Invisível aos olhos
31 Capítulo 31
Notas iniciais
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— Matt! Acorda a Cassie, se não eu vou me atrasar para a escola! – A voz é fina e me lembra, imediatamente, de Tom.
— Ela estava doente... É melhor que continue onde que está.
Para o som entrar facilmente no quarto, a porta deve estar aberta. Escuto passos indo e vindo. Mas não perto o suficiente.
— Eu senti tudo o que ela sentiu, Matthew. Acorde-a. Agora. – Essa sou eu? Sou ela? Quero dizer... Gaelle? — Não quer que eu grite bem alto o que aconteceu. Não é a primeira vez que você pode ter a machucado.
Rolo na cama ainda com sono, mas me sentindo leve.
— Você não vai entrar aqui, Cass 2. Deixe-a dormir em paz.
— Foi isso que ela pediu? – A pergunta de Gaelle faz com que Matthew pare de falar. Do que eles estão falando? — Se você tiver feito algo de estranho com ela dessa vez... Eu ainda fico inconformada com as minhas memórias...
— Do que está falando? – Tom e Matthew falam ao mesmo tempo.
— Ela pode não se lembrar de quase nada, mas vocês não perderam a memória. Eu posso estar calada por enquanto, mas apenas por que acho que ela pode não aguentar a verdade. – Minha familiar não parece irritada ou aborrecida, parece apenas... Cuidadosa.
Estranho? Onde estou? Abro os olhos e pisco devagar. Olho para baixo e estou com uma blusa de manga comprida e um short meio largo. É meu pijama. Olho para a parede. Esse não é o quarto de Tom... Então, estou mesmo no quarto de Matthew. Por quê?
Eu estava aqui me curando e a gente discutiu sobre algo relacionado com a escola... E depois... Depois... Acho que fomos jantar... Gae deve ter precisado dormir na cama com Tom, por isso estou aqui...
Olho para a porta e Matthew, Tom e Gaelle estão conversando baixo, com a porta aberta.
— Como consegue ficar tão calmo, se mal se aguenta em pé? – A minha voz pergunta a ele. Quero dizer, a voz um pouco modificada. — Acorde-a.
— Quem? – Pergunto sentando na cama. Vejo Matthew fazendo algo com a mão, mas não me faz sentido. Levanto do colchão e ando meio tonta até a porta. – Bom dia.
— Dormiu bem, Cassie? Matt não fez nada estranho com você? – Tom tenta entrar no quarto, mas ainda não consegue.
— O Matt? E o que ele faria? – Olho para do garoto que perguntou e depois para o mais velho. – Afinal, onde você dormiu?
Ele aponta para a cama e eu vejo o travesseiro no chão. Ele teve que dormir ali? No chão? No quarto dele? Não esperava isso do Matt... Já que ele é sempre tão indiferente quando o assunto sou eu.
— Coitadinho! É por isso que parece tão cansado. — Passo pela porta e vou para o corredor. –Obrigada, por me emprestar a sua cama hoje. Eu vou dar um jeito de dormir nós três no quarto de Tom hoje a noite.
Matthew está estranho quando finalmente fecha a porta. Gaelle está com um pijama meu, mas Tom já se vestiu com um uniforme.
— Ah, é... Você não pode sair de casa. – Aponto para a minha familiar, enquanto vou devagar, pegar minha roupa na mala. – Aiai... Que sono... Eu não dormia tão pesado assim, faz anos... – Me espreguiço e volto para o corredor. – Te encontro lá embaixo, Tommy. Só vou tomar banho e escovar os dentes.
Ando, meio que me arrastando, pelo corredor até o outro lado, quando sinto uma mão no meu ombro.
— Cass?
Olho para trás e é Gae.
— Sim...?
— Ainda está com febre? – Ela toca na minha testa e eu entro no banheiro, quase fechando a porta na mão dela.
— Não. Estou bem, Gae. Só ainda não acordei direito. Preciso conversar logo com Prime também... Pede comida ao Matthew, qualquer coisa. Ele vai ter que ficar aqui mesmo, já que está doente. – Paro e penso um pouco no que estou falando. – Será que você sentiu a doença dele? Você tem alguma ligação com ele?
Gae parece surpresa com a minha pergunta.
— Eu juro, Cass. Se você não fosse a minha mestre, eu provavelmente já teria te matado por ser tão estupida.
Fecho a porta, ainda piscando lentamente e vou para o chuveiro, tentar me acordar.
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Termino o banho e me olho no espelho. Meu corpo parece estar melhor do que nos dias anteriores. Meu cabelo negro está mais brilhoso também. Nossa... O shampoo de Pam é bom mesmo. Enquanto seco o cabelo, vejo que o corte em minha mão sumiu completamente. E eu que sempre fui cética sobre a magia.
Não me lembro, ao certo, qual foi minha conversa com Matthew para convencê-lo a me deixar dormir lá... Se não me engano, ele falou que me jurava alguma coisa... Não consigo lembrar exatamente de que ele estava falando. Visto a minha roupa e seguro a que eu tirei. Que estranho... Será que eu tirei minhas roupas intimas para dormir? Espero que não tenha dado para perceber, na blusa.
Abro a porta e Amon está do lado de fora, apoiado na parede.
