Uma vez o cajueiro floresceu desde que o guerreiro branco voltou de sua terra natal. Repousava em sua cabana de tijolos avermelhados, fumando um cachimbo, quando o guerreiro pardo se aproximou.

-O que o traz aqui, Poti, meu irmão?-indagou Martim.

Os dois olhos se encontraram, mas eles não refletiam mais a doçura da manga, e sim o azedume do abacaxi.

-Engula a sua língua, que é afiada como a de uma cobra, guerreiro branco. Eu vim negociar.

-O que queres?-Martim falava com o sotaque de sua terra natal.

-Uma aliança. A sua numerosa prole já subjugou a tribo dos tapuias, e o objetivo de nós, pitiguaras, é enfrentar os tabajaras.

-O que ganho com isso?-Os olhos de Martim reluziram.

-Ora, faça pela nossa amizade!

Martim o lançou um olhar frio.-Eu quero ouro, ouro e prata.-disse ele, frígido.

Poti entristeceu-se. Desde que o que os brancos chamavam de "colonização" havia começado, muitos dos seus amigos haviam caído para que os invasores tivessem estes metais vis. -Está bem -cedeu, cansado. — Na minha aldeia existe uma reserva secreta de ouro, enterrada debaixo da terra. Poti tem certeza de que pode dar um pouco para vocês.

Então Martim lembrou-se daquele detalhe insignificante.

-Lembra-se de Moacir, meu filho? -Poti acenou com a cabeça. -Eu gostaria de confiar ele a sua tribo.

-Mas porque?!-Poti assustou-se.

-Ele não está seguro comigo. Há nas minhas tropas pessoas que invejam a minha posição, e eu posso ser morto a qualquer momento. Além disso, Moacir berra, pede comida e me irrita muito, todos os dias. Eu odeio esse moleque! -Bradou.- Ele está com dois anos e ainda não sabe falar(não dediquei muito tempo a ele). Pode me fazer este favor?

Poti ficou horrorizado. Martim havia se tornado o que nunca deveria ser. Acenou com a cabeça.

Martim observou as duas silhuetas caminhando pelo horizonte, até sumirem. Pegou seu cachimbo e recomeçou a fumar.

CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO...

Notas finais
Se quiserem saber como continua, leiam o próximo capítulo, que vai sair daqui a pouco!!! Até mais!