Iridescent

1 Living in danger


Notas iniciais
É a minha primeira 'obra' aqui, por isso, peço desculpa alguma coisa errada.
Agradecia imenso que me dessem reviews, para saber o que acham e como melhorar!
É toda escrita em Português (Portugal).

Algo inocente. Primeira mentira. Segunda. Uma farsa. Uma história. O desespero. O medo. A vitória. O fracasso. A descoberta. A penalização. A dor. O esquecimento.

**

Era assim que sabia que tudo ia correr desde a primeira pequena mentira contada àqueles que mais me amavam no Mundo; por assim dizer, era isso que esperava deles. Um amor tão grande que chegaria a sufocar os demais.

- Não vais sair hoje? – A pressão que me era colocada por ser um ser anti-social chegava a irritar-me.

Suspirei e procurei o meu lugar feliz.

- Hoje não. – Era a resposta habitual. Ambas sabíamos que a resposta nunca mudaria, e talvez por isso o meu tom era monocórdico. Não interessava o resto, eu sabia o que queria fazer da vida e sabia o que me impedia.

Afastou-se da ombreira da porta do meu quarto, suspirando. A minha falta de companheirismo com aqueles que sempre tinham estado comigo nos tempos escolares incomodava-a; talvez isso fosse normal numa mãe. Não o saberia, odiava comparações.

O meu irmão abriu a porta do meu quarto, espreitando para descobrir o meu paradeiro. Sorri-lhe, sabendo que ali estava o meu verdadeiro confidente, a pessoa em quem poderia confiar tudo, até a minha própria vida. E sabia que, caso necessário, morreria por ele.

- Vou sair. – Disse-me. Sempre me avisava quando ia sair a algum lado, mesmo que fosse apenas por dez minutos. – Ficas à minha espera?

Encarei-o, deixando de lado o meu caderno de esboços e sorri. Ele sorriu-me de volta e olhou a janela, onde se podia ver uma Lua cheia brilhando, como se me chamasse para o exterior a todo o custo.

- Sim, mas acho que vou fazer uma caminhada enquanto vais. – Avisei-o. Por alguma razão, não me sentia confortável sentada na minha cama dedicada a uma das minhas paixões. Precisava de ar, sentia-me capaz de sufocar.

- Está bem, mas tem cuidado e não vás para muito longe. – Sorri ao ver o seu tom protector já habitual nele. Assenti com a cabeça de imediato. – E leva o telemóvel. Assim, se precisares de alguma coisa, eu vou ter contigo.

Voltei a acenar com a cabeça e ele entrou no meu quarto, andando até mim. Trazia as suas calças azuis preferias e a sua camisa xadrez branca, vermelha e azul, com os seus sapatos favoritos azuis. Estava muito bonito, como sempre. Certas vezes, achava que a beleza tinha ido toda para ele.

Chegou perto de mim e deu-me um beijo na testa como despedida pela noite, saindo a seguir acenando-me. Levantei-me poucos minutos depois de ele sair e procurei o meu hoodie dos Avenged Sevenfold para me certificar que não passaria frio na rua. Após o fazer, calcei as minhas Vans roxas e desci as escadas, levando o IPod no bolso preparado para ser utilizado mal saísse pela porta.

- Sempre vais sair? – Podia ver uma réstia de esperança nos olhos da minha mãe. Encolhi os ombros, um pouco indiferente.

Não me incomodava muito andar sozinha; era algo a que me tinha habituado facilmente durante os últimos anos.

- Vou caminhar pelo bairro, não me apetece estar em casa. Prometo não demorar. – Avisei-a, vendo o seu ar reprovador enquanto caminhava para a porta, colocando as chaves da porta no bolso dos jeans escuros que utilizava naquela noite.

A minha mãe era uma pessoa muito preocupada; saía a ela nesse aspecto. Ficava com medo que algo me acontecesse, mais do que eu ficava ao andar sozinha pelas ruas.

- Mas… — ia ripostar, mas não deixei. Cortei-lhe a fala, chegando perto dela e dando-lhe um leve beijo no rosto.

- Até já. – Falei, saindo de casa depois disso.

Coloquei ambos os headfones nos ouvidos, caminhando com o capuz do hoodie na cabeça. Estava com pouca paciência para discussões, tudo o que me apetecia era dar uma volta, espairecer e voltar para casa.

Olhava de forma intercalada o chão e os candeeiros que brilhavam na rua enquanto caminhava em direcção a um parque de diversões já antigo. Não sabia bem por onde ir, mas sabia que tinha pouco tempo para tentar colocar a cabeça em ordem. Brevemente seria uma aluna de Arquitectura e estaria livre de todas as recordações que me atormentavam naquele local.

As ruas estavam vazias; sentia-me um pouco como a minha mãe enquanto caminhava, estranhando o silêncio que se instalava a cada passo que dava. Tentava encontrar apenas um ligeiro sinal de vida nas redondezas, mas todos pareciam ter-se refugiado dentro de quatro paredes.

Continuei a caminhar, agora a passos mais lentos. No meu ouvido, a voz profunda de Chester Bennington soava calma e repleta de sentimento. Tinha mudado bastante desde a minha fase de menina. Quando a música parou, ouvi passos acelerados atrás de mim e receei olhar para trás.

Com a música parada, a minha mente tinha a liberdade para pensar nos mais macabros acontecimentos que se haviam sucedido nas redondezas. Fechei os olhos com força e respirei fundo algumas vezes, deixando a razão sobrepor-se ao medo. Olhei para trás e um homem estava a olhar-me com um ar psicótico.

Voltei a olhar em frente, determinada a acelerar o passo e sair. Mas foi apenas aí que me dei conta da existência de mais quatro rapazes.

- Merda.

Notas finais
Espero mesmo que gostem! (:
Reviews? *-*