Iracema-os capítulos perdidos:a aventura de Moacir
1 Capítulo 34
Uma vez o cajueiro floresceu desde que o guerreiro branco voltou de sua terra natal. Repousava em sua cabana de tijolos avermelhados, fumando um cachimbo, quando o guerreiro pardo se aproximou.
-O que o traz aqui, Poti, meu irmão?-indagou Martim.
Os dois olhos se encontraram, mas eles não refletiam mais a doçura da manga, e sim o azedume do abacaxi.
-Engula a sua língua, que é afiada como a de uma cobra, guerreiro branco. Eu vim negociar.
-O que queres?-Martim falava com o sotaque de sua terra natal.
-Uma aliança. A sua numerosa prole já subjugou a tribo dos tapuias, e o objetivo de nós, pitiguaras, é enfrentar os tabajaras.
-O que ganho com isso?-Os olhos de Martim reluziram.
-Ora, faça pela nossa amizade!
Martim o lançou um olhar frio.-Eu quero ouro, ouro e prata.-disse ele, frígido.
Poti entristeceu-se. Desde que o que os brancos chamavam de "colonização" havia começado, muitos dos seus amigos haviam caído para que os invasores tivessem estes metais vis. -Está bem -cedeu, cansado. — Na minha aldeia existe uma reserva secreta de ouro, enterrada debaixo da terra. Poti tem certeza de que pode dar um pouco para vocês.
Então Martim lembrou-se daquele detalhe insignificante.
-Lembra-se de Moacir, meu filho? -Poti acenou com a cabeça. -Eu gostaria de confiar ele a sua tribo.
-Mas porque?!-Poti assustou-se.
-Ele não está seguro comigo. Há nas minhas tropas pessoas que invejam a minha posição, e eu posso ser morto a qualquer momento. Além disso, Moacir berra, pede comida e me irrita muito, todos os dias. Eu odeio esse moleque! -Bradou.- Ele está com dois anos e ainda não sabe falar(não dediquei muito tempo a ele). Pode me fazer este favor?
Poti ficou horrorizado. Martim havia se tornado o que nunca deveria ser. Acenou com a cabeça.
Martim observou as duas silhuetas caminhando pelo horizonte, até sumirem. Pegou seu cachimbo e recomeçou a fumar.
CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO...
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