Invisível aos olhos
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Estamos parados na frente da porta de Billy faz alguns minutos. Eu estou tentando reunir palavras para explicar os dois ao meu lado. Apesar de Billy ser humano e não vai vê-los... Então, terei que pedir permissão a Pamela. Toco a campainha e depois de alguns segundos, Tom abre a porta. Assim que me vê, sorri e se joga no meu pescoço. Tom é tão amável.
— Sempre acho que você não vai voltar. Já são nove e meia... – Ele para de falar quando olha para meus “amigos” – Quem são?
— Pode chamar a sua mãe? – Tom me solta e vai andando para dentro da casa devagar. – Mãe... a tia trouxe duas pessoas suspeitas...
Escuto alguns passos e vejo Pam. Ela examina cada um dele e depois olha para mim.
— Você está bem? – Coloca a mão na minha testa. E dá um passo para dentro da casa, como se procurasse algo. – Nossa, está tão fria. Matt tem que fazer você melhorar e...
— Senhora. – Ela para de falar e volta a me olhar. – Eu sei que você quer me ajudar, mas eu não posso ficar aqui sem eles dois.
— Eles dois? – Pam olha para quem está perto de mim. – Você não pode está querendo dizer...
— Said, Chand, essa é Pamela, a mulher do meu irmão. – Aponto para cada um, fazendo a devida apresentação. – Pam esses são meus guardiões. E sim, eu sei que não são humanos.
— Um fantasma e um Shinigami? – Ela olha para os dois. – Você pode vê-los? Como isso é possível? Esse garoto faz um pouco de sentido, mas o menino?
— É... Bem. Eu posso vê-los, ouvi-los e tocá-los. Teria como eles serem bem-vindos aqui, enquanto estou nessa casa? – Seguro na alça da minha mochila esperando uma resposta. Pela cara de Pam isso não parece boa idéia.
— Hum... Eles serão nossos convidados no jantar de hoje e poderão dormir aqui hoje. Mas... Er... Vou ter que arranjar um quarto para eles. Não cabem todos com Tomas.
— Senhora, não precisa. – Said levanta a mão a interrompendo. – Estamos aqui por Cassandra. Enquanto ela dorme, nós cuidamos dela. Digamos que não dormimos a noite, quando estamos juntos.
Pamela parece pensar um pouco e concorda com a cabeça.
— Faria Tomas dormir com Matthew, no entanto se o seu irmão estivesse aqui... Ele não deixaria. – Olhando para Said, ela completa: — Meu marido não pode vê-lo quando está assim. Por favor, fique vísivel no jantar e Chander, não é? – Ela olha para o loirinho ao meu lado. – Ele não poderá te ver. Não fique ofendido.
— Não ficarei. – Ele parece sério, e eu já entendi o motivo.
— Só espero que Tom não se sinta muito incomodado. – Coço a cabeça enquanto Pam nos deixa entrar.
Tom está sentado no sofá, mas a televisão está desligada. Ele olha por cima do ombro e fica parado, parecendo não saber se pode vir aqui. Chan pega a minha mochila e entra na parede, de baixo da escada. Deve estar levando para o quarto de Tom.
— Vamos jantar? – Pergunto me aproximando do sofá. Matthew levanta a cabeça e surge do lado do irmão, me fazendo dar um passo para trás. – Oi...
— Esse que é o garoto?— A voz de Said está igual a antes, e isso me dá dor de cabeça. Parece que ele não chegou a falar alto, mas eu faço um sinal possítivo com a cabeça. – Não chegue perto dela nunca mais, entendeu?
Said fica entre o sofá e eu, fazendo com que os dois irmãos não consigam me ver direito. Seguro na mão dele e puxo para a mesa.
— Amigo. – Digo me sentando. – Seja amigo deles, entendeu?
— Não quero. – Ele se senta ao meu lado e Chan aparece do outro. – Ela quer que viremos amigos desses caras.
— Nunca! – O menino reclama. – Nem pensar!
Escuto alguns passos vindo para cá e de rápidos passam a ser lentos. Olho para trás e vejo os cinco garotos em pé olhando fixamente para os dois do meu lado.
