Inválida

1 Segundas Chances


Notas iniciais
Espero que vocês gostem de ler o que deve ser o início do meu maior projeto como escritor até então, uma tomada diferente em Equestria, onde mais uma vez eu me perguntarei: "E se as coisas fossem diferentes, como elas seriam?"Porém, ao contrário de Sunshine and Butterflies, iremos mais fundo, e longe.Essa história se passa antes do exílio de mil anos de Nightmare Moon na Lua, ou será que depois?Acompanhe-me nessa história destinada a lhe confundir e cativar.

Equestria, aproximadamente mill anos atrás.

Uma noite amena de céu estrelado e grilos barulhentos cobria Canterlot mais uma vez. Na sala de reuniões reais as duas princesas, Celestia e Luna, discutiam com risinhos e brincadeiras sobre o festival que seria comemorado amanhã.

“Já que a ideia foi sua, irmãzinha, eu não vejo o por que o meu trono deveria estar mais alto que o seu em uma homenagem à Lua.” Celestia disse, apontando com seu casco para o rabisco que haviam feito, um pequeno planejamento de como seriam distribuídos os seus assentos durante a cerimônia.

“E eu não vejo o por que devemos mudar as coisas justo agora.” A égua da noite respondeu com um rolar de olhos e sorriso. “Vamos manter as coisas como elas são, não precisamos de um protocolo diferente, irmã.”

Celestia levou seu casco até o queixo e ponderou por alguns segundos, sua irmã parecia estar sofrendo de alguns problemas de auto estima nos últimos meses, e ela não havia ideia de como ajuda-la. Quando a pequena sugeriu uma cerimônia para o Eclipse Lunar que estava se aproximando, e que agora seria no próximo dia, o rosto do alacórnio branco se encheu de esperança, esperando que tal celebração fosse o suficiente para animar a pequenina.

Os seus assentos especiais estavam distribuídos em cima de um palco elevado que até pela manhã seria montado na praça central de Canterlot para a primeira Celebração do Eclipse Lunar.

“Tudo bem, se é assim que você quer...” Celestia sorriu e espichou seu pescoço, roçando a ponta de seu focinho contra a bochecha de sua irmã.

“C-Celestia!” Luna protestou com um sorriso em seus lábios, sem fazer qualquer esforço para tirar sua irmã de perto dela, pelo contrário, ela chegou um pouco mais perto até as duas se abraçarem.

Eram raros os momentos onde as duas soberanas de Equestria sentiam-se confortáveis em compartilhar esse amor de irmã, estavam sempre sendo observadas ou ocupadas com seus afazeres reais que tais coisas lhes eram privadas.

Alguns risinhos, abraços e cafunés depois, elas se separaram e foram até seus respectivos aposentos, o próximo dia seria cheio e eles sabiam que precisariam ter suas energias recuperadas.

A noite demorou a passar, ambas as éguas rolavam em suas camas esperando pelo dia de amanhã, nervosas, cada uma com seu motivo. O dia por sua vez foi rápido, foi uma tarde quente que começou nublada e terminou de céu limpo, a leve e constante brisa tornava o clima agradável para os habitantes de Canterlot, além de ajudar um pouco aqueles que davam os toques finais na praça.

O palco era grande o suficiente para comportar aproximadamente quinze dançarinas, respeitando o espaço das princesas que estariam no fundo, olhando para o espetáculo do ângulo oposto ao da multidão. Bancos haviam sido distribuídos em fileiras uniformes a fim de possibilitar descanso aos presentes durante a festividade, alguns metros mais longe dos bancos, várias barraquinhas eram erguidas contendo as delícias e refrescos que os equinos adoravam consumir em festas, além de lembranças e souvenires.

Pôneis dos mais variados lugares vieram assistir o que deveria ser o começo de uma nova tradição, um dia de apreciação à Lua e sua incrível beleza, tanto o satélite quanto a princesa.

E assim o dia se passou, como em um passe de mágica Canterlot apagou, nenhuma luz tinha o direito de iluminar a cidade, esse seria um privilégio da Lua e apenas dela, exceto pelas lanternas da praça, que se apagariam segundos antes do eclipse previsto para as vinte e duas horas e nove minutos.

