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1 Capítulo 0
Notas iniciais
“É isto.” Dazai pensou, com um sorriso de orelha a orelha, a felicidade e a adrenalina quase explodindo seu coração. Alguns civis o encaravam, confusos, com medo. Claro que estariam, afinal, que tipo de homem subiria nas barras de proteção da ponte? Ele, óbvio.
Não estava cogitando se jogar de lá, não após o sermão irritante que havia acabado de levar de Kunikida, mas o sol se pondo no horizonte iluminava de forma tão linda o lago, parecia estar chamando-o.
Venha Osamu, jogue-se nesse maravilhoso rio. Sua morte estará garantida conosco!
Que lago gentil, ele pensara. E então, se viu em pé as finas barras de proteção da ponte, com o vento forçando-o para frente.
Seu celular vibrou e pensou se seria bom ligar para todos e avisar que estava indo para Paraíso, afinal, gostaria de receber seus parabéns pessoalmente. Nada o deixaria mais feliz do que aquilo, alcançar seu objetivo e ser parabenizado por ele.
Num ímpeto, tirou o celular do bolso e buscou o primeiro número da sua agenda, não lembrava quem era, talvez uma das diversas mulheres com quem deu em cima.
— O que porra você quer, seu idiota? – As lágrimas de felicidade nos seus olhos. Não esperava que Chuuya realmente atendesse uma ligação sua, não após tanto tempo.
— Como vai, Chuuya? Bem, na verdade, não me importo como você está, porque você vai ficar bem melhor em ouvir o que tenho para te contar. – Dazai ouviu um baixo ‘paciência, Chuuya’ do ruivo. Deu uma curta risada. – Eu vou morrer! – Contou com toda a animação e empolgação que possuía. Talvez tivesse saído um pouco alta demais, visto que os civis o encaravam ainda mais assustados, alguns ligavam para a polícia, mas não chegariam à tempo.
— Que bom, né Dazai? – Estava comovido, Chuuya ainda torcia pelo seu sucesso.
— Sim, maravilhoso. Portanto, gostaria de dizer que eu coloquei veneno em dez garrafas de vinho da sua adega, quais delas você terá que descobrir sozinho. Bem, é isso, meu pequeno Chuuya, eu estou lhe dando um adeus, definitivo dessa vez. – Se questionava se o ruivo cairia no truque. Estava blefando sobre o veneno, só queria mexer com ele uma última vez.
— Espero que a morte seja tão ruim quanto minha vida com você foi, seu filho da- – A frase foi cortada, Dazai desligou a ligação, satisfeito que conseguira incomodar seu pequeno bichinho de estimação.
Sem mais tempo, se pôs a mandar mensagem para todos que conhecia, Kunikida, Yosano, os irmãos Tanizaki, Ranpo, até mesmo Fukuzawa e seu antigo chefe na Máfia. “Adeus, eu vou morrer” era o que dizia. Obteve respostas imediatas de Yosano, Ranpo e Kunikida. “Parabéns” fora a da médica da ADA, “Duvido, mas antes de morrer, deposite na minha conta o que me deve” dissera Ranpo, já a de Kunikida possuía milhares de insultos e palavrões por estar matando trabalho, mas Dazai já conhecia bem o parceiro e sabia que ele estava, na verdade, lhe dizendo “Parabéns, meu maravilhoso companheiro de trabalho, eu sempre serei honrado por tê-lo conhecido”.
Suspeitava estar ficando sem tempo, então, não esperaria pelas respostas restantes. Guardou o celular de volta no bolso e esperou sentir a onda de ar frio bater nas suas costas para se inclinar para frente.
De olhos fechados, Dazai caiu no lago.
Toda a coisa de “quando você vai morrer, vê toda sua vida passar diante dos seus olhos” era pura mentira. Estava tudo escuro e quente. Ao menos isso era novo, talvez fosse só a água banhada pelo sol. Era como dormir, sentia-se ser arrastado levemente pela água, como se estivesse boiando, mas seus pulmões doíam pela falta de ar, mas, talvez pela paz interior, era confortável. Depois de, talvez, 2 minutos, não sentiu mais a água, nem as pedras que arranhavam seu braço, menos ainda a necessidade de respirar, morrer era exatamente como desmaiar, dormir e Dazai estava decepcionado pela falta de emoção. Teria uma boa conversa com a morte depois, eles precisavam mudar os ‘sintomas’.
Então foi como acordar depois de um súbito desmaio, de um sonho angustiante o qual não lembrava nada. Estava frio, molhado, seu coração batia, seus pulmões respiravam oxigênio. O lago estava ao seu lado, seu corpo estava sentado em um chão muito, muito desconfortável e do seu outro lado, havia um garoto, cabelos brancos e assimétricos, roupas desgastadas e rasgadas, também molhado. Podia até ver a morte sendo levada pelo rio, lhe dando adeus.
Dazai estava vivo, por causa daquele garoto de cabelos brancos.
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