Irônica Vida
1 Capítulo 1 - Reencontro
Notas iniciais
A vida é muito engraçada e irônica, e a maioria das vezes percebemos isso quando paramos para pensar em situações silenciosas e entediantes, como viagens.
Por que?
Quer como exemplo minha vida?
Quando eu tinha 12 anos eu morava em uma pequena cidadezinha isolada de tudo, eu era gordinha, com um nariz se sobressaindo do resto e um cabelo indeciso, nessa época eu odiava minha vida, um pouco só.
Eu não era totalmente excluída das pessoas ao meu redor, eu até tinha vários amigos e uma paixonite ‘’ secreta’’ que a maioria sabia pelo meu melhor amigo e também, para dar um toque clichê na minha vida, o mais popular e bonito da escola, seu nome era motivo de piada por causa do sobrenome japonês advindo de sua árvore genealógica: Adam Y. Sako.
Por causa desse sobrenome, todos o chamavam como se ele fosse japonês, menos eu o que, acredito eu, o fazia feliz. Nós tivemos nossos momentos que faria qualquer um se apaixonar, nossos vários momentos juntos, que me fizeram gostar mais da minha vida depois de um tempo me acostumando com isso.
Mas o que é irônico nisso?
A ironia da vida é que eu me mudei de repente, por nenhuma razão aparente, bem quando minha vida parecia-me melhor, isso aconteceu e isso, para mim, junto com a minha mudança repentina para o mundo da beleza, foi uma sátira do destino.
Agora estou aqui, pensando nisso enquanto faço uma mudança para voltar para a minha cidade-natal, que agora é grande e barulhenta, sorrindo um pouco por pensar que vou reencontrar o meu melhor amigo, que vai se surpreender com a minha nova beleza.
Ótimo, meus pensamentos foram interrompidos por uma batida na janela do carro me fazendo virar meu olhar para a janela do carro parado em frente a uma loja de biscoitos, quando eu falo, impaciente, para a pessoa qualquer do outro lado:
—Oi?
—Olá – A outra pessoa me respondeu bem rapidamente, me assustando um pouco e me fazendo analisar a voz do outro lado do vidro, pensando se devia abrir o vidro ou não.
—O que quer? – Digo com mal educação, me orgulhando disso.
—Preciso de ajuda – Desconfio um pouco da voz um pouco grossa, de homem.
—Tem uma loja ali do lado senhor.
—Por favor!
Suspiro, colocando a mão na manivela de abrir a janela do carro, e a giro, abrindo uma pequena parte, enquanto coloco os olhos para fora para observar quem é, me surpreendendo um pouco com a identidade da voz masculina, fazendo meu tom de voz tremer um pouco e ficar mais tímido.
—Adam? – Depois que disse isso ele fitou meus olhos, que eram a única parte a vista, e estranhou que eu conhecesse ele.
—Quem é você?
Eu sorrio um pouco, ele não me reconheceu por causa da minha metamorfose, mas ele também tinha mudado muito, antes era bonito, agora é muito melhor, mais malhado e conquistador, suponho.
—Não reconhece sua melhor amiga?
Mando uma indireta para ele, abrindo toda a janela e acenando para ele, com um sorriso.
—Quem?
Me choquei por um momento por ele não me reconhecer, mas já faz quatro anos que nos encontramos, então olho a cabeça em dúvida dele e alargo mais meu sorriso, fazendo um cumprimento com a mão direita.
—Sua ex-melhor amiga, Helena
Ele colocou a mão na boca, para tampar a surpresa e depois do choque inicial, riu.
—Se você for mesmo a Le, me mostre a pulseira – Diz Adam mostrando a pulseira da amizade que ele me deu para mim, enquanto eu pego minha bolsa e mostro para ele a pulseira que nós tínhamos feito na casa dele.
—Impossível! – Ele riu um pouco mais da minha cara e ficou sério novamente, se lembrando de algo. –Deixando o reencontro maravilhoso para o lado, você tem que me ajudar!
—Claro – Faço um joinha com a mão, ainda com o sorriso, mesmo que um pouco menor do que antes. – O que foi?
—Me deixaram aqui! –Ele me olhou com a cara triste dele, juntando as mãos, como se me implorasse – Me dá carona, por favor.
—Tem que ver com a minha mãe – Olho a cara dele enquanto abro a porta do carro, indo mais para o lado e batendo no banco onde eu estava, para expressar para ele se sentar – Fica aqui até ela chegar da loja.
Adam sorriu, se sentando do meu lado e fechando a porta do carro, me fitando nos olhos, com aquele sorriso bobo nos lábios, percebo que o garoto não para de me olhar e, um pouco vermelha com a situação repentina, pergunto baixo:
—O que foi?
Ele avança um pouco e me abraça forte, lacrimejando um pouco e, estranhamente, cheirando o meu cabelo que eu não lavava há alguns dias, me fazendo ficar envergonhada.
—Faz tanto tempo que você me deixou, nem acredito que você voltou, ainda mais desse jeito.
Aproveito a situação e cheiro o cabelo da nuca dele, que sempre teve o mesmo cheiro, o cheiro de suor masculino, logo me afastando.
—Muito tempo! Então vamos aproveitar esta situação para conversar, e aproveite, por que normalmente não sou assim.
Dou um sorriso largo, passando a mão pela cabeça dele, passando a mão pelas macias madeixas dele, enquanto ele me olhava sorrindo também.
—A conversa fica para depois! – Minha mãe entra, jogando a sacola de biscoitos e bolachas no banco da frente, depois dando a volta para o lugar de motorista, em que se sentou, fechou a porta e olhou para nós, com um discreto sorriso.
—Adam, que bom te ver!
—Eu que diga.
—O que você está fazendo aqui?
—Eu preciso de uma carona!
Minha mãe sorri para ele, fazendo um sinal de afirmativo enquanto ligava o carro e começava a dirigir, cantarolando “My Way”.
Na viagem nada aconteceu, eu dormi no colo do Adam, que dormiu sentado, sorrindo, tendo sonhos bons igual a minha pessoa! Foram mais algumas horas de viagem dormindo até chegarmos na nossa nova casa, em uma rua qualquer. Quando chegamos tivemos de acordar e ajudar minha mãe com as malas e alguns caixotes que não foram levados pelo caminhão de mudança, depois de todo o trabalho físico, Adam nos deu um tchau e foi embora, depois de agradecer várias vezes para nós duas.
Esse dia foi bem legal, mas me cansou bastante, então nós comemos e fomos dormir rapidamente, não sei minha mãe, mas eu sonhei que eu estava na escola e que eu era uma delinquente, o que foi muito estranho, mas me deu uma sensação de que era o que me aguardava para o futuro. Eu nem me lembro o que comi minutos atras mas eu consigo "prever" o futuro?
Irônica vida.
Fale com o autor