A noite cobriu os céus, trazendo com ela uma escuridão azul e a imponente Lua, que hoje reinava sozinha sem o auxílio de suas estrelas, enquanto no fundo do palco lá estava ela, Luna vestida em um estonteante e sério vestido de gala negro com um detalhe em forma lunar branca em seu peito, enquanto sua irmã trajava algo mais aberto e livre, tingido de rosa claro com detalhes dourados, ambas com suas crinas soltas em toda sua magnificência.

Elas desfrutavam de uma vista privilegiada das belas éguas que entretinham a todos e davam ritmo à festa, todos pareciam felizes com a presença de suas monarcas, boa comida e bebida e belas éguas.

“Irmãzinha, eu devo admitir que deveríamos fazer mais festas como essa...” Celestia disse, sendo interrompida pelo cálice dourado que foi levitado até seus lábios por ela mesma. E após um gole de seu vinho, ela continuou. “É tão gratificante ver a apreciação de nossos pequenos. Quando é o próximo eclipse? Mês que vem?” Ela perguntou com um sorriso brincalhão e bochechas levemente ruborizadas.

Luna por sua vez não parecia estar tão à vontade quanto a sua irmã, seus olhos constantemente olhavam por cima de seu pescoço, como quem procura por algo que some assim que se vira a cabeça, Celestia não soube o porquê, mas um calafrio percorreu sua espinha.

“Celestia...” A princesa menor começou. “Você acha mesmo que eles estão gostando da minha noite?” Ela terminou a pergunta fitando a sua irmã de baixo para cima com uma expressão preocupada.

O alacórnio alvo piscou e então sorriu largamente, aliviado por descobrir que toda essa preocupação e apreensão de Luna era algo relativamente bobo. “Mas é claro que sim, minha irmãzinha, olhe à sua volta.” Ela disse fazendo um movimento em arco com o casco, apontando para seu arredores. “Todos estão se divertindo com sua bela noite, fique tranquila.”

A égua azul encarou sua irmã por alguns segundos até que olhou para outro lado e sorriu timidamente. “Obrigada, Tia.”

Com um grande sorriso, Celestia terminou seu cálice de vinho e ordenou que ele fosse enchido novamente, se sua irmã não ia beber para poder fazer seu discurso de cara limpa, bem, o alacórnio branco iria beber por ela.

O horário se aproximava, e as dançarinas terminavam seu último número com uma enxurrada de aplausos, assovios e gritos. Assim que elas saíram do palco, as lanternas da praça começaram a apagar uma por uma, e junto com a brisa gentil arrancaram calafrios e gritinhos de alguns da plateia, a noite era bela, porém ainda misteriosa e assustadora.

Sob o luar, a princesa lunar desceu de seu posto e foi até a beirada do palco, seus olhos turquesa brilhavam enquanto eram envoltos por uma bela aura da mesma cor e logo viraram o centro das atenções.

“Saudações meus queridos súditos!” Ela disse com um sorriso, enquanto seus olhos se fechavam. “A presença de todos vocês alegra a sua princesa e enche seu coração de conforto.” A Lua que brilhava no topo do céu teve uma de suas bordas engolida pelas sombras, que lentamente progrediam, prontas para escurece-la.

“Dez e nove.” Alguém da plateia comentou baixinho, confirmando o horário, sendo respondido por um curto shhh.

“Eu prometo que sempre cuidarem bem de todos, não importa o quão escura seja a noite, eu sempre estarei lá para protege-los.” Ela disse com a voz levemente alterada, um pouco mais alta do que o de costume, fazendo Celestia, que a essa altura também estava levemente alterada com tanto vinho, erguer uma sobrancelha, além do discurso ser algo um pouco diferente do que ela esperava.

Então Luna se virou, dando suas costas ao palco e o público, encarando sua irmã que havia atrás de si a Lua já coberta pela metade por sombras.

“Minha querida Celestia.” A voz da princesa da noite fez os olhos do alacórnio branco se arregalarem, situação que apenas piorou ao notar que os olhos de sua querida Luna estavam diferentes, sua pupila estava de um jeito que nunca havia visto antes, uma fenda na vertical. “Talvez você não entenda ainda, mas isso é pelos mil anos que eu passei na Lua.”

