me ligou ou também se isso tem a ver com “o pai” dele. Lagrimas já escorriam de meus olhos sem nem mesmo saber o que aconteceu. Eu, na verdade, estava com medo de chegar lá e encontrar Henry morto.

Pelo jeito, meus medos se tornam realidade. Parece que o destino acha que a morte de meu pai não foi suficientemente dolorosa para mim. Henry estava morto em uma cama de hospital, com o pescoço enfaixado e sem o dedo médio da mão direita, onde costumava ter um anel. Maddie estava na poltrona, no quarto de Henry, chorando tanto quanto eu. A mãe de Maddie era delegada, cuidava de casos como esse, Maddie sempre era a primeira a saber das coisas que se passam pela cidade. A sra. Montgomery conversava com o sr. e a sra. Benson numa outra sala, para que não pudéssemos ouvir. Maddie me abraçava tão forte. Acho que ela sofria tanto quanto eu. Henry era uma pessoa muito querida. O garoto mais popular do colégio, e o mais simpático também. Maddie e Henry eram meio que melhores amigos. Nós três éramos inseparáveis, a não ser, que fossemos separados pela morte.

– Maddie, o que exatamente aconteceu?

– Eu não sei. – Maddie fungava.

Soltei-me de Maddie e sai em busca da delegada. Eu exigia explicações. Pelo vidro, vi a sra. Benson e conclui, então, que a sra. Montgomery devia acompanhá-la. Eu estava certa. Assim que entrei na sala, a conversa foi encerrada, só faltava algum deles dizer “o assunto chegou”. Encarei a sra. Montgomery e disse:

– Quero respostas.

– Hm – a sra. Montgomery arfou. – Kris, querida, estamos conversando. – ela apontou o Sr. e a Sra. Benson.

– Eu percebi. – fechei as mãos. Eu estava muito nervosa.

O Sr. Benson fez um gesto indicando a que a delegada me respondesse.

– O que aconteceu? – perguntei.

– Henry teve sua garganta rasgada e perdeu muito sangue. – a delegada respondeu e a Sra. Benson caiu nas lágrimas.

– Isso é culpa minha. – resmungava sra. Benson, chorando.

– Não, querida. – o Sr. Benson passava as mãos nas costas da esposa. – Não é.

Bufei, tentando segurar as lágrimas.

– E-então, ele foi morto?

A sra. Montgomery abaixou a cabeça, entendi isso como um sim.

– Mas, por quem? Quem mataria o Henry? E por quê?

– Não sabemos. – disse Camilla Montgomery. Eu sabia que era mentira, soou tão falso.

Virei-me para sair da sala, e o sr. Benson me disse:

– A propósito, feliz aniversário, Kristen.


Notas finais
Gostaram? Odiaram? Detestaram? Amaram? Review? Me digam o que acharam para eu poder melhorar, por favor :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.