— Bom dia! – Digo, enquanto passo pela sua frente.
— Matt não se lembrou de deixar seu quarto a prova de som.
Viro e paro, sem entender do que o loiro está falando. Amon está com o rosto bem expressivo, igual ao primeiro dia que vim aqui. Parece que acordou de mau humor.
— Que?
— Esquece, Cass. Não é da minha conta. – Amon entra no banheiro e fecha a porta com um pouco de força.
De que diabos ele está falando?
Desço as escadas, e Tom acena para mim dá mesa. Ele está tomando café da manhã. Eu devia tomar alguma coisa ao menos hoje. Sento ao lado do menino e ele sorri para mim, como se quisesse contar um segredo. Depois de olhar para os dois lados, ele coloca a mão, em concha, sobre a boca.
— Papai ainda não acordou, então os gêmeos falaram que me fariam um prato inteiro de brigadeiro! – Do jeito que Tom fala, para que há algum pecado nisso tudo. – Vai comer comigo?
— Claro. Quem negaria? – Digo assim que Caleb se senta na minha frente e coloca o prato entre nós. – Antes que me perguntem, Gae não vai participar das nossas refeições ou algo assim. Não quero que seus pais a vejam... Tenho mal presentimento quanto a isso.
Dylan mexe com as mãos, como se tivesse uma chave.
— Minha boca está selada quanto a isso.
— Tem razão, afinal, agora podemos sair nós quatro. – Olhando para Dylan, Caleb continua: — Sem problemas, não é?
— Isso. – Apesar de ele falar assim, seus olhos diziam “depois a gente conversa”. – Então, Cass? Podemos?
— O que? – Tom pergunta engolindo muito brigadeiro. – A onde vocês vão? Posso ir?
— Mamãe não te deixa, Tom... Desculpa, mas dessa vez é só para os primeiros gêmeos. – Caleb sorri, colocando um pouco do chocolate em sua colher. – O que nos diz, Cass? Podemos sair uma vezinha?
Olho no relógio da cozinha e já está na hora de sair. Termino o meu lado do prato e me levanto. Pego a minha mochila e a de Tom, o fazendo ter pressa para terminar.
— Por ontem...? – Dylan completa, e isso me faz parar de andar.
Ele está falando sobre o fato de manter segredo sobre o meu medo de trovão, ou está pedindo isso em forma de agradecimento? Respiro fundo e olho para trás. Os gêmeos param de comer e me encaram com seus olhos verdes. Independentemente de qual seja o motivo, acho que devo. Ao menos uma vez.
— Vamos, Tom. É seu primeiro dia. – Tom vem rápido em minha direção e passa por mim, chegando nos sacos de papel em cima da cozinha. – Pega um para mim também. – Olhando para os ruivos a espera de uma resposta mais exata eu aponto. — Certo. Essa noite.
— As sete. – Caleb se levanta, como se fosse vir em minha direção, mas para quando nego com a cabeça.
— Não dá. Tenho trabalho. Eu saio às oito.
— Então, vamos passar lá com a sua gêmea nesse horário. – Dylan também se levanta, apesar de não ter terminado de comer.
— Tudo bem, mas nem inventem de entrar lá! Se não nada de saída!
Antes que eu feche a porta principal, os dois gritam meu nome e eu olho para eles.
— Boate ou jantar? – Dylan pergunta, e isso parece surpreender Caleb, que sorri de uma forma engraçada.
Em um jantar seria mais “encontro” e estariamos só nós quatro, o que daria a impressão errada. Afinal, somos tudo da mesma família, apesar de isso ser muito estranho. Mas em uma boate, eles poderiam resolver se alimentar das garotas de lá. E isso seria bem pertubador. Por isso, nenhum dos dois parece boa coisa. Passo uma mecha do meu cabelo para trás da orelha, pensando se tenho outra opção. Se eu falar para eles escolherem, virão com aquela frase tosca de que “os dois” seria uma idéia melhor. Se alimentarem da energia das pessoas é algo proibido em minha mente. Apesar de ainda não saber se é obrigatório para a sobrevivencia deles ou não.
— Jantar. Qualquer lugar está bom. Qualquer dúvida, perguntem a Gae. Ela, provavelmente, vai saber o que eu como e o que não como. – Dou de ombros, sem saber se tem alguma comida que eu desgoste.
Dylan balança a cabeça concordando e Caleb passa a mão no cabelo, parecendo não gostar muito da resposta. Acho que vou ter que passar na minha casa, no caminho da cafeteria, para conseguir trocar de roupa. Saio da casa do meu irmão, e Tom já está me esperando no portão, bem animado. Os garotos não sabem onde trabalho, mas Gae deve ser lembrar.
Não sei bem como minhas memórias e sentimentos estão funcionando agora, por que ela parece ter tudo o que eu tinha até antes do ovo chocar, mas e os novos? Ela consegue sentir o que eu sinto também? É estranho... Por que às vezes parece que sim, e às vezes não... Eu não consigo fazer isso com ela. Não sei o que passa pela cabeça dela. Ou talvez ela só não tenha sentido nada até agora. E sobre as memórias, acho a minha mente não está tão unida assim com a dela. Se não ela teria dito algo sobre Dylan, ontem à noite.
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