A multidão fez um alvoroço, tomando a atenção borrada de Celestia, os pequenos pôneis apontavam para trás dela, e ao virar seu pescoço o alacórnio logo entendeu o porquê.

Sangue.

A Lua estava rubra como sangue. Seu brilho mórbido parecia sugar Celestia de si, como se sentisse sua consciência querendo escapar de seu corpo, era terrível e indescritível. E então a dor começou, a égua branca estava alinhada entre a Lua e sua irmã, de algum modo presa, não conseguia se mexer, seu corpo começou a encolher enquanto a cor de sua crina a abandonava, dando lugar para o rosado de sua infância.

Já a sua irmã crescia enquanto seu pelo azul ficava tão escuro que ninguém deveria se sentir culpado por chamar aquilo erroneamente de preto, era algo aterrorizador e ao mesmo tempo magnífico de se ver, a princesa da noite ficara escura como tal, e grande.

Os pôneis da plateia estavam congelados, por horror ou por magia Celestia não sabia dizer, ela ficou de pé no seu trono, sentia-se fraca, tentou concentrar sua magia, porém estava totalmente sem energias.

“Luna!” Ela gritou com toda a pouca força que tinha. “O que está acontecendo?!”

“Você é a culpada por isso, Celestia! Tudo o que eu queria era atenção, como você pode me banir para a Lua por um milênio?” Luna, que agora tinha um corpo tão grande quanto o que sua irmã possuía a fitava com seus novos olhos. “Eu não vou deixar isso acontecer de novo!”

Celestia estava perdida, confusa, ela não tinha a mínima ideia do que sua irmã estava dizendo. Lágrimas encheram seus olhos e soluços trancaram sua garganta, enquanto ela tentava fazer seu corpo mexer de algum modo, se perguntando o que havia feito de tão grave para sua irmã fazer tal coisa com ela?

“A partir de agora, eu reinarei Equestria sozinha, enquanto você ficará presa no-“

Um minuto.

O tempo passa devagar quando coisas importantes acontecem, um segundo torna-se algo incontável, e antes que o relógio pudesse adicionar mais um número em seus minutos, um evento ainda mais raro e improvável que a Lua de Sangue aconteceu.

Uma bela porta de madeira clara como marfim havia aparecido em pleno ar, apenas alguns centímetros de distância de Celestia. No topo, estava cravado as seguintes palavras no topo da moldura.

XIX – O Sol

E como se a convidasse, a porta se abriu sozinha, revelando uma relva ensolarada do que parecia ser um grande campo. Celestia não raciocinou, não era hora para entender as coisas, ela fez o que tinha condições já que por um capricho do destino, ou então intervenção do mesmo, o que a prendia deixou de funcionar por alguns segundos, tempo o suficiente para que ela saltasse em direção do portal.

Agora Luna, por sua vez, tinha uma visão diferente das coisas, tudo o que ela viu do lugar onde estava, foi sua irmã saltar e sumir em pleno ar, desaparecendo. O alacórnio ébano soltou um urro de frustração, se perguntando como sua irmã havia dado um jeito de escapar mesmo sem condições de usar magia.

Bem, isso poderia ficar para outra hora, agora ela tinha um reino inteiro para tomar conta.

Sozinha.

Assim que Celestia atravessou a porta, seu corpo, agora pequeno, foi tomado por um turbilhão se sensações, sua visão foi assaltada por tantas coisas indistinguíveis que ela não conseguiria entende-las, apenas sabia que elas estavam lá, a observando.

E então seu copo amoleceu, seus olhos fecharam e ela finalmente descansou. Assim a Princesa do Sol sonhou, em lugares distantes ela viajou sem sair do lugar, sem saber onde seu corpo estava, seu espírito estava livre e nada mais importava.

Uma voz solitária ecoou dentro de sua cabeça.

“Ei bunda mole... acorda!”

Notas finais
Essa FanFiction é dedicada para aqueles que me incentivam, cada um do seu modo, a continuar a escrever cada dia e melhorar cada vez mais.Um muito obrigado muito sincero para: Literate Flamethrower Luna Sapphire Calhoun Calamity Uncreative E para você, meu querido leitor. Paz.