— Ela consegue ver... – Dylan cochicha para os irmãos
— Pelo visto sim... – Diz Matthew dando a volta na mesa e se sentando na outra ponta, bem longe de mim.
— Oi, minha irmanzinha. – Billy puxa minha cabeça para trás, dando um beijo na minha testa. Chan está segurando cada vez mais forte a minha mão. — Eu já estava saindo para te buscar.
Ele puxa a cadeira em que o pequeno está sentado, o fazendo soltar da minha mão.
— Espera! – Digo o empurando, antes que sente no meu irmão. Eita... Estou cada vez mais confusa. – Tem gente aí.
Ele olha para baixo e depois para os garotos que estão andando para seus lugares.
— Mas seu convidado está sentado do outro lado. – Billy indica Said tentando ser discreto. – Ele por acaso é seu namorado?
O ceifador me olha e depois se vira para meu irmão mais velho. Calma, tecnicamente os dois são mais velhos. Ele olhou para Billy e seus olhos azuis congelaram meu irmão.
— É... Ele é o que?
— Parou de ser indireto, amor? – Pam senta na minha frente e aponta para seu lado. – Senta aqui. – Ele vai e senta na frenta da cadeira “vazia”. Sentado a sua frente está um amigo fantasma de sua irmã. E do outro lado está um amigo Shinigami dela.
— Calma, o que? – Ele olha para mim e então para as cadeiras do meu lado. – Mas eu pensei que ela não soubesse nada sobre sobrenaturais.
— Eu também. – Alguém do outro lado da mesa cochichou.
Olho para o resto da mesa e todos estão prestando atenção.
— Eles vão morar com a gente. Mais ou menos. – Eu digo e os irmãos começam a conversar baixo. – Esse é o Said... Ele é como se fosse o meu...?
— Sou o guardião dela. – Seus olhos continuam deixando meu irmão sem palavras. É acho que Said gostou do que eu falei para Pam.
— Na verdade eu não sou amigo dela. – Chand diz, e todos, menos Billy, olham para ele. – Danda é minha irmã mais nova.
Os olhos de Pam crescem e ela olha para mim. Faço um sinal de positivo e então sua boca abre surpresa.
— O que foi, meu bem? – Billy toca no ombro dela e então olha para mim.
— É... O amigo fantasma da sua irmã... É o irmão dela.
Billy olha para frente e não vê nada.
— Você está querendo dizer que Chander existe de verdade? – Meu irmão não para de encarar o meu novo irmão. – Mas a tia Nyx sempre disse que era o amigo imaginário da Cass!
— Você sabia sobre ele? – Minha voz soa mais alto do que o esperado. – Você sabia que eu tinha outro irmão e nunca falou nada?
— Achei que você falava isso para me irritar e todos esses anos você não falou esse nome de novo... Eu pensei que tinha parado de inventar.
— Ele está falando que sou um amigo inventado. – Chan começa a ficar irritado e sua mão segura ainda mais firme a minha. – Seu falso irmão está dizendo que eu não existo?
— Ninguém disse que você não existe, meu anjo! – Pam intervem do outro lado da mesa. – Amor, você está sendo insensivel! Ele morreu novinho, então não amadureceu e nunca vai! Assim você está magoando o menino.
A mesa fica em silêncio por um momento e sinto como se eu estivesse sento o centro das atenções no momento. Olho para a outra parte da mesa e essa longa mesa que abrange dez assentos está completa.
— Mãe, o que Cass quis dizer com eles vão ficar aqui? – Não sei de Dylan está tentando quebrar o gelo ou congelar ainda mais, mas o assunto muda um pouco. – Nós não temos quartos suficientes para isso.
— Ah! É verdade. Bem, pensei em Tom dormir com o Matthew e os meninos dormem com a Cassandra no quarto de Tomas... – Pamela vai falando mais devagar, de acordo com os olhos de Billy.
— Você está dizendo que esse Shini-não-sei-o-quê vai dormir no quarto da minha irmã com um fantasma que nem mesmo conhecemos?
— Estou sentindo como se estivésemos sendo insultados aqui. – Chander sussurra para Said, por trás de mim.
Coloco o copo d`água na boca e percebo que quase ninguém começou a comer, apesar de vez em quando beberem.
— Desculpe-me a interrupção, senhor. – O ceifador chama a atenção do meu irmão, que tenta não olhá-lo nos olhos. – Mas não há nada que eu veja em Cass que eu já não tenha visto.
Engasgo com a água e olho para Said. Mesmo se isso for verdade, por que está dizendo para o meu irmão? Seu idiota! Ele retribui o meu olhar e percebo que todos ficam vermelhos, menos Tom. Que bom que temos ao menos uma pessoa inocente por aqui. Desvio meu olhar para Chander, que também está tranquilo sobre isso.
— Você o que? – Caleb é o primeiro a falar, bem ao lado de Said. – Isso é verdade, Cass?
Billy não olha para mim, na realidade está fuzilando o Ceifador com os olhos. Pam começa a comer, parecendo ainda mais desconfortável e Chan está bebendo a minha água. Fantasmas bebem?
— Como o assunto foi parar nisso? – Minha voz está bem sem confiança e eu olho para Billy quando completo. – Ele é meu guardião. Você não sabe do que houve na minha vida, já que não esteve presente. Você não tem como reclamar de nada.
— Você fala como se eu não tivesse tentado ficar com você! Em um lugar onde sangue significa tanto, um irmão de coração é descartado! – Billy parece bem bravo.
— Ai... Que confução. – Pam toca no ombro do marido. – Meu amor, o que você propõe então? Pois ela só vai ficar nessa casa, se eles também estiverem.
— A moça está dizendo que vamos morar aqui? – Chander pergunta ao amigo por de trás de mim e eu vejo Said dar de ombros. – Eu prefiro fazer o que tinhamos combinado lá fora.
— Concordo. – Digo baixo para Chander. – Pam? Podemos ficar no quarto de Tom, com o Tom? Assim Willian não vai se preocupar, certo?
Todos olham para meu irmão que estava vermelho de raiva até agora, e depois para Tom que está sentado ao lado da mãe.
— Não ligo de terem mais pessoas no quarto... Mas não dá todo mundo na cama que divido com Cass.
— Ele dividiu a cama com ela? – Caleb pergunta a Dylan que dá de ombros.
— Isso é tão injusto. – Dylan responde cruzando os braços.
— Não se preocupe, senhor Peterson. Eu e Chan, tentaremos não atrapalhar. Costumamos ficar com Cassandra o tempo inteiro, então não deve nos ver em outro lugar.
— Acho que você não está ajudando, Cê. – Falo baixo, sentindo como se o mundo estivesse de pernas para o ar. – Billy, já está muito tarde e amanhã eu tenho aula extra na faculdade. Já vou para o quarto está bem?
Tom se levanta e dá a volta na mesa, ficando atrás de mim. Acho que ao menos alguém concorda.
— Sou Tom. Bem vindo a minha casa. – Ele estica a mão para Chander que olha para mim sem saber o que fazer. – Quantos anos você tem?
Concordo com a cabeça e ele lhe segura a mão.
— Eu morri aos oito anos, mas se eu estivesse vivo teria vinte e sete anos. – Chander se levanta e Said também. – Pode me chamar de Chan.
— Então, já vamos. – Também me levanto, vendo que os três já estão subindo as escadas.
— Espera, Cassandra. – Pam me faz parar e eu olho por cima do ombro. – Você precisa passar no quarto de Matthew antes, você não está bem.
Olho para onde o garoto moreno está sentado e ele retribui o olha. Olhando-me de cima a baixo, se levanta e anda em minha direção.
— Não tem mesmo como eu só estar cansada e não precisar de nada disso? – Olho para Pam com espectativa e ela apenas nega com a cabeça.
— Tenho certeza que meu filho não irá te machucar, Cassandra. Pode ir com ele, afinal, você está aqui para não estar morta, não é mesmo?
Concordo com a cabeça e olho para o garoto ao meu lado. Eu nunca desejei que minha vida não fosse monótona. Eu estava satisfeita com meu estilo de vida! Por que está fazendo isso comigo, Deus?
Fale